Vida de Hilarião:: Escritos de São Jerônimo – Prólogo

Olá Amigos! Pax et Bonum!

Hoje iremos começar uma nova leitura, ainda acerca de São Jerônimo. São Jerônimo em algumas de suas cartas publicadas vai relatar a vida de Hilarião. Mas, antes de publicar o relato de São Jerônimo sobre Hilarião, temos que saber quem foi esta pessoa.

Nos primeiros séculos da história cristã, não havia conventos na Palestina, até a chegada de Hilarião. Filho de pagãos, nasceu no ano 291, em Tebata, na Palestina. Na idade adequada, foi enviado para estudar na Alexandria, no Egito. Lá, teve influência de Áquila, fez muitos contatos com cristãos, estudou a religião e converteu-se ao cristianismo. 

Tornou-se um verdadeiro cristão. Vivia em oração e nas mais duras penitências, desejando purificar-se para alcançar a santidade. Decepcionado com a futilidade de vida urbana de Alexandria, foi para o deserto de Tebaida, onde se juntou à comunidade do monge Antão, famoso pela extraordinária experiência de vida santa no deserto. Com ele aprendeu a base da vida eremítica: orações contemplativas, duras mortificações e severas penitências, para comungar com Deus, purificar-se e, assim, alcançar a santidade.

Aos poucos, contudo, foi se cansando com a grande movimentação de pessoas que buscavam os conselhos e orientação de santo Antão. Até que decidiu abandonar a comunidade e ir para sua terra natal. Lá, em seguida, com muita tristeza no coração, assistiu à morte dos seus pais. Dividiu sua parte da herança com os irmãos e os pobres e entregou-se nas mãos da Divina Providência, retirando-se para o deserto de Maiuma, não muito distante. Sua permanência mudou o panorama da Igreja na Palestina.

As penitências de Hilarião e sua extrema fé no Senhor começaram a operar prodígios. Curou muitos doentes com uma simples oração e o sinal da cruz. Converteu milhares de pessoas através de seus sermões. Mas para seu desgosto viu sua fama ganhar o mundo. De repente, deu-se conta de que à sua volta estavam cerca de três mil pessoas ansiosas em seguir seu modo radical de vida dedicada a Deus. Não teve alternativa senão construir vários mosteiros para abrigar todos esses discípulos. Por esse motivo é considerado padroeiro dos monges locais.

Novamente, a grande movimentação de pessoas, agora à sua procura, o fez buscar a solidão, vital para Hilarião, que por ela entrava em comunhão com Deus. Voltou para o Egito. Mas a fama de santidade nunca mais o abandonou. Era o abade que atraía leigos e religiosos, pobres e ricos, onde quer que estivesse, e que procurava o local ideal para viver sua espiritualidade. Então, foi para o Ocidente, na Sicília. De lá partiu para a Dalmácia e depois para Chipre, onde se encontrou com outro importante monge e padre do deserto, santo Epifânio.

Assim, Hilarião, após as longas jornadas, esquivando-se da fama, encontrou a paz e a solidão quando passou a habitar uma gruta da pequena ilha de Pafo, Chipre. Já idoso, lá viveu a plenitude de sua vida de religioso.

Morreu aos oitenta anos, em 372. O seu corpo, entregue ao discípulo Eusébio, foi trasladado para o Mosteiro de Maiuma. São Jerônimo narrou a historia de sua vida. Santo Hilarião é festejado no dia 21 de outubro tanto na Igreja ocidental como na oriental.

A contextualização acima é contemporânea a nós. É a história do Santo. Mas se fez necessário para que nós possamos vislumbrar como São Jerônimo o descreve em suas cartas. Boa leitura!

PRÓLOGO

Ao dispor-me a escrever a vida de Santo Hilarião, invoco o Espírito Santo que habitou nele para que, assim como lhe concedeu o poder de realizar milagres, conceda a mim palavras para relatá-los, de modo que expressem adequadamente os fatos. Porque, como afirma Crispo, a virtude daqueles que realizaram obras é apreciada à medida que os grandes talentos os elogiam com palavras apropriadas.

