A Liturgia e o Culto Cristão

Saudações, caríssimos! Estamos de volta com a nossa série sobre a Liturgia da Igreja Católica Apostólica Romana, e hoje trataremos do “Culto Cristão”, o qual tem sido através da história o cerne de nossa identificação e de nossa unidade.

O homem é, por excelência, um ser orante, que pede, suplica, e adora ao Pai. E o faz, desde a Antiguidade, por meio do culto, público ou privado.

Definimos tal culto de adoração a Deus pelo vocábulo latria. O culto é, assim, por excelência, prestado em adoração ao Senhor.

Todavia, existe também uma espécie diferente de culto, que não é o de adoração, o qual só é devida a Deus, mas sim de veneração, definido pelo vocábulo dulia, que é o culto devido aos santos. E ainda, temos o culto à Virgem Maria, o qual merece um destaque especial, visto que é definido pelo vocábulo hiperdulia.

Retomaremos tais temas oportunamente, mas observemos aqui o cerne da nossa ação pública como fiéis: o culto/adoração – latria, pois, é através do culto, prestado na Liturgia, que o homem adora a Deus, e que Deus salva o homem. Dá-se, assim, uma via de mão dupla, onde, de um lado, Deus santifica e salva o homem, e este, em gratidão, O adora e O serve, por meio da participação, pela graça divina, no mistério do Sacrifício Redentor, renovado pela Eucaristia e celebrado na Santa Missa.

Daí, pois, pela importância do ato, termos uma forma/rito solene a ser seguido neste culto, e mais especialmente, na Eucaristia, e assim é que, partindo da definição de Liturgia como “culto da igreja”, chegamos aos diversos modos pelos quais a Igreja presta à Divina Magestade o culto devido: o sacrifício, o ofício, os sacramentos e os sacramentais.

Diversos são os modos como foram designados o culto cristão nos primórdios do cristianismo: fração do pão; eucaristia (eucaristhia ou eulogia, ação de graças), pois Jesus Cristo agradeceu (deu graças) antes da consagração; oblação; sacramento; sacrifício; mistério; coleta; e por fim, Missa.

Chegamos, enfim, no cerne da nossa Liturgia, que é a Santa Missa, como ato sublime de adoração/culto a Deus.

O termo Missa deriva do “Ite, Missa est”, fórmula que era dita ao final da celebração da mesma, que significa “É despedida, podei-vos retirar”, e é o culto ordenado pelo próprio Jesus Cristo quando disse aos apóstolos: “Fazei isto em memória de mim”, ordenando-os sacerdotes e dando-lhes o poder de celebrar a Missa.

Assim, sendo a Missa o culto cristão por excelência, o sacrifício mais santo, “o sacrifício tremendo” (Conc. Trid. De observandis… in Missa), por causa da imolação do próprio Filho de Deus, é mister que tal culto se faça da maneira apropriada, de modo solene.

Para tanto, seguimos uma ordem estrita de serviço, centrada precisamente na Missa, e mais precisamente na Eucaristia. Segue-se um Lecionário contendo as orações e leituras para cada dia do ano litúrgico.

Seguimos, então, na Igreja Católica Apostólica Romana, um rito solene e oficial como ato sublime de adoração a Deus na Santa Missa, que é o rito romano. Tal rito é o mais difundido em todo o mundo católico, e o mais geralmente conhecido, embora, como vimos, existam vários outros ritos reconhecidos.

A Missa tem, pois, dois grandes momentos de prestação deste culto: a Liturgia da Palavra e a Liturgia eucarística, precedidas por Ritos iniciais e seguidas pelos Ritos de conclusão.

A celebração da missa no rito romano rege-se atualmente pelo Missal Romano promulgado em 1970 pelo Papa Paulo VI, fruto da reforma litúrgica ordenada pelo Concílio Vaticano II, e revisto em 1975 e em 2002, todavia, além da Forma Ordinária do Rito Romano (Novus Ordo Missae), alterada a partir do Concílio Vaticano II que passaria a ser celebrada em língua vernácula e permitiria a concessão de inovações litúrgicas, em 2007, o Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica “Sacramentum Caritatis” relembrou a importância da celebração na língua latina, “a fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja”, sendo ainda estimulada pelo motu proprio “Summorum Pontificum”, editado pelo mesmo pontífice.

Conhecida por Missa Tridentina, instituída pelo Papa São Pio V, a missa celebrada em latim é caracterizada pela posição do celebrante, de frente para o crucifixo e de costas à assembléia e pela comunhão de joelhos. A estrutura da celebração não sofre grandes alterações entre os dois Ritos e ambas continuam a ser celebradas atualmente.

Por hoje é só! Mas, fica aqui a mensagem: a Santa Missa é nosso ato principal de adoração ao Senhor! Nela, nos encontramos como que aos pés da Cruz, naquele mesmo momento do Calvário, onde aconteceu o milagre da nossa redenção.

É na Missa, como há dois milênios, que o Cordeiro de Deus é imolado, em remissão dos nossos pecados! No próximo post trataremos das partes da Santa Missa, dos diversos tipos, bem como dos principais ritos. Fiquem todos com Deus e até a próxima!

In corde Iesu et Mariae semper,
Equipe “Dominus Vobiscum”

Veja Também:: Afinal, o que é a Liturgia? |  A Liturgia na Doutrina da Igreja Católica Apostólica Romana

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