Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, apareceram sua mãe e seus irmãos, que, do lado de fora, procuravam falar-lhe. Disse-lhe alguém: “A tua mãe e os teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”. Jesus respondeu ao que lhe falara: “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?”. E, indicando com a mão os discípulos, acrescentou: “Aí estão minha mãe e meus irmãos; pois, todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Mt 12,46-50)
Comentário do Evangelho do dia feito por São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol
Querer somente o que Deus quer é lógico para quem está verdadeiramente apaixonado por Ele. Fora dos Seus desejos, nós nada desejamos, e se desejássemos, era apenas o que é conforme à Sua vontade; se assim não fosse, a nossa vontade não estaria unida à Sua. Mas, se estivermos verdadeiramente unidos, por amor, à Sua vontade, não desejaremos nada que Ele não deseje, não amaremos nada que Ele não ame e, abandonados à Sua vontade, ser-nos-á indiferente o que Ele nos envie ou onde nos coloque. Tudo o que Ele quiser de nós ser-nos-á, não apenas indiferente mas, mais do que isso, agradável. Não sei se me engano em tudo o que digo; submeto-me em tudo Àquele que entende estas coisas; digo somente o que sinto. Na verdade, não desejo mais nada a não ser amá-Lo e tudo o resto entrego nas Suas mãos. Faça-se a Sua vontade! A cada dia me sinto mais feliz, no meu completo abandono nas Suas mãos.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.” (S. João 15,1-8)
Comentário do Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI
O primeiro período na vida desta santa foi caracterizado pelo seu casamento feliz. O marido chamava-se Ulf e governava um importante território do Reino da Suécia. O casamento durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Deste casamento nasceram oito filhos, a segunda dos quais, Catarina, é venerada como santa. Eis um sinal eloquente do empenho educativo de Brígida para com os seus filhos. [...] Brígida, que tinha direção espiritual com um religioso erudito que a introduziu no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva naquela família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira “Igreja Doméstica”. Juntamente com o marido, adotou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava generosamente obras de caridade em prol dos pobres, e fundou um hospital. Com a esposa, Ulf aprendeu a melhorar o seu carácter e a progredir na vida cristã. No regresso de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela [...], o casal decidiu viver na abstinência; mas, pouco tempo depois, na paz de um mosteiro para onde se tinha retirado, Ulf terminou a sua vida terrena. Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar o que poderíamos definir hoje como uma verdadeira “espiritualidade conjugal”: em conjunto, os dois elementos de um casal cristão podem percorrer um caminho de santidade, apoiados na graça do sacramento do matrimônio. Muitas vezes, como foi o caso da vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, a sua delicadeza e a sua doçura, consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. Penso reconhecidamente em muitas mulheres que também hoje iluminam, dia após dia, as suas famílias com o seu testemunho de vida cristã. Que o Espírito do Senhor possa suscitar, também nos nossos tempos, a santidade dos casais cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do casamento vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo, a participação na vida da Igreja.
Naquele tempo, os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Disse-lhes, então: Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. (Mc 6,30-34)
Comentário feito por São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo
Salvar é um ato de bondade. A misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho. Ele Se compadece daqueles que recebem os Seus ensinamentos, e dos que se apressam a cumprir os Seus preceitos» (Sir18,13ss). [...]
Os sãos não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à sua arte. Da mesma maneira, nesta vida, nós estamos doentes pelos nossos desejos censuráveis, pelas nossas intemperanças [...] e outras paixões: temos necessidade de um Salvador. [...] Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quem nos dê luz; sedentos, da fonte de água viva, porque «quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede» (Jo 4,14). Mortos, precisamos da vida; rebanho, do pastor; crianças, de um educador: sim, toda a humanidade tem necessidade de Jesus. [...]
Cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça» (Ez 34,16). Tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos. Mestre, dá-nos com abundância o Teu pasto, que é a justiça! Sê o nosso pastor e conduz-nos até à Tua montanha santa, até à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus. Eis que Eu mesmo cuidarei das Minhas ovelhas e me interessarei por elas (cf Ez 34). [...] Eu não vim para ser servido mas para servir. É por isso que o Evangelho O mostra cansado, Ele que se afadiga por nós e que promete dar a Sua vida para resgatar a multidão (Jo 4,5; Mt 20,28).
