O Papa Bento XVI fala sobre a oração de Jesus na última ceia

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Na Catequese deste dia, diretamente da Sala Paulo VI, o Papa Bento XVI, leva-nos a continuar meditando sobre a oração de Jesus que nos é mostrada nos Evangelhos.  Hoje, em especial, sobre o momento solene da oração na Última Ceia.

O Papa nos indica que “a cena temporal e emocional do momento no qual Jesus se despede dos amigos é a iminência da sua morte que Ele sente próxima naquele momento”, nos mostrando assim que Jesus vinha preparando seus discípulos para a sua rejeição por parte dos anciãos, sumo sacerdotes e pelos escribas, bem como para o seu sofrimento e morte.

A proximidade da Páscoa, que fazia memória da libertação dos Israelitas, “libertação experimentada no passado e esperada de novo no presente e para o futuro, se tornava viva nas celebrações familiares da Páscoa. A última ceia se insere neste contexto, mas com uma novidade de fundo. Jesus olha para a sua paixão, morte e ressurreição plenamente consciente. Ele quer viver esta ceia com seus discípulos, Jesus celebra a sua Páscoa, antecipa a sua Cruz e a sua Ressurreição”.

O Papa identifica dois verbos diferentes, mas que se complementam.  Paulo e Lucas em seus textos falam de Eucaristia – Agradecimento, enquanto Marcos e Mateus destacam a Benção – Eulogia. Em ambos os casos os termos gregos eucaristéin e eulogéin têm a ver com a beraka hebraica, isto é, a grande oração de agradecimento e de benção da tradição de Israel que inaugurava as grandes refeições. (…) As palavras da instituição da Eucaristia se colocam neste contexto de oração; na mesma oração, o louvor e a benção da beraka se tornam benção e transformação do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Jesus.”.

O Papa ressalta ainda a importância dos gestos: quem parte o pão e entrega o cálice é o que chefia a família, que também acolhe e recebe não só a família, mas inclusive o que não faz parte dela. Na mesma mesa na qual Deus se entrega, Jesus acolhe. Jesus, que sabia que estava para ser levado à morte vergonhosa da cruz, antecipa ali a sua morte e ressurreição, fazendo tornar-se realidade o que antes tinha somente afirmado: “’Eu dou a minha vida para depois tomá-la de novo. Ninguém me tira: eu a dou. Tenho o poder de dá-la e o poder de tomá-la de novo. Este é o mandamento que recebi do meu Pai’ (Jo 10, 17-18).”, ou seja, Jesus reafirma sua missão de amor incondicional e total, que doa para obedecer e realizar a vontade do Pai.

O Papa relembra também o texto de Lucas (Luc 22, 31-32) onde há um item precioso dentre todos da Última Ceia, no qual podemos ver a “profundidade comovente da oração de Jesus para os seus naquela noite, a atenção por cada um. Partindo da oração de agradecimento e benção, Jesus chega ao dom eucarístico, ao dom de si mesmo e, enquanto doa a realidade sacramental decisiva, se dirige a Pedro.” Ao orar, Jesus os sustenta, mostrando que o caminho de Deus também passa pelo Mistério Pascal. “E a oração é particularmente por Pedro, para que, uma vez convertido, confirme os irmãos na fé. O evangelista Lucas recorda que foi exatamente o olhar de Jesus a procurar o rosto de Pedro no momento no qual ele havia apenas consumado a sua tríplice negação, para dar-lhe força de retomar o caminho em direção a Ele: ‘Naquele instante, enquanto ainda falava, um galo cantou. Então o Senhor se voltou e fixou o olhar em Pedro, e Pedro se recordou da palavra que o Senhor lhe havia dito’ (Luc 22,60-61)”.

Bento XVI, zelosamente, nos afirma a importância de nossa participação atual na Eucaristia: “Queridos irmãos e irmãs, participando da Eucaristia, vivemos em modo extraordinário a oração que Jesus fez e continuamente faz por cada um a fim que o mal, que todos encontramos na vida, não tenha a vitória e possa agir em nós a força transformante da morte a da ressurreição de Cristo. Na Eucaristia, a Igreja responde ao mandamento de Jesus: “Fazei isto em memória de mim” (Luc 22,19; cfr I Cor 11, 24-26); repete a oração de agradecimento e de benção e, com ela, as palavras da transubstanciação do pão e do vinho no Corpo e Sangue do Senhor”.

Esta riquíssima catequese nos apresenta a bela realidade de que ao participarmos da Mesa Eucarística, nos alimentamos do Corpo e Sangue do Filho de Deus e assim nos unimos a esta oração, feita pelo próprio Cristo, para que a nossa vida, apesar de nossas limitações, seja modificada e não desperdiçada e perdida.

Finalizando, o Santo Padre, nos exorta para que “peçamos ao Senhor depois de estarmos devidamente preparados, também com o Sacramento da Penitência, que a nossa participação à sua Eucaristia, indispensável para a vida  do cristão seja sempre  o ponto mais alto de toda a nossa oração. Pedimos que, unidos profundamente à sua mesma oferta ao Pai, que possamos também nós transformar as nossas cruzes em sacrifício livre e responsável, de amor a Deus e aos irmãos”.

Como sempre faz, ao final da Catequese, o Papa dirigiu-se aos peregrinos de língua portuguesa:

“Saúdo cordialmente os peregrinos de língua portuguesa, desejando-vos que o ponto mais alto da vossa oração seja uma digna participação na Eucaristia para poderdes, também vós, transformar as cruzes da vossa vida em sacrifício livre de amor a Deus e aos irmãos. Obrigado pela vossa presença. Ide com Deus”.

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