Jesus recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu…

batismo

— O Senhor esteja convosco.
— Ele está no meio de nós.
— Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo + segundo São Lucas (3,15-16.21-22).
— Glória a vós, Senhor!

Naquele tempo, o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”.

Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

— Palavra da Salvação.
— Glória a Vós, Senhor.

Queridos irmãos leitores, estamos diante, hoje, de uma daquelas oportunidades ímpares, um momento que é um presente de Deus para nossas vidas, um kairos (o momento certo, oportuno), que é a solenidade do Batismo do Senhor.

Hoje celebramos o momento em que o Pai nos apresenta Seu Filho, manifestando-nos a Salvação prometida. Na primeira leitura, por meio do servo; no Evangelho, por meio do Filho amado. Filho que se faz servo para nos salvar. Salvação esta que, de acordo com a segunda leitura, veio para todos o povos, sem distinção… Para toda a humanidade!

Nas margens do Rio Jordão, Jesus recebe a unção do Espírito Santo, e dá início à publicidade da missão de trazer-nos o Reino de Deus. Missão esta que teve início já naquele SIM daquela jovem judia, nossa Mãe Maria Santíssima, mas que se anuncia publicamente hoje, com a santificação das águas.

Jesus não necessitava do batismo para a remissão dos pecados, Ele que é Deus, mas se submeteu para nossa salvação, assumindo, já naquele momento, os nossos pecados… Ele, o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo, entrou naquela fila dos pecadores, apenas para nos dizer: “Estou contigo! Compartilho do teu sofrimento! Recebo os teus pecados, e jogo-os na correnteza deste rio…”.

Naquele momento, Jesus é ungido pelo Espírito Santo, para, no Espírito Santo, expulsar o mal, realizar milagres, pregar, apresentar-nos o Pai, e se entregar até a morte na cruz, quando, então, se fará plena a unção do Espírito Santo, derramando-Lhe a vida, na Ressurreição.

Renovamos hoje, também, as promessas do nosso batismo. Um evento que não pode ficar no passado. Não podemos dizer que fomos batizados, mas sim, que SOMOS batizados, pois batismo é missão… Assim como Jesus, que ao ser batizado inicia sua missão, também nós partilhamos da mesma senda: anunciar o Reino de Deus aos quanto cantos da Terra!

Batismo não é, pois, oba-oba, nem muito menos apenas uma obrigação dos pais em relação aos seus filhos, mas sim, um testemunho efetivo do seguimento ao Cristo, nosso único caminho apresentado pelo Pai para a nossa salvação.

Renunciemos, pois, caríssimos irmãos, ao pecado; a tudo o que possa desunir, para que o pecado não domine sobre nós; ao demônio, autor e princípio do pecado; para, de coração puro e dilatado, acolhermos àquele que o Pai nos enviou, do qual Ele mesmo nos fala: ”Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer”.

Só assim nossa vida terá um sentido! Só assim, através do seguimento, da imitação do Cristo,  chegaremos ao Pai, que O manifestou, e com Ele e o Espírito Santo, vive e reina em eterna glória, pelos séculos dos séculos!!!

Amém.

Alex Cardoso Vasconcelos – Acólito da Paróquia Divino Espírito Santo, em Maceió/AL – Equipe Dominus Vobiscum

Evangelho do Dia:: Pedro e João: a unidade na diversidade

Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Pedro voltou-se e viu que o seguia o discípulo que Jesus amava, o mesmo que na ceia se tinha apoiado sobre o seu peito e lhe tinha perguntado: ‘Senhor, quem é que te vai entregar?’ Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: Senhor, e que vai ser deste? Jesus respondeu-lhe: E se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Tu, segue-me! Foi assim que, entre os irmãos, correu este rumor de que aquele discípulo não morreria. Jesus, porém, não disse que ele não havia de morrer, mas sim: Se Eu quiser que ele fique até Eu voltar, que tens tu com isso? Este é o discípulo que dá testemunho destas coisas e que as escreveu. E nós sabemos bem que o seu testemunho é verdadeiro. Há ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se elas fossem escritas, uma por uma, penso que o mundo não teria espaço para os livros que se deveriam escrever. (Jo 21,20-25)

