Os limites para um bom evangelizador

Hoje eu queria falar com você sobre um assunto que é muito importante para nós nos dias atuais, mas que tantas vezes passa desapercebido. A isso tem feito muita confusão nas nossas comunidades que não pude me calar: A missão de evangelizar tem limites que precisam ser respeitados pelos evangelizadores.

Limites do Evangelizador

Hoje a palavra “evangelizador” virou moda. Está na boca do povo. Todo mundo no seu cantinho e dentro de suas possibilidades se considera um evangelizador, e acho isso bacana. Até por que evangelizar é preciso então todos nós de certa formas temos de fato essa missão. Só que, para ser um evangelizador você precisa saber que a missão por mais bonita que seja, tem limites e regras que precisam ser vividas e cumpridas.

O que o evangelizador deve observar?

Deseja ser um evangelizador? Então guarde bem isso no seu coração: Cabe a todos os católicos guardar e ensinar com fidelidade  a fé que o próprio Cristo nos ensinou. Anote essa frase e leia, releia, leia novamente até que ela fique cravada na sua mente.

Isso quem nos diz é o Catecismo da Igreja Católica. É a missão de todos os católicos, portanto é missão de todo evangelizador levar isso muito a sério. Independente de qual seja a sua missão: se é evangelizar sua família, sua rua, seu local de trabalho, sua cidade ou seu estado.

Antes de sair por ai pregando o Evangelho, observe os ensinamentos da Igreja e tente colocá-los em prática na sua vida. Lembre-se do dito popular: Palavras convencem, exemplos arrastam! Guardar os ensinamentos é colocá-los antes de tudo no seu coração, para que a sua evangelização não seja vazia. É por isso que se recomenda que todos os neo batizados ou neo convertidos não sejam colocados diante de um microfone.  É preciso esperar para que a conversão seja fecunda e madura. Só depois disso o testemunho terá peso.

Ensinar com Fidelidade

É nossa missão como bons católicos ensinar aquilo que o próprio Jesus nos ensinou. Estes ensinamentos não podem ser do jeito que queremos. Precisamos ser transmissores perfeitos do que Cristo disse. Sim é preciso ser dinâmico, criativo e até inovador (se é que podemos dizer assim). Porém o conteúdo precisa ser igual ao que o Cristo ensinou e ao que a Igreja ensina hoje.

Se você ensina algo que não faz parte do Evangelho, ou que a sua maneira de ver a Palavra de Deus, você está errando (e errando feio)! Se você vai a um microfone, ou a qualquer lugar evangelizar em nome da Igreja, não traga pensamentos pessoais. Traga aquilo que a Igreja disse e tente explicá-lo da melhor forma possível. Ai sim você estará fazendo o seu papel.

Um evangelizador tem a missão de ensinar a fé, e nunca de discernir o que é de acordo com a fé católica ou não. Esse é o limite do evangelizador.

A interpretação autêntica do depósito da fé compete exclusivamente ao Magistério vivo da Igreja, isto é, ao Sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, e aos Bispos em comunhão com ele. Ao Magistério, que, no serviço da Palavra de Deus, goza do carisma certo da verdade, compete ainda definir os dogmas, que são formulações das verdades contidas na Revelação divina; tal autoridade estende-se também às verdades necessariamente conexas com a Revelação. (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica § 16)

Essas são as duas missões de um evangelizador. Hoje se fala muito do primeiro item. Sim, concordo que é preciso viver a palavra antes de ensiná-la, ou ao menos lutar para vivê-la, mas não se pode esquecer da segunda parte.

Preocupe-se com o conteúdo do seu ensinamento: Leia as Sagradas Escrituras e os documentos da Igreja!

