Evangelho do Dia: Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida

Do Evangelho Quotidiano

No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era da descendência de Aarão e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, cumprindo irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada. Ora, estando Zacarias no exercício das funções sacerdotais diante de Deus, na ordem da sua classe, coube-lhe, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso. Todo o povo estava da parte de fora em oração, à hora do incenso. Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar te um filho e tu vais chamar-lhe João. Será para ti motivo de regozijo e de júbilo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento. Pois ele será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo já desde o ventre da sua mãe e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente, diante do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de proporcionar ao Senhor um povo com boas disposições. Zacarias disse ao anjo: Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada? O anjo respondeu: Eu sou Gabriel, aquele que está diante de Deus, e fui enviado para te falar e anunciar esta Boa-Nova. Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. O povo, entretanto, aguardava Zacarias e admirava se por ele se demorar no santuário. Quando saiu, não lhes podia falar e eles compreenderam que tinha tido uma visão no santuário. Fazia-lhes sinais e continuava mudo. Terminados os dias do seu serviço, regressou a casa. Passados esses dias, sua esposa Isabel concebeu e, durante cinco meses, permaneceu oculta. Dizia ela: O Senhor procedeu assim para comigo, nos dias em que viu a minha ignomínia e a eliminou perante os homens. ( Lc 1,5-25)

Comentário  feito por São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo

Foi a oração e não o desejo sexual que levou à concepção de João Batista. O seio de Isabel tinha passado a idade de dar vida, o seu corpo tinha perdido a esperança de conceber; apesar destas condições de desesperança, a oração de Zacarias permitiu a esse corpo envelhecido germinar ainda: foi a graça e não a natureza que concebeu João. Este filho, cujo nascimento vem menos do abraço do que da oração, só poderia ser santo.

Apesar de tudo, não devemos espantar-nos por João ter merecido nascimento tão glorioso. O nascimento do precursor de Cristo, daquele que Lhe abriu o caminho, devia apresentar uma semelhança com o do Senhor, nosso Salvador. Se, portanto, o Senhor nasceu de uma virgem, João foi concebido por uma mulher velha e estéril. [...] Não admiramos menos Isabel, que concebeu na sua velhice, do que Maria, que teve um Filho na sua virgindade. Aqui parece-me já haver um símbolo: João representava o Antigo Testamento e nasceu do sangue já arrefecido de uma mulher idosa, enquanto o Senhor, que anuncia a Boa Nova do Reino dos céus, é fruto duma juventude plena de seiva.

Maria, consciente da sua virgindade, admira a criança gerada nas suas entranhas. Isabel, consciente da sua idade avançada, cora ao ver o seu ventre pesado pela gravidez; o evangelista diz, com efeito: durante cinco meses permaneceu oculta. Temos de admirar também o fato de ser o mesmo arcanjo Gabriel a anunciar os dois nascimentos: traz uma consolação a Zacarias, que permanece incrédulo; e encoraja Maria, que encontra confiante (Lc 1,26s). O primeiro, por ter duvidado, perdeu a voz; a segunda, por ter acreditado imediatamente, concebeu o Verbo Salvador.

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Evangelho do Dia: Porque não lhe destes crédito?

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus foi ao templo e, enquanto ensinava, foram ter com Ele os sumos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram-lhe: Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal poder? Jesus respondeu-lhes: Também Eu vou fazer vos uma pergunta. Se me responderdes, digo-vos com que autoridade faço isto. De onde provinha o batismo de João: do Céu ou dos homens? Mas eles começaram a pensar entre si: Se respondermos: ‘Do Céu’, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ E, se respondermos: ‘Dos homens’, ficamos com receio da multidão, pois todos têm João por um profeta. E responderam a Jesus: Não sabemos. Disse-lhes Ele, por seu turno: Também Eu vos não digo com que autoridade faço isto. (Mt 21,23-27)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém e doutor da Igreja

