Como construir uma casa no céu?

Do Evangelho Quotidiano

Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína. (Mt 7,21.24-27)

Comentário da palavra feito por Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona e Doutor da Igreja

[O salmista diz:] O Senhor é grande e muito digno de louvor (Sl 95,4). Quem é este Senhor senão Jesus Cristo, grande e digno de louvor? Vós sabeis, com certeza, que Ele apareceu como homem; sabeis que foi concebido no seio de uma mulher, que nasceu desse seio, que foi amamentado, levado nos braços, circuncidado, que foi feita uma oferenda por Ele (Lc 2, 24), e que cresceu. Sabeis também que foi coberto de escarros, coroado de espinhos, e crucificado, e que morreu, trespassado pela lança. Vós sabeis que Ele sofreu tudo isso: sim, “Ele é grande e digno de louvor”. Acautelai-vos de desprezar a Sua pequenez; compreendei a Sua grandeza. Ele fez-Se pequeno porque vós éreis pequenos: compreendei quão grande Ele é, e sereis grandes com Ele. É assim que se constrói uma casa, assim que se elevam grandes muros numa habitação. As pedras que se trazem para construir este edifício estão aumentando: crescei vós próprios, compreendei como Cristo é grande, como aquele que parece ser pequeno é grande, muito grande. [...]

Que pode dizer a pobre língua humana para louvar quem é tão grande? Dizendo muito grande, ela esforça-se por exprimir o que sente e crê [...], mas é como se dissesse: O que eu não posso exprimir, tenta tu apreendê-lo pelo pensamento; e contudo sabe que o que tiveres apreendido é muito pouco. Como poderia ser traduzido por qualquer língua o que ultrapassa todo o pensamento? Grande é o Senhor e muito digno de louvor! Que Ele seja portanto louvado, que seja pregado, que a Sua glória seja anunciada, e que a Sua casa seja construída.

Dominus Vobiscum

E essa tal sede do eterno?

Recordando - Nos textos anteriores, vimos que o homem tinha uma ligação com Deus, que se perdera com o pecado. Falei também sobre o vazio que muitos sentem, e tentam saciar com coisas… Não conseguem.

Mas hoje, que falar que existe ainda outros homens que tem essa sede, e buscam saciar essa sede do eterno. Tentaram e tentam até hoje reestabelecer essa intimidade com Deus, criando fórmulas, ritos, cultos, sacrifícios… Para isso basta olhar a história da humanidade. Ao longo do tempo, o homem sendo religioso, ou seja, tendo em si o desejo do eterno, via nas criaçoes e criaturas retratos do criador. Como nasce o fogo? De onde vem a luz? Depois da vida, o que acontece? O homem sempre fez e sempre vai fazer perguntas assim. Porém o grande problema, não são as perguntas. São as respostas…

Como o homem não encontrava respostas, passou a inventar respostas. Começou a dizer que aquilo que era criado, era um Deus. Por exemplo, muitas civilizações adoravam o Deus Sol. Sabiam da importância e da força do sol. Mas não sabiam o que era o sol. Passaram a adorá-lo como Deus. Outros viam animais como por exemplo a vaca, o lobo, o tigre… Queria reverenciar tais criaturas. Tinham a noção de que existia alguem maior. Ele via o sol ou o fogo, e se perguntava quem criou aquilo. Via a lua, as estrelas e se perguntava qual a origem de tudo… de onde vinha aquele poder. Percebia, ainda que sem a clareza total dos fatos que havia um ser maior que ele. Ninguém ensinou issoa eles. Isso era instintivo. Assim como comer ou beber…

Elementos da religião asteca na América do Sul. Quem ensinou aos Astecas a importância da religião?

Alguns inocentemente, vamos dizer assim, inventar deuses. A dar características humanas, e sentimentos humanos aos deuses. Outros se fizeram deuses. Outros ainda mantiveram a adoração ao sol, a lua, as estrelas, os animais… Criaram crenças e comportamentos religiosos como orações, cultos, sacrifícios, etc… Isso você pode ver numa tribo africana, numa tribo indígena aqui no Brasil, ou em qualquer povo primitivo. Cada crença tem um rito, um culto, uma forma de proceder…

Deus grego poseidon, o Senhor dos Mares. Em outro período histórico, e em outro lugar, outros acabavam nomeando um outro deus a quem acreditavam reger os mares…

Peguemos como exemplo Poseidon. Ele era tido como senhor dos mares. Por isso, todo homem que fosse enfrentar qualquer espécie de viagem marítima, precisava pedir proteção a Poseidon. Os Romanos tinham um deus parecido. Chamava-se Neptuno. Ninguem queria enfrentar sua ira. Olhando a história vemos diversos exemplos disso. E foram essas buscas pessoais que ao longo da história fizeram surgir religiões e doutrinas das mais diversas.

