O homem, Deus e a Religião agora em formato Ebook

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Pax Domini

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Vida de Santo Agostinho de Hipona :: Contra os Acadêmicos – Livro I [Conclusão]

Santo Agostinho de Hipona (4)Pax et Bonum! Amigos, que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês! Dando continuidade aos estudos do livro “Contra os Acadêmicos“, iremos hoje compreender o princípio do estudo proposto por São Agostinho aos seus Amigos. Providencialmente, iremos começar a ler o texto com os últimos parágrafos da terceira discussão para que tenhamos, em mente, o contexto da conclusão.

Contra-réplica de Licêncio : a sabedoria como ciência em Deus e como procura nos homens

Retrucou Trigécio: – A definição será defendida por quem a deu, se quiser. Mas para voltarmos finalmente ao nosso tema, responde-me.

Licêncio: – Estou às tuas ordens.

Concedes que Albicério conhecia a verdade?

Licêncio: – Concedo.

Trigécio: – Então era melhor que o teu sábio?

Licêncio: – De maneira alguma, porque o gênero de verdade que o sábio busca é inacessível não só a esse adivinho tresloucado, mas até ao próprio sábio enquanto vive neste corpo. Contudo, este é tão importante que vale muito mais procurá-lo sempre que alguma vez encontrar aquele.

Trigécio: – É necessário que aquela definição (de Agostinho) me tire das dificuldades em que me enredei. Ela te pareceu defeituosa por abranger alguém que não podemos chamar de sábio. Pergunto-te se concordas se dissermos que a sabedoria é a ciência das coisas humanas e divinas, mas daquelas que pertencem à vida feliz?

Licêncio: – Certamente a sabedoria é isso, mas não só. A definição anterior inclui elementos alheios, enquanto a última excluiu elementos próprios. Portanto, a primeira peca por excesso e a segunda por defeito. Para esclarecer por uma definição o meu pensamento, parece-me que a sabedoria é não só ciência, mas também a diligente busca das coisas humanas e divinas referentes à vida feliz. Se quiseres dividir esta definição, a primeira parte, que se refere à ciência, convém a Deus, a segunda, que se contenta com a busca, é própria do homem. Por aquela é feliz Deus, por esta o homem.

Objetou Trigécio: – Espanta-me a tua afirmação de que o teu sábio trabalha em vão.

Replicou Licêncio: – Como trabalha em vão, se é tão bem recompensado pela sua busca? Pois, pelo fato de buscar, é sábio, e pelo fato de ser sábio, é feliz. Liberta tanto quanto pode o seu espírito dos laços do corpo e se recolhe em si mesmo; não se deixa dilacerar pelas paixões, mas, sempre tranquilo, concentra-se em si mesmo e em Deus, para que já aqui goze pela razão o que acima concordamos ser a felicidade e, no último dia da sua vida, esteja preparado para alcançar o que desejou e merecidamente goze da divina felicidade, depois de ter antes gozado a felicidade humana.

Conclusão de Agostinho

Vendo que Trigécio tardava a responder, intervim: 