Os profetas foram enviados com Moisés para curar Israel; mas cuidavam de Israel chorando, sem conseguirem dominar o mal, como disse um deles: Ai de mim! Desapareceram da terra os justos (Mq 7,1-2). [...] Grande era a ferida da humanidade; desde a planta dos pés até ao alto da cabeça, não há nada de são em vós. Tudo são feridas, contusões, chagas vivas, que não foram curadas, nem ligadas, nem suavizadas com azeite (Is 1,6). Os profetas, esgotados pelas lágrimas, diziam: Quem dera que viesse de Sião a salvação de Israel! (Sl 13,7) [...] E outro profeta suplicava nestes termos: Senhor, abaixa os céus e desce (Sl 143,5). As feridas da humanidade excedem os nossos remédios. Derrubaram os Teus altares e assassinaram os Teus profetas. (1R 19,10). A nossa miséria não pode ser curada por nós; é de Ti que necessitamos para nos reerguemos. O Senhor satisfez a oração dos profetas. O Pai não desprezou a nossa raça mortificada; enviou do céu o Seu próprio Filho como médico. O Senhor que procurais virá brevemente disse um profeta. Onde? No Seu santuário (Ml 3,1), onde apedrejastes o Seu profeta (2Cr 24,21). [...] O próprio Deus disse ainda: Eis que Eu venho para morar no meio de ti, e muitas nações se unirão ao Senhor (Zc 2,14-15). [...] Agora venho reunir todos os povos de todas as línguas, porque veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam (Jo 1,11). Vens; e que dás Tu às nações? Eu virei para reunir os povos e colocarei no meio deles um sinal (Is 66,18-19). Com efeito, na sequência do Meu combate na cruz, cada um dos Meus soldados levará sobre a fronte o selo real (Ap 7,3). E outro profeta disse: Inclinou os céus e desceu, com densas nuvens debaixo dos Seus pés (Sl 17,10). Mas a Sua descida dos céus permaneceu desconhecida dos homens.

Dominus Vobiscum

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Evangelho do Dia:: Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete no Reino do Céu do Reino

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, ao entrar Jesus em Cafarnaúm, aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos: Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente. Disse-lhe Jesus: Eu irei curá-lo. Respondeu-lhe o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz. Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jaco, no Reino do Céu. (Mt 8,5-11)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja

O Reino dos Céus tem o tamanho de uma caridade sem limites; engloba os indivíduos homens de todas as tribos, línguas, povos e nações (Ap 5,9) e ninguém o achará apertado, pois ele espraia-se e a glória de cada um aumenta na mesma proporção. É isso que leva Santo Agostinho a dizer: Quando muitos tomam parte da mesma alegria, a alegria de cada um torna-se mais abundante, porque todos se arrebatam uns aos outros. Esta vastidão do Reino está expressa nestas palavras das Escrituras: Pede-me e Eu te darei os povos como herança (Sl 2,8); Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu. Nem a multidão de quantos o desejam, nem a multidão de quantos existem, nem a multidão de quantos o possuem, nem a multidão de quantos chegam tornará mais estreito o espaço neste Reino, nem incomodará seja quem for. Mas porque devo estar confiante ou ter esperança de possuir o Reino de Deus? Devido à generosidade de Deus, que me convida: Procurai primeiro o Reino de Deus (Mt 6,33). Devido à verdade que me consola: Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12,32). Devido à bondade e à caridade que me redime: Tu és digno de receber o livro e de abrir os selos; porque foste morto e, com Teu sangue, resgataste para Deus homens de todas as tribos, línguas, povos e nações; e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus; e reinarão sobre a terra (Ap 5,9-10).

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Evangelho do Dia: Rabi, Tu és o filho de Deus, Tu és o Rei de Israel

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: Encontrámos aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré. Então disse-lhe Natanael: De Nazaré pode vir alguma coisa boa? Filipe respondeu-lhe: Vem e verás! Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento. Disse-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira! Respondeu Natanael: Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel! Retorquiu-lhe Jesus: Tu crês por Eu te ter dito: Vi-te debaixo da figueira? Hás-de ver coisas maiores do que estas! E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem. (S. João 1,45-51)

Comentário do Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI

O evangelista João refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se, exclama: Aí vem um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento (Jo 1, 47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo: Feliz o homem a quem o Senhor não acusa de iniquidade e em cujo espírito não há engano (Sl 32, 2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração: Donde me conheces? (Jo 1, 48a). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz: Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira! (Jo 1, 48b). Não sabemos o que aconteceu debaixo desta figueira. É evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende: este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo: Rabi, Tu és o filho de Deus, Tu és o Rei de Israel! (Jo 1, 49). Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael sublinham um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus: Ele é reconhecido, quer na Sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado. Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes, porque se proclamarmos apenas a dimensão celeste de Jesus,  corremos  o  risco  de  O  transformar num ser sublime e evanescente, e se ao contrário reconhecermos apenas a Sua situação concreta na história, acabamos por negligenciar a dimensão divina que propriamente O qualifica.

