Texto base desta matéria, foi publicado no portal Zenit
O povo carioca vivenciou nesses dias cenas de uma guerra a muito tempo anunciada. Era inevitável que um dia acontecesse isso. Infelizmente muitas pessoas morreram. Muitos pais perderam nessa guerra trágica os seus filhos. Muitos filhos perderam pais. Pessoas foram vítimas de balas perdidas… Nesse cenário de luta e guerra, a Igreja está presente ajudando como pode e fazendo o seu papel de ajudar o próximo.
No último dia 25, Bento XVI expressou sua solidariedade à Igreja e à população do Rio de Janeiro. Segundo informou a arquidiocese do Rio, na manhã deste último domingo, o arcebispo Dom Orani João Tempesta recebeu um fax do núncio apostólico, Dom Lourenzo Baldisseri, transmitindo a solidariedade do Papa. Eis as palavras do Santo Padre:
Com profunda mágoa vi as notícias dos graves enfrentamentos e as violências destes dias no Rio de Janeiro, particularmente na comunidade ‘Vila Cruzeiro’.
O Papa não se omitiu: Assegurou “a sua oração pelos mortos, pelas suas famílias, e pediu que responsáveis que ponham fim às desordens, enquanto os encoraja restabelecerem o respeito da Lei e do Bem Comum”.
Achei fantástica a colocação do Santo Padre. Ele falou sobre por fim as desordens e estabelecer o bem comum. Só fazendo um parênteses aqui. Sabemos que a guerra que hoje acontece no Rio de Janeiro, já estava mais que anunciada. Sabíamos que aconteceria. Só não sabíamos quando. O Papa não tomou uma posição “pacifista”. Ele foi coerente com a vida real. Ele disse que estava rezando para que se colocasse um fim na bagunça que virou o Rio de Janeiro. Há quem pense diferente, mas eu acredito que em certos casos como esse do Rio de Janeiro, a paz só vem quando existe alguém que “imponha a ordem”.
O arcebispo do Rio de Janeiro afirmou a Radio Vaticano nesta segunda-feira que a cidade acolheu com agradecimento às palavras de apoio do Papa. Segundo Dom Orani, agora que as forças de segurança ocuparam duas áreas difíceis e que antes eram dominadas pelo narcotráfico – Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão – a situação é mais tranquila. O arcebispo afirmou que Igreja está próxima das pessoas que sofrem pela violência nessas regiões pobres. “Há padres e comunidades da Igreja que trabalham sempre pela evangelização. A Igreja é muito presente e próxima do povo”, disse. Nesses dias de violência no Rio, em que a polícia e o exército avançam sobre territórios dominados por grupos de traficantes, ao menos 40 pessoas morreram nos confrontos, e 181 veículos foram queimados.
Dominus Vobiscum