Relatos sobre a vida de São Charbel

Irmãos, hoje como sabemos celebramos São Charbel, e fiquei muito interessado na vida deste homem santo. Resolvi trazer aqui alguns relatos que encontrei no site da Paróquia Nossa Senhora do Líbano na Igreja São Benedito (Diocese de São José do Rio Preto – Diocese Maronita do Brasil), é muito bom! O relato foi feito por volta de 1998, e não descobri quem assinou-o.

Segundo o relato, o corpo de São Charbel permaneceu intacto depois de sua morte; inclusive transpirava. Este fenômeno de conservação e transpiração de corpo, desafiando as leis da natureza, fascinou os médicos, os homens de ciência e as pessoas mais simples. O autor do texto diz:

Em agosto de 1952, eu mesmo toquei no seu corpo; poderia dizer que era um “morto-vivo”. 

Que um cadáver se conserve não é um fenômeno único, porém que os restos mortais se conservem flexíveis, tenros, manejáveis, transpirando incessantemente, é um caso extraordinário e único no gênero. Este foi o caso de nosso Santo, cujo corpo se conservou e transpirou até o dia de sua Beatificação que se realizou no dia 5 de dezembro de 1965, no encerramento do Concilio Ecumênico Vaticano II. Podemos até dizer que seu corpo não conheceu a corrupção: depois de 1965, ele se decompôs simplesmente, e jamais se percebeu o odor que emana normalmente dos cadáveres ao abrir seus túmulos. Era ao contrário um odor agradável. O autor do texto ainda afirma que:

“Abriu-se o túmulo no dia 3 de fevereiro de 1976, e eu estive presente como responsável da sua Causa de Canonização; seu corpo está já decomposta, sobrando o esqueleto. No entanto os ossos conservam uma certa frescura e uma cor rosada (cor de vinho).”

Conforme a ciência, afirmaram dois médicos, seis meses depois da morte, o esqueleto do ser humano, normalmente, é formado de ossos brancos e perfurados. Até hoje, ano 1998, nunca este fenômeno se encontrou no esqueleto de São Charbel.

São Charbel

Em suma, seu corpo foi conservado até a sua Beatificação, depois ele “se volatilizou”, sobrando o esqueleto que é conservado de uma maneira extraordinária.

GRAÇAS E MILAGRES

Nosso Senhor, por intercessão de nosso Santo, fez muitos milagres, mesmo na sua vida como após a sua morte, pois tornou-se pouco a pouco evidente para todos que um poder sobrenatural emanava dele. Quando vivo, ele tinha um poder que curava os doentes, acalmava os espíritos malignos. Por exemplo, uma vez, durante o trabalho campestre, uma cobra saiu de uma moita e se aproximou, ameaçadora. Os trabalhadores-leigos tentam em vão matá-la ou afugentá-la. Apeiam para Padre Charbel que estava pertinho. Ele chega, sereno, e aproxima-se da cobra com calma. Esta se imobilizou. Fazendo um gesto, diz-lhe: “vá embora daqui, ó bendita”. O réptil deslizou calmamente por perto dele e foi embora.

Em 1885, os gafanhotos invadiram a montanha libanesa e começaram a devastar a região de Annaya. Eles foram afastados desta região pelas preces do Padre Charbel e sua bênção.

Muitos doentes, considerados perdidos pela medicina, encontravam cura repentina sob a influência do Padre Charbel que, em geral, chegava, rezava, abençoava a água, aspergia o doente, olhando-o longamente, e se reúrava. O doente levantava-se; estava curado.

Um dia, levaram ao Padre Charbel um jovem chamado “o louco de Ihmej”, pequena aldeia perto do eremitério, que era violento, indomável, agressivo, e muito perigoso. O Padre Charbel libertou-o das cadeias e mandou-o pôr-se de joelhos. O louco, com calma, obedeceu. Nosso Santo põe as mãos sobre a cabeça dele e reza. Terminando a oração, o louco de Ihmej estava totalmente curado.