Alexandre Magno da Macedônia, a quem Daniel chamou trombeta, leopardo e cabra macho, quando chegou perante o túmulo de Aquiles, exclamou: “Feliz de ti, jovem, que tiveste a felicidade de encontrar um grande divulgador das tuas façanhas”. Se referia, naturalmente, a Homero.

Devo narrar a vida e as virtudes de um homem de forma que, se Homero vivesse hoje, invejaria o meu tema e sucumbiria ante sua magnitude.

Santo Epifânio, bispo de Salamina, no Chipre, que viveu muito tempo com Hilarião, escreveu suas façanhas em uma breve carta que é lida pelo povo; porém, uma coisa é aludir de modo geral a um morto e outra narrar os milagres operados pessoalmente por ele. Por isso, também nós, que empreendemos a obra iniciada por Epifânio – mais para honrá-lo que para ofendê-lo – não levamos em conta as palavras dos maledicentes que, em outro tempo, criticaram a minha “Vida de Paulo” e que, talvez, criticarão também a de Hilarião, pois reprovarão a vida solitária que afasta do mundo, de forma que, quem sempre permaneceu oculto foi considerado como inexistente e quem foi visto por todos [foi considerado] como insignificante. Isto mesmo seus predecessores fizeram em outro tempo, os fariseus, a quem não agradou nem o deserto, nem os jejuns de João, nem tampouco as multidões que acompanhavam o Senhor, nosso Salvador, nem o modo como comia e bebia.

Por isso, coloco mãos à obra que me propus a fazer e seguirei adiante fazendo ouvidos surdos aos inimigos da cela.

(Postagem: Paulo Praxedes – Equipe do Blog Dominus Vobiscum / Tradução: Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

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Santo do Dia: Santo Antônio Maria Claret

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

Olá, tudo bem?

Hoje celebramos a memória de Antônio Maria Claret, que foi um sacerdote católico espanhol, arcebispo de Cuba, fundador dos ordem dos padres Claretianos, também conhecida como Congregação dos Filhos do Imaculado Coração de Maria (Cordis Mariae Filius -C.M.F.-) em 16 de julho de 1849.

Nasceu em 1807, em Allent, província de Barcelona e diocese de Vich. Ao ser batizado recebeu o nome de Antônio João, ao qual ele veio depois acrescentar o de Maria como sinal de sua especial devoção à Santíssima Virgem: “Nossa Senhora é minha Mãe, minha Madrinha, minha Mestra, meu tudo, depois de Cristo”. 

Filho de um modesto tecelão, aos 22 anos ingressou no seminário de Vich, confundido nas aulas de latim com os pequenos de 10 a 12 anos. Trazia no coração a luz do ideal eterno que tinha haurido naquela frase do Evangelho que abriu também horizontes infinitos de luz e entusiasmo a S. Francisco Xavier: “que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder a sua alma?”. Aos 28, foi ordenado sacerdote, dedicando-se de corpo e alma ao serviço ministerial na cidade natal. O seu ideal, entretanto, ultrapassava os limites de sua paróquia. Desejava um apostolado mais amplo. Pensou, então, em se colocar à disposição da Propaganda Fidei. Não era o que sonhava para si. Procurou, pois, ingressar na Companhia de Jesus, o que também não deu certo. Retornou à terra natal como vigário. Logo depois abandonou tudo para se tornar missionário apostólico. Percorreu todas as povoações da Catalunha e das Ilhas Canárias.