– Não creio, Licêncio, que faltassem argumentos a Trigécio, se lhe déssemos tempo de pensar. O que deixou de responder em qualquer ponto? Ao ser levantada a questão da vida feliz, ele primeiro sustentou que necessariamente só o sábio é feliz, pois até no juízo dos néscios a ignorância é uma infelicidade; que o sábio deve ser perfeito, mas aquele que ainda procura a verdade não é perfeito, e portanto também não pode ser feliz. Neste ponto lhe opuseste o peso da autoridade e ele ficou um tanto perturbado pelo nome de Cícero. Mas logo se refez e com uma generosa altivez retomou o cume da liberdade, apoderando-se novamente do que por força lhe fora arrebatado das mãos.  Perguntou-te, se,  na tua opinião, quem ainda procura é perfeito. Se respondesses que não, Trigécio voltaria ao ponto de partida e demonstraria, se possível, que, por essa definição, é perfeito o homem que governa a sua vida pela lei da razão e consequentemente só pode ser feliz, o homem perfeito. Dessa armadilha te livraste mais brilhantemente do que eu esperava, dizendo que homem perfeito é aquele que com toda a diligência busca a verdade, combatendo um tanto presunçosa e ousadamente a nossa definição segundo a qual disséramos que a vida feliz é, afinal de contas, aquela que se rege pela razão. Trigécio respondeu-te claramente, apoderou-se da tua posição e, expulso de lá terias perdido tudo, não fosse uma trégua que te restituiu as forças. Pois onde os Acadêmicos, cuja opinião defendes, estabeleceram sua cidadela, senão na definição do erro? Se essa definição não tivesse ocorrido por acaso à tua memória em sonho durante a noite, não terias tido o que responder, se bem que expondo a opinião de Cícero tu mesmo já a tivesses lembrado antes. Depois viemos à definição da sabedoria, que com tamanha astúcia tentaste abalar que talvez nem o teu auxiliar Albicério teria percebido as tuas ciladas. Com quanta vigilância, com quanta energia te resistiu Trigécio e quase te teria envolvido e derrubado, se no último momento não tivesses encontrado refúgio em tua nova definição, dizendo que a sabedoria humana é a busca da verdade, da qual nasce, com a tranquilidade da alma, a felicidade da vida. Trigécio não responderá a este argumento, sobretudo se pedir que se lhe prorrogue o dia ou o resto da discussão.

Mas, para não nos alongarmos demasiado, se todos concordarem, podemos encerrar aqui a discussão, que julgo inútil continuar. A questão foi tratada suficientemente para o fim que nos propusemos. Poderia ter sido concluída em poucas palavras, se eu não tivesse desejado exercitar-vos e pôr à prova vossos esforços e dedicações ao estudo, que é minha grande preocupação. Pois tendo decidido exortar-vos vivamente à busca da verdade, comecei perguntando-vos sobre a importância que lhe atribuis. Todos mostrastes tanto interesse que eu não poderia desejar mais. Pois desejamos a felicidade. Quer esta consista em encontrar a verdade, quer em buscá-la diligentemente, devemos em todo caso, se quisermos ser felizes, fazer passar antes de tudo a busca da verdade. Por isso, como já disse, terminemos a discussão e, após redigi-la por escrito, enviemo-la em primeiro lugar a teu pai, Licêncio, cuja inclinação para a filosofia conheço bem. Mas ainda procuro a ocasião apropriada para introduzi-lo nela. No entanto, poderá inflamar-se com mais entusiasmo por estes estudos, quando souber não só por ouvir dizer, mas pela leitura destes debates, que tipo de vida levas comigo. Mas, se, como acredito, gostas dos Acadêmicos, prepara-te solidamente para defendê-los, pois decidi citá-los como réus no tribunal.

Dito isso, levantamo-nos.

(Postagem: Paulo Praxedes – Equipe do Blog Dominus Vobiscum – Referências: Veritatis  Suma Teológica  Ordem de Santo Agostinho  Patrística vol.24)

Veja Também:: Vida de São Agostinho | Livro I – Prólogo | Livro I – Gênese Livro I – Primeira Discussão | Livro I – Procura da Verdade e Perfeição do Homem | Livro I – Primeira Definição do Erro | Livro I – Segunda Discussão | Livro I – Terceira Discussão

Até o próximo post! E divulguem/compartilhem este estudo com seus amigos para que juntos possamos aprender com os doutores da nossa Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana!

A ação do Espírito Santo na história da salvação

esp santo

O Espírito Santo ao longo da história do povo de Deus se manifestou de formas diversas para preparar o homem para a vinda do messias. De todas as ações do Espírito Santo, o Catecismo da Igreja Católica nos apresenta quatro em especial:

A ação do Espírito Santo sobre os profetas:

Com o termo profetas entendem-se todos os homens os que foram inspirados pelo Espírito Santo para falar em nