Avareza – Escritos de Evágrio Pôntico

Na minha terra esse pecado é chamado de “pirangagem”. Alguns conhecem esse tipo como “mão de vaca”, “amarrado” ou coisas do tipo. Mas a avareza é um pecado gravíssimo que precisa ser trabalhado. Entenda porque, lendo esses escritos do monge.

A avareza é a raiz de todos os males e nutre, como arbustos malignos, as demais paixões, não permitindo que estas se sequem, eis que florescidas daquela. Quem deseja exterminar as paixões, que arranque a raiz; se para o bem tu podas os ramos, a avareza, porém, permanece; [esta providência] não te servirá de nada, porque estes [ramos], apesar de terem sido cortados, rapidamente florescem. O monge rico é como um navio extremamente carregado que é atingido pelo ímpeto de uma tempestade; assim como um navio que deixa entrar a água é posto à prova por cada onda, também o rico se vê submergido pelas preocupações. O monge que não possui nada é, ao contrário, um viajante ágil que encontra refúgio em todos os lados. É como a águia que voa alto e que desce somente para buscar o seu alimento quando necessita; está acima de qualquer prova, ri do presente e se eleva às alturas, afastando-se das coisas terrenas e juntando-se às celestes; tem, efetivamente, asas ligeiras, jamais carregadas pelas preocupações; sobrepassa a opressão e deixa o lugar sem dor; a morte chega e ele vai com ânimo sereno; a alma, com efeito, não está amarrada a nenhum tipo de atadura.

Quem, ao contrário, muito possui, se submete às preocupações e, como o cão, está preso à corrente e, se é obrigado a ir embora, leva consigo, como um grave peso e inútil aflição, a lembrança das suas riquezas, é vencido pela tristeza e, quando pensa nisso, sofre muito em perder as riquezas e se atormenta com o desânimo. E quando lhe chega a morte, abandona miseravelmente suas tendências, entrega a alma, embora o olho não abandone os negócios; de má vontade é arrastado como um escravo fugitivo; se separa do corpo, mas não dos seus interesses, porque a paixão o atinge mais do que o arrasta.

O mar jamais se enche, embora receba a grande massa de água dos rios; da mesma maneira, o desejo de riquezas do ávaro jamais se sacia: ele o duplica e, imediatamente, deseja quadruplicá-los e não cessa jamais esta multiplicação, até que a morte venha pôr fim a tal interminável pretensão.

O monge sensato terá cuidado das necessidades do corpo e proverá com pão e água o estômago indigente; não adulará os ricos pelo prazer do ventre, nem submeterá sua mente livre a muitos senhores; com efeito, as mãos são sempre suficientes para satisfazer as necessidades naturais.

O monge que não possui nada é como um lutador que não pode ser golpeado fortemente e um atleta veloz que alcança rapidamente o prêmio do convite celeste.

O monge rico se regozija nas muitas rendas, enquanto que o que nada tem se regozija com os prêmios que vêm das coisas bem obtidas. O monge ávaro trabalha duramente, enquanto que o que nada possui dedica seu tempo para a oração e a leitura. O monge ávaro enche os buracos de ouro, enquanto que o que nada possui acumula tesouros no céu.

Seja maldito aquele que forja o ídolo e o esconde, da mesma forma que aquele que é afeto à avareza; com efeito, o primeiro se prostra diante do falso e inútil, e o outro carrega em si a imagem da riqueza, como um simulacro.

Fonte: Veritatis Splendor

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Sobre Cadu

Pernambucano de nascença e de coração. Cidadão do mundo enquanto vivo. Cidadão do céu na eternidade. Moro em São Paulo. Editor. Diretor de TV. Produtor de TV. Blogueiro (muito blogueiro mesmo). Músico. Compositor. Conservador de vanguarda. Anti-PT. Um toque de intelectual. Amigo. Alegre. Adorador. Orante. Homem de Deus. Gosto de partilhas profundas e de gente inteligente. Gosto de pessoas que sabem expor suas idéias e saibam ouvir as minhas. Catequista. Evangelizador. Comunicativo. Criativo. Gosto do meu espaço. Gosto de ter e dar limites. Quer conhecer? Então venha… Mas não seja superficial. Detesto esse tipo de coisa!

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