Como saber se a minha Bíblia é católica ou protestante?

…Quando hereges nos mostram as Escrituras canônicas – nas quais o cristão crê e confia – parecem dizer: “Oh, ele está restrito”. Contudo, não cremos neles, nem abandonamos a Tradição original da Igreja, nem acreditamos em outras coisas que não nos foram trazidas pela sucessão existente na Igreja de Deus…
(Orígenes da Alexandria – Séc IV)

Até aqui, vimos o que é a Bíblia, qual a sua finalidade, vimos que ela é a Palavra do Deus vivo, que narra a Salvação de Deus a seu povo amado. Vimos que a Bíblia não erra e nem se contradiz. Vimos também que a Bíblia é um livro confiável que foi guardado através dos tempos por pessoas sérias e comprometidas com o Reino de Deus. O grande problema é que depois da Reforma Protestante, Lutero fez uma enorme confusão, retirando da Sagrada Escritura, sete livros. Isso depois de mais de um milênio.

Desde então, a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante são diferentes. Além destes sete livros, que vamos estudar mais adiante, existem outros aspectos que diferenciam uma bíblia da outra. Nesse trecho vamos entender o porque disso,  saber porque a Bíblia Católica é a mais confiável e verificar se a Bíblia que você tem em casa é católica ou protestante. É importante dizer a você, e eu preciso dizer isso, que embora não pareça, ter uma bíblia protestante ao invés de uma bíblia católica, se constitui em um certo risco para a sua fé. Mas não seria tudo a palavra de Deus?

Sim, mas a bíblia católica é a palavra de Deus seguramente traduzida e interpretada, com todos os livros que desde sempre foram interpretados como inspirados pela Igreja. Já as bíblias protestantes não tem essa segurança.

Para que você entenda as diferenças vamos enumerá-las:

1. Imprimatur – Esse termo significa “imprima-se”. Ele é dado sempre por um Bispo ou Cardeal, que depois que ler toda aquela tradução, deixa ali o atestado de que aquela tradução condiz com a Palavra que foi e é guardada por séculos e séculos. Ali, naquele imprimatur, você tem a certeza que a tradução foi corretamente feita, baseado naquilo que é atestadamente mais antigo e confiável. Isso não quer dizer que só foram Católicos que fizeram aquela tradução. A Igreja quando faz uma tradução procura os melhores especialistas. Por exemplo, existem traduções em que católicos, protestantes e judeus trabalharam juntos. Quando o resultado chega na mão do Bispo ou Cardeal, ele vai estudar tudo e dar a palavra final, ou seja: O imprimatur.

É importante saber que existem várias traduções confirmadas pela Igreja Católica (ou seja, todas com o imprimatur). Algumas são voltadas para um público mais simples, em que os tradutores optam por termos de mais fácil compreensão. Outras são voltadas para pessoas que desejam estudar a palavra. Eu particularmente gosto muito das versões da TEB e da CNBB (apesar de que a Bíblia mais aconselhável para estudo é a Biblia de Jerusalém).

Você pode encontrar o “imprimatur” logo nas primeira páginas da Bíblia. No caso da Bíblia da CNBB, a própria logomarca atesta a sua veracidade, tendo em vista que a CNBB é a Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil.

2. Histórico – Em todos os livros da Sagrada Escritura de uma Bíblia Católica, você vai encontrar um resumo histórico daquele livro. A Igreja Católica faz questão que haja esse resumo, para que o leitor possa se situar dentro do contexto histórico no qual esse livro foi escrito e assim evite interpretar aquele livro de uma forma errada.

Ali você vai ver em que ano aquele livro foi escrito, quem era o autor, como vivia o povo de Deus naquela época, e basicamente você encontra também ali os tópicos mais importantes. Além disso você tem uma série de informações sobre o gênero literário daquele livro e outras mais. Na Bíblia protestante nem sempre você encontra isso.

