Padres do Deserto: Sentenças do Pai João, o anão I

Apotegmas do pai João, o anão - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Dizia-se que no deserto vivia um monge chamado João, o anão. Deste todos, é o que temos a maior parte das histórias atribuídas ao seu nome. Algumas delas mostram suas fraquezas, e outras a sua sabedoria adquirida ao longo dos anos de contemplação espiritual e luta contra os vícios da alma. Separei sete estórias importantes e de grande riqueza para quem deseja praticar a ascese espiritual.

1. Foi dito de Pai João, o Anão, que ele se retirou para viver no deserto de Scete com um ancião de Tebas. Seu Pai, pegando um pedaço seco de madeira plantou-o e disse a ele: “Mmolhe-o todos os dias com uma garrafa de água, até que dê fruto”. A água ficava muito distante e ele tinha que sair à noite e retornar pela manhã seguinte. Ao final de três anos a madeira reviveu e deu fruto. Então o ancião pegou alguns frutos e levou-os à igreja, dizendo aos irmãos: “Peguem e comam o fruto da obediência”.

2. Dizia-se de Pai João, o Anão, que um dia ele disse ao seu irmão mais velho: “Gostaria de ser livre de todos os cuidados, como os anjos, que não trabalham, mas prestam culto a Deus incessantemente”. Então, ele retirou seu manto e foi para o deserto. Depois de uma semana ele voltou ao seu irmão. Quando bateu à porta ouviu seu irmão dizer, antes de abrir: “Quem é você?” Ele disse: “Sou João, seu irmão”. Ao que o outro retrucou: “João se tornou um anjo e dessa maneira não mais se encontra entre os homens”. O outro pediu para entrar, dizendo: “Sou eu”. Contudo, seu irmão não o deixou entrar, mas o deixou lá fora, aflito, até de manhã. Então, abrindo a porta, disse-lhe: “Você é um homem e deve novamente trabalhar para poder comer”. Então João se prostrou diante dele, dizendo: “Perdoe-me”.

3. Um dia, quando ele estava sentado em frente à igreja, os irmãos foram consultá-lo sobre seus pensamentos. Um dos anciãos viu e tornando-se presa do ciúme disse a ele: “João, seu vaso está cheio de veneno”. Pai João respondeu-lhe: “Isto é bem verdade, Pai; e você disse isso vendo apenas o lado de fora, mas se fosse capaz de ver o interior também, o que diria, então?”.

4. Alguns irmãos vieram um dia para testá-lo, para ver se ele deixaria seus pensamentos se dissiparem e falasse das coisas desse mundo. Disseram-lhe então: “Damos graças a Deus, pois este ano tem chovido muito e as palmeiras puderam beber e suas folhas cresceram e os irmãos encontraram trabalho manual”. Pai João disse-lhes: “Então, é quando o Espírito Santo desce aos corações dos homens, eles se renovam e produzem folhas por temor a Deus”.

5. Era dito de Pai João, o Anão, que um dia ele estava tecendo corda para duas cestas, mas sem perceber, ele fez apenas uma, até que chegasse ao teto, pois seu espírito estava absorto em contemplação.

6. Pai João disse: “Sou como um homem sentado debaixo de uma grande árvore, que vê bestas selvagens e serpentes, vindo contra ele em grande número. Quando não pode mais, ele corre e sobe na árvore e se salva. É a mesma coisa comigo; sento-me em minha cela e estou consciente de pensamentos maus vindo contra mim e quando não tenho mais forças contra eles, busco refúgio em Deus pela oração e sou salvo do inimigo”.

7. Pai Poemen disse de Pai John, o Anão, que ele tinha rezado a Deus para que retirasse para longe dele as paixões, de modo que ele ficasse livre de preocupações. Então ele foi contar ao ancião isto: “Encontro-me em paz, sem nenhum inimigo”. O ancião lhe disse: “Vá, implore a Deus que lhe envie as lutas de modo que você recupere a aflição e humildade que você possuía, pois é pela luta que as almas progridem”. Então, ele implorou a Deus e quando as batalhas vieram ele não mais rezou que elas fossem afastadas, mas disse: “Senhor, dai-me força para a luta”.

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