Comentário feito por Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cistercense

Algumas pessoas a quem não é concedida uma promoção deduzem daí que não são amadas; se não são envolvidas nos negócios e nas atividades, lastimam-se por terem sido postas de lado. E isto é, sabemo-lo bem, uma fonte de grave desentendimento entre pessoas que passavam por amigas; no cúmulo da indignação, estas pessoas chegam a separar-se e a maldizer-se. [...]

Que ninguém diga que foi posto de lado porque não lhe foi atribuída uma promoção. A este respeito, o Senhor Jesus preferiu Pedro a João; no entanto, não foi por conferir a primazia a Pedro que retirou a sua afeição a João. Confiou a Sua Igreja a Pedro; a João entregou a Sua Mãe muito amada (Jo 19,27). Deu a Pedro as chaves do Seu reino (Mt 16,19); a João mostrou os segredos do Seu coração (Jo 13,25). Por conseguinte, Pedro ocupa um posto elevado, mas o lugar de João é mais seguro. Embora tivesse recebido o poder, quando Jesus disse: um de vós há-de entregar-Me (Jo 13,21), Pedro treme e assusta-se como os outros; João, instigado por Pedro e encorajado pela sua proximidade ao Senhor, interroga-O para saber de quem fala. Pedro entrega-se à ação; João é posto à parte, para testemunhar a sua afeição, de acordo com a palavra: Quero que fique até Eu voltar. Ele deu-nos o exemplo para que também nós façamos o mesmo.

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Evangelho do Dia: Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida

Do Evangelho Quotidiano

No tempo de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era da descendência de Aarão e se chamava Isabel. Ambos eram justos diante de Deus, cumprindo irrepreensivelmente todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Não tinham filhos, pois Isabel era estéril, e os dois eram de idade avançada. Ora, estando Zacarias no exercício das funções sacerdotais diante de Deus, na ordem da sua classe, coube-lhe, segundo o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar o incenso. Todo o povo estava da parte de fora em oração, à hora do incenso. Então, apareceu-lhe o anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o anjo disse-lhe: Não temas, Zacarias: a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, vai dar te um filho e tu vais chamar-lhe João. Será para ti motivo de regozijo e de júbilo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento. Pois ele será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo já desde o ventre da sua mãe e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente, diante do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de proporcionar ao Senhor um povo com boas disposições. Zacarias disse ao anjo: Como hei-de verificar isso, se estou velho e a minha esposa é de idade avançada? O anjo respondeu: Eu sou Gabriel, aquele que está diante de Deus, e fui enviado para te falar e anunciar esta Boa-Nova. Vais ficar mudo, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto acontecer, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão na altura própria. O povo, entretanto, aguardava Zacarias e admirava se por ele se demorar no santuário. Quando saiu, não lhes podia falar e eles compreenderam que tinha tido uma visão no santuário. Fazia-lhes sinais e continuava mudo. Terminados os dias do seu serviço, regressou a casa. Passados esses dias, sua esposa Isabel concebeu e, durante cinco meses, permaneceu oculta. Dizia ela: O Senhor procedeu assim para comigo, nos dias em que viu a minha ignomínia e a eliminou perante os homens. ( Lc 1,5-25)

Comentário  feito por São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo

Foi a oração e não o desejo sexual que levou à concepção de João Batista. O seio de Isabel tinha passado a idade de dar vida, o seu corpo tinha perdido a esperança de conceber; apesar destas condições de desesperança, a oração de Zacarias permitiu a esse corpo envelhecido germinar ainda: foi a graça e não a natureza que concebeu João. Este filho, cujo nascimento vem menos do abraço do que da oração, só poderia ser santo.

