Homem de pouca fé, por que duvidaste?

Do Evangelho Quotidiano

Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a embarcar e a ir adiante para a outra margem, enquanto Ele despedia as multidões. Logo que as despediu, subiu a um monte para orar na solidão. E, chegada a noite, estava ali só. O barco encontrava-se já a várias centenas de metros da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário. De madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. Ao verem-no caminhar sobre o mar, os discípulos assustaram-se e disseram: É um fantasma! E gritaram com medo. No mesmo instante, Jesus falou-lhes, dizendo: Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais! Pedro respondeu-lhe: Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas. Vem disse-lhe Jesus. E Pedro, descendo do barco, caminhou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento, teve medo e, começando a ir ao fundo, gritou: Salva-me, Senhor! Imediatamente Jesus estendeu-lhe a mão, segurou-o e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste? E, quando entraram no barco, o vento amainou. Os que se encontravam no barco prostraram-se diante de Jesus, dizendo: Tu és, realmente, o Filho de Deus! (Mateus 14,22-33)

Comentário do Evangelho do dia feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 

Os discípulos são de novo joguetes das vagas e uma tempestade semelhante à primeira (Mt 8,24) desencadeia-se sobre eles; mas anteriormente tinham Jesus com eles, enquanto desta vez estão sozinhos e entregues a si mesmos. [...] Penso que o Salvador queria assim reanimar-lhes os corações adormecidos; precipitando-os na angústia, inspirou-lhes um desejo mais vivo da Sua presença e tornou a Sua lembrança constantemente presente no pensamento deles. Por isso não foi imediatamente em auxílio deles. Em vez disso: de madrugada, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar. [...]Pedro, sempre fervoroso, adiantando-se sempre aos outros discípulos, diz-Lhe: Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter Contigo sobre as águas. [...] Ele não Lhe diz: Ordena-me que caminhe sobre as águas mas antes que vá ter Contigo, porque ninguém amava Jesus como ele. E fez a mesma coisa depois da ressurreição: não podendo suportar ir tão lentamente como os outros na barca, deitou-se à água para os ultrapassar e satisfazer o seu amor por Cristo. [...] Descendo, portanto, da barca, Pedro avançou para Jesus, mais feliz de se Lhe dirigir do que de caminhar sobre as águas. Mas, no fim de superar o perigo maior, o do mar, acabou por sucumbir a um menos grave, o do vento. Tal é a natureza humana: muitas vezes, depois de termos dominado os perigos mais sérios, deixamo-nos abater por outros menos importantes. [...] Pedro não estava ainda livre de todo o temor [...] apesar da presença de Cristo perto dele. É que não serve de nada estar ao lado de Cristo se não estivermos próximos Dele pela fé. Eis o que marca a distância que separava o Mestre do discípulo. [...] Homem de pouca fé, porque duvidaste? Se, pois, a fé de Pedro não tivesse enfraquecido, teria resistido ao vento sem dificuldade. E a prova foi que Jesus segurou Pedro, deixando soprar o vento. [...] Da mesma forma que a mãe sustenta, com as suas asas, o passarinho que saiu do ninho antes do tempo, quando ele vai a cair no chão, e o volta a pôr no ninho, assim fez Cristo a Pedro.

Estudo sobre o pecado e a queda do Homem – Não se entende o pecado fora da Revelação Divina

O Catecismo da Igreja nos diz que:

A realidade do pecado, e mais particularmente a do pecado das origens, só se entende à luz da Revelação divina. Sem o conhecimento de Deus que ela nos dá  não se pode reconhecer com clareza o pecado, e somos tentados a explicá-lo unicamente como uma falta de crescimento, como uma fraqueza psicológica, um erro a conseqüência necessária de uma estrutura social inadequada etc. Somente à luz do desígnio de Deus sobre o homem compreende-se que o pecado é um abuso da liberdade que Deus dá  às pessoas criadas para que possam amá-lo e amar-se mutuamente. (CIC§387)

O fato de muita gente por ai anunciar que o pecado não existe, se dá justamente por falta de base no conhecimento da doutrina católica, em outras palavras, falta de Catequese. Desde o início do blog, fiz toda uma catequese inicial para explicar isso que o catecismo explica nesse versículo. Por causa de uma base fraca na fé, muita gente acaba não entendendo a realidade da doutrina católica no que diz respeito ao pecado.