Naquele tempo, Jesus passou através das searas em dia de sábado e os discípulos, sentindo fome, começaram a apanhar e a comer espigas. Ao verem isso, os fariseus disseram-lhe: “Aí estão os teus discípulos a fazer o que não é permitido ao sábado!” Mas Ele respondeu-lhes: “Não lestes o que fez David, quando sentiu fome, ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da oferenda, que não lhe era permitido comer, nem aos que estavam com ele, mas unicamente aos sacerdotes? E nunca lestes na Lei que, ao sábado, no templo, os sacerdotes violam o sábado e ficam sem culpa? Ora, Eu digo vos que aqui está quem é maior que o templo. E, se compreendêsseis o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício, não teríeis condenado estes que não têm culpa. O Filho do Homem até do sábado é Senhor. (S. Mateus 12,1-8)
Comentário do Evangelho do dia feito por Epístola dita de Barnabé
A respeito do sábado está escrito: “As [vossas] celebrações lunares, os sábados, as reuniões de culto, as festas e as solenidades são-Me insuportáveis” (Is 1,13). Considerai esta palavra: “Não são os sábados atuais que Me agradam, mas o sábado que Eu farei quando, tendo posto fim ao universo, fizer surgir um oitavo dia que será a aurora de um mundo novo”. Eis por que razão celebramos com alegria este oitavo dia em que Jesus ressuscitou dos mortos, Se manifestou e depois subiu aos céus. A respeito do Templo, evocarei o erro desses infelizes que puseram a sua esperança no edifício, a pretexto de ser a casa de Deus, em vez de a porem no Deus que os criou. [...] Examinemos se ainda existe um templo para Deus. Sim, existe, e está lá, onde Ele mesmo afirma tê-lo construído e adornado. Porque está escrito : “Edificarão Jerusalém com magnificência, e nela a casa de Deus” (Tb 14,5). Constato então que esse templo existe. Mas como construí-lo em nome do Senhor? Escutai. Antes de termos fé, o nosso coração era uma habitação frágil e caduca, parecida com um templo construído pela mão do homem. Estava cheio de cultos a ídolos, servia de covil aos demônios, de tal forma os nossos empreendimentos iam contra os desígnios de Deus. Mas “edificarão Jerusalém com magnificência, e nela a casa de Deus”. Vigiai para que esse templo seja construído “com magnificência”. Como? Recebendo a remissão dos pecados, pondo a nossa esperança no Seu nome, tornando-nos homens novos, recriados como na origem. Então Deus habitará verdadeiramente no nosso coração, que se tornará Sua morada.
Naquele tempo, Jesus exclamou: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mt 11,28-30)
Comentário feito pela Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade
Para nos tornarmos santos, precisamos de humildade e oração. Jesus ensinou-nos a rezar e também nos disse para aprendermos, seguindo o Seu exemplo, a ser mansos e humildes de coração. Só alcançaremos uma e outra coisa se soubermos o que é o silêncio. Tanto a humildade como a oração provêm de um ouvido, de uma inteligência e de uma língua que provaram o silêncio junto de Deus, pois Deus fala no silêncio do coração. Esforcemo-nos verdadeiramente por aprender a lição de santidade de Jesus, cujo coração era manso e humilde. A primeira lição dada por este coração é a de examinarmos a nossa consciência, sendo que o resto – amar, servir – surge logo a seguir. Este exame não é exclusivamente da nossa competência, mas releva de uma colaboração entre nós e Jesus. Não vale a pena perder tempo a contemplar inutilmente as nossas misérias; trata-se, isso sim, de elevar o coração a Deus e deixar que a Sua luz nos ilumine.
Se fores humilde, nada te afetará, nem a lisonja, nem a desgraça, pois saberás o que és. Se te repreenderem, não te sentirás desencorajado; e se alguém te disser que és santo, não te colocarás num pedestal. Se fores santo, agradece a Deus; se fores pecador, não te fiques por aí. Cristo diz-te para aspirares muito alto: não para seres como Abraão ou David, ou como qualquer outro santo, mas como o nosso Pai celeste (Mt 5,48). Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi (Jo 15,16).