Apesar de tudo, não devemos espantar-nos por João ter merecido nascimento tão glorioso. O nascimento do precursor de Cristo, daquele que Lhe abriu o caminho, devia apresentar uma semelhança com o do Senhor, nosso Salvador. Se, portanto, o Senhor nasceu de uma virgem, João foi concebido por uma mulher velha e estéril. [...] Não admiramos menos Isabel, que concebeu na sua velhice, do que Maria, que teve um Filho na sua virgindade. Aqui parece-me já haver um símbolo: João representava o Antigo Testamento e nasceu do sangue já arrefecido de uma mulher idosa, enquanto o Senhor, que anuncia a Boa Nova do Reino dos céus, é fruto duma juventude plena de seiva.

Maria, consciente da sua virgindade, admira a criança gerada nas suas entranhas. Isabel, consciente da sua idade avançada, cora ao ver o seu ventre pesado pela gravidez; o evangelista diz, com efeito: durante cinco meses permaneceu oculta. Temos de admirar também o fato de ser o mesmo arcanjo Gabriel a anunciar os dois nascimentos: traz uma consolação a Zacarias, que permanece incrédulo; e encoraja Maria, que encontra confiante (Lc 1,26s). O primeiro, por ter duvidado, perdeu a voz; a segunda, por ter acreditado imediatamente, concebeu o Verbo Salvador.

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Evangelho do Dia: Porque não lhe destes crédito?

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus foi ao templo e, enquanto ensinava, foram ter com Ele os sumos sacerdotes e os anciãos do povo e disseram-lhe: Com que autoridade fazes isto? E quem te deu tal poder? Jesus respondeu-lhes: Também Eu vou fazer vos uma pergunta. Se me responderdes, digo-vos com que autoridade faço isto. De onde provinha o batismo de João: do Céu ou dos homens? Mas eles começaram a pensar entre si: Se respondermos: ‘Do Céu’, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ E, se respondermos: ‘Dos homens’, ficamos com receio da multidão, pois todos têm João por um profeta. E responderam a Jesus: Não sabemos. Disse-lhes Ele, por seu turno: Também Eu vos não digo com que autoridade faço isto. (Mt 21,23-27)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Cirilo de Jerusalém (313-350), bispo de Jerusalém e doutor da Igreja

Os profetas foram enviados com Moisés para curar Israel; mas cuidavam de Israel chorando, sem conseguirem dominar o mal, como disse um deles: Ai de mim! Desapareceram da terra os justos (Mq 7,1-2). [...] Grande era a ferida da humanidade; desde a planta dos pés até ao alto da cabeça, não há nada de são em vós. Tudo são feridas, contusões, chagas vivas, que não foram curadas, nem ligadas, nem suavizadas com azeite (Is 1,6). Os profetas, esgotados pelas lágrimas, diziam: Quem dera que viesse de Sião a salvação de Israel! (Sl 13,7) [...] E outro profeta suplicava nestes termos: Senhor, abaixa os céus e desce (Sl 143,5). As feridas da humanidade excedem os nossos remédios. Derrubaram os Teus altares e assassinaram os Teus profetas. (1R 19,10). A nossa miséria não pode ser curada por nós; é de Ti que necessitamos para nos reerguemos. O Senhor satisfez a oração dos profetas. O Pai não desprezou a nossa raça mortificada; enviou do céu o Seu próprio Filho como médico. O Senhor que procurais virá brevemente disse um profeta. Onde? No Seu santuário (Ml 3,1), onde apedrejastes o Seu profeta (2Cr 24,21). [...] O próprio Deus disse ainda: Eis que Eu venho para morar no meio de ti, e muitas nações se unirão ao Senhor (Zc 2,14-15). [...] Agora venho reunir todos os povos de todas as línguas, porque veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam (Jo 1,11). Vens; e que dás Tu às nações? Eu virei para reunir os povos e colocarei no meio deles um sinal (Is 66,18-19). Com efeito, na sequência do Meu combate na cruz, cada um dos Meus soldados levará sobre a fronte o selo real (Ap 7,3). E outro profeta disse: Inclinou os céus e desceu, com densas nuvens debaixo dos Seus pés (Sl 17,10). Mas a Sua descida dos céus permaneceu desconhecida dos homens.