Dominus Vobiscum

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Evangelho do Dia: De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações

Do Evangelho Quotidiano

Por aqueles dias, Maria pôs-se a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor. Maria disse, então: A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque pôs os olhos na humildade da sua serva. De hoje em diante, me chamarão bem-aventurada todas as gerações. O Todo-poderoso fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome. A sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem. Manifestou o poder do seu braço e dispersou os soberbos. Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens e aos ricos despediu de mãos vazias. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, como tinha prometido a nossos pais, a Abraão e à sua descendência, para sempre. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois regressou a sua casa. (S. Lucas 1,39-56)

Comentário do Evangelho do dia feito por Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense

Se santa Madalena – que foi pecadora e de quem o Senhor expulsou sete demônios – mereceu ser glorificada por Ele a ponto de o seu louvor permanecer na assembleia dos santos (Sl 149,1), quem poderá medir até que ponto os justos se alegram e rejubilam, diante do Senhor exultam de alegria (Sl 67,4) relativamente a Santa Maria, que não conheceu homem? (Lc 1,34) [...] Se o apóstolo São Pedro – que não só não foi capaz de velar uma hora com Cristo, mas chegou mesmo a renegá-l’O (Mt 26,40.70) – obteve depois uma graça tal, que as chaves do reino dos céus lhe foram confiadas (Mt 16,19), de que elogios não foi Santa Maria digna, Ela que carregou no seu seio o rei dos anjos em pessoa, Aquele que os céus não podem conter? Se Saulo, que respirava ameaças de morte contra os discípulos do Senhor (Act 9,1) [...], foi objeto de uma tal misericórdia [...] que foi arrebatado até ao terceiro céu, ou no corpo ou fora dele (2Cor 12,2), não é de surpreender que a Santa Mãe de Deus – que esteve sempre junto do seu Filho durante as Suas provações (Lc 22,28) – tenha subido ao céu em corpo e alma, e tenha sido exaltada por coros de anjos. Se há alegria no céu por um só pecador que se arrepende (Lc 15,7), quem dirá que louvor alegre e belo se elevará na presença de Deus sobre Santa Maria, que nunca pecou? [...] Se realmente aqueles que outrora eram trevas e se tornaram depois luz diante do Senhor (Ef 5,8) resplandecerão como o sol no reino do seu Pai (Mt 13,43), quem poderá narrar o peso eterno de glória (2Cor 4,17) de Santa Maria, que veio a este mundo como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol (Ct 6,10), e de quem nasceu a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1,9)? Aliás, dado que o Senhor disse: Se alguém quer servir-Me, que Me siga e onde Eu estiver ali estará também o Meu servidor (Jo 12,26), onde pensamos que está a Sua mãe, que O serviu com tanto empenho e constância? Se ela O seguiu e Lhe obedeceu até à morte, ninguém se surpreenderá de que agora, e mais do que ninguém, ela siga o Cordeiro onde quer que Ele vá (Ap 14,4).

Dominus Vobiscum

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Socorre-me, Senhor

Do Evangelho Quotidiano

Naqueles dias, Jesus partiu dali e retirou-se para os lados de Tiro e de Sídon. Então, uma cananeia, que viera daquela região, começou a gritar: Senhor, Filho de David, tem misericórdia de mim! Minha filha está cruelmente atormentada por um demônio. Mas Ele não lhe respondeu nem uma palavra. Os discípulos aproximaram-se e pediram-lhe com insistência: Despacha-a, porque ela persegue-nos com os seus gritos. Jesus replicou: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Mas a mulher veio prostrar-se diante dele, dizendo: Socorre-me, Senhor. Ele respondeu-lhe: Não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorros. Retorquiu ela: É verdade, Senhor, mas até os cachorros comem as migalhas que caem da mesa de seus donos. Então, Jesus respondeu-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas. E, a partir desse instante, a filha dela achou-se curada. (S. Mateus 15,21-28)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Beda, o Venerável (c. 673-735), monge, Doutor da Igreja

