A Liturgia na Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana

Saudações, caríssimos irmãos. Voltamos com a nossa série sobre a Liturgia.

Hoje vamos nos aprofundar um pouco mais no tema proposto nesta série, tratando da Liturgia de acordo com a Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana. Uma Doutrina tão rica, e por vezes, tão renegada. Me acompanhe, então, nesta jornada!

A Liturgia na Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana

Antes de adentrarmos na Liturgia propriamente dita, faz-se necessário defirnirmos o que é a Doutrina Católica, visto que é onde se insere a Liturgia.

Tem-se por Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana, ou apenas Doutrina Católica, o conjunto de princípios e verdades de fé, objetos de estudo da Santa Igreja.

De acordo com o Catecismo de São Pio X, nos seus tópicos 4 e 5, a Doutrina da Igreja Católica foi revelada diretamente por Jesus Cristo “para nos mostrar o caminho da Salvação”, e que “é necessário aprender a doutrina ensinada por Jesus Cristo, e cometem falta grave aqueles que se descuidam de o fazer”.

Todavia, o estudo e compreensão deste conjunto de verdades de fé, professados pela nossa Santa Igreja Católica, não é algo estático, devendo, pois, ser objeto de estudo progressivo da Teologia, de acordo com a Revelação Divina, orientados pela Igreja Católica, por meio da Tradição Apostólica, que se realiza, de acordo com o Compêndio do Catecismo da Ugreja Católica (nº 13) “mediante a transmissão viva da Palavra de Deus (chamada também simplesmente a Tradição) e através da Sagrada Escritura que é o próprio anúncio da salvação transmitido por escrito”.

Pois bem, definido o conceito de Doutrina Católica, onde se insere a Liturgia?

De acordo com o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (nº 218), “a liturgia é a celebração do Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal. Na liturgia, pelo exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo, a santificação dos homens é significada e realizada mediante sinais, e é exercido, pelo Corpo místico de Cristo, ou seja pela Cabeça e pelos membros, o culto público devido a Deus”.

Assim, a Liturgia, presente na Doutrina Católica, é o cume para onde tendem todas as ações da Igreja e, simultaneamente, a fonte donde provém toda a sua força vital.

Através da Liturgia, Cristo continua, na sua Igreja, com ela e por meio dela, a obra da nossa redenção. Assim, na Liturgia e por meio dela, ocorre o exercício do sacerdócio supremo de Cristo, que é exercido pela Igreja, Seu Corpo Místico, onde a santificação dos homens é significada e realizada mediante os sete sacramentos, dos quais a própria Igreja é um deles, visto que, é por meio dela (Igreja) que o Cristo fala aos fiéis, perdoa-lhes os pecados e os santifica, notadamente por meio da Sagrada Eucaristia.

É o que preceitua o Código de Direito Canônico, no Cânon 834, assim dispondo:

“Cân. 834 § 1. A igreja desempenha seu múnus de santificar, de modo especial por meio da sagrada Liturgia, que é tida como exercício do sacerdócio de Jesus Cristo, na qual, por meio de sinais sensíveis, e significado, e, segundo o modo próprio de cada um, é realizada a santificação dos homens, e é exercido plenamente pelo Corpo místico de Jesus Cristo, isto é, pela Cabeça e pelos membros, o culto público de Deus.

§ 2. Esse culto se realiza quando é exercido em nome da Igreja por pessoas legitimamente a isso destinadas e por atos aprovados pela autoridade da Igreja.”

E assim, as diversas Igrejas espalhadas pelo mundo, por meios das suas diversas liturgias, exercem o munus de santificar e abençoar o povo.

Já sei, você vai me perguntar: “diversas Liturgias”?! Como assim?! A Liturgia não é uma só?!

