Do Evangelho Quotidiano
Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?Jesus respondeu-lhe: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!Jesus disse-lhe: Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, ‘mostra-nos o Pai’? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras. Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai. (S. João 14,1-12)
Comentário do Evangelho feito por Beato João Paulo II
Deus, que habita numa luz inacessível (1 Tm 6,16), fala também ao homem através da linguagem de todo o universo: Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tanto o Seu poder eterno como a Sua divindade, tornam-se reconhecíveis quando as obras por Ele realizadas são consideradas pela mente humana (Rm 1,20). Este conhecimento indireto e imperfeito [...] não é ainda visão do Pai. Ninguém jamais viu a Deus, escreve São João, para dar maior relevo à verdade segundo a qual o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer (1,18). A revelação manifesta Deus no insondável mistério do Seu ser ─ uno e trino ─ rodeado de luz inacessível. Mediante esta revelação de Cristo, conhecemos a Deus, antes de mais nada, na Sua relação de amor para com o homem [...] (cf. Tt 3,4). É precisamente aqui que as Suas perfeições invisíveis se tornam, de maneira particular, reconhecíveis, incomparavelmente mais reconhecíveis do que através de todas as outras obras por Ele realizadas. Tornam-se visíveis em Cristo e por meio de Cristo, por intermédio das Suas ações e palavras e, por fim, mediante a Sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus, com a Sua misericórdia, torna-se também particularmente visível.
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