Padres do Deserto: Sentenças do Pai Arsênio

Apotegmas do Pai Arsênio - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Pai Arsênio tem muitas estórias atribuídas a si. Aqui destacamos seis delas. Excelentes para meditar sobre a maneira com que olhamos nossos pecados, a firmeza e constância na oração, onde encontrar a verdadeira sabedoria, agitação interior e como conduzir sua vida para uma ascese espiritual.

1. Diziam dele que havia como que uma depressão escavada em seu peito, pelas lágrimas que caíram de seus olhos durante toda sua vida, enquanto ele fazia seu trabalho manual. Quando Pai Poemen viu que ele estava morto, disse chorando: “Verdadeiramente você é abençoado, Pai Arsênio, pois você chorou por si mesmo nesse mundo! Quem não chora por si mesmo aqui embaixo, chorará eternamente então; por isso é impossível não chorar, voluntariamente ou quando obrigado pelo sofrimento”. (i.é, o sofrimento derradeiro no inferno).

2. Também era dito dele que nas noites de sábado, preparando-se para a glória do domingo, ele virava-se de costas para o sol e elevava suas mãos em oração em direção ao céu, até que o sol novamente brilhasse em sua face. Então ele se sentava.

3. Um dia Pai Arsênio consultou um velho monge egípcio sobre seus próprios pensamentos. Alguém notou e disse a ele: “Abbá Arsênio, como é que o senhor com uma educação tão aprimorada em Grego e Latim, pergunta a um camponês sobre seus pensamentos?” Ele replicou: “Realmente aprendi Grego e Latim, mas não sei nem ao menos o alfabeto desse camponês”.

4. O abade Arsênio, quando ainda estava no palácio imperial, rezou assim: “Senhor, mostra-me a estrada que conduz à salvação”. Então ouviu uma voz que lhe disse: “Arsênio, foge do mundo e serás salvo”. Depois de ingressar na vida monástica, rezou ainda do mesmo modo e ouviu a voz dizer: “Arsênio, foge do mundo, cala e pratica a hesychia. Estas são as raízes do não-pecar”.

5. Num dia, o abade Arsênio chegou perto de um caniço agitado pelo vento. O ancião disse aos irmãos: “O que é isso que se move assim?” “São os caniços”, responderam. “Na verdade, se alguém permanece na paz e ouve o grito de um passarinho, o seu coração não possui a paz. Pior ainda sois vós, que sois agitados como esses caniços”.

6. Um irmão perguntou ao abade Arsênio: “O que devo fazer, Pai? Um pensamento me angustia: como não consigo nem jejuar nem trabalhar, devo ao menos visitar os doentes. Isso merece recompensa”. O ancião viu aí a semente do diabo: “Adiante”, repondeu-lhe, “come, bebe, dorme; apenas não sai de tua cela”. Pois sabia que a fidelidade à cela torna o monge tal como deve ser. Três dias depois, o irmão foi atingido pela indolência. Tendo encontrado alguma pequena palma, quebrou-a, e no dia seguinte começou a fazer uma corda. Quando teve fome, disse: “Eis mais alguma pequena palma: vou terminá-la e depois comerei”. Isso feito, disse ainda: “Quero ler um pouco, e depois comerei”. E, depois de ter lido: “Recitemos ainda algum salmo breve, e depois comeremos sem escrúpulos”. E deste modo, com o auxílio de Deus, pouco a pouco progredia, até tornar-se aquilo que devia ser, e dominando seus maus pensamentos, venceu-os.

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11 comentários sobre “Padres do Deserto: Sentenças do Pai Arsênio

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