Evangelho do Dia:: Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, como alguns falassem do templo, dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu: Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído. Perguntaram-lhe, então: Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer? Ele respondeu: Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo.’ Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim. Disse-lhes depois: Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenômenos apavorantes e grandes sinais no céu.  (Lc 21,5-11)

Comentário feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Quanto mais o rei se aproxima, mais necessidade temos de nos preparar. Quanto mais se aproxima o momento em que o prêmio será atribuído ao lutador, melhor tem de ser a luta. É também o que acontece nas corridas: quando chega o final da corrida e o objetivo se aproxima, mais se estimula o ardor dos cavalos. É por isso que Paulo diz: A salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo (Rom 13,11-12). Uma vez que a noite se desvanece e o dia surge, façamos as obras do dia; deixemos as obras das trevas. É também assim que fazemos nesta vida: quando vemos que a noite dá lugar à alvorada e ouvimos cantar a andorinha, acordamo-nos uns aos outros, mesmo que ainda seja noite. [...] Apressamo-nos a realizar as tarefas do dia; vestimo-nos depois de termos sido arrancados ao sono, para que o sol nos encontre prontos. O que fazemos nessa altura, façamo-lo agora: sacudamos os nossos sonhos, afastemo-nos das ilusões da vida presente, deixemos o sono profundo e revistamo-nos do fato da virtude. É o que nos diz claramente o apóstolo: Abandonemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Porque o dia chama-nos à batalha, ao combate. Não vos alarmeis ao escutar estas palavras de combate e de luta! Se vestir uma pesada armadura material é penoso, é desejável pelo contrário vestir a armadura espiritual, porque é uma armadura de luz. Então, brilharás com um brilho mais resplandecente que o sol e, cintilando com um fulgor radioso, estarás em segurança, porque são armas [...], armas de luz. Estaremos então dispensados do combate? Não! Temos de combater, mas sem nos deixarmos vencer pela fadiga e pela angústia. Porque não é tanto para a guerra que somos convidados, mas para uma festa e um júbilo.

Evangelho do Dia: Imitar a paciência de Deus

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, apareceram alguns a contar a Jesus, dos galileus, cujo sangue Pilatos tinha misturado com o dos sacrifícios que eles ofereciam. Respondeu-lhes: Julgais que esses galileus eram mais pecadores que todos os outros galileus, por terem assim sofrido? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos igualmente. E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando-os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma. Disse-lhes, também, a seguinte parábola: Um homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e foi lá procurar frutos, mas não os encontrou. Disse ao encarregado da vinha: ‘Há três anos que venho procurar fruto nesta figueira e não o encontro. Corta-a; para que está ela a ocupar a terra?’ Mas ele respondeu: ‘Senhor, deixa-a mais este ano, para que eu possa escavar a terra em volta e deitar-lhe estrume. Se der frutos na próxima estação, ficará; senão, poderás cortá-la.’ (Lc 13,1-9)

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cipriano (c. 200-258), Bispo de Cartago e mártir

Como é grande a paciência de Deus! [...] Ele faz com que o dia nasça e com que o sol se levante tanto para os bons como para os maus (Mt 5,45); Ele rega a terra com as chuvas e ninguém fica excluído da Sua benevolência, uma vez que a água é dada indistintamente aos justos e aos injustos. Vemo-Lo agir com igual paciência para com os culpados e para com os inocentes, os fiéis e os ímpios, aqueles que Lhe dão graças e os ingratos. Para todos eles os tempos obedecem à voz de Deus, os elementos colocam-se ao Seu serviço, os ventos sopram, manam as fontes, as colheitas aumentam de abundância, a uva amadurece, as árvores carregam-se de frutos, as florestas reverdecem e os prados cobrem-se de flores. [...] E embora Ele tenha o poder de Se vingar, prefere esperar muito tempo com paciência e aguarda e adia com bondade para que, se for possível, a malícia se esbata com o tempo e o homem [...] se volte enfim para Deus, segundo o que Ele mesmo nos diz: Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, a fim de que tenha a vida (Ez 33,11). E ainda: Voltai-vos para Mim, regressai para o Senhor vosso Deus, porque Ele é misericordioso, bom, paciente e compassivo (Jl 2,13). [...]

Ora, Jesus diz-nos: Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste (Mt 5,48). Por estas palavras Ele nos indica que, sendo filhos de Deus e regenerados por um nascimento celeste, atingimos o cume da perfeição quando a paciência de Deus Pai permanece em nós e a semelhança divina, perdida pelo pecado de Adão, se manifesta a brilha nos nossos atos. Que grande glória a nossa, a de nos assemelharmos a Deus, que grande felicidade, termos essa virtude digna dos louvores divinos!

