Evangelho do Dia:: Com que autoridade fazeis estas coisas?

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus e os discípulos regressaram a Jerusalém. Andando Jesus pelo templo, os sumos sacerdotes, os doutores da Lei e os anciãos aproximaram-se dele e perguntaram-lhe: Com que autoridade fazes estas coisas? Quem te deu autoridade para as fazeres? Jesus respondeu: Também Eu vos farei uma pergunta; respondei-me e dir-vos-ei, então, com que autoridade faço estas coisas: O batismo de João era do Céu, ou dos homens? Respondei-me. Começaram a discorrer entre si, dizendo: Se dissermos ‘do Céu’, dirá: ‘Então porque não acreditastes nele?’ Se, porém, dissermos ‘dos homens’, tememos a multidão. Porque todos consideravam João um verdadeiro profeta. Por fim, responderam a Jesus: Não sabemos. E Jesus disse-lhes: Nem Eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.(Mc 11,27-33)

Comentário feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

João Batista proclamava: ‘Arrependei-vos porque está próximo o reino dos céus’ (Mt 3,1). […] Bem-aventurado João, que quis que a conversão precedesse o julgamento, que os pecadores não fossem julgados mas recompensados, que os ímpios entrassem no Reino e não na punição. […] Quando proclamou João esta iminência do reino dos Céus ? O mundo estava ainda na sua infância […]; mas para nós, que hoje proclamamos essa iminência, o mundo está extremamente velho e cansado. Perdeu as forças, perde as faculdades; os sofrimentos acabrunham-no […]; clama o seu enfraquecimento, ostenta todos os sintomas do fim. […]

Estamos a ir a reboque de um mundo que se evade; esquecemos os tempos que aí vêm. Estamos ávidos de atualidade, mas não temos em consideração o julgamento que se aproxima. Não acorremos ao encontro do Senhor que chega. […]

Convertamo-nos irmãos, convertamo-nos depressa. […] O Senhor, pelo fato de tardar, de ainda esperar, revela o Seu desejo de nos ver voltar para Ele, o desejo de que não pereçamos. Na Sua grande bondade, dirige-nos sempre estas palavras: Não tenho prazer na morte do ímpio, mas sim na sua conversão, de maneira que ele tenha a vida (Ez 33,11). Convertamo-nos, irmãos; não tenhamos medo de o tempo estar a acabar. O tempo do Autor do tempo não pode ser encurtado. A prova disso é aquele malfeitor do Evangelho que, na cruz e na hora da sua morte, escamoteou o perdão, se apoderou da vida e, ladrão do paraíso com arrombamento, conseguiu penetrar no Reino (Lc 23,43).

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