Dominus Vobiscum

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Evangelho do Dia: a Tua misericórdia dá-me coragem

Do Evangelho Quotidiano

Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; entoamos lamentações e não batestes no peito!’ Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras. (Mt 11,16-19)

Comentário do Evangelho do dia feito por Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787), bispo e doutor da Igreja

Fogo sempre ardente, diremos com Santo Agostinho, inflama as nossas almas. Jesus Cristo, fizeste-Te homem para acender nos nossos corações o fogo do amor divino: como pudeste encontrar em nós tamanha ingratidão? Tudo fizeste para que Te amassem; chegaste a sacrificar o Teu sangue e a Tua vida. Porque razão ficam os homens insensíveis a tantas graças? Será que as ignoram? Não, eles sabem, eles crêem que, por amor deles, vieste do céu revestir a carne humana e carregar com as suas misérias; eles sabem que, por amor deles, quiseste levar uma vida de sofrimento permanente e sofrer uma morte ignominiosa. Depois disto, como explicar que vivam no completo esquecimento da Tua bondade extrema? Eles amam os pais, eles amam os amigos, eles chegam mesmo a amar os animais [...]; é somente por Ti que não sentem amor nem gratidão! Mas que digo eu? Ao acusar os outros de ingratidão, estou a condenar-me a mim mesmo, pois o meu comportamento para conTigo foi pior do que o deles. Porém, a Tua misericórdia dá-me coragem; sei que ela me sustentou durante tanto tempo, para me perdoar e incendiar-me com o Teu amor, com a única condição de eu querer arrepender-me e amar-Te. Sim, meu Deus, quero arrepender-me [...]; quero amar-Te com todo o meu coração. Reconheço que o meu coração [...] Te negligenciou para amar as coisas deste mundo; mas também vejo que, apesar desta traição, Tu continuas a chamá-Lo. É por isso que, com toda a força da minha vontade, eu To dedico e To dou. Digna-Te incendiá-lo com o Teu santo amor; faz com que doravante ele só Te ame a Ti. [...] Amo-Te, meu Jesus; amo-Te, meu soberano Bem! Amo-Te, único amor da minha alma.

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Evangelho do Dia: Os que eram atormentados por espíritos malignos ficavam curados

Naqueles dias, Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus. Quando nasceu o dia, convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos: Simão, a quem chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago, João, Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor. Descendo com eles, deteve-se num sítio plano, juntamente com numerosos discípulos e uma grande multidão de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sídon, que acorrera para o ouvir e ser curada dos seus males. ; e toda a multidão procurava tocar-lhe, pois emanava dele uma força que a todos curava. (S. Lucas 6,12-19)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Clemente de Roma, papa de 90 a 100 aproximadamente

Os apóstolos receberam do Senhor Jesus Cristo, para nós, a Boa Nova; Jesus, o Cristo, foi enviado por Deus. O Cristo vem pois de Deus, os apóstolos de Cristo. Estas duas missões procedem ordenadamente da vontade de Deus. Providos de instruções, cheios de segurança pela ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, reforçados pela palavra de Deus, eles partiram, com a garantia do Espírito Santo, a anunciar que o Reino de Deus estava próximo. Pregavam nos campos e nas cidades, onde estabeleceram as suas primícias, a quem nomearam, com a ajuda do Espírito Santo, bispos e diáconos dos futuros fiéis. [...] É de admirar que os homens que Deus investiu de uma tal missão em Cristo tenham, por sua vez, estabelecido os ministros que acabo de invocar? [...] Os nossos apóstolos também souberam por nosso Senhor Jesus Cristo que haveria litígios quanto às funções do bispo. Foi essa a razão pela qual, na sua correta previsão, estabeleceram os ministros acima citados e instituíram que, após a sua morte, outros homens, devidamente provados, lhes sucedessem.

