O “gosto” de Deus…

Deus não é abstrato. Deus é concreto! E a gente pode sentir o ‘gostinho’ Dele. A hóstia tem o ‘gosto’ de Deus!

Quando estudava no primário, hoje o início do ensino fundamental, aprendi, nas aulas de português, um conceito que pode ter sido responsável pela minha caminhada e formação espiritual. Se não de uma forma concreta, mas ao menos de maneira abstrata, ou inconsciente. Eu explico…

Aprendi, desde pequeno, acerca da classificação dos substantivos, que estes poderiam ser concretos ou abstratos.

Concretos seriam os substantivos que se podiam pegar, tocar. E abstratos, por conseguinte, seriam aqueles que não poderíamos ver ou tocar.

E foi aí, nessa classificação (equivocada), que Deus me foi definido pela minha mestra nas letras como substantivo abstrato, pelo menos na gramática. É claro que em meus estudos posteriores de português, corrigiu-se tal imprecisão daquela professora, tanto na gramática quanto na minha visão acerca de Deus. E isso foi algo em que não mais pensei… Até um dia desses!

Fomos eu e minha esposa à missa, e, após a comunhão, recebi dela uma pequena e inesperada aula de teologia, e de vida! Estava eu meditando e fazendo minhas orações pós-comunhão quando ela olha para mim e diz: “Deus não é abstrato. Deus é concreto!”

À primeira vista isto pareceu-me um tanto óbvio, tanto que eu disse: “É claro! Eu sei!”

Ela me disse, então, que aprendeu que Deus era um substantivo concreto, pois existia de forma real, e podíamos ver as suas obras. Mas, como dito anteriormente, eu não havia tido contato com este conceito na minha infância! E foi aí que caiu a ficha!! Foi aí que eu vi que, para mim, até aquele momento, eu não havia processado tudo o que sentia de Deus de uma forma tão simples e clara. Que aquele conceito errado nas aulas de português na infância, pode ter sido responsável por toda a minha caminhada em busca de Deus. Em busca de algo concreto na minha vida!

Pois, se ficou gravado naquela mente de menino que Deus era abstrato, que eu não podia vê-Lo ou tocá-Lo, equiparando-O com palavras como sonho, ou ilusão, a minha busca inconsciente por algo a mais, a minha caminhada espiritual, era para provar a mim mesmo que eu podia, sim, tocá-Lo, vê-Lo, e não apenas senti-Lo, como um sonho.

E aí a minha esposa vai mais além, mais a fundo que os conceitos gramaticais, perpassando por uma teologia pura, simples, mas profunda. Olha para mim e diz: “E a gente pode sentir o ‘gostinho’ Dele! A hóstia tem o ‘gosto’ de Deus!”

Não que antes de ouvi-la eu duvidasse do Santíssimo Sacramento da Eucaristia (como já duvidei há um tempo), mas aquela frase ficou ressoando na minha mente e no meu coração. Eu pensava: “Deus tem um ‘gosto’! E eu posso senti-Lo!”

Quando comungamos, além de recebermos a salvação, pois recebemos o corpo e o sangue do Nosso Salvador, podemos, de uma forma bem humana, sentir o Seu “gosto”… E aí tudo muda, pois vemos também que outro substantivo também abstrato (o amor), passa a ser concreto, passa ter um gosto, um sabor. Pois não há maior amor que Jesus Cristo, que é o amor feito carne, feito homem, com sabor, com gosto, naquela cruz de dois milênios atrás, e da mesma forma naquela hóstia, naquele sacrifício do altar.

Fiquei ali, olhando para ela e agradecendo a Deus, pela graça de poder senti-Lo com meus singelos e falhos sentidos.

Digam o que quiser os ateus, os nossos irmãos evangélicos, ou quem quer que seja… Deus existe, sim, e tem um gosto! Ele tem sabor de amor, de entrega, compaixão, de vida! Um sabor que se faz presente naquele pão e naquele vinho, que, após a fórmula da consagração, muda sua substância (transubstancia-se) no verdadeiro corpo e sangue do Salvador!

E é por isto que estou aqui tecendo estas palavras. Para louvar a Deus que me dá a conhecer que Ele não é abstrato, que eu posso senti-Lo sim, mas que eu posso ir mais além, também podendo vê-Lo, tocá-lo, pois Ele é concreto, real!

Que eu posso ver as Suas obras, vê-Lo no meu irmão, que eu posso levá-Lo ao meu irmão, mas ver também que Ele não está tão longe quanto supõe nossa mente vã… Pois na Santa Missa proclamamos, sim, que Ele está sentado à direita do Pai, mas podemos vê-Lo alí presente também, e da mesma forma, no sacrifício do altar. Pois no Santíssimo Sacramento da Eucaristia eu posso sentir, sim o gosto de Deus!

Alex Cardoso Vasconcelos
Colaborador do Blog Dominus Vobiscum
Escreve também no blog Sacrifício Vivo e Santo

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2 comentários sobre “O “gosto” de Deus…

  1. E, com certeza, Deus também tem perfume. Muitas vezes, mesmomquando não o recebo nas duas espécies sinto de longe o doce aroma do vinho… Anteciipa a alegria de recebê-lo em corpo, sangue, alma e divindade.

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