Ele multiplicou o pão…

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus foi para a outra margem do lago da Galileia, ou de Tiberíades. Seguia-o uma grande multidão, porque presenciavam os sinais miraculosos que realizava em favor dos doentes. Jesus subiu ao monte e sentou-se ali com os seus discípulos. Estava a aproximar-se a Páscoa, a festa dos judeus. Erguendo o olhar e reparando que uma grande multidão viera ter com Ele, Jesus disse então a Filipe: Onde havemos de comprar pão para esta gente comer? Dizia isto para o pôr à prova, pois Ele bem sabia o que ia fazer. Filipe respondeu-lhe: Duzentos denários de pão não chegam para cada um comer um bocadinho. Disse-lhe um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro: Há aqui um rapazito que tem cinco pães de cevada e dois peixes. Mas que é isso para tanta gente? Jesus disse: Fazei sentar as pessoas. Ora, havia muita erva no local. Os homens sentaram-se, pois, em número de uns cinco mil. Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-os pelos que estavam sentados, tal como os peixes, e eles comeram quanto quiseram. Quando se saciaram, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca. Recolheram-nos, então, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada que sobejaram aos que tinham estado a comer. Aquela gente, ao ver o sinal milagroso que Jesus tinha feito, dizia: Este é realmente o Profeta que devia vir ao mundo! Por isso, Jesus, sabendo que viriam arrebatá-lo para o fazerem rei, retirou-se de novo, sozinho, para o monte. (Jo 6,1-15)

Comentário feito por Santo Efrém (c. 306-373), diácono da Síria, doutor da Igreja

No deserto, Nosso Senhor multiplicou o pão e em Caná transformou a água em vinho. Deste modo, habituou a boca dos Seus discípulos ao Seu pão e ao Seu vinho, até à altura em que lhes daria o Seu corpo e o Seu sangue. Fez-lhes provar um pão e um vinho transitórios para fazer nascer neles o desejo do Seu corpo e do Seu sangue vivificantes. Deu-lhes estas pequenas coisas generosamente para que eles soubessem que a Sua dádiva suprema seria gratuita. Deu-lhas gratuitamente embora eles tivessem podido comprar-Lhas, para que ficassem a saber que não lhes pediria que pagassem uma coisa inestimável: porque, embora eles pudessem pagar o preço do pão e do vinho, não poderiam pagar o Seu corpo e o Seu sangue.

Não só nos ofereceu gratuitamente as Suas dádivas, como ainda nos tratou com afeição. Porque nos deu estas pequenas coisas gratuitamente para nos atrair, para irmos até Ele e recebermos gratuitamente o enorme bem que é a Eucaristia.  Estas pequenas porções de pão e de vinho que ofereceu eram agradáveis à boca, mas a dádiva do Seu corpo e do Seu sangue é útil ao espírito. Ele atraiu-nos através daqueles alimentos agradáveis ao paladar, a fim de nos chamar para aquilo que dá vida à nossa alma. […]

A obra do Senhor abarca tudo: num abrir e fechar de olhos, multiplicou um pedaço de pão. O que os homens fazem e transformam em dez meses de trabalho, fazem os Seus dez dedos num instante. […] De uma pequena quantidade de pão nasceu uma quantidade enorme de pães; foi como na primeira bênção: crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra (Gn 1,28).

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