Porque a Bíblia Protestante tem sete livros a menos?

Antes de começar a ler este post, para que você entre no assunto, leia o post anterior. Se já leu,siga em frente.

Para entender porque a Bíblia Católica é diferente da Bíblia Protestante, precisamos entender um pouco da História. Sobretudo da história que não se conta. Precisamos voltar no tempo para o ano 100 d.C (Século II), onde os judeus acreditavam que o cristianismo era uma seita que se espalhava rapidamente…

Sínodo de Jâmnia

No ano 100 d.C., a situação na palestina era complicada. Os judeus estavam preocupados com várias coisas que estavam acontecendo. Primeiro que muitos retornavam do exílio babilônico. Depois com os diversos livros que estavam aparecendo, sobretudo os livros que falavam de Jesus de Nazaré e os feitos dos primeiros cristãos. Naquele tempo, o povo já começava a identificar como palavra de Deus os Evangelhos, as Cartas dos Apóstolos e outros. Então os judeus se reuniram em um Concílio, na cidade de Jâmnia (ou Jabnes) para preservar a fé judaica e arranjar uma forma de dizer que os livros e cartas que hoje conhecemos como Novo Testamento (que afirmam que Jesus é o Filho de Deus), não eram sagrados. Desse concílio, os judeus definiram algumas regras:

1. Deveria ter sido escrito na Terra Santa;
2. Escrito somente em hebraico (nem aramaico e nem grego);
3. Escrito antes de Esdras, ou seja, antes do ano 428 a.C.;
4. Sem contradição com a Torá ou lei de Moisés.

Perceba que quando os judeus criaram essas regras, eles não tinham como objetivo discernir que livros eram inspirados ou não. A atitude dos judeus era unicamente preservar seu povo de interferências de outros povos e de outras doutrinas. Recorde-se que até hoje, os judeus não consideram o Novo Testamento. Apenas o antigo. A intenção deles era eliminar tudo que dizia que Jesus é o Messias. Porém com essas medidas, alguns livros também da época do Antigo Testamento foram eliminados.

Porém, duzentos anos antes, em Alexandria no Egito, havia uma forte colônia de judeus. Nela haviam 70 sábios que traduziram os livros do Antigo Testamento para o grego. Essa tradução foi feita entre 250 a 100 a.C., ou seja, antes do Concílio de Jâmnia. A tradução grega, foi conhecida como Septuagina ou versão dos 70.

Então observe que naquele tempo haviam dois “Cânons”. Um formulado pelos Judeus preocupados com a política e sociedade. Outro formulado pelos judeus que habitavam no egito.

E agora? Qual é a versão correta?

Bom, a Igreja na sua sabedoria, procurou verificar nos Evangelhos, e nas Cartas do Novo Testamento, qual a versão que Jesus e os Apóstolos usavam.

A Igreja percebeu que os Apóstolos e Evangelistas utilizavam a versão completa dos Setenta (Alexandrina), considerando como canônicos os livros rejeitados em Jâmnia. E percebeu mais. Percebeu que ao escreverem o Novo Testamento usaram o Antigo Testamento, na forma da tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta era diferente do texto hebraico. A Igreja quando pesquisa, vai a fundo no que faz. Sempre foi assim. E sempre será.

A Igreja viu também que o texto grego “dos Setenta” tornou-se comum entre os cristãos (ao contrário que os judeus usavam a versão do Concílio de Jâmnia). Os cristãos liam os sete livros e os fragmentos de Ester e Daniel. Quando Martin Lutero fundou o protestantismo ele tomou como base o Antigo Testamento judaico, junto com o Novo Testamento. Surgiu assim a bíblia protestante.

Amanhã vamos ver porque a Igreja adotou a versão Septuagina.

Dominus Vobiscum

Os livros deuterocanônicos

Ao chegar a este ponto, talvez pergunte alguém: sendo perfeito como é o cânon das Escrituras e suficientíssimo por si só para todos os casos, que necessidade há de se acrescentar a autoridade da interpretação da Igreja? A razão é que, devido à sublimidade da Sagrada Escritura, nem todos a entendem no mesmo sentido, mas cada qual interpreta à sua maneira as mesmas sentenças, de modo a se poder dizer que há tantas opiniões quantos intérpretes… Portanto, é necessário que, em meio a tais encruzilhadas do erro, seja o sentido católico e eclesiástico o que assinale a linha diretriz na interpretação da doutrina dos profetas e apóstolos. E na própria Igreja Católica deve-se procurar a todo custo que nos atenhamos ao que, em toda a parte, sempre e por todos foi professado como de fé, pois isto é próprio e verdadeiramente católico, como o diz a índole mesma do vocábulo, que abarca a globalidade das coisas.
(São Vicente de Léris – Séc V)

Para que você posso entender o que são os Livros Deuterocanônicos, é importante saber primeiro o que é o cânon e quais são os Livros Canônicos.

Cânon – É a lista de livros que estão na bíblia na ordem à qual encontramos hoje. Ou seja, é o catálogo de todos os livros inspirados. Precisamos sempre relembrar a você que foi a Igreja Católica quem definiu o Cânon Bíblico. Denominam-se livros canônicos os livros encontrados nas diversas religiões cristãs de um modo geral (católicos, ortodoxos e protestantes).

Os livros deuterocanônicos são os sete livros que existem na Bíblia Católica e que não existem na bíblia protestante. Além disso partes de outros dois livros também são considerados deuterocanônicos. Essa é a maior e a principal diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante. Todos esses livros estão incluídos no Antigo Testamento e não no Novo Testamento.

São eles:

1. Tobias
2. Judite
3. I Macabeus
4. II Macabeus
5. Sabedoria
6. Eclesiástico (também chamado Sirácide ou Ben Sirá )
7. Baruc

Além disso, existem trechos de dois livros que são considerados canônicos.

1. Ester 10, 4-16
2. Daniel 3, 24-90 e ainda capítulos 13 e 14

Mas porque existe essa diferença entre a Bíblia Católica e a Bíblia Protestante? Isso veremos em breve.