O culto a Deus, que se dá por meio da Liturgia, é, pois, somente um, apenas um único Mistério Pascal, mas vale ressaltar que toda a Liturgia, em especial a Missa, é celebrada através de gestos, palavras (incluindo as orações), canto, música, sinais e símbolos, tendo todos estreita correlação, e assim, apesar de o culto a Deus ser um só, a Igreja possui muitas tradições/ritos litúrgicos, em função do encontro da Tradição e Magistério com as demais culturas e povos espalhados pelo mundo.

Portanto, se você estiver num outro país, ou numa outra Igreja que guarde relações com a Igreja Católica, como a Igreja Maronita, por exemplo, você participará de um mesmo culto a Deus, de uma mesma Missa, mas com outra tradição litúrgica, com outro rito, conforme abordaremos posteriormente.

Mas atenção, não estou falando aqui de qualquer Igreja. Note bem: a Igreja deve guardar relações dogmáticas, doutrinárias e teológicas com a Igreja Católica Apostólica Romana, ou seja, tal Igreja onde o culto é prestado, para ter e ser um sacramento válido deve estar em consonância com a Igreja Católica, com o primado de Pedro exercido pelo Sumo Pontífice, o Papa.

É por isso que as Igrejas Protestantes e demais denominações, não têm em seus cultos sacramentos validamente reconhecidos pela Igreja Católica Apostólica Romana, visto que não têm seus atos realizados nem aprovados pela autoridade eclesial do Papa, o sucessor de Pedro, visto que, novamente de acordo com o Catecismo de São Pio X (nº 8):

“Temos a certeza de que a Doutrina Cristã, que recebemos da Igreja Católica, é verdadeira, porque Jesus Cristo, autor divino desta doutrina, a confiou por meio dos seus Apóstolos à Igreja Católica, por Ele fundada e constituída Mestra infalível de todos os homens, prometendo-Lhe a sua divina assistência até à consumação dos séculos.”

Pois bem, entendido o significado e importância da Liturgia na Doutrina Católica, como celebração pública e oficial do Mistério Pascal de Cristo, que, como Cabeça, o celebra com Seu Corpo, ou seja, a Igreja terrestre (nós) e celeste (os santos e mártires), devemos, pois, atentar para onde e quando prestamos tal culto público.

Tal ponto diz respeito aos aspectos espacial e temporal do culto litúrgico.

No que concerne ao espaço da celebração litúrgica, embora o culto católico não esteja ligado a nenhum lugar exclusivo, porque Cristo, e logo toda a Igreja, é o verdadeiro templo de Deus, a Igreja terrestre necessita de lugares onde se possa reunir para celebrar a Liturgia. Estes lugares (igrejas, capelas, catedrais), de acordo com o Catecismo da Igreja Católica, são as casas de Deus e símbolo da Igreja que vive num lugar e também da morada celeste”.

É lá, na Igreja (espaço físico consagrado a Deus), onde encontramos recolhimento, paz, oração, e a presença viva de Jesus Cristo nos Sacrários e na consagração da hóstia pelos presbíteros.

E temos também, por fim, o aspecto temporal da Liturgia.

Apesar de a Igreja celebrar o Mistério de Cristo durante todo o ano, o seu culto centra-se no Domingo, o qual é o centro do tempo litúrgico, e tem seu cume a Páscoa, “festa das festas”. Por isso, baseando-se no terceiro mandamento da Lei de Deus (guardar os domingos e festas de guarda), a Igreja Católica preceitua que todos os católicos devem ir à Missa em todos os domingos e festas de guarda. Preceito este que se encontra presente também nos “Cinco Mandamentos da Igreja Católica”.

Estes tema será retomado posteriormente, quando formos tratar do Tempo Litúrgico. Por hoje é só, mas nos encontramos no próximo artigo, cujo tema é o “Culto Cristão”. Um grande abraço, e que Deus nos abençoe!

In corde Iesu et Mariae semper,
Equipe “Dominus Vobiscum”

Veja Também:: Afinal, o que é a Liturgia?

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Um comentário sobre “A Liturgia na Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana

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