Parece-me salutar fazer estas recomendações aos jovens estudiosos, inteligentes e tementes a Deus, que procuram uma vida bem-aventurada: Que não se arrisquem sob o pretexto à tender uma vida feliz e que não se dediquem temerariamente a seguir doutrina alguma das que se praticam fira da Igreja de Cristo.
(Santo Agostinho – Séc IV)

Portanto essa natureza do homem de buscar o eterno é algo natural. O problema não é a busca, mas o caminho que se percorre. A religião não é algo ruim, muito pelo contrário. É lago salutar pois mostra aquilo que o homem busca em sua essência. Mas qualquer religião vale? Bom, essa pergunta eu responderei amanhã!

Pax Domini!

Sintonize-se com Deus!

Nos textos anteriores, falamos que Religião significa “ligar novamente o homem com Deus”. Vale a pena salientar e repetir, que esse contato, essa intimidade do homem para com Deus, se perdeu com o pecado. Isso vemos no livro do Gênesis. Nele, vemos que o homem desobedece a Deus e deseja ser igual a Deus. De criatura, deseja ser criador. Deseja ter todas as respostas, ainda que precise inventar tais respostas. Apresenta-se ai o primeiro e maior problema do homem: O pecado.

Mas o que é o pecado? Bom para tentar explicar a você o que é o pecado, vamos dar um exemplo. Vimos que o homem foi criado para estar em sintonia com Deus. Agora imagine um rádio. Quando você sintoniza uma estação de rádio você pode ouvir tudo que essa rádio diz ou toca. Você ouve o radialista, você escuta as notícias, você escuta as músicas…

O que ela mandar para você, enquanto você estiver “sintonizado” naquela rádio, você escutará. Assim era a relação de Deus para com o homem. Neste exemplo, podemos chamar a Deus de Dono da Rádio, e o homem de ouvinte. No início o homem era “sintonizado” 24 horas na rádio de Deus. Ouvia tudo que Deus lhe mandava. E o homem vivia feliz, sintonizado nessa rádio. Mas um dia, alguém disse aos homens que havia outras rádios. E que o homem poderia trocar de rádios quando e como quisesse. Disse que era possível até que se desligasse o aparelho, e o homem não escutasse mais rádio nenhuma. Alguém deu ao homem uma espécie de controle remoto e o homem passou a zapear outras rádios. Dai o problema passou a seguinte: O homem deixou de estar sintonizado com Deus. Com isso, o homem deixou de ser feliz.

Perceba que a intimidade foi rompida, mas o desejo de Deus, do eterno, do Divino, permaneceu em nós. A vocação a Deus permaneceu em nós. Podemos rejeitá-la, negá-la ou até ignorá-la. Mas ela está em nós. Está em mim e em você. Está no homem. Por isso muitas vezes tentamos encontrar formas de saciar isso em nós. Lembro da minha história…

É uma loucura confiar em Deus! … dizem. – E não é maior loucura confiar em si mesmo ou nos demais homens?
(São José Maria Escrivá – Séc XX)

Eu fui criado pela minha mãe e pela minha avó, tendo a obrigação de sempre ir a igreja. Fiz primeira comunhão, aos treze anos conheci a RCC, depois fiz a crisma e depois de um tempo abandonei a Igreja. Caminhei na Igreja, mas não tinha base catequética. Comecei a me deixar levar pelas idéias da faculdade. Fui deixando Deus de lado. Mas mesmo nesse período de afastamento, não posso negar, sentia um vazio de Deus. Negava esse sentimento, ignorava isso… Tentava preencher com festas, com bebedeiras, com sexo, com prazeres… Mas nada disso preenchia o vazio que só Deus pode preencher. Lembro-me de muitas vezes que ao chegar de uma noitada daquelas, deitava e pensava que quando acordasse, tudo voltaria a ser como antes. Tudo voltaria a ser vazio de novo. Muitas vezes dormi chorando.

Igual a mim, muita gente hoje traz esse sentimento de vazio. Conheci muitos jovens que chegam na segunda feira, rezando para a sexta feira chegar. Passam a semana inteira desejando a hora da festa, a hora da farra. E durante esse tempo, a fome de Deus permanece. Não estou falando de jovens inconsequentes. Falo também dos jovens “normais”. Conheço muitos jovens que trabalham, estudam, convivem bem com seus familiares, não usam drogas, mas tem em si essa mesma fome, esse mesmo desejo. O fato é que cada um tenta usar uma válvula de escape para compensar essa fome de Deus, esse desejo do Eterno.

Se você é assim e vive exatamente isso que lhe falei, só uma coisa lhe basta: Reconecte-se com Deus. Meu convite é esse: Volte para Deus pois Ele lhe espera de braços abertos! Eu fiz a experiência de voltar. Hoje não deixo mais de me sintonizar na rádio de Deus. Foi a melhor coisa que fiz na vida!

Dominus Vobiscum