3. Rodapés – A Bíblia Católica tem no rodapé de cada página, explicações e referências de determinados versículos. Isso serve para sabermos os versículos que se relacionam, os significados de determinadas palavras e explicações de alguns trechos que possam parecer difíceis. É importante saber que se você tiver uma Bíblia tamanho grande (aquelas que geralmente uns católicos põem na estante aberta e só abrem para limpar), considerada bíblia de estudo, você terá maiores referências para pesquisa. A Bíblia Protestante não tem, pois acha que as pessoas que lêem a bíblia não precisam de ajuda.

Existe um quarto aspecto que já foi falado no Post Anterior (Podcast) que são os livros deuterocanônicos. Mas este merece um estudo a parte e com certeza vale a pena ficar ligado nos próximos posts.

Dominus Vobiscum

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Podcast: A diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante

Com a graça de Deus trago para você mais um ensinamento aqui no Dominus Vobiscum. Neste post vamos estudar e conversar sobre o Cânon da Bíblia e a diferença que existe entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante. Como você já deve saber, a Igreja Católica foi quem definiu os livros do Novo Testamento e os adicionou aos do Antigo Testamento definindo a lista (ou seja, o Cânon) dos Livros inspirados. No entanto o protestantismo, preferiu excluir alguns livros. Saiba o porque disso, ouvindo o programa de hoje. Cantando para nós, está o meu querido irmão Ricardo Sá. Não posso deixar de informar que este podcast foi feito antes dea minha saida da comunidade Canção Nova. Portanto o endereço do blog apresentado é outro bem como outras informações ligadas a comunidade. Bom divertimento!

Entendendo as diferenças entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante

Santo do Dia: Santa Veridiana

Uma mulher possuída pelo Espírito Santo, foi dócil à vontade de Deus e viveu o restante de sua vida acamada, enferma, oferecendo-se ao Senhor, aconselhando muitas pessoas e intercedendo por todos. Seus alimentos eram pão e água.Mulher penitente e feliz, viveu até os 60 anos de idade consumindo-se de amor a Deus para o bem dos irmãos.Santa Veridiana, neste tempo marcado pelo hedonismo e pela busca desenfreada por prazeres, nos aponta, denuncia que não é este o caminho da felicidade, mas apenas um: Nosso Senhor Jesus Cristo.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

 

Quem discerniu a bíblia para que ela fosse como é hoje?

Não posso deixar de dizer de forma clara e direta: Se não fosse a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, não haveria a Bíblia tal qual conhecemos hoje. Coube a Igreja discernir quais livros eram inspirados pelo Espírito Santo e quas não eram. Isso porque ao longo do tempo, haviam diversos livros espalhados e tidos como inspirados. Muitos dos livros que existiam naquela época, eram motivo de confusão. Eles continham informações duvidosas, outros atribuidos a Apóstolos mas sem a certeza de que eram deles. A Igreja teve que discernir quais livros eram, e quais livros não eram inspirados. A Igreja quem discerniu que a Bíblia teria 73 livros. Para que se chegasse a essa certeza, a Igreja levou anos, na verdade alguns séculos. Como sempre, o que fez a Igreja? Estudou, debateu, rezou, conversou, para que se chegasse a um consenso. Foram diversos concílios regionais e alguns concílios universais para que se chegasse ao cânon que hoje temos em nossas casas. Veja parte dos trechos de alguns desses concílios:

“Fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João. Isto se fará saber também ao nosso santo irmão e sacerdote, Bonifácio, bispo da cidade de Roma, ou a outros bispos daquela região, para que este cânon seja confirmado, pois foi isto que recebemos dos Padres como lícito para ler na Igreja”.
(Concílios III e IV de Cartago – Séc IV e V Respectivamente)

Veja que nesse concílio regional, os católicos passaram a definir como Livros isnpirados os livros que temos na Bíblia. Temos ainda um outro concílio regional (ou seja, em um outro lugar) onde se fala a mesma coisa. Veja:

“Parece-nos bom que, fora das Escrituras canônicas, nada deva ser lido na Igreja sob o nome ‘Divinas Escrituras’. E as Escrituras canônicas são as seguintes: Gênese, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, quatro livros dos Reinos, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Saltério de Davi, cinco livros de Salomão, doze livros dos Profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros de Esdras e dois [livros] dos Macabeus. E do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos, um [livro de] Atos dos Apóstolos, treze epístolas de Paulo, uma do mesmo aos Hebreus, duas de Pedro, três de João, uma de Tiago, uma de Judas e o Apocalipse de João. Sobre a confirmação deste cânon se consultará a Igreja do outro lado do mar. É também permitida a leitura das Paixões dos mártires na celebração de seus respectivos aniversários”
(Concílio Regional de Hipona – Séc IV)

Perceba que a primeira vista, até parece a mesma coisa. Mas não era. O Concílio de Hipona era um. O de Cartago era outro. Perceba que ele fala: Vamos consultar a Igreja do outro lado do mar. Isso para que você perceba que a Igreja não sai assim dando as respostas na base do tapa. A Igreja é prudente. Já no século V, encontramos uma carta do Papa Inocêncio I, onde ele diz que:

“Quais os livros aceitos no cânon das Escrituras, o breve apêndice o mostra: Cinco livros de Moisés, isto é, Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Um livro de Josué, filho de Num; um livro dos Juízes; quatro livros dos Reinos; e Rute. Dezesseis livros dos Profetas; cinco livros de Salomão; o Saltério. Livros históricos: um de Jó, um de Tobias, um de Ester, um de Judite, dois dos Macabeus, dois de Esdras, dois dos Paralipômenos. Do Novo Testamento: quatro livros dos Evangelhos; quatorze epístolas do apóstolo Paulo, três de João, duas de Pedro, uma de Judas, uma de Tiago; os Atos dos Apóstolos; e o Apocalipse de João”
(Papa Inocêncio I de Roma – Séc V)

É importante que se perceba que a Igreja estudou. A Igreja faz o que as pessoas não querem. A Igreja esperou e foi paciente. Estudou. Refletiu. Rezou. Perguntou a Deus. A Igreja demora para tomar uma decisão e toma a decisão certa.

Outra coisa, não podemos nunca esquecer que a base para isso, os parâmetros utilizados pela  foi a Tradição Apostólica. Foi aquilo que fora ensinado verbalmente que serviu de parâmetro para que através da oração e do estudo se chegasse a um resultado final. Sem a tradição da Igreja não teríamos a Bíblia.

Foi a Tradição Apostólica que fez a Igreja discernir que escritos deveriam ser enumerados na lista dos Livros Sagrados. Esta lista completa é denominada “Cânon” das Escrituras. Ela comporta, para o Antigo Testamento, 46 escritos (45, se contarmos Jeremias e Lamentações juntos) e 27 para o Novo
(CIC 120)

Foi a Igreja Católica que deu a Bíblia esse cânon que conhecemos hoje. A Igreja “fundou” (discerniu) a Bíblia, e não o contrário. É um erro acreditar na Bíblia e não acreditar naquela que discerniu a Bíblia. É uma total falta de senso. Agora perceba que essa afirmação nos leva a uma outra verdade: Se foi a Igreja que discerniu a Bíblia, logo podemos perceber que apenas a Igreja e seu Magistério podem interpretá-la com fidelidade. A Igreja se baseia na palavra para ensinar, corrigir, exortar e conduzir seu povo. Indo com a Igreja, você não erra.

Eu não acreditaria no evangelho, se isso não me levasse a autoridade da Igreja
(Santo Agostinho – Séc IV)

Dominus Vobiscum

Quem discerniu a bíblia para que ela fosse como é hoje?