Estes foram alguns favores e milagres que se realizaram durante a vida do Padre Charbel. Após a sua morte,o primeiro fenômeno extraordinário se realizou algumas semanas depois do seu sepultamento quando luzes estranhas começaram a aparecer à noite sobre seu túmulo. Os fiéis da vizinhança alertaram o superior do convento que, uma noite, percebeu pessoalmente o fenômeno prodigioso; sob o efeito das luzes e dos milagres, ele solicitou autorização ao Patriarca Maronita, Elias Houwaék, para abrir o túmulo e transferir o corpo para um sepulcro mais honroso e digno. A autorização foi concedida a condição de que o corpo fosse conservado num lugar bem fechado. Conforme as recomendações patriarcais, o túmulo foi aberto, pela primeira vez, no dia 15 de abril de 1899, em presença apenas de sete testemunhas, incluído as pessoas da Comissão eclesiástica. Então, foi o segundo fenômeno prodigioso: o corpo estava intacto!

De fato, as mãos repousavam sobre o peito, segurando o crucifixo. O corpo estava tenro e flexível. O rosto e as mãos eram os de um homem adormecido. De um dos lados do corpo, escorria um sangue vermelho misturado com uma espécie de água: o suor. Os paramentos, cheios deste líquido sanguinolento, foram trocados e conservados até hoje. Caso extraordinário, este líquido sanguinolento sempre escorreu de seu corpo até a sua Beatificação em 1965, pois, esta exsudação de seu corpo era permanente, apesar de muitas tentativas realizadas todas vãs para pará-la. As vezes, este líquido atravessava as paredes do túmulo.

O túmulo foi também aberto, sempre em presença das duas Comissões eclesiástica e médica, em 1901, em 1909, em 1926 no dia 9 de outubro, em 1927 em dia de 24 de julho, em 1950 no mês de fevereiro, em 1952 no mês de agosto, e em 1955 no mês de setembro; o corpo estava sempre flexível, e sempre transpirando; e cada vez, os paramentos molhados foram trocados e conservados no museu de nosso Santo à Annaya. Eu, pessoalmente, em 1952, em 1955 e em 1965, fui testemunha ocular deste fenômeno extraordinário que nem médicos, nem cientistas especialistas conseguiram explicar.

Em 1952, o corpo foi exposto durante duas semanas no mosteiro de São Marun de Annaya afim de que os fiéis pudessem ver o corpo conservado. Milhares e milhares vieram visitá-la e vê-lo. Eu era uma das três pessoas responsáveis pelo corpo exposto, e via os fiéis que passavam das 7:ao horas de manhã até 7:ao horas da noite em frente do corpo, durante 14 dias, fazendo fila ininterrupta; e cada um só podia recitar um Pai Nossa e uma Ave Maria.

São Charbel

Em suma, o Senhor, pela intercessão de nosso Santo, fez e está fazendo ainda, no Líbano como no mundo inteiro, diversos milagres e favores. É interessante revelar que, entre os favorecidos pelos milagres, contam-se ortodoxos, muçulmanos e druzos, entre outros. Todavia, entre os numerosos milagres que ocorreram pela intercessão de São Charbel, dois foram considerados e analisados para a Beatificação: a da irmã Maria Abel Kamari, libanesa da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria, que durante 14 anos sofreu de uma úlcera estomacal, e o de Alexandre Obeid, libanês, que perdeu a vista ao receber um golpe no olho direito. Estas duas curas milagrosas aconteceram no Ano Santo de 1950. Para a Canonização estudou-se mais um milagre: o de Mariam Assaf Awad, libanesa, de 68 anos de idade. Em 1966 ela sofria de um câncer na amígdala direita. Era um tumor maligno e a paciente foi desenganada. O câncer lhe causava muitas dores e dificuldade de respirar e engolir. Em dezembro de 1966, recorrendo a São Charbel, ela curou-se de sua doença.