Siga-nos e fique por dentro das novidades:

  

Evangelho do Dia: Eu vim lançar fogo sobre a terra

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um batismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra. (S. Lucas 12,49-53)

Comentário do Evangelho do dia feito por Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa

Ó Espírito de Deus, espírito de verdade e de luz, permanece constantemente na minha alma pela Tua graça divina. Que o Teu sopro dissipe as trevas e que na Tua luz as boas ações se multipliquem. Ó Espírito de Deus, Espírito de amor e de misericórdia, que derramas no meu coração o bálsamo da confiança, a Tua graça confirme a minha alma no bem, dando-lhe uma força invencível: a constância! Ó Espírito de Deus, Espírito de paz e de alegria, que reconfortas o meu coração sedento, que derramas nele a fonte viva do amor divino, e o tornas intrépido na luta. Ó Espírito de Deus, ó mais amoroso hóspede da minha alma, eu desejo, por meu lado, ser-Te fiel, tanto nos dias de felicidade como nas horas de sofrimento; desejo, Espírito de Deus, viver sempre na Tua presença. Ó Espírito de Deus, que impregnas o meu ser e me fazes conhecer a Tua vida divina e trinitária, Tu me inicias no Teu Ser divino; unida assim a Ti, tenho a vida eterna.

Siga-nos e fique por dentro das novidades:

  

Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração

Do Evangelho Quotidiano

Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem os corroem e os ladrões arrombam os muros, a fim de os roubar. Acumulai tesouros no Céu, onde a traça e a ferrugem não corroem e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois, onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração. A lâmpada do corpo são os olhos; se os teus olhos estiverem sãos, todo o teu corpo andará iluminado. Se, porém, os teus olhos estiverem doentes, todo o teu corpo andará em trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes serão essas trevas! (S. Mateus 6,19-23)

Comentário do Evangelho feito por Concílio Vaticano II

Neste momento solene, nós, os Padres do XXI Concílio Ecuménico da Igreja Católica, ao dispersarmo-nos depois de quatro anos de oração e de trabalhos, na plena consciência da nossa missão para com a humanidade, dirigimo-nos com respeito e confiança àqueles que têm nas suas mãos o destino dos homens na terra, a todos os depositários do poder temporal. Nós proclamamos altamente: prestamos honra à vossa autoridade e à vossa soberania; respeitamos a vossa função; reconhecemos as vossas leis justas; estimamos aqueles que as fazem e aqueles que as aplicam. Mas temos uma palavra sagrada a dizer-vos, e é esta: só Deus é grande. Só Deus é o princípio e o fim. Só Deus é a fonte da vossa autoridade e o fundamento das vossas leis. É a vós que pertence ser na terra os promotores da ordem e da paz entre os homens. Mas não esqueçais: é Deus, o Deus vivo e verdadeiro, que é o Pai dos homens. E é Cristo, o Seu Filho eterno, Quem nos veio dizer e ensinar que somos todos irmãos. É Ele o grande artífice da ordem e da paz na terra, porque é Ele Quem dirige a história humana e o Único que pode levar os corações a renunciar às más paixões que geram a guerra e a infelicidade. É Ele Quem abençoa o pão da humanidade, Quem santifica o seu trabalho e o seu sofrimento, Quem lhe dá alegrias que vós não podeis dar, Quem a reconforta nas dores que vós não podeis consolar. Na vossa cidade terrestre e temporal, Ele constrói misteriosamente a Sua cidade espiritual e eterna, a Sua Igreja.

Siga-nos e fique por dentro das novidades:

   

Quem Me vê a Mim, vê Aquele que Me enviou

Do Evangelho Quotidiano

Jesus levantou a voz e disse: Quem crê em mim não é em mim que crê, mas sim naquele que me enviou; e quem me vê a mim vê aquele que me enviou. Eu vim ao mundo como luz, para que todo o que crê em mim não fique nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras e não as cumpre, não sou Eu que o julgo, pois não vim para condenar o mundo, mas sim para o salvar. Quem me rejeita e não aceita as minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que Eu anunciei, essa é que o há-de julgar no último dia; porque Eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, é que me encarregou do que devo dizer e anunciar. E Eu bem sei que este seu mandato traz consigo a vida eterna; por isso, as coisas que Eu anuncio, anuncio-as tal como o Pai as disse a mim. (Jo 12,44-50)

Comentário do Evangelho feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja

Alguém que tinha chamado bom mestre a Jesus, pedindo-Lhe conselho para alcançar a vida eterna, recebeu esta resposta: Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão um só: Deus (Mc 10,17-18). [...] Sim, se Me vires na Minha condição divina, Eu sou bom, mas se Me vês somente na condição humana que contemplas agora, porque Me interrogas acerca do que é bom, se és daqueles que apenas “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram”? (Jo 19-37; Zc 12,10). Essa visão trar-lhes-á infelicidade, porque será a visão do castigo. Existe, com efeito, uma visão em que contemplaremos a imutável substância de Deus, invisível aos olhos humanos, e essa visão, que só é prometida aos santos, é aquela a que o apóstolo Paulo chama um face a face (1Cor 13,12); dessa visão, diz o apóstolo João: Seremos semelhantes a Ele, porque O veremos tal como Ele é (1Jo 3,2) e o salmista: Uma só coisa peço ao Senhor e ardentemente a desejo: é habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida (Sl 26,4). O próprio Senhor o diz: Eu o amarei e hei-de manifestar-Me a ele (Jo 14,21). É por essa visão que purificamos os nossos corações na fé, para pertencermos ao número dos puros de coração que verão a Deus (Mt 5,8). Essa visão, e apenas ela, é o nosso supremo bem e é para a alcançarmos que temos o dever de fazer tudo o que fazemos de bem.

Siga-nos e fique por dentro das novidades: