A importância de Dom Eugênio Sales para a Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil

Hoje cedo enquanto me trocava para ir ao meu trabalho, vi a triste notícia do falecimento de Dom Eugênio Sales. Morreu aos 91 anos e em paz. Não dá para negar que em 58 anos de episcopado, este homem fez história na Igreja do Brasil.

Criado no sertão nordestino, Dom Eugenio era de Acari, no interior do Rio Grande do Norte. Nasceu em 8 de novembro de 1920. Seus pais – Celso Dantas Sales e Josefa de Araújo Sales – geraram outro bispo católico, Dom Heitor de Araújo Sales, Arcebispo Emérito de Natal (RN).

Foi no colégio Marista da capital potiguar que ele despertou para a vida sacerdotal. Com 11 anos, ingressou no seminário menor na mesma cidadade, mas seus estudos de Filosofia e Teologia foram em Fortaleza (CE), no Seminário da Prainha. Em 21 de setembro de 1943 foi ordenado padre pelo bispo de Natal Dom Marcolino Esmeraldo de Sousa Dantas, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari, onde foi batizado.

Dedicou-se, como sacerdote, às igrejas do interior do Rio Grande do Norte. Mas não por muito tempo. Em 1954, com 33 anos e apenas 11 como padre, foi nomeado bispo auxiliar de Natal pelo Papa Pio XII. A sagração deu-se em 15 de agosto.

Em 1962, foi designado administrador apostólico da Arquidiocese de Natal. Dois anos depois mudou-se para Salvador, na Bahia, onde exerceu a função de administrador apostólico da Arquidiocese. Galgou ao posto de Arcebispo, Primaz do Brasil de São Salvador da Bahia em 29 de outubro de 1968, por decisão do Papa Paulo VI.

Aos papas, Dom Eugenio dedicava total fidelidade, mas por Paulo VI tinha um carinho especial a ponto de presenteá-lo, a cada ida a Roma, com uma caixa de mamão papaia. Foi no potificado de Paulo VI que ele ganhou o titulo de cardeal (1969) e dois anos depois foi transferido para o Rio de Janeiro, após o falecimento de Dom Jaime de Barros Câmara.

Criou igrejas, incentivou a vocação sacerdotal de jovens – ordenou 215 sacerdotes – sagrou mais de 20 bispos, e ajudou a igreja a fazer crescer seu patrimônio, ainda que às vezes com gosto arquitetônico discutível, como a Catedral metropolitana da Avenida Chile.

Mais do que um administrador, porém, Dom Eugenio era um pastor que matinha controle do seu rebanho. Por isto, era um bispo polêmico. Não foram poucos os sacerdotes que se queixavam da linha dura que ele impunha aos padres. Nos anos 70, em pleno regime militar, fazia questão de visitar os presídios junto com o coordenador da pastoral penal, padre Bruno Trombeta. Não havia Páscoa, nem Natal em que o cardeal não passasse em pelo menos uma cadeia pública. Nelas, com a imprensa presente, celebrava para todos os presos e ia às celas dos prisioneiros políticos, muitos dos quais não confessavam a mesma fé ou, simplesmente, eram ateus.

Em maio de 2000, pela primeira vez Dom Eugênio falou ao jornalista Fritz Utzeri, do Jornal do Brasil, sobre um trabalho que desenvolveu em sigilo entre 1976 e 1982, quando acolheu e protegeu mais de cinco mil refugiados políticos de toda a América Latina. Ele autorizou seus auxiliares a alugarem cerca de 80 apartamentos para abrigar estes perseguidos das ditaduras militares do cone sul. Algumas vezes, como o o jornal relatou, policiais argentinos eram infiltrados nos grupos de refugiados, mas acabavam sendo descobertos.

