Evangelho do Dia: O cobrador de impostos foi libertado para o Reino de Deus

Partindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: Segue-me! E ele levantou se e seguiu-o. Encontrando-se Jesus à mesa em sua casa, numerosos cobradores de impostos e outros pecadores vieram e sentaram-se com Ele e seus discípulos. Os fariseus, vendo isto, diziam aos discípulos: Por que é que o vosso Mestre come com os cobradores de impostos e os pecadores? Jesus ouviu-os e respondeu-lhes: Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Ide aprender o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores.(S. Mateus 9,9-13)

Comentário do Evangelho do dia feito por Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino

Mateus, o publicano, recebeu por alimento o pão da vida e da inteligência (Sir 15, 3); e dessa mesma inteligência, fez em sua casa um grande banquete para o Senhor Jesus, pois tinha recebido uma graça abundante, em conformidade com o seu nome [que quer dizer "dom do Senhor"]. Um presságio desse banquete de graças havia sido preparado por Deus: tendo sido chamado enquanto estava no seu posto de cobrança, seguiu a Cristo e ofereceu-Lhe, em sua casa, um grande banquete (Lc 5, 29). Ofereceu-Lhe portanto um banquete, dos grandes – um banquete real, diríamos. Mateus é de fato o evangelista que nos mostra Cristo Rei através da Sua família e dos Seus atos. Logo no início da obra, declara que se trata do livro da Genealogia de Jesus Cristo, filho de David (Mt 1, 1). Em seguida, comenta como o recém-nascido é adorado pelos magos como rei dos judeus; depois, tecendo o resto da narração com régios feitos e parábolas do reino, termina por fim com as próprias palavras de um Rei que já está coroado pela glória da ressurreição: “Foi-Me dado todo o poder no Céu e na Terra” (28, 18). Se examinarmos bem o conjunto da sua redação, reconheceremos portanto que toda ela respira os mistérios do Reino de Deus. Nada de espantoso há nisto; Mateus tinha sido publicano, lembrava-se de ter sido chamado do serviço público do reino de pecado para a liberdade do Reino de Deus, do Reino de justiça. Como homem verdadeiramente grato para com o grande Rei que o tinha libertado, serviu portanto com fidelidade as leis do Seu Reino.

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Aqui está Alguém que é maior do que Salomão

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo,  alguns escribas e fariseus disseram a Jesus: Mestre, queremos ver um sinal da tua parte. Ele respondeu-lhes: Geração má e adúltera! Reclama um sinal, mas não lhe será dado outro sinal, a não ser o do profeta Jonas. Assim como Jonas esteve no ventre do monstro marinho, três dias e três noites, assim o Filho do Homem estará no seio da terra, três dias e três noites. No dia do juízo, os habitantes de Nínive hão-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque fizeram penitência quando ouviram a pregação de Jonas. Ora, aqui está quem é maior do que Jonas! No dia do juízo, a rainha do Sul há-de levantar-se contra esta geração para a condenar, porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. Ora, aqui está alguém que é maior do que Salomão! (S. Mateus 12,38-42)

Comentário o Evangelho do dia feito por Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino

Combinados, o profeta Natan e Betsabé defenderam o seu projeto perante o velho e sábio rei David, que estava a morrer (1Rs 1). Foi então que Salomão, cujo nome significa senhor pacífico recebeu a unção real. E toda a gente foi atrás dele a tocar flauta e a fazer uma grande festa, de modo que toda a terra vibrava com as suas aclamações, pois o rei havia declarado: Estabeleço Salomão como rei de Israel e de Judá (v. 35.40). Esta entronização prefigura sem dúvida alguma o mistério de que Daniel falava: O tribunal realizou sessão e foram abertos os livros. Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um Filho do homem. Avançou até ao ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas soberanias, glória e realeza (Dn 7,10-14). Foi, pois, por iniciativa de um profeta que Salomão foi estabelecido como rei, tal como foi ao cumprir as profecias no seu sentido espiritual que Cristo, Filho de Deus, foi reconhecido como Rei pacífico, Rei da glória do Pai, atraindo tudo a Si. Salomão tornou-se rei ainda em vida de seu pai, tal como Cristo foi estabelecido rei por Deus Pai, que não pode morrer. Sim, Ele fá-l’O certamente rei, herdeiro de todas as coisas (Heb 1,2), Aquele que não morre nem morrerá nunca. E, coisa admirável e única, Cristo, herdeiro de um Pai sempre vivo e que nunca poderá morrer, morreu; mas ressuscitou e nunca mais conhecerá a morte. Então Salomão foi sentado na mula do rei (1Rs 1,38). Bem melhor, é no trono de seu Pai, isto é, sobre toda a Igreja [...], acima de todo o Principado, Potestade, Virtude e Dominação (Ef 1,21), que Cristo está agora sentado à direita da Majestade nos céus (Heb 1,3). Eis porque toda a multidão vai atrás d’Ele, a multidão que canta e se alegra. E a terra vibra com as suas aclamações. Também nós ouvimos a enorme alegria daqueles que proclamam esta glória, ou seja, a alegria dos apóstolos falando as línguas de todos (Act 2) pois por toda a terra caminha o Seu eco, até aos confins do universo a Sua palavra (Sl 18,5). 

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