Do Evangelho Quotidiano
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo. O Reino do Céu é também semelhante a um negociante que busca boas pérolas. Tendo encontrado uma pérola de grande valor, vende tudo quanto possui e compra a pérola. (Mt 13,44-46)
Comentário feito por Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Foi Cristo que Se tornou presente a todos aqueles a quem Deus, desde o início, comunicou a Sua Palavra, o Seu Verbo. E, se alguém ler a Escritura nessa perspectiva, encontrará uma expressão que diz respeito a Cristo e uma prefiguração do novo chamamento. Pois é Ele o tesouro escondido no campo, isto é, no mundo (Mt 13,38). Tesouro escondido nas Escrituras, pois foi assinalado por símbolos e parábolas que, humanamente falando, não podiam ser compreendidas antes do cumprimento das profecias, isto é, antes da vinda do Senhor. Foi por isso que foi dito ao profeta Daniel: Guarda isto em segredo e conserva selado este livro até ao tempo final (12,4). [...] E Jeremias também disse: Compreendê-los-eis plenamente no futuro (23,20). [...]
Lida pelos Cristãos, a Lei é um tesouro escondido outrora no campo, mas que a cruz de Cristo revela e explica [...]: ela manifesta a sabedoria de Deus, dá conhecer os Seus desígnios com vista à salvação do homem, prefigura o Reino de Cristo, anuncia antecipadamente a Boa Nova da herança da Jerusalém santa, prediz que o homem que ama a Deus progredirá até O ver e escutar a Sua palavra, e que será glorificado por essa palavra. [...]
Foi dessa maneira que o Senhor explicou as Escrituras aos Seus discípulos depois da ressurreição, provando-lhes, através delas, que o Messias tinha de sofrer essas coisas para entrar na Sua glória (cf Lc 24,26). Se, portanto, alguém ler desta maneira as Escrituras, será um discípulo perfeito semelhante a um pai de família, que tira coisas novas e velhas do seu tesouro (Mt 13,52).