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Evangelho do Dia: A paz esteja nesta casa!

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo,  o Senhor designou outros setenta e dois discípulos e enviou-os dois a dois, à sua frente, a todas as cidades e lugares aonde Ele havia de ir. Disse-lhes: A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe. Ide! Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem sandálias; e não vos detenhais a saudar ninguém pelo caminho. Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós. Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que lá houver, pois o trabalhador merece o seu salário. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei do que vos for servido, curai os doentes que nela houver e dizei-lhes: ‘O Reino de Deus já está próximo de vós.’  (S. Lucas 10,1-9)

Comentário do Evangelho do dia feito por Concílio Vaticano II

Ninguém ignora que, entre todas as Escrituras, mesmo as do Novo Testamento, os Evangelhos têm o primeiro lugar, enquanto são o principal testemunho da vida e doutrina do Verbo encarnado, nosso Salvador. A Igreja defendeu e defende sempre e em toda a parte a origem apostólica dos quatro Evangelhos. Com efeito, aquelas coisas que os Apóstolos, por ordem de Cristo, pregaram foram depois, por inspiração do Espírito Santo, transmitidas por escrito por eles mesmos e por varões apostólicos como fundamento da fé, ou seja, o Evangelho quadriforme, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. A Santa Madre Igreja defendeu e defende, firme e constantemente, que estes quatro Evangelhos, cuja historicidade afirma sem hesitação, transmitem fielmente as coisas que Jesus, Filho de Deus, durante a Sua vida terrena, realmente operou e ensinou para salvação eterna dos homens, até ao dia em que subiu ao céu (cf Act 1,1-2). Na verdade, após a ascensão do Senhor, os Apóstolos transmitiram aos seus ouvintes, com aquela compreensão mais plena de que eles, instruídos pelos acontecimentos gloriosos de Cristo e iluminados pelo Espírito de verdade (Jo 14,26) gozavam, as coisas que Ele tinha dito e feito. Os autores sagrados, porém, escreveram os quatro Evangelhos escolhendo algumas coisas, entre as muitas transmitidas por palavra ou por escrito, sintetizando umas, desenvolvendo outras, segundo o estado das igrejas, conservando finalmente o caráter de pregação, mas sempre de maneira a comunicar-nos coisas autênticas e verdadeiras acerca de Jesus. Com efeito, quer relatassem aquilo de que se lembravam e recordavam, quer se baseassem no testemunho daqueles que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, fizeram-no sempre com intenção de que conheçamos a verdade das coisas a respeito das quais fomos instruídos (cf Lc 1,2-4).

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Evangelho do Dia:: Jesus dirigiu-Se resolutamente para Jerusalém

Como estavam a chegar os dias de ser levado deste mundo, Jesus dirigiu-se resolutamente para Jerusalém e enviou mensageiros à sua frente. Estes puseram-se a caminho e entraram numa povoação de samaritanos, a fim de lhe prepararem hospedagem. Mas não o receberam, porque ia a caminho de Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João disseram: Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma? Mas Ele, voltando-se, repreendeu-os. E foram para outra povoação. S. Lucas 9,51-56

Comentário do Evangelho do dia feito por São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja

Cristo é o caminho e a porta. Cristo é a escada e o veículo, [...] e o sacramento escondido desde os séculos. Quem olha para este propiciatório de rosto plenamente voltado para Ele, contemplando-O suspenso na cruz com fé, esperança e caridade, com devoção, admiração e alegria, com veneração, louvor e júbilo, realiza com Ele a Páscoa, isto é, a passagem. E assim, por meio da vara da cruz, atravessa o Mar Vermelho. [...] Nesta passagem, se for perfeita, é necessário que se deixem todas as operações intelectivas e que o ápice mais sublime do amor seja transferido e transformado totalmente em Deus. Isto porém é uma realidade mística e ocultíssima, que ninguém conhece a não ser quem recebe (Ap 2,17), que ninguém recebe senão quem deseja, nem deseja senão aquele que é inflamado, até à medula da alma, pelo fogo do Espírito Santo, que Cristo enviou à terra. Por isso diz o Apóstolo que esta sabedoria mística é revelada pelo Espírito Santo. Se pretendes saber como isto sucede, interroga a graça e não a ciência [...], a nuvem e não a claridade. Não interrogues a luz, mas o fogo que tudo inflama e transfere para Deus, com unção suavíssima e ardentíssimos afetos. Este fogo é Deus; a Sua fornalha está em Jerusalém (Is 31,9). Cristo acendeu-o na chama da Sua ardentíssima Paixão. [...] Quem ama esta morte pode ver a Deus, porque é indubitavelmente verdade que nenhum homem poderá ver-Me e continuar a viver (Ex 33,20). Morramos, pois, e entremos nessa nuvem; imponhamos silêncio às preocupações terrenas, paixões e imaginações; passemos, com Cristo crucificado, deste mundo para o Pai (Jo 13,1), a fim de que, ao manifestar-se-nos o Pai, digamos com o apóstolo Filipe: Isso nos basta (Jo 14,8); e ouçamos com São Paulo: Basta-te a Minha graça (2Cor 12,9); e exultemos com David, exclamando: Desfalece a minha carne e o meu coração: Deus é o meu refúgio e a minha herança para sempre (Sl 72,26).

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Evangelho do Dia: Quem não é contra vós é por vós

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, veio então ao pensamento dos discípulos qual deles seria o maior. Conhecendo Jesus os seus pensamentos, tomou um menino, colocou-o junto de si e disse-lhes: Quem acolher este menino em meu nome, é a mim que acolhe, e quem me acolher a mim, acolhe aquele que me enviou; pois quem for o mais pequeno entre vós, esse é que é grande. João tomou a palavra e disse: Mestre, vimos alguém expulsar demônios em teu nome e impedimo-lo, porque ele não te segue juntamente conosco. Jesus disse-lhe: Não o impeçais, pois quem não é contra vós é por vós. (S. Lucas 9,46-50)

Comentário do Evangelho do dia feito por Concílio Vaticano II

Em virtude da sua missão de iluminar o mundo inteiro com a mensagem de Cristo e de reunir sob um só Espírito todos os homens, de qualquer nação, raça ou cultura, a Igreja constitui um sinal daquela fraternidade que torna possível e fortalece o diálogo sincero. Isto exige, em primeiro lugar, que, reconhecendo toda a legítima diversidade, promovamos na própria Igreja a mútua estima, respeito e concórdia, em ordem a estabelecer entre todos os que formam o Povo de Deus, pastores ou fiéis, um diálogo cada vez mais fecundo. Porque o que une entre si os fiéis é bem mais forte do que o que os divide: haja unidade no necessário, liberdade no que é duvidoso, e em tudo caridade. Abraçamos também em espírito os irmãos que ainda não vivem em plena comunhão conosco, e as suas comunidades, com os quais estamos unidos na confissão do Pai, Filho e Espírito Santo [...]. Voltamos também o nosso pensamento para todos os que reconhecem Deus e guardam nas suas tradições preciosos elementos religiosos e humanos, desejando que um diálogo franco nos leve a todos a receber com fidelidade os impulsos do Espírito e a segui-los com entusiasmo. Pela nossa parte, o desejo de um tal diálogo, guiado apenas pelo amor pela verdade e com a necessária prudência, não exclui ninguém; nem aqueles que cultivam os altos valores do espírito humano, sem ainda conhecerem o seu Autor; nem aqueles que se opõem à Igreja, e de várias maneiras a perseguem. Como Deus Pai é o princípio e o fim de todos eles, todos somos chamados a ser irmãos. Por isso, chamados pela mesma vocação humana e divina, podemos e devemos cooperar pacificamente, sem violência nem engano, na edificação do mundo na verdadeira paz.

Pax Domini

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