Procurou concretizar o seu grande sonho apostólico: fundar uma congregação que se dedicasse ao apostolado das missões, e à evangelização dos povos. Com alguns companheiros sacerdotes, fundou a Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria, popularmente conhecidos como Padres Claretianos. Mais tarde fundou também o Instituto das Irmãs de Ensino de Maria Imaculada. Em 1850 foi nomeado bispo de Santiago de Cuba, onde desenvolveu um apostolado frutuoso. Em 1857 retornou à Espanha, onde exerceu várias responsabilidades eclesiásticas, zelando pela instrução, pelas artes, pelas ciências, fundando bibliotecas. Foi também fecundo escritor, deixando cerca de oitenta obras. Pio XI considerava-o o “precursor da Acção Católica” dos tempos modernos. Com Isabel II esteve também em Lisboa, em Dezembro de 1866. Depois de pregar em várias igrejas da capital, foi agraciado por D. Luís com a Cruz da Real Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Morreu em Fontfroide, França, em 1870. Foi beatificado em 1934 por Pio XI e canonizado por Pio XII em 1950.

Pelo seu amor ao Imaculado Coração de Maria e pelo seu apostolado do Rosário, tem uma estátua de mármore no interior da Basílica de Fátima.

Santo Antônio Maria Claret, rogai por nós!

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Série Espiritualidade: “Que a alma deve se preparar com grande diligência para a Sagrada Comunhão”

Do livro “A Imitação de Cristo”

Voz do Amado: Sou amigo da pureza e dispensador de toda santidade. Busco um coração puro, e este é o lugar do meu repouso. Prepara-me um cenáculo grande e bem ornado, e nele celebrarei a Páscoa com meus discípulos (Lc 22,12; Mt 26,18). Se queres que eu venha a ti e fique contigo, lança fora o velho fermento e limpa a morada do teu coração.

Desterra dele o mundo todo e o tumulto dos vícios; assenta-te, qual passarinho solitário, no telhado, e relembra teus pecados na amargura de tua alma (Sl 101,8). Porque todo amante prepara para o seu amado o melhor e mais belo aposento, porque nisto se conhece o amor de quem acolhe o amado.

Sabe, porém, que não podes chegar a uma digna preparação com aquilo que fazes, ainda que empregasses nela um ano inteiro, sem cuidar em mais nada. Mas só por minha bondade e graça te é permitido chegar à minha mesa, como se um mendigo fora convidado à mesa de um rico e não tivera outra coisa com que pagar os benefícios recebidos, senão humilde agradecimento. Faze o que podes, e faze-o com diligência; não por costume ou por necessidade, mas por temor, respeito e amor, recebe o corpo do teu amado Senhor e Deus, que se digna de te visitar. Sou eu quem te chamou e mandou que assim se fizesse; eu suprirei o que te falta; vem receber-me.

Quando te concedo a graça da devoção, dá graças a teu Deus, não que sejas digno, mas porque tive pena de ti. Se não tens devoção, mas te sentes muito seco, persevera na oração, suspira, bate à porta e não cesses até que mereças receber uma migalha ou uma gota de minha graça salutar. Tu necessitas de mim, e não eu de ti. Não vens tu me santificar, mas sou eu quem te venho santificar e fazer melhor. Tu vens para que, santificado por mim e a mim unido, recebas nova graça e de novo te afervores para a emenda. “Não desprezes esta graça” (1Tim 4,14); mas dispõe com toda diligência teu coração e recebe nele o teu Amado.

Importa, porém, que não só te prepares para a devoção antes da comunhão, mas também que a conserves cuidadosamente depois da recepção do Sacramento. Não é menor a vigilância que se exige depois da comunhão, do que a fervorosa preparação antes de recebê-la. Pois essa boa vigilância posterior é novamente a melhor preparação para alcançar maior graça; ao contrário, muito indisposto se torna quem logo depois se dissipa com recreações exteriores.

Guarda-te de falar muito, retira-te na solidão e goza do teu Deus; pois possuis aquele que o mundo todo te não pode roubar. A mim te deves entregar inteiramente, de sorte que já não vivas em ti, mas em mim, sem mais cuidado algum.

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A língua usada na Liturgia

Saudações, povo de Deus!

Estamos de volta com mais um post da série “Liturgia”! E hoje vamos falar um pouquinho da língua utilizada na Liturgia.