Naquele tempo, Jesus exclamou: Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isso foi do teu agrado. Tudo me foi entregue por meu Pai; e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar. (Mt 11,25-27)
Comentário feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja
Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos. Como? Regozijar-Se-á com a perda daqueles que não acreditam n’Ele? Nada disso: são admiráveis os desígnios do Senhor para a salvação dos homens! Quando eles se opõem à verdade, e se recusam a recebê-la, Deus nunca os contraria, deixa-os na sua vontade. A perdição em que caem leva-os a encontrar o caminho; entrando em si mesmos, procuram com ardor a graça da chamada à fé que num primeiro momento haviam desprezado. Quanto aos que continuaram fiéis, mais forte ainda se revela, então, o seu ardor. Cristo regozija-Se, portanto, por estas coisas serem reveladas a alguns, mas atormenta-Se por ficarem escondidas a outros; percebe-se bem que é assim quando, ao aproximar-Se da cidade, Ele chora sobre ela (Lc 19,41). No mesmo espírito, escreve São Paulo: Demos graças a Deus: éreis escravos do pecado, mas obedecestes de coração ao ensino que vos foi transmitido como norma de vida (Rm 6,17).
A que sábios está Jesus a referir-Se? Aos escribas e aos fariseus. Diz isto para encorajar os discípulos, mostrando-lhes os privilégios de foram julgados dignos; os simples pescadores receberam as luzes que os sábios e os entendidos desdenharam. Sábios, estes são-no só de nome; crêem-se sábios mas não passam de falsos eruditos. É por isso que Cristo não diz: Revelaste-as aos insensatos mas aos pequeninos, isto é, a pessoas simples e sem argúcia. [...] Ensina-nos assim a renunciar à loucura das grandezas e a procurar a simplicidade. São Paulo vai mais longe: Se algum de entre vós se julga sábio à maneira deste mundo, torne-se louco para ser sábio (1Cor 3,18).
Naquele tempo, começou Jesus a censurar duramente as cidades em que se tinha realizado a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se os milagres realizados entre vós, tivessem sido feitos em Tiro e em Sídon, de há muito se teriam convertido, vestindo-se de saco e com cinza. Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sídon do que para vós. E tu, Cafarnaúm, julgas que serás exaltada até ao céu? Serás precipitada no abismo. Porque, se os milagres que em ti se realizaram tivessem sido feitos em Sodoma, ela ainda hoje existiria. Aliás, digo-vos Eu: No dia do juízo, haverá mais tolerância para os de Sodoma do que para ti. (Mt 11,20-24)
Comentário feito por Catecismo da Igreja Católica
Jesus convida à conversão. Este apelo é parte essencial do anúncio do Reino: Cumpriu-se o tempo e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15). Na pregação da Igreja, este apelo é feito em primeiro lugar aos que ainda não conhecem a Cristo e o seu Evangelho. Além disso, o Batismo é o principal lugar da primeira e fundamental conversão. [...]
Ora, o apelo de Cristo à conversão continua a soar na vida dos cristãos. Esta segunda conversão é uma tarefa ininterrupta para toda a Igreja, que reúne em seu próprio seio os pecadores e que, ao mesmo tempo santa e sempre na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação (Vaticano II LG 8). Este esforço de conversão não é apenas uma obra humana. É o movimento do coração contrito (Sl 50,19), atraído e movido pela graça a responder ao amor misericordioso de Deus, que nos amou primeiro (cf 1 Jo 4,10). [...]
O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus dê ao homem um coração novo (Ez 36,26ss). A conversão é antes de tudo uma obra da graça de Deus que reconduz nossos corações a Ele: Converte-nos a Ti, Senhor, e nos converteremos (Lam 5,21). Deus dá-nos a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que o nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado, e começa a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado e de ser separado d’Ele. O coração humano converte-se olhando para Aquele que foi traspassado pelos nossos pecados (cf Zac 12,10; Jo 19,37).
Naquele tempo, Tomé, um dos Doze, a quem chamavam o Gémeo, não estava com eles quando Jesus veio. Diziam-lhe os outros discípulos: Vimos o Senhor! Mas ele respondeu-lhes: Se eu não vir o sinal dos pregos nas suas mãos e não meter o meu dedo nesse sinal dos pregos e a minha mão no seu peito, não acredito. Oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro de casa e Tomé com eles. Estando as portas fechadas, Jesus veio, pôs-se no meio deles e disse: A paz seja convosco! Depois, disse a Tomé: Olha as minhas mãos: chega cá o teu dedo! Estende a tua mão e põe-na no meu peito. E não sejas incrédulo, mas fiel. Tomé respondeu-lhe: Meu Senhor e meu Deus! Disse-lhe Jesus: Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto. (Jo 20,24-29)
Comentário feito por Basílio de Seleuceia (? – c. 468), bispo
Mete o teu dedo na marca dos cravos, diz Jesus a Tomé. Procuraste-Me quando Eu não estava cá, aproveita agora. Conheço a tua vontade mais do que o teu silêncio. Sei o que pensas antes sequer de que Mo digas. Ouvi-te falar e, embora sem ser visto, estava junto de ti e das tuas dúvidas e, sem Me fazer sentir, pus-te à espera para melhor observar a tua impaciência. Mete o teu dedo na marca dos cravos e a tua mão no Meu lado, e não sejas assim incrédulo, mas crê.