No entanto, o milagre mais característica, concedido pela intercessão de São Charbel, é a conversão de um grande número de fiéis. De fato, numerosos cristãos afastados dos sacramentos da confissão e da eucaristia, ou mesmo afastados totalmente da Igreja, voltam ao Senhor ao visitar o túmulo de São Charbel; mudam de conduta e adotam uma vida coerente e cristã. O seu túmulo é freqiientemente vi. Citado no inverno e no verão, e a devoção por ele se tornou universal.

São Charbel, rogai por nós!

BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

Quanto mais a pessoa se isola para estar perto de Deus, tanto mais ela está perto dos homens. Retirando-se do mundo para não ser do mundo, embora vivesse no mundo (Jo,17,16), São Charbel é conhecido no mundo inteiro. Centenas de milhares de cartas que chegam ao mosteiro de Annaya testemunham o fato. Assim a vida de São Chartel é uma prova de que o verdadeiro eremita na Igreja é um apóstolo de Cristo, apóstolo por excelência. Padre Charbel foi beatificado no dia 5 de dezembro de 1965, por Sua Santidade o Papa Paulo VI, em presença dos compatriotas, de todos os cardeais e bispos da Igreja Universal, que se encontravam em Roma por ocasião do encerramento do Concilio Vaticano IL. Todos assistiram a esta cerimônia memorável. No dia 9 de outubro de 1977, o mesmo Papa o canonizou, declarando o Santo do Líbano, Santo para a Igreja Universal, durante o Sínodo dos Bispos. Estes eventos inesquecíveis, por ser ele o primeiro confessor oriental, foram uma grande honra para o Líbano e particularmente para a Igreja Maronita e para a Ordem Libanesa Maronita. Participei dos dois eventos, e era mesmo o Postulador da Causa de Canonização de São Charbel e dois outros santos libaneses maronitas: a Beata Irmã Rafqa (Rebeca) El-Choboq El-Rayés de Himlaya, nascida em 1832, falecida em 1914, (foi beatificada pelo Papa João Paulo II no dia 17 de novembro de 1985); e o novo Beato Padre Nimatullah Kassab Al-Hardini, nascido em 1808 e falecido em 1858, (foi beatificado, pelo Papa João Paulo II, no dia 10 de maio de 1998, primeiro aniversário da visita do Santo Padre João Paulo Il ao Líbano). Como São Charbel, foram membros da Ordem Libanesa Maronita, ramos masculino e feminino. Sim, o Líbano pode orgulhar-se de CHARBEL, RAFQA E NIMATULLAH AL-HARDINI! Quantas vezes os responsáveis na Congregação das Causas dos Santos no Vaticano me diziam quando era responsável dessas três Causas: “Vocês têm as mais belas figuras de santidade na Igreja”. Que honra para nossa Igreja Maronita que está testemunhando o Evangelho de Cristo no Oriente Médio, e que foi a única Igreja Oriental que ficou sempre Católica Apostólica Romana.

Este fenômeno é curioso, e às vezes surge a pergunta: por que encontramos tantas pessoas que visitam regularmente e quase cada dia o túmulo de São Charbel’! A resposta me parece esta: no mundo de hoje, de tal modo materialista, de tal modo egoísta, e de tal modo sensual, as pessoas, angustiadas pelo vácuo interior, tem a nostalgia da felicidade que não se consegue achar nem no conforto, nem na riqueza, nem na concupiscência da carne, nem na soberba da vida, como diz São João, o Evangelista (1Jo, 2,16), mas consegue achá-la nas virtudes que nosso Santo se esforçou para viver com grande heroísmo. Por isso, elas vêm ali para se sentir um pouco feliz, perto deste homem que consegui conhecer e viver a autêntica felicidade que elas estão procurando, e tentar imitá-la.

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