O dominicano Frei Betto era alguém que Dom Eugenio não gostava – e, se pudesse, impedia – que se manifestasse no Rio, assim como não nutria nenhuma simpatia pelas ideias dos irmãos Boff – Leonardo e Clodovis. Leonardo, quando ainda pertencia ao clero, foi proibido de falar aos seus irmãos franciscanos no convento. Dom Eugênio ameaçou expulsá-los do Rio caso dessem vez às pregações de Leonardo. Já Clodovis foi dispensado da PUC onde dava aula. Recorreu a Roma, ganhou o processo, mas jamais voltou a uma sala: recebia o ordenado de professor, mas continuou impedido de lecionar na universidade.

Polêmica também gerou quando impediu, em 1989, que a escola de Samba Beija-Flor desfilasse com a estátua do Cristo Redentor,provocando um dos mais célebres protestos do carnavalesco Joãosinho Trinta: ele colocou na avenida a estátua coberta por um plástico preto com uma faixa com os dizeres “Mesmo proibido, olhai por nós”.

Na sua gestão à frente da Igreja Carioca, Dom Eugênio desenvolveu uma série de pastorais – Penal, das Favelas, do Menor -, muitas delas entregues à coordenação de leigos. Construiu o prédio anexo ao Palácio São Joaquim onde juntou os diversos setores da igreja que se espalhavam pela cidade. No Sumaré, onde residia, ergueu um prédio confortável onde reunia nos finais de semana empresários, intelectuais, políticos, membros do governo e da oposição para debates sobre temas diversos, em uma espécie de pastoral com os formadores de opinião.

Ele também protestava a seu modo, como ocorreu ao se deparar com um cadáver jogado na estrada do Sumaré, seu caminho entre a residência oficial e o Palácio São Joaquim. Desceu do carro, abençoou o corpo e fez questão de noticiar o fato, marcando sua repugnância pela violência na cidade. Pouco tempo depois reuniu autoridades no Centro de Estudos do Sumaré para discutir a questão da violência.

Como cardeal do Rio organizou duas vindas do papa João Paulo II ao Brasil – 1980 e 1987 – fazendo questão de levá-lo à favela do Vidigal, quando muitos acharam que isto seria uma loucura. Em 2005, em Roma, celebrou uma das missas solenes nas exéquias do papa.

Já cardeal emérito – com mais de 80 anos – e, portanto, sem participar do conclave que escolheria o novo papa, dom Eugenio vibrou ao saber que o sucessor de João Paulo II seria o cardeal Joseph Ratzinger, que adotou o nome de papa Bento XVI. Dele recebeu uma carta especial ao completar seus 90 anos, em 2010.

Quero deixar aqui dois vídeos. O primeiro conta a história deste homem em imagens. O segundo é bem atual: No velório de Dom Eugênio, uma pomba pousou em seu caixão e lá ficou cerca de 40 minutos. Que Deus o receba na sua glória grande Dom Eugenio Sales!

 

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“Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor”

Naquele tempo,  apresentaram a Jesus um mudo, possesso do demônio. Depois que o demônio foi expulso, o mudo falou; e a multidão, admirada, dizia: “Nunca se viu tal coisa em Israel.” Os fariseus, porém, diziam: “É pelo chefe dos demônios que Ele expulsa os demónios.” Jesus percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e doenças. Contemplando a multidão, encheu-se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe.” (S. Mateus 9,32-38)

