Jesus a direita do Pai:: O que significa “ascender aos céus”?

“E o Senhor Jesus, depois de ter-lhes falado, foi arrebatado ao Céu e sentou-se à direita de Deus” (Mc 9). O corpo de Cristo foi glorificado desde o instante de sua Ressurreição, como provam as propriedades novas e sobrenaturais de que desfruta partir de agora seu corpo em caráter permanente”. Mas, durante os quarenta dias em que vai comer e beber familiarmente com seus discípulos e instruí-los sobre o Reino sua glória permanece ainda velada sob os traços de uma humanidade comum. A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível de sua humanidade na glória divina, simbolizada pela nuvem e pelo céu onde já está desde agora sentado à direita de Deus. Só de modo totalmente excepcional e único Ele se mostrará a Paulo “como a um abortivo” (1 Cor 15,8) em uma última aparição que o constitui apóstolo. (CIC§659)

No Credo Católico dizemos que Jesus subiu aos céus e está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso. Precisamos como católicos entender o que isso significa para nossa fé por que rezamos isso, mas muitas vezes não entendemos aquilo que falamos. Tomemos como base para começo do estudo a Ascensão de Cristo.

“O Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, subiu aos Céus e está sentado à destra de Deus” (Mc 16, 19)

Depois de se afirmar a Ressurreição de Cristo, é essencial para o católico acreditar na sua Ascensão, pois a nossa fé afirma que Ele subiu para o céu após quarenta dias de ressuscitado. Por isso dizemos no Credo que Jesus subiu aos céus.

São Tomás de Aquino nos ensina que devemos considerar as três características principais destes acontecimentos, isto é, que a sua ascensão foi sublime, racional e útil.

1. Sublime –  Ele subiu para os céus.

Primeiro, porque Ele subiu acima de todos os céus corpóreos, conforme se lê em São Paulo:

“Subiu acima de todos os céus” (Ef 4, 10).

Segundo, porque subiu sobre todos os céus espirituais, isto é, acima das naturezas espirituais, como se lê também em São Paulo:

“Colocando (o Pai) Jesus à sua direita nos céus, sobre todo Principado, Potestade, Virtude, Dominação e acima de todo nome que se pronuncia não só neste século, mas também nos futuros, e tudo colocou sob os seus pés” (Ef 1, 20).

Terceiro, porque subiu até ao trono do Pai. Lê-se nas Escrituras:

“Eis que vinha sobre as nuvens do céu como o Filho de Homem; Ele dirigiu-se para o Ancião, e foi conduzido à sua presença” (Dn 7, 13).

Lê-se também em São Marcos:

“E o Senhor Jesus, depois de lhes ter falado subiu ao céu, e sentou-se à direita de Deus” (Mc 16, 19).

Entenda que expressão direita de Deus, também segundo São Tomás de Aquino, não deve ser entendida no sentido corporal, mas em sentido metafórico. Enquanto Deus, diz-se que Cristo está sentado à direita de Deus, porque é igual ao Pai; enquanto homem, diz-se que Cristo está sentado à direita do Pai, porque goza dos melhores bens. O diabo aspirou também semelhante elevação, como se lê em Isaías:

“Subirei ao céu, acima dos astros de Deus colocarei o meu trono; sentar-me-ei no Monte da Promessa, que está do lado do Aquilão; subirei acima da elevação das nuvens, serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14, 13).

Mas a semelhante altura não se elevou senão Cristo, razão pela qual se diz no Credo: “Subiu aos céus está sentado à direita do Pai”, o que é confirmado no Livro dos Salmos:

“Disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te a minha direita” (Sl 109, 1).

2. Racional A Ascensão de Cristo foi racional por três motivos:

Primeiro, porque o céu era devido a Cristo por exigência da sua natureza. É, com efeito, natural que cada coisa retorne à sua origem. Cristo tem sua origem em Deus, que está acima de todas as coisas, conforme Ele mesmo disse:

“Saí do Pai, e vim ao mundo; deixo agora o mundo e voto para o Pai” (Jo 16, 18).

Disse também:

“Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem que está no céu” (Jo 3, 13).

Apesar de os Santos irem para o céu, todavia não o fazem como Cristo: porque Cristo o fez por seu próprio poder; os santos, porém, levados por Cristo. Lê-se no Livro dos Cânticos:

“Leva-me na Vossa sequência” (Ct 1, 3).

Pode-se explicar de outra maneira porque se diz que ninguém subiu ao céu a não ser Cristo: os santos não sobem senão enquanto membros de Cristo, que é a cabeça da Igreja, conforme está escrito em São Mateus:

“Onde estiver o corpo, aí as águias se congregarão” (Mt 24, 28).

Em segundo lugar, a Ascensão de Cristo foi racional devido à sua vitória. Sabemos que Cristo veio ao mundo para lutar contra o diabo, e o venceu. Por isso mereceu ser exaltado sobre todas as coisas.

A Ascensão de Cristo foi racional, em terceiro lugar por causa da humildade de Cristo, que, sendo Deus, quis fazer-se homem; sendo Senhor, quis suportar a condição de escravo, fazendo-se obediente até a morte, segundo se lê na Carta aos Filipenses, (2, 1), descendo ainda até o inferno. Por isso mereceu ser exaltado até ao céu e sentar-se à direita de Deus. A humildade é, com efeito, o caminho da exaltação, como se lê em São Lucas: “Quem se humilha, será exaltado” (Lc 14, 11). Escreveu também São Paulo:

“O que desceu do céu, este é o que subiu acima de todos os céus” (Ef 4, 10).

3. Útil – Cristo foi para o céu para nos conduzir até lá. Desconhecíamos o caminho, mas Ele no-lo ensinou. Lê-se: “Subiu abrindo o caminho na frente deles” (Mq 2, 13). Subiu ao céu também para nos fazer seguros da posse do reino celeste, conforme se lê em São Paulo:

“Vou preparar-vos o lugar” (Jo 14, 2).

O segundo refere-se à segurança que a Ascensão nos trouxe, pois subiu aos céus para interceder por nós. Lê-se:

“Subiu por si mesmo ao Deus sempre vivo para interceder por nós” (Hb 7, 25).

Lê-se também:

“Temos um advogado junto ao Pai, Jesus Cristo” (1 Jo 21).

O terceiro para atrair a si os nossos corações, segundo está escrito em São Mateus: “Onde está o teu coração está o teu tesouro” (Mt 6, 21), e para que desprezemos as coisas temporais, como nos exorta o Apóstolo São Paulo: “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus; saboreai as coisas do alto e não as da terra” (Col 3, 1).

Amanhã continuamos…

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