Dica de livro: A Fé Cristã Primitiva – Edição Master

cover_front_bigSe você tem uma grana disponível, gosta de estudar a doutrina católica, e desejar dar a si mesmo um excelente presente de fim de ano, deixo aqui a dica: A Fé Cristã Primitiva (Edição Master) do amigo Carlos Martins Nabeto.

Para quem não conhece, Carlos Nabeto é um dos pioneiros quando se fala de evangelização pela internet. Pelos idos dos anos 90, ele criou o site Agnus Dei, onde explicava a fé católica para os poucos navegantes da web. Com o tempo, ele se uniu a outros católicos e criou o site Veritatis Splendor que é referência para os católicos até hoje. Além disso, ele fez outros dois trabalhos que considero de altíssima relevância: Trouxe para internet (também junto com outros amigos) o conteúdo da revista Pergunte e Responderemos de Dom Estevão Bittencourt e criou o site Central de Obras do Cristianismo Primitivo, onde traduziu centenas de documentos da Igreja Primitiva para o português.

Neste livro o autor reúne em 700 páginas (é uma verdadeira enciclopédia), frases de grandes cristãos da Igreja Primitiva, sobre os assuntos polêmicos da nossa fé como: Maria, os Santos, as Sagradas Escrituras, a Santíssima Trindade, a Igreja, o Clero, os Sacramentos e muitos outros temas importantes para a nossa fé.

A ideia é mostrar para os católicos que a Igreja Católica Apostólica Romana permaneceu desde sempre fiel aos ensinamentos da fé católica. Ela sim é a verdadeira e única igreja! Eu tive a honra de fazer a capa deste livro e espero que vocês também gostem!

O livro está disponível apenas pela internet nos sites Clube de Autores e Agbook.

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Vida de Santo Agostinho de Hipona :: Contra os Acadêmicos – Livro I [Primeira Discussão]

Santo Agostinho de Hipona (4)Pax et Bonum! Amigos, que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês!

Dando continuidade aos estudos do livro “Contra os Acadêmicos“, iremos hoje ler o relato da primeira discussão entre Agostinho e seus amigos.

A temática desta discussão, resumidamente, é Felicidade x Verdade. Agostinho incita em seus amigos o quão paradoxal pode ser, dependendo das suas convicções e poder de defesa filosófica. Mas, sem perder as rédeas, Agostinho os conduzem no verdadeiro caminho. Ao longo destas discussões, iremos descobrir o real desejo de Agostinho. Boa leitura!

O problema: pode-se viver de modo feliz somente procurando a verdade, sem encontrá-la?

– Ao meu convite estávamos todos reunidos num lugar apropriado. Assim que pareceu oportuno, comecei:

– Duvidais de que devemos conhecer a verdade?

– De maneira alguma, disse Trigécio.

Outros deram sinal de que concordavam com ele.

– Mas se, continuei, mesmo sem a posse da verdade podemos ser felizes, ainda julgais necessário conhecer a verdade?

Aqui interveio Alípio:

– Nesta questão julgo que para mim é mais seguro o papel de juiz. Como tenho que ir à cidade, preciso ser desobrigado de função de tomar partido. Além disso, posso facilmente delegar a outro minha função de juiz que a de advogado de uma das partes. Portanto, não espereis de mim nada em favor de qualquer um dos dois lados.

Todos acederam ao seu pedido, e depois que eu repeti minha pergunta, disse a Trigécio:

– Certamente queremos ser felizes e se pudermos sê-lo sem a verdade, não precisamos procurá-la.

– Será mesmo? Disse eu. Julgais que podemos ser felizes mesmo sem ter encontrado a verdade?

– Sim, respondeu Licêncio, desde que busquemos a verdade.

Por um gesto pedi a opinião dos outros. Interveio Navígio:

– Impressionou-me o que disse Licêncio. Talvez viver  feliz consiste em viver em busca da verdade.

Disse Trigécio: – Define, então, o que é vida feliz, para que eu possa concluir o que responder.

Disse eu: – Pensas que viver feliz é outra coisa que viver conforme o que há de melhor no homem?

Replicou Trigécio: – Não falarei levianamente. Acho que deves definir o que é esse melhor.

– Quem duvida, disse eu, de que haja outra coisa melhor no homem do que aquela parte da alma à qual deve obedecer todo o resto do homem? Para que não peças nova definição, acrescento que esta parte da alma pode ser chamada de mente ou razão. Se discordas, vê como podes tu mesmo definir a vida feliz ou o que é o melhor no homem.

– Concordo com tua definição, disse Trigécio.

– Bem, tornei eu, voltando à nossa questão, parece-te que se pode viver feliz sem ter encontrado a verdade, mas como a condição de procurá-la?

Replicou Trigécio: – Mantenho a minha opinião: de maneira alguma.

– E vós, o que pensais? Indaguei.

Licêncio: – A mim me parece que sim, pois os nossos antepassados, que a tradição apresenta como sábios e felizes, viveram bem e felizes só porque procuravam a verdade.

– Agradeço a vós, respondi, por me terdes feito juiz junto com Alípio, a quem confesso, já começava a invejar. Pois um de vós acha que a vida feliz pode ser alcançada apenas pela procura da verdade, enquanto o outro sustenta que só a posse da verdade conduz à vida feliz. Navígio há pouco deu mostras de inclinar-se para a tua opinião, Licêncio. Estou muito curioso para ver como defendereis  vossas opiniões, pois a questão é de grande importância e digna de uma discussão séria.

– Se a questão é importante, exige grandes homens, advertiu Licêncio.

– Não procureis, repliquei eu, especialmente aqui nesta casa de campo, o que é difícil encontrar em qualquer parte do mundo. Explica, antes, o que dissestes, não sem reflexão, imagino, e a razão em que te apoias, pois é dedicando-se aos grandes problemas que os pequenos se engrandecem.

(Postagem: Paulo Praxedes – Equipe do Blog Dominus Vobiscum – Referências: Veritatis  Suma Teológica  Ordem de Santo Agostinho  Patrística vol.24)

Veja Também:: Vida de São Agostinho | Livro I – Prólogo | Livro I – Gênese

Até o próximo post! E divulguem/compartilhem este estudo com seus amigos para que juntos possamos aprender com os doutores da nossa Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana!

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Série Espiritualidade: “Que a graça da devoção se alcança pela humildade e abnegação de si mesmo”

jesus-cristo-flageladoDo livro “A Imitação de Cristo”

Voz do Amado: Com perseverança deves buscar a graça da devoção, pedi-la com instância, esperá-la com paciência e confiança, recebê-la com agradecimento, guardá-la com humildade, com diligência aproveitá-la, cometendo a Deus o tempo e o modo da celestial visita, até que se digne visitar-te. Deves principalmente humilhar-te quando pouca ou nenhuma devoção sentes em teu interior, sem, todavia, ficar abatido ou entristecer-te demasiadamente. Muitas vezes dá Deus num momento o que negou por largo tempo, e às vezes concede no fim da oração o que no princípio diferiu.

Se a graça fora sempre prontamente outorgada e oferecida à vontade, tanto não podia suportar o homem fraco. Por isso a deves esperar com firme confiança e humilde paciência. Mas atribui a culpa a ti e aos teus pecados, quando te for negada ou ocultamente retirada. Às vezes é bem pouco o que impede ou oculta a graça, se é que se pode chamar pouco e não muito, o que priva de tão grande bem. E se removeres este pequeno ou grande impedimento, e se te venceres perfeitamente, terás o que pediste.

Porque logo que de todo o teu coração te entregares a Deus e não buscares coisa alguma a teu gosto e desejo, mas inteiramente te puseres em suas mãos, achar-te-ás unido a ele e sossegado, e nada te será tão delicioso e agradável como o beneplácito da divina vontade. Todo aquele, pois, que com coração singelo dirige a sua intenção a Deus e se desprende de todo amor ou aversão desordenada a qualquer coisa criada, está bem disposto para receber a graça e digno de alcançar a devoção, porque o Senhor dá a sua bênção onde encontra o coração vazio. E quanto mais perfeitamente alguém renuncia às coisas terrenas e morre a si pelo desprezo de si mesmo, tanto mais depressa lhe advém a graça, mais copiosamente se lhe infunde e mais alto lhe ergue o coração livre.

Então verá, terá alegria abundante e estará maravilhoso; o coração se lhe dilatará, porque a mão do Senhor está com ele (Is 60,5), e em suas mãos ele inteiramente se entregou para sempre. Eis como será abençoado o homem que busca a Deus de todo o seu coração, e não deixa sua alma se apegar às vaidades (Sl 23,5). Esse é que na recepção da sagrada Eucaristia merece a graça inefável da união com Deus, porque não olha para a sua devoção e consolação, mas, sobretudo busca a honra e glória de Deus.

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