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja

Cristo estava cheio de ardor pela Sua obra e dispunha-Se a enviar trabalhadores […]. Vai, portanto, enviar ceifeiros. “Nisto, porém, é verdadeiro o ditado: ‘um é o que semeia e outro o que ceifa’. Porque Eu enviei-vos a ceifar o que não trabalhastes; outros se cansaram a trabalhar, e vós ficastes com o proveito da sua fadiga” (Jo 4,37-38). Como? Terá enviado ceifeiros sem, primeiro, ter enviado semeadores? Para onde enviou os ceifeiros? Para onde os outros já tinham trabalhado. […] Para onde os profetas já tinham pregado, porque eles próprios eram os semeadores. […] Quem são os que assim trabalharam ? Abraão, Isaac, Jacob. Lede a narrativa dos seus trabalhos: em todos encontramos uma profecia de Cristo; foram eles, portanto, os semeadores. E quanto a Moisés, aos outros patriarcas, e a todos os profetas, o que não terão eles suportado ao frio, ao tempo em que semeavam? Por conseguinte, na Judeia a messe já estava pronta. E compreende-se que a messe estivesse madura nessa hora em que tantos milhares de homens traziam o produto da venda dos seus bens, o depunham aos pés dos Apóstolos (Act 4,35) e, tirando dos ombros os fardos deste mundo (Sl 81,7), seguiam a Cristo Senhor. A messe tinha, verdadeiramente, chegado à maturidade. Que resultou daqui ? Desta messe retiraram-se alguns grãos, que fizeram sementeira por todo o universo. E eis que cresce uma outra messe, destinada a ser ceifada no fim dos séculos. […] Para essa colheita não serão enviados apóstolos, mas anjos.

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Santo do Dia: Santa Verônica de Giuliani e mais!

Hoje a Igreja celebra no seu mistério a vida e martírio de duas santas mulheres: Santa Verônica de Giuliani e Santa Felicidade e seus sete filhos mártires.

Santa Verônica de Giuliani

Santa Verônica de Giuliani

Santa Verônica de Giuliani, nasceu com o nome de Úrsula e sempre teve liberdade cristã dentro da sua casa onde cultivava a cada dia o seu amor por Nossa Senhora e a sua devoção à Paixão e Morte de Jesus Cristo. Ao completar 17 anos entrou para a Ordem das Religiosas Capuchinhas e mudou o seu nome para Verônica em homenagem à Verônica que enxugou o rosto de Jesus.  Ali dentro ela aprofundou  tanto a sua devoção que começou a ter experiências místicas com a Virgem Maria e com o Menino Jesus. Com o pedido do bispo diocesano, um sacerdote foi estudar de perto os acontecimentos sobrenaturais e êxtases, submetendo-a realizar diferentes exames, além de a fazer escrever tudo ao ponto de preencher 44 volumes. Santa Verônica uniu-se perfeitamente ao Cristo sofredor, ao ponto de receber numa sexta-feira santa as marcas da paixão do Cristo, que perduraram até à sua morte com 67 anos: na autópsia percebeu-se no seu coração um lado aberto, sinal de sua fé e total oferta pela salvação das Almas.  Santa Verônica de Giuliani, rogai por nós!

Santa Felicidade e seus sete filhos

Santa Felicidade e seus sete filhos mártires

Santa Felicidade e seus sete filhos são celebrados hoje também pela Igreja pelo testemunho vivo, ardente e fiel a Cristo diante da tribulação.

Ela e os sete filhos foram martirizados em Roma sob o reinado (do ano 161 D.C. até 180 D.C.)  de Marco Aurélio pelo fato de não adorarem aos deuses e continuarem firme em Cristo. Seus sete filhos mártires são: Januário, Felix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vital e Marcial.

Santa Felicidade e seus sete filhos, rogai por nós!

Dois exemplos puros e fiéis a Igreja e a Cristo que podemos levar para as nossas vidas buscando a cada dia sermos santos e santas na necessidade que Deus nos chama.

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Virgindade Perpétua de Maria:: Escritos de São Jerônimo – Capítulo 15

Devido a correria que tomou conta da minha vida, fiquei devendo aqui os demais capítulos da Carta de São Jerônimo a Helvídio, na qual ele defende a Virgindade de Maria, a Mãe de Deus. Peço desculpas. Aos poucos teremos novidades aqui no blog: Novos colaboradores estarão escrevendo no Dominus Vobiscum. Com isto você terá todos os dias, novos posts para o seu crescimento espiritual! Hoje retomamos a partir do capítulo quinze. Para ver os posts anteriores, logo abaixo clique nos links!

