Contra Vigilâncio:: Escritos de São Jerônimo – Capítulo 9

Coloco aqui mais um capítulo dos discursos de São Jerônimo contra Vigilâncio. Neste começaremos a ler o embate entre São Jerônimo e Vigilâncio. São Jerônimo irá nos “armar” de argumentos contra os vigilâncios atuais.

 Capítulo IX

A respeito das vigílias e das freqüentes vezes que passamos a noite nas basílicas dos mártires, darei aqui uma breve resposta, a qual já ofereci em outra carta há cerca de dois anos, quando escrevi para o respeitável presbítero Ripário. Você (Vigilâncio) afirma que elas não deveriam ser observadas, exceto quando estamos próximos da Páscoa, pois não seguem as vigílias anuais de costume. Se assim fosse, então os sacrifícios [da Missa] não deveriam ser oferecidos a Cristo a cada dia do Senhor (=domingo), exceto quando celebrássemos a Páscoa da Ressurrreição do Senhor, tendo sido introduzido o costume de haver muitas Páscoas ao invés de uma. Seja como for, não devemos imputar a homens piedosos as faltas e erros de jovens e mulheres inúteis que muitas vezes são encontrados por aí durante a noite. É verdade que, mesmo nas vigílias da Páscoa, alguns desses se aproximam da Luz; mas as falhas de alguns não constituem em argumento válido contra a religião em geral, de modo que tais pessoas, ainda que não participem da vigília, podem estar erradas inclusive em suas próprias casas ou na de outras pessoas. A traição de Judas não anula a lealdade dos Apóstolos. E se alguns se comportam mal durante a vigília, isso não implica que esta deva deixar de existir. Aliás, melhor seria que [esses] dormissem mesmo para que, não sendo obrigados a participar das vigílias, pudessem ao menos preservar a sua castidade. Ora, se uma coisa foi feita boa, ela não pode ser má se for feita muitas vezes. E se existe aí alguma falta a ser combatida, a censura não consiste em ser feita várias vezes, mas por ter sido feita uma única vez. Portanto, nós [também] não deveríamos realizar a vigília da Páscoa, pois poderíamos temer que adúlteros pudessem aproveitar para satisfazer seus desejos [sexuais] duramente reprimidos, ou que certa esposa pudesse encontrar a oportunidade certa para pecar sem que suscitasse desconfiança contra ela da parte de seu marido. [Na verdade,] as ocasiões em que raramente se recorre são justamente aquelas em que surgem os maiores desejos.

( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

Veja Também:: Capítulos 1 | Capítulo 2 | Capítulo 3 | Capítulo 4 | Capítulo 5 | Capítulo 6 | Capítulo 7 | Capítulo 8

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8 comentários sobre “Contra Vigilâncio:: Escritos de São Jerônimo – Capítulo 9

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