Veja, o catecismo da Igreja ensina que Deus se revelou ao homem. O homem por si, nunca teria condições de chegar ao conhecimento de Deus. A base da religião católica se dá no fato de que Deus veio ao homem e mostrou a verdade. Se você não acolhe esse fato, você não vai conseguir entender a realidade do pecado. E por isso muitas pessoas acabam tentando explicar o pecado por outras vias.

Volto a frisar que, para entender certas realidades é sempre importante lembrar da base, daquilo que é a essência. A Igreja não impõe aos fiéis coisas aleatórias. Ela ensina os fiéis com base na Revelação Divina. É importante, antes de considerar as coisas de Deus, meramente absurdas, entender o porque disso ou daquilo. A Igreja explica, ensina, guarda a preserva o conteúdo da Revelação Divina. E o pecado também é explicado pela Igreja com base nessa Revelação, que não foi feita por homens, mas pelo próprio Deus e pelo seu Filho único e verdadeiro, Jesus Cristo.

Aquilo que vamos explicar no decorrer desse estudo, tem essa base. É preciso que você que está fazendo esse estudo conosco, esteja atento a isso sempre: Os ensinamentos da Igreja tem uma base: A Revelação Divina. E é sobre essa base que está a verdade!

Estudo sobre o pecado e a queda do Homem – O pecado existe!

Pax Domini! Continuando nosso estudo, vamos fazer uma reflexão a partir do trecho do Parágrafo 386 do Catecismo da Igreja Católica:

O pecado está  presente na história do homem: seria inútil tentar ignorá-lo ou dar a esta realidade obscura outros nomes. (CIC§386)

Hoje existe uma forte campanha pagã que prega que o pecado não existe. Dizem que o pecado é uma invenção cristã, para controlar as pessoas, para causar nelas um complexo de inferioridade…Isso é a mais pura das tolices! Se tomarmos como ponto de partida que as pessoas que divulgam essa idéia, podemos claramente perceber que essas pessoas não conhecem a luz (e portanto vivem nas trevas). Agora fica a pergunta: Como podem ver as trevas que vivem, se andam nas trevas?

Você já fez a experiência de estar dormindo e ser acordado com uma luz forte? Se já fez a experiência, sabe que quando ficamos muito tempo no escuro, a luz nos cega a vista. Foi mais ou menos que aconteceu com São Paulo no caminho para Damasco. Assim acontece com a nossa alma. Muitas vezes, nem vivemos sob grandes pecados. Mas o pecado é pecado. Seja grande ou pequeno, ele nos leva as trevas.

O pecado existe e é real. O problema é que só passamos a considerar o pecado, quando percebemos o valor de permanecer em Cristo. Quem não conhece Cristo não se preocupa em ofende-lo. Quem serve ao maligno ofende a Cristo conscientemente.Por isso que aqueles que não conhecem, ou não amam a Deus, acabam dando nomes estranhos a essa realidade. Uns dizem que é culpa, outros complexo, e assim vão dando nomes e soluções estranhas… Mas não existe isso! Pecado é pecado… E ponto final!

A grande jogada do inimigo de Deus, é justamente a de formular no meio das pessoas a falsa idéia de que o pecado não existe, para que as pessoas continuem a pecar. E os pecados são como escorpiões que se escondem nos buracos, nos entulhos, nos cantos das casas, para nos pegar quando menos esperamos. E quanto mais essa idéia se difunde, mais cresce a morte, a fome, a miséria… Por que este é o salário do pecado.

Por isso nós como cristãos precisamos bradar para todos que o pecado existe e é real! Precisamos alertar as pessoas que o pecado não é uma culpa! Mas confessar os pecados é sinal de libertação e vitória! Por isso, não se deixe convencer pelo mal: O pecado existe e só Jesus pode nos libertar dos pecados!

Dominus Vobiscum