Tem muito católico que se diz evangelizador, mas nunca se preocupa em ler as Sagradas Escrituras e muito menos um documento da Igreja sequer. Esses dias fui em uma celebração (pensava que seria missa). O ministro, falou tanta heresia que nem comunguei. Mas o pior de tudo foi ver que o povo ouvia atentamente o tal ministro e saiu dali com ensinamentos errados. O tal ministro até tinha boa voz, causava uma certa empatia com as pessoas. Mas não tinha conteúdo e só falou asneiras. Quantos católicos abrem a boca para falar “eu acho”, ao invés de falar ” o que a Igreja diz é…” Não suporto os “achólogos” que existem por ai. Sempre acreditando que sua opinião é melhor e mais precisa do que a opinião da Igreja que estuda a mesma situação a muito mais tempo do que o que aquela pessoa tem de vida. Quanta presunção…

Quer evangelizar? Que bom! Precisamos de evangelizadores criativos e dinâmicos na nossa Igreja! Porém faça-nos um favor: Estude, leia e se prepare. De pregações, ensinamentos e homílias medíocres, já temos muitas!

Pax Domini

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Você tem enfermidades? Venha a Jesus. Ele as cura!

Do Evangelho Quoditiano

Jesus retirou-se para o mar com os discípulos. Seguiu-o uma imensa multidão vinda da Galileia. E da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, de além-Jordão e das cercanias de Tiro e de Sídon, uma grande multidão veio ter com Ele, ao ouvir dizer o que Ele fazia. E disse aos discípulos que lhe aprontassem um barco, a fim de não ser molestado pela multidão, pois tinha curado muita gente e, por isso, os que sofriam de enfermidades caíam sobre Ele para lhe tocarem. Os espíritos malignos, ao vê-lo, prostravam-se diante dele e gritavam: Tu és o Filho de Deus! Ele, porém, proibia-lhes severamente que o dessem a conhecer. (Mc 3,7-12)

Comentário feito por Santo Afonso-Maria de Liguori (1696-1787), bispo e Doutor da Igreja

Dizei a todos os que têm o coração despedaçado: Tomai coragem e não tenhais medo. […] O próprio Deus virá salvar-vos (Is 35, 4). Esta profecia realizou-se. Seja-me pois permitido gritar de júbilo: Alegrai-vos, filhos de Adão, alegrai-vos; deixai para trás todo o desalento! Perante a vossa fraqueza e a vossa incapacidade de resistir a tantos inimigos, abandonai todo o receio, o próprio Deus virá salvar-vos. Como é que Ele veio salvar-vos? Dando-vos a força necessária para enfrentar e ultrapassar todos os obstáculos que se opõem à vossa salvação. E como é que o Redentor vos deu essa força? Fazendo-Se fraco, de forte e todo-poderoso que era; Ele tomou sobre Si toda a nossa fraqueza, e comunicou-nos a Sua força. […]

Deus é todo-poderoso: Senhor, clamava Isaías, quem resistirá à força do Teu braço? (40, 10). […] Mas as feridas feitas no homem pelo pecado tinham-no enfraquecido tanto que ele era incapaz de resistir aos seus inimigos. O que fez o Verbo eterno, o que fez a palavra de Deus? De forte e todo-poderoso que era, tornou-Se fraco; revestiu-se da fraqueza corporal do homem para dar ao homem, pelos Seus méritos, a força de alma necessária […]; tornou-Se criança […]; e no fim da Sua vida, no Jardim das Oliveiras, encheu-Se de laços, dos quais não Se pode libertar. No Sinédrio, foi preso à coluna para ser flagelado. Depois, com a cruz aos ombros, caiu várias vezes no caminho com falta de forças. Pregado na cruz, não conseguiu libertar-Se. […] E nós somos fracos? Ponhamos a nossa confiança em Jesus Cristo e seremos todo-poderosos: Tudo posso nAquele que me dá força dizia o Apóstolo Paulo (Fil 4,13). Eu sou todo-poderoso, não pelas minhas forças, mas pelas forças que me foram dadas pelos méritos do meu Redentor.

Dominus Vobiscum