Estudo sobre Jesus no deserto – Tentações e vitórias:: Papa Bento XVI nos fala sobre a primeira tentação do demônio a Jesus no deserto

Nesse estudo que estamos fazendo quero deixar aqui, uma pequena parte do Grande Livro do Papa Bento XVI – Jesus de Nazaré. Aqui ele explica um pouco do que seria a intenção do demônio com a primeira tentação. Se possível, ainda hoje irei escrever sobre isso.

São Mateus e São Lucas narram três tentações de Jesus, nas quais espelha a luta por causa da sua missão. O núcleo de toda tentação é colocar Deus de lado, o qual, junto às questões sobre o sentido da vida, aparece como algo secundário, se não mesmo de supérfluo e incômodo. Ordenar, construir o mundo de um modo autônomo, sem Deus; reconhecer como realidade apenas as realidades políticas e materiais e deixar de lado Deus, tendo-o como uma ilusão: aqui está a tentação que de muitas formas hoje nos ameaça.

Pertence à essência da tentação o seu aspecto moral: ela não nos convida diretamente para o mal, isso seria grosseiro. Ela pretende mostrar o que é melhor para nós: por finalmente de lado as ilusões e dedicar-se de todas as formas à melhoria do mundo. Além disso, ela se apresenta com a pretensão do verdadeiro realismo: o real é o que aparece (poder e pão); as coisas de Deus, ao contrário, aparecem como um mundo irreal, secundário, do qual não se tem nenhuma necessidade. Trata-se portanto de Deus.

É Ele o real, a realidade mesma, ou não é nada? É o bem, ou devemos nós mesmos inventa-lo? A questão acerca de Deus é a questão fundamental que se levanta na encruzilhada da existência humana. O que é que o redentor do mundo deve ou não fazer: é disto que se trata nas tentações de Jesus. O tentador diz a Ele:

“Se és o Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pão” ( Mt 4,3)

…estas palavras serão ditas, pouco depois, pelos escarnecedores junto a cruz:

“Se és o Filho de Deus, então desce da cruz…” (Mt 27,40)

Escárnio e tentação andam aqui perfeitamente juntos: para se tornar digno de fé, Jesus deve apresentar a prova para a sua pretensão.

Esta exigência de prova percorre toda a história da vida de Jesus, visto que constantemente o acusam de não ter provado suficientemente pois não realizou o grande milagre que retirasse toda a ambigüidade e toda a contradição e que a todos clara e indiscutivelmente mostrasse que Ele era ou não. E esta exigência a respeito de Deus, de Cristo e da Igreja tem sido constantemente mantida ao longo de toda a história: “Se tu existe, ó Deus, então Tu mesmo Te deves mostrar. Então deves retirar as nuvens do Teu escondimento e dar-nos a clareza que pretendemos. Se Tu, Cristo, és realmente o Filho e não um dos iluminados, como sempre aparecem na história, então Tu deves mostrar isso de um modo muito mais claro do que fazes. E então Tu deves dar à Tua Igreja, se ela deve ser verdadeiramente deve ser Tua, uma outra medida de clareza, diferente daquela que na realidade tem.”

Trecho do livro: Jesus de Nazaré – Papa Bento XVI

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Um comentário sobre “Estudo sobre Jesus no deserto – Tentações e vitórias:: Papa Bento XVI nos fala sobre a primeira tentação do demônio a Jesus no deserto

  1. “…a tentação não nos convida diretamente para o mal, isso seria grosseiro. Ela pretende mostrar o que é melhor para nós…” (Bento XVI)

    Lindo comentário. E é assim mesmo que acontece. Que Deus nos livre das tentações.

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