Que Jesus nos toque para que comecemos a andar

Depois de Jesus ter atravessado, no barco, para a outra margem, reuniu-se uma grande multidão junto dele, que continuava à beira-mar. Chegou, então, um dos chefes da sinagoga, de nome Jairo, e, ao vê-lo, prostrou-se a seus pés e suplicou instantemente: A minha filha está a morrer; vem impor-lhe as mãos para que se salve e viva. Jesus partiu com ele, seguido por numerosa multidão, que o apertava. Certa mulher, vítima de um fluxo de sangue havia doze anos, que sofrera muito nas mãos de muitos médicos e gastara todos os seus bens sem encontrar nenhum alívio, antes piorava cada vez mais, tendo ouvido falar de Jesus, veio por entre a multidão e tocou-lhe, por detrás, nas vestes, pois dizia: Se ao menos tocar nem que seja as suas vestes, ficarei curada. De fato, no mesmo instante se estancou o fluxo de sangue, e sentiu no corpo que estava curada do seu mal. Imediatamente Jesus, sentindo que saíra dele uma força, voltou-se para a multidão e perguntou: Quem tocou as minhas vestes? Os discípulos responderam: Vês que a multidão te comprime de todos os lados, e ainda perguntas: ‘Quem me tocou?’ Mas Ele continuava a olhar em volta, para ver aquela que tinha feito isso. Então, a mulher, cheia de medo e a tremer, sabendo o que lhe tinha acontecido, foi prostrar-se diante dele e disse toda a verdade. Disse-lhe Ele: Filha, a tua fé salvou-te; vai em paz e sê curada do teu mal. Ainda Ele estava a falar, quando, da casa do chefe da sinagoga, vieram dizer: A tua filha morreu; de que serve agora incomodares o Mestre? Mas Jesus, que surpreendera as palavras proferidas, disse ao chefe da sinagoga: Não tenhas receio; crê somente. E não deixou que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Ao chegar a casa do chefe da sinagoga, encontrou grande alvoroço e gente a chorar e a gritar. Entrando, disse-lhes: Porquê todo este alarido e tantas lamentações? A menina não morreu, está a dormir. Mas faziam troça dele. Jesus pôs fora aquela gente e, levando consigo apenas o pai, a mãe da menina e os que vinham com Ele, entrou onde ela jazia. Tomando-lhe a mão, disse: Talitha qûm!, isto é, Menina, sou Eu que te digo: levanta-te! E logo a menina se ergueu e começou a andar, pois tinha doze anos. Todos ficaram assombrados. Recomendou-lhes vivamente que ninguém soubesse do sucedido e mandou dar de comer à menina. (Mc 5,21-43)

Comentário feito por São Jerónimo (347-420), presbítero, tradutor da Bíblia, Doutor da Igreja

Tomando-lhe a mão, disse: ‘Talitha qûm’, que significa: ‘Menina […], levanta-te!’ Porque nasceste segunda vez, serás chamada ‘menina’. Menina, levanta-te por Mim, não porque o mereças, mas pela ação da Minha graça. Levanta-te portanto por Mim: a tua cura não provém da tua força.  E logo a menina se levantou e começou a andar. Que Jesus nos toque, a nós também, e logo começaremos a andar. Embora estejamos paralisados, embora as nossas obras sejam más e não possamos andar, embora estejamos deitados no leito dos nossos pecados […], se Jesus nos tocar, ficaremos imediatamente curados. A sogra de Pedro estava atormentada pela febre: Jesus tocou-lhe com a mão, ela levantou-se e serviu-O imediatamente (Mc 1, 31). […] Todos ficaram assombrados. Recomendou-lhes vivamente que ninguém soubesse do sucedido. Eis a razão porque Ele mandou sair toda aquela multidão para fazer um milagre. Ele mandou, e não só mandou, mas ordenou que ninguém soubesse. Ele ordenou aos três apóstolos, e ordenou também aos pais que ninguém soubesse. O Senhor ordenou a todos, mas a menina não pôde ficar calada, ela que se tornou a levantar. E mandou dar de comer à menina: para que a sua ressurreição não fosse considerada como a aparição de um fantasma. E Ele próprio, depois da Sua ressurreição, comeu peixe e um bolo de mel (Lc 24, 42). […] Suplico-te, Senhor, que também a nós que estamos deitados nos toques com a Tua mão; levanta-nos do leito dos nossos pecados e põe-nos a andar. Quando estivermos a andar, manda darem-nos de comer. Deitados, não podemos comer; se não estivermos levantados, não seremos capazes de receber o Corpo de Cristo.

Dominus Vobiscum