Contra Vigilâncio:: Escritos de São Jerônimo – Capítulo 5

Coloco aqui mais um capítulo dos discursos de São Jerônimo contra Vigilâncio. Neste começaremos a ler o embate entre São Jerônimo e Vigilâncio. São Jerônimo irá nos “armar” de argumentos contra os vigilâncios atuais.

Capítulo V

Louco! Quem neste mundo já adorou os mártires? Quem já pensou que o homem fosse Deus? Acaso Paulo e Barnabé – quando o povo da Licônia pensou que se tratavam de Júpiter e Mercúrio e por isso precisavam oferecer-lhes sacrifícios – não rasgaram suas vestes e se declararam homens (Atos 14,11)? Não que eles não fossem melhores que Júpiter e Mercúrio, mortos muito tempo antes, mas porque, sob as falsas idéias dos gentios, a honra devida a Deus estava sendo prestada a eles. E lemos o mesmo a respeito de Pedro que, quando Cornélio quis adorá-lo, pegou-o pela mão e disse-lhe: “Levanta-te, pois sou apenas um homem” (Atos 10,26) e você (Vigilâncio) tem a audácia de falar de “algo misterioso ou outra coisa qualquer que você carrega em um pequeno embrulho e adora”? Eu gostaria de saber o que é que você chama de “algo misterioso ou outra coisa qualquer”. Diga-nos mais claramente – pois não pode haver moderação na sua blasfêmia – o que você quer dizer com a expressão: “um pouco de pó miserável, envolto em panos caros”. Isso nada mais é do que as relíquias dos mártires, que o deixam irritado ao vê-las cobertas por tecido nobre e não por farrapos ou lenços de cabeça, ou lançadas na esterqueira. Com efeito, apenas Vigilâncio, em seu sono de bêbado, acha que podem ser adoradas. Seríamos nós, portanto, culpados de sacrilégio quando entramos nas basílicas dos Apóstolos? Seria o imperador Constâncio I culpado de sacrilégio quando transferiu as sagradas relíquias de André, Lucas e Timóteo para Constantinopla? Na presença destas [relíquias] os demônios se pertubam e os diabos que habitam em Vigilâncio confessam que sentem a influência dos santos. E nos presentes dias, seria o imperador Arcádio culpado de sacrilégio por, depois de tanto tempo, ter transportado os ossos do bem-aventurado [profeta] Samuel da Judéia para a Trácia? Deveríamos considerar todos os bispos não apenas sacrílegos mas tolos porque eles carregam “coisas mais inúteis” – poeiras e cinzas – envoltas em sedas douradas? Seriam tolos os fiéis de todas as igrejas porque foram se encontrar com as sagradas relíquias e deram boas vindas a elas com tanta alegria como se estivessem recebendo um profeta vivo em seu meio, de forma que um grande número de pessoas as seguiram da Palestina até a Calcedônia em uma só voz recitando as orações de Cristo? Seriam loucos se adorassem a Samuel e não a Cristo, já que Samuel era um mero levita e profeta. Você (Vigilâncio) demonstra desconfiança porque pensa apenas em corpos sem vidas e em razão disso blasfema. Leia o Evangelho (Mateus 22,32): “O Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó: Ele não é Deus dos mortos, mas dos vivos”. Ora, se então eles estão vivos, não são “mantidos em um confinamento honorável”, para usarmos aqui as suas palavras.

( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

Veja Também:: Capítulos 1 | Capítulo 2 | Capítulo 3 | Capítulo 4

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Santo do Dia: São Nicolau de Tolentino

Hoje fazemos memória a São Nicolau de Tolentino, você conhece?

São Nicolau de Tolentino

O santo de hoje nasceu na Itália em 1245 dentro de uma família muito religiosa. Seus pais, não podendo ter filhos e para conseguir do Céu a graça de que lhes chegasse algum herdeiro, fizeram uma peregrinação ao Santuário de São Nicolau de Mira na cidade de Bari. No ano seguinte, nasceu este menino e em agradecimento ao santo que lhes tinha conseguido o presente do Céu, puseram-lhe por nome Nicolau.

Com vinte anos, Nicolau ficou impressionado com a pregação de um monge eremita agostiniano. A partir disso, acolheu o desafio da vida monástica como eremita. Ordenado sacerdote em 1270, foi visitar um convento de sua comunidade e lhe pareceu muito formoso e muito confortável e dispôs pedir que o deixassem ali, mas ao chegar à capela ouviu uma voz que lhe dizia: “A Tolentino, a Tolentino, ali perseverará”. Comunicou esta notícia a seus superiores, e a essa cidade o mandaram.