O Evangelho mostra-nos a grande fé, a paciência, a perseverança e a humildade da Cananeia. [...] Esta mulher era dotada de uma paciência verdadeiramente fora do comum. Ao seu primeiro pedido, o Senhor não responde uma palavra. Apesar disso, longe de cessar de rezar, ela implora-Lhe com redobrada insistência o socorro da Sua bondade. [...] Vendo o ardor da nossa fé e a tenacidade da nossa perseverança na oração, o Senhor acabará por ter piedade de nós e conceder-nos-á o que desejamos. A filha da Cananeia era atormentada por um demônio. Uma vez expulso o nefasto desassossego dos nossos pensamentos e desfeitos os nós dos nossos pecados, a serenidade do espírito voltará a nós, bem como a possibilidade de agirmos corretamente. [...] Se, a exemplo da Cananeia, perseverarmos na oração com uma firmeza inabalável, a graça do nosso Criador ser-nos-á concedida; ela corrigirá todos os nossos erros, santificará tudo o que é impuro, pacificará toda a agitação. Porque o Senhor é fiel e justo. Perdoar-nos-á os nossos pecados e purificar-nos-á de toda a mancha, se gritarmos por Ele com a voz vigilante do nosso coração.  

Bento XVI sublinha importância da reta consciência

Do Portal Zenit

No último domingo, 24 de julho de 2011, Bento XVI introduziu a oração do Angelus, em Castel Gandolfo, com uma reflexão sobre a importância da reta consciência na vida de cada pessoa. O Papa comentou a primeira leitura da Liturgia da Palavra do referido dia, em que o jovem rei Salomão pede – e obtém – de Deus a sabedoria para governar o povo de Israel. “Cada um de nós tem uma consciência para ser, em um certo sentido, ‘rei’, quer dizer, para exercitar a grande dignidade humana de atuar segundo a reta consciência, trabalhando pelo bem e evitando o mal”, disse o Papa. Quando Salomão pede um “coração dócil” – explicou o Papa – referia-se a “uma consciência que sabe escutar, que é sensível à voz da verdade, e por isso é capaz de discernir o bem do mal”. O exemplo de Salomão vale para cada homem – disse o pontífice –, em quem deve se formar uma consciência sempre aberta à verdade e sensível à justiça. “A consciência moral pressupõe a capacidade de escutar a voz da verdade, de ser dóceis a suas indicações.” “Uma mentalidade equivocada nos sugere pedir a Deus coisas ou condições favoráveis”, advertiu. Na realidade – explicou o Papa –, “a verdadeira qualidade de nossa vida e da vida social depende da reta consciência de cada um, da capacidade de cada um e de todos de reconhecer o bem, separando-o do mal, e de buscar realizá-lo com paciência”.

Aqui está Alguém que é maior do que Salomão

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo,  alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: Mestre, queremos ver um sinal da tua parte. Ele respondeu-lhes: Geração má e adúltera! Reclama um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, a não ser o do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites. No dia do juízo, os habitantes de Nínive hão-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque fizeram penitência quando ouviram a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é maior do que Jonas! No dia do juízo, a rainha do Sul há-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está alguém que é maior do que Salomão! (S. Mateus 12,38-42)

Comentário o Evangelho do dia feito por Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino

Combinados, o profeta Natan e Betsabé defenderam o seu projeto perante o velho e sábio rei David, que estava a morrer (1Rs 1). Foi então que Salomão, cujo nome significa senhor pacífico recebeu a unção real. E toda a gente foi atrás dele a tocar flauta e a fazer uma grande festa, de modo que toda a terra vibrava com as suas aclamações, pois o rei havia declarado: Estabeleço Salomão como rei de Israel e de Judá (v. 35.40). Esta entronização prefigura sem dúvida alguma o mistério de que Daniel falava: O tribunal realizou sessão e foram abertos os livros. Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um Filho do homem. Avançou até ao ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas soberanias, glória e realeza (Dn 7,10-14). Foi, pois, por iniciativa de um profeta que Salomão foi estabelecido como rei, tal como foi ao cumprir as profecias no seu sentido espiritual que Cristo, Filho de Deus, foi reconhecido como Rei pacífico, Rei da glória do Pai, atraindo tudo a Si. Salomão tornou-se rei ainda em vida de seu pai, tal como Cristo foi estabelecido rei por Deus Pai, que não pode morrer. Sim, Ele fá-l’O certamente rei, herdeiro de todas as coisas (Heb 1,2), Aquele que não morre nem morrerá nunca. E, coisa admirável e única, Cristo, herdeiro de um Pai sempre vivo e que nunca poderá morrer, morreu; mas ressuscitou e nunca mais conhecerá a morte. Então Salomão foi sentado na mula do rei (1Rs 1,38). Bem melhor, é no trono de seu Pai, isto é, sobre toda a Igreja [...], acima de todo o Principado, Potestade, Virtude e Dominação (Ef 1,21), que Cristo está agora sentado à direita da Majestade nos céus (Heb 1,3). Eis porque toda a multidão vai atrás d’Ele, a multidão que canta e se alegra. E a terra vibra com as suas aclamações. Também nós ouvimos a enorme alegria daqueles que proclamam esta glória, ou seja, a alegria dos apóstolos falando as línguas de todos (Act 2) pois por toda a terra caminha o Seu eco, até aos confins do universo a Sua palavra (Sl 18,5). 

