A Bíblia de fato é um livro confiável?

Não ponhas em dúvida se é ou não verdade, aceita com fé as palavras do Senhor, porque Ele é a verdade, não mente…
(São Tomás de Aquino – Séc XVI)

A Bíblia nos ensina a verdade e ao contrário do que afirmam por ai, ela é um livro totalmente confiável, porque ela é de origem Divina e não Humana. E ela nunca se contradiz. Para você ter uma noção do que estou afirmando, veja que interessante:

Os estudiosos da Palavra de Deus afirmam que a grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto Massorético. Esse texto foi passado a nós, por escolas de copistas chamados Massoretas. Eles eram radicais na arte de escrever e salvaguardar as cópias dos livros. Os estudiosos afirmam que os manuscritos mais antigos dos livros do antigo testamento que possuímos são na maior parte, do III e IV Século d.C.. E adivinha de quem eram esses escritos? Dos massoretas.

O trabalho dos massoretas, de cópiar originalmente os livros sagrados prolongou-se até ao Século VIII d.C.. Pela grande seriedade deste trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto Massorético é considerado a fonte mais autorizada para o texto hebraico bíblico original. No entanto, outras versões do Antigo Testamento também são importantes. Embora o Texto Massotérico seja o mais confiável, outros textos nos servem para confirmá-lo. É o caso do Pentateuco Samaritano (os samaritanos eram uma comunidade separada dos judeus, que tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do Pentateuco), e sobretudo principalmente a Septuaginta Grega.

A Versão dos Setenta ou Septuaginta Grega, é a tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os séculos IV e II a.C., feita em Alexandria, no Egito. Ela tem esse nome por causa da sua história. Conta-se que 70 judeus, estudiosos e conhecedores das línguas e da arte da escrita, fizeram “de forma sobrenatural” (o milagre ai se deu pelo tempo em que foi traduzida) a tradução do Antigo Testamento para o grego. Essa versão é importante para nós cristãos, pois desde o início do Cristianismo, era essa a versão que os cristãos usavam (mais a frente vamos ver o porque disso).

Fragmento do texto da Septuagina Grega

Já no Novo Testamento, não temos uma fonte de referência como o Texto Massotérico, porém segundo estudos, já foram encontrados mais de 4 mil manuscritos em grego do Novo Testamento, que apresentam variantes. Desses, alguns possuem diferenças, porém a maioria deles nos dá credibilidade de serem iguais ou ao menos muitíssimo parecidos. A Igreja ao longo do tempo foi comparando esses manuscritos e percebendo a credibilidade desses estudos.

Em 404 d.C., São Jerônimo fez uma tradução da Bíblia para o Latim. Essa tradução foi chamada de Vulgata. Essa tradução foi usada por muitos séculos pela Igreja. Hoje tendo como base a tradução do Latim, e usando como referência aquilo que a Igreja tem de mais Antigo, a Bíblia foi traduzida para diversas línguas.

O fato é que desde o início os livros sagrados eram escritos e preservados na sua essência. Assim poderemos perceber que desde os inícios, a palavra tem sido tratada de forma séria. Veja o quadro abaixo:

Essa tabela por exemplo, mostra os papiros e pergaminhos mais antigos que temos dos livros do Novo Testamento. Não sei se você já teve a oportunidade de ver um pergaminho feito de pele de carneiro. É um material muito frágil. Por isso não é de se estranhar que os originais tenham se prdido. Porém se levarmos em conta o tempo passado, três séculos não é uma grande diferença assim, visto que, o último livro a ser escrito é datado do ano 100 d.C.

Outro fragmento do texto da Septuagina Grega

“Se não podemos encontrar a solução de todas as questões que são levantadas nas Escrituras, nem por isso devemos procurar outro Deus fora d’Aquele que é o verdadeiro Deus, pois isto seria o máximo da impiedade. Antes, devemos deixá-las para o Deus que nos criou, bem sabendo que as Escrituras são perfeitas, entregues pelo Verbo de Deus e pelo seu Espírito e nós tanto somos pequenos e últimos em relação ao Verbo de Deus e ao seu Espírito quanto precisamos receber o conhecimento dos mistérios de Deus”
(Santo Irineu de Lyon – Séc I)

Por isso acho engraçado ver pessoas que não estudam a Bíblia, ou que tem pouco contato com a mesma, comumente afirmarem que encontram na Bíblia algumas contradições. O fato é que quanto mais se estuda e se aprofunda na Palavra de Deus, percebe que a Bíblia nunca se contradiz.

Nem a bíblia se contradiz, e muito menos tem dúvidas quanto a sua autenticidade.

Ou seja, não é que a Bíblia se contradiz. É você que estuda pouco. A Bíblia é totalmente coerente. Ela não ensina uma coisa e depois fala outra coisa. Se você hoje traz esse pensamento dentro de você, quero convidar você a analisar a palavra dentro de um outro ângulo. No próximo post, vamos dar algumas dicas sobre como interpretar a palavra de Deus. Mas o mais importante de tudo, é que em caso de dúvidas, procure a interpretação daquela palavra pela Igreja. Ela tem a interpretação correta. Ela é confiável. O problema é que para entender a bíblia, precisamos entender diversos aspectos. Nem tudo pode ser entendido ao pé da letra.

E falando sobre esse aspecto da fidelidade, quero partilhar uma coisa bacana. Esses dias estava lendo um livro chamado “Para ler a Bíblia” (Flávio Cavalca de Castro – Editora Santuário). E vi um exemplo interessante que gostaria que você também visse. Ele diz:

No salmo 62, versículo 6, lemos: Minha alma será saciada de gordura e de tutano, de meus lábios alegres ressoará o teu louvor. (Sl 62,6)

Nós poderíamos dizer: O que é isso? A alma não come! É verdade. Mas, para o judeu, um bom almoço era aquele com muita carne gorda. Um bom almoço alegra. Por isso o salmista, em vez de dizer: “Minha alma estará feliz junto de Deus”, diz: “Junto de Deus minha alma será alimentada com carnes gordas e tutano”. Pode não parecer piedoso. Mas assim é que rezavam.

Volto a repetir: Não é a Bíblia que se contradiz. É você que estuda pouco.

Ela não foi escrita para relatar fatos. Ela foi escrita para relatar a Vitória de Deus. A Boa Nova da Salvação. É um livro de fé. É um livro que não tem finalidade jornalística ou meramente especulativa. A Bíblia embora tenha referências históricas, não tem preocupação com a história da humanidade, mas naquilo que Deus fez na história da humanidade e qual a resposta que a humanidade, que aquele povo, daquele tempo, deu a Deus.

Outra coisa que precisamos entender. A Bíblia não é um livro científico. Ela não foi escrita para ensinar Ciência, Química, Física ou Biologia. Portanto, quando encontramos em qualquer trecho bíblico, uma alusão a ciência, não podemos e nem devemos afirmar que a bíblia quer trazer ensinamentos científicos. A Bíblia é um livro de fé. A palavra quer ensinar aquilo que Deus fez. Quer ensinar sobre os planos de Deus. A Bíblia quer nos ensinar que a Nossa Alma tem sede de Deus. E não como a água mata a sede do homem. Nem mesmo quer ensinar sobre a composição química da água. Agora, muitas afirmações que a palavra faz, tem consequências sobre a maneira do homem fazer ciência. Por isso que é sempre preciso ter uma refêrencia séria. E esta referência é a Igreja.

Mais um Fragmento do texto da Septuagina Grega

A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura , constituem um só depósito da palavra de Deus confiado à Igreja. O ofício de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo…
(Dei Verbum)

Dominus Vobiscum

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