São Nicolau de Tolentino, rogai por nós!

Ao chegar a Tolentino se deu conta de que a cidade estava arruinada moralmente por uma espécie de guerra civil entre dois partidos políticos, o guelfos e os gibelinos, que se odiavam até a morte. E se propôs dedicar-se a pregar como recomenda São Paulo: “Oportuna e inoportunamente”. E aos que não iam ao templo, pregava-lhes nas ruas.

São Nicolau percorria os bairros mais pobres da cidade consolando aos aflitos, levando os sacramentos aos moribundos, tratando de converter os pecadores, e levando a paz aos lares desunidos. Passava horas e horas no confessionário, absolvendo aos que se arrependiam ao escutar seus sermões.

São Nicolau de Tolentino viu em um sonho que um grande número de almas do Purgatório lhe suplicavam que oferecesse orações e missas por elas. Desde então dedicou-se a oferecer muitas Santas Missas pelo descanso das benditas almas.

Morreu em 10 de setembro de 1305, e quarenta anos depois de sua morte foi encontrado seu corpo incorrupto.

São Nicolau de Tolentino, rogai por nós!

 

“‘effatà –abra-te’, resume em si toda a missão de Cristo” – Afirma Bento XVI

Em sua reflexão prévia ao Ângelus deste domingo, o Papa Bento XVI explicou que assim como quando o Senhor cura um surdo-mudo, também o faz para que todo homem, surdo e mudo interiormente por causa do pecado, seja curado e possa escutar  Deus para anunciá-lo aos demais.

O Papa realizou esta reflexão diante dos milhares de fiéis reunidos em frente ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, referindo-se ao Evangelho de hoje no qual o Senhor cura um surdo-mudo logo depois de olhar ao céu e pronunciar a palavra “Effatà”, que significa “abra-te”.

O Santo Padre disse logo que “aquele surdo-mudo, graças à intervenção de Jesus, ‘abriu-se’; antes estava fechado, isolado, para ele era muito difícil se comunicar; a cura foi para ele uma ‘abertura’ para os outros e ao mundo, uma abertura que, partindo dos órgãos do ouvido e da palavra, envolvia toda sua pessoa e sua vida: finalmente podia comunicar e portanto relacionar-se de maneira nova“.

Mas todos sabemos que o fechar do homem, seu isolamento, não depende apenas dos órgãos sensoriais. Existe uma teimosia interior, que concerne o núcleo profundo da pessoa, aquele que a Bíblia chama o ‘coração’”.

Isto, prossegue o Papa, é o “que Jesus veio ‘abrir’, liberar-nos, para nos tornar capazes de viver em plenitude as relações com Deus e com os demais. Eis porque dizia que esta pequena palavra, ‘effatà –abra-te’, resume em si toda a missão de Cristo“.

Cristo “fez-se homem para que o homem, tocado pelo pecado interiormente surdo e mudo, torne-se capaz de escutar a voz de Deus, a voz do Amor que fala com seu coração, e desta maneira aprenda à sua vez a falar a linguagem do amor, a comunicar com Deus e com os outros“.

Por este motivo, explicou Bento XVI, “a palavra e o gesto do ‘effatà’ foram inseridos no Rito do Batismo, como um dos sinais que nos explicam seu significado: o sacerdote, tocando a boca e as orelhas do neo-batizado diz: ‘Effatá’, orando para que este possa escutar a Palavra de Deus e professar a fé. Mediante o Batismo, a pessoa humana começa, por dizê-lo assim, a ‘respirar’ o Espírito Santo, aquele que Jesus tinha invocado do Pai com aquele suspiro, para curar o surdo-mudo“.

Dirigimo-nos agora em oração a Maria Santíssima, cuja natividade celebramos ontem. Por motivo de sua singular relação com o Verbo encarnado, Maria está plenamente «aberta» ao amor do Senhor, seu coração está constantemente à escuta da sua Palavra“.

Para concluir o Santo Padre fez votos para que “sua maternal intercessão nos obtenha experimentar cada dia, na fé, o milagre do ‘effatà’, para viver em comunhão com Deus e com os irmãos“.

 

Texto original em http://www.acidigital.com