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Nós deixamos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?

Querida família Dominus Vobiscum, gostaria de pedir perdão por ter deixado de postar o Evangelho alguns dias, mas a correria do noivado me impossibilitou  de fazê-lo. Como é do conhecimento de todos, noivamos dia 02/07 e, além da cerimônia religiosa, que foi semana passada, esse final de semana “descemos” para o Guarujá, onde reside minha família, para comemorarmos com eles lá. Segue abaixo Evangelho de hoje com comentário do Santo Padre, o Papa Bento XVI:

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Pedro disse a Jesus: Nós deixamos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa? Jesus respondeu-lhes: Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. (S. Mateus 19,27-29)

Comentário do Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI

Gostaria hoje de falar de São Bento, fundador do monaquismo ocidental, e também padroeiro do meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve sobre São Bento: ‘O homem de Deus que brilhou nesta terra com tantos milagres não resplandeceu menos pela eloquência com que soube expor a sua doutrina’ (Dial. II, 36). O grande Papa escreveu estas palavras no ano de 592; o santo monge tinha falecido 50 anos antes e ainda estava vivo na memória do povo, sobretudo na florescente ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia exerceu, com a sua vida e a sua obra, uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura europeias. [...]Entre os séculos V e VI, o mundo esteve envolvido numa tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pela invasão dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como ‘astro luminoso’, Gregório queria indicar, nesta situação atormentada, precisamente aqui nesta cidade de Roma, a saída da ‘noite escura da história’ (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De fato, a obra do santo e, de modo particular, a sua Regra revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que mudou, no decorrer dos séculos, muito para além dos confins da sua pátria e do seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo Império Romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Surgiu precisamente assim a realidade à qual nós chamamos ‘Europa’.

Façam o que fizerem, não deixes tu de fazer o bem

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, apresentaram a Jesus um mudo, possesso do demónio.
Depois que o demónio foi expulso, o mudo falou; e a multidão, admirada, dizia: Nunca se viu tal coisa em Israel. Os fariseus, porém, diziam: É pelo chefe dos demônios que Ele expulsa os demônios. Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe. (S. Mateus 9,32-38)

Comentário do Evangelho do dia feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia, depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Jesus Cristo, coberto de desprezo e de insultos pelos Seus inimigos, aplica-Se ainda mais a fazer-lhes o bem. [...] Percorria cidades, aldeias e sinagogas, ensinando-nos a responder às calúnias, não com calúnias, mas através de boas obras. Se, ao fazeres o bem ao teu próximo, tens em vista agradar a Deus e não aos homens, façam estes o que fizerem, não deixes tu de fazer o bem; a tua recompensa será maior. [...] Eis a razão porque Cristo não esperava que os doentes fossem ter com Ele; Ele próprio ia ter com eles, levando-lhes simultaneamente dois bens essenciais: a Boa Nova do Reino e a cura de todos os seus males. Para Cristo, isso ainda não era suficiente: manifestava ainda de outra maneira a Sua compaixão. Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos Seus discípulos: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe. Note-se uma vez mais o Seu desapego à vanglória. Não querendo que toda a gente O seguisse, enviava os Seus discípulos. Queria instruí-los, não apenas para as lutas que iriam suportar na Judeia, mas também para os combates que começariam por toda a terra. [...] Jesus deu aos Seus discípulos o poder de curar os corpos, esperando confiar-lhes o poder, não menos importante, de curar as almas. Repara como mostra ao mesmo tempo a facilidade e a necessidade desta obra. Efetivamente, que foi que Ele disse? A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Não é à sementeira que vos envio, mas à messe. [...] Falando assim, nosso Senhor dava-lhes confiança e mostrava-lhes que o trabalho mais importante já tinha sido realizado.

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