Então Tomé toca-O e cai por terra toda a sua desconfiança. Cheio duma fé sincera e de todo o amor que deve para com o seu Deus, exclama: Meu Senhor e meu Deus! E o Senhor diz-lhe: Porque Me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto. Tomé, leva o relato da Minha Ressurreição a todos os que não viram. Exorta toda a terra a crer já não nos seus olhos mas na tua palavra. Percorre os povos e as cidades pagãs e ensina-os a levar aos ombros a cruz em vez das armas. [...] Diz-lhes que são doravante chamados pela Graça e tu, contempla a sua fé: felizes, na verdade, aqueles que acreditaram sem terem pedido para ver!
Assim é o exército recrutado pelo Senhor, e assim são os filhos da piscina batismal, as obras da Graça, a colheita do Espírito. Seguiram a Cristo sem O terem visto, procuraram-n’O e acreditaram porque viram com os olhos da fé e não do corpo. Não meteram o dedo na marca dos cravos, mas atrelaram-se à cruz e aceitaram os Seus sofrimentos. Não viram o lado de Cristo mas, pela Graça, encontraram-se unidos aos Seus membros e fizeram suas as palavras do Senhor: Felizes os que crêem sem terem visto.
Dom Ercílio Turco – Bispo da Igreja Católica Apostólica Romana. Responsável pela Diocese de Osasco.
A Igreja Católica Apostólica Romana tem mais de 2000 anos de existência e teve em Pedro o seu primeiro Papa. De lá pra cá muita coisa aconteceu. A Igreja ao passo que levava o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo aos homens de todo mundo, foi se tornando uma instituição sólida e reconhecida. Mesmo que hoje em dia muitos tentem dizer o contrário, foi esta Igreja que evangelizou o mundo bárbaro, criou as bibliotecas e universidades e ainda é (e continuará sendo por muito tempo) a instituição que mais ajuda os necessitados no mundo.
Porém mesmo com todo esse progresso de crescimento e solidez, muitos homens resolveram romper com esta Igreja, criando outras “igrejas” e desligando-se de todo e qualquer vínculo com a mesma inclusive quanto a sua nomenclatura. Foi assim com os protestantes. Romperam com a igreja e criaram o protestantismo, que se dividiu e criou outras “igrejas” que não traziam em seus nomes nenhum vínculo com a Igreja Católica Apostólica Romana. Podemos citar como exemplo a Igreja Luterana, a Igreja Anglicana, a Igreja Batista e outras.
Porém de uns tempos para cá, vemos um movimento que surge e confunde a cabeça de muitos católicos menos esclarecidos: Pessoas que rompem com a Santa Igreja Católica Apostólica Romana e consequentemente com o Santo Padre o Papa e a sua doutrina, criam outras denominações com nomes parecidos com o nome da nossa Igreja. Usam termos como “católicos” e “apostólicos” em suas nomenclaturas, denominam os seus líderes com títulos de “padres” e “bispos”, chamam seus ritos de “missas” e seus templos de “paróquia”.
É verdade que não existe uma lei que os proíba de fazer isso. Hoje qualquer um pode criar uma “igreja” no Brasil. É fácil. Se um dia você renunciar a fé católica apostólica romana, não existe nada nas leis brasileiras que o proíba de criar uma igreja e chamá-la de igreja católica apostólica paulista, igreja católica apostólica vicentina ou igreja católica apostólica do Espírito Santo. Infelizmente não existe patente para o uso destas nomenclaturas. Daí você me pergunta: E agora? Eu não posso me confundir e acabar indo a uma dessas igrejas pensando estar na Igreja Católica Apostólica Romana?
Sim. Isso pode acontecer e é esta a minha preocupação. Por isso escrevi este texto. Peço que você tenha muita atenção naquilo que escrevo daqui por diante.