Entre as principais críticas de alguns estudiosos, teólogos, e até mesmo de parte do clero, quanto à reforma litúrgica empreendida pelo Concílio Vaticano II, a que mais reverbera diz respeito à suposta abolição do latim no rito romano em sua forma ordinária.

Todavia, tal crítica não prospera, pois, mesmo que não estejamos acostumados a participar da Santa Missa celebrada em latim, esta não foi a indicação dada pelo Concílio Vaticano II.

Basta atentar para os n. 36 e 54 da Constituição Sacrosanctum Concilium, os quais afirmam:

36. § 1. Deve conservar-se o uso do latim nos ritos latinos, salvo o direito particular.

§ 2. Dado, porém, que não raramente o uso da língua vulgar pode revestir-se de grande utilidade para o povo, quer na administração dos sacramentos, quer em outras partes da Liturgia, poderá conceder-se à língua vernácula lugar mais amplo, especialmente nas leituras e admonições, em algumas orações e cantos, segundo as normas estabelecidas para cada caso nos capítulos seguintes.

§ 3. Observando estas normas, pertence à competente autoridade eclesiástica territorial, a que se refere o artigo 22 § 2, consultados, se for o caso, os Bispos das regiões limítrofes da mesma língua, decidir acerca do uso e extensão da língua vernácula. Tais decisões deverão ser aprovadas ou confirmadas pela Sé Apostólica.

§ 4. A tradução do texto latino em língua vulgar para uso na Liturgia, deve ser aprovada pela autoridade eclesiástica territorial competente, acima mencionada.

54. A língua vernácula pode dar-se, nas missas celebradas com o povo, um lugar conveniente, sobretudo nas leituras e na “oração comum” e, segundo as diversas circunstâncias dos lugares, nas partes que pertencem ao povo, conforme o estabelecido no art. 36 desta Constituição.

Tomem-se providências para que os fiéis possam rezar ou cantar, mesmo em latim, as partes do Ordinário da missa que lhes competem.

Se algures parecer oportuno um uso mais amplo do vernáculo na missa, observe-se o que fica determinado no art. 40 desta Constituição.

Ressalte-se que o Concílio Vaticano II nunca quis diminuir o uso do latim, muito menos aboli-lo. O que se fez foi permitir o uso do vernáculo, levando o povo a celebrar a Liturgia de maneira mais consciente.

Basta observar as Missas presididas pelo Santo Padre, assim como o Angelus. São celebrações marcadas pelo uso do latim, visto que, tal língua (latim), ainda continua sendo a língua oficial da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, no rito romano, mesmo após a reforma do Concílio Vaticano II.

Assim, podemos concluir que no rito romano podemos ter a Santa Missa:

– em latim e Versus Deum (Missa Tridentina);

– em latim, com algumas partes em vernáculo, e Versus Deum;

– em vernáculo e Versus Deum;

– em latim, com algumas partes em vernáculo, e Versus populum (costuma ser celebrada em Mosteiros);

– em vernáculo e Versus populum (é a forma de Missa mais comum).

Pode-se, então, celebrar o rito romano moderno, pós-conciliar, em vernáculo (em uma ou mesmo em várias línguas distintas na mesma Missa, como acontece nas celebrações internacionais, um trecho em cada idioma), ou em latim.

O que importa, pois, é ir à Missa, pelo menos aos Domingos, confessar os pecados, e comungar. Sempre.

Se o rito for devidamente seguido, e o for em uma Igreja que, conforme o disposto no post anterior, guarde relações dogmáticas, teológicas e hierárquicas com a Sé de Pedro, o culto a Deus terá, sempre, a mesma validade e eficácia, pois a Cabeça (Jesus Cristo) está unido ao Corpo (Povo de Deus).

Por hoje é só! No próximo post vamos falar mais um pouco da Santa Missa e do Tempo Litúrgico!

Fiquem todos com Deus.

Um grande abraço,

Alex C. Vasconcelos – Equipe Dominus Vobiscum

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