CAPÍTULO XV

Que cegueira, que raivosa loucura o leva à sua própria destruição! Você (Helvídio) diz que a mãe do Senhor estava presente ao pé da cruz; diz que ela foi confiada ao discípulo João por causa de sua viuvez e condição de soledade, como se no ponto de vista de sua própria afirmação, ela não tivesse quatro filhos e numerosas irmãs, com o conforto dos quais ela poderia se apoiar? Você também lhe dá o nome de viúva, que não se encontra na Escritura. E embora cite, a cada momento, o Evangelho, somente as palavras de João lhe desagradam. Você diz, de passagem, que ela estava presente ao pé da cruz porque parece que você não a omitiu de propósito, e contudo [não diz] nenhuma palavra sobre as mulheres que estavam com ela. Poderia perdoá-lo se fosse ignorante, mas vejo que você tem uma razão para suas omissões.

Deixe-me destacar então o que João disse: “Mas estavam de pé junto à cruz de Jesus sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, a esposa de Cléofas, e Maria Madalena”.

Não há nenhuma dúvida que existiam dois apóstolos chamados pelos nomes de Tiago: Tiago, o filho de Zebedeu, e Tiago, o filho de Alfeu. Por acaso você tem em vista que o comparativamente desconhecido Tiago o menor, que é chamado nas Escrituras filho de Maria, não contudo de Maria a mãe do Nosso Senhor, era apóstolo ou não ? Se era um apóstolo, devia ser o filho de Alfeu e um crente em Jesus, “porque nem seus irmãos acreditavam n’Ele”. Se não era um apóstolo mas um terceiro Tiago (que possa ser, não sei), como poderia ser tido como o irmão do Senhor, e como, sendo um terceiro, poderia ser chamado “menor” para ser destinguido do “maior” , porquanto maior e menor são usados para mostrar relação existente não entre três, mas entre dois? Observe, ainda mais, que o irmão do Senhor é um apóstolo, uma vez que Paulo diz: “Então depois de três dias eu fui a Jerusalém para visitar Pedro e fiquei com ele quinze dias. Mas não vi nenhum outro dos apóstolos, a não ser Tiago, irmão do Senhor”. E na mesma Epístola: “E quando eles perceberam a graça que me foi concedida, Tiago, Pedro e João que eram considerados os pilares” etc.

E você não poderá supor que esse Tiago fosse o filho de Zebedeu, bastando para isso ler os Atos dos Apóstolos, onde você encontrará que esse último já tinha sido trucidado por Herodes. A única conclusão é que a Maria que é descrita como a mãe de Tiago o menor era a esposa de Alfeu e irmã de Maria, a mãe do Senhor, aquela que é chamada por João Evangelista “Maria de Cléofas”, seja por filiação, seja por parentesco, seja por outra razão.

Mas se você julga que são duas pessoas porque em outro lugar lemos: “Maria a mãe de Tiago menor” e aqui: “Maria de Cléofas”, você terá a aprender ainda que era costume na Escritura dar diferentes nomes ao mesmo indivíduo. Raguel, sogro de Moisés, é chamado também de Jetro. Gedeão, sem nenhuma outra razão aparente para a troca, de repente se torna Jerubbaal. Ozias, rei de Judá, tem, como nome alternativo, Azarias. O Monte Tabor é chamado Itabyrium. Igualmente, o Hermon é chamado pelos fenícios Sanior, e pelos amorreus Sanir. O mesmo pedaço do país é conhecido por três nomes: Negebb, Teman e Darom, em Ezequiel. Pedro é também chamado Simão e Cefas. Judas, o zelote, em outro Evangelho é chamado Tadeu. Há numerosos outros exemplos que o leitor pode por si mesmo colecionar, em toda a Escritura.

Veja Também:: Capítulos 1 e 2 | Capítulos 3 e 4 | Capítulo 5 e 6 | Capítulos 7 e 8| Capítulos 9 e 10 | Capítulos 11 e 12 | Capítulos 13 e 14

( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

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