Aqueles que são católicos daquela Igreja (com i maiúsculo) que surgiu há 2000 anos, que tem como o primeiro Papa São Pedro, Apóstolo de Jesus Cristo e que foi fundada pelo próprio Cristo Jesus, Filho do Deus Vivo precisam ter consciência de que a nossa Igreja tem nome e sobrenome. Igrejas que se denominam católicas existem aos montes. Mas a Igreja Católica Apostólica Romana só tem uma.
Se você for CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO, estiver em uma Igreja que se diz católica e tiver dúvidas a respeito da mesma, o que você deve fazer?
Pergunte se esta Igreja é uma Igreja Católica Apostólica ROMANA;
Pergunte o nome do bispo e se ele é ligado a Igreja Católica Apostólica ROMANA;
Pergunte o nome do padre e se ele é ligado a Igreja Católica Apostólica ROMANA;
Se não for, saia daquele lugar o quanto antes. Ele não é um lugar para você! Se você é Católico Apostólico Romano, batizado nesta Igreja e nela professa sua fé, é importante saber que não é lícito para você (veja bem estou falando para membros da Igreja Católica Apostólica Romana) ir a essas missas que outras igrejas católicas promovem. Para nós, Católicos Apostólicos Romanos, os padres e bispos dessas igrejas católicas que aparecem não são reconhecidos como tal. Todas as ordenações presbiterais e episcopais feitas fora das Igrejas Católicas Apostólicas Romanas não são reconhecidas pelos Católicos Apostólicos Romanos. Você estará cometendo um ato de desobediência a sua fé. É importante saber que grande parte destas “igrejas” surgiram de cismas. Para quem não sabe, um cisma é um ato de desobediência. Eles acontecem quando alguém contesta a autoridade do Papa, rompe com a Igreja e cria uma nova religião.
Agora uma pergunta: Como pode Deus (Senhor da obediência) agir em um lugar onde habita a desobediência? Aliás, quem é o Pai da desobediência? Quem induziu o primeiro homem ao pecado?
Para terminar este post, quero deixar este vídeo, que já foi visto muitas vezes por diversos católicos (inclusive aqui mesmo neste blog). Somos da Igreja Católica Apostólica Romana. Você é sempre muito bem vindo na sua casa! Pax Domini.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.Pelos seus frutos, os conhecereis. Porventura podem colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. A árvore boa não pode dar maus frutos nem a árvore má, dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Pelos frutos, pois, os conhecereis. (Mt 7,15-20)
Comentário feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja
Perguntamo-nos quais os frutos para os quais o Senhor quer chamar a nossa atenção para reconhecermos a árvore. Alguns consideram como frutos a roupagem das ovelhas e assim os lobos podem enganá-los. Quero referir-me a jejuns, orações, esmolas e todas as obras que podem ser feitas por hipócritas. Caso contrário, Jesus não teria dito: Guardai-vos de fazer as vossas obras diante dos homens, para vos tornardes notados por eles (Mt 6,1). [...] Muitos dão aos pobres por ostentação e não por generosidade; muitos que rezam, ou melhor, que parecem rezar, não procuram Deus, mas sim a estima dos homens; muitos jejuam e exibem austeridade notável para atrair a admiração dos que vêem a sua conduta. Todas essas obras são enganos. [...] O Senhor conclui que esses frutos não são suficientes para julgar a árvore. As mesmas ações feitas com uma intenção reta e verdadeira são a roupagem das autênticas ovelhas. [...]
O apóstolo Paulo diz-nos quais os frutos pelos quais reconheceremos a árvore ruim: É fácil reconhecer as obras da carne: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, iras, discórdias, sectarismos, rivalidades, embriaguez, orgias e coisas semelhantes (Gal 5,19-20). O mesmo apóstolo nos diz a seguir quais os frutos para reconhecer uma boa árvore: Mas os frutos do Espírito são: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e autocontrole (v. 22-23).
É preciso saber que a palavra alegria é usada aqui no seu sentido literal; os homens maus em sentido literal ignoram a alegria, mas conhecem o prazer. [...] Este é o sentido próprio desta palavra que só os bons conhecem; não há alegria para os ímpios, diz o Senhor (Is. 48,22). Acontece o mesmo com a fé verdadeira. As virtudes enumeradas podem ser fingidas por maus e impostores, mas não enganam o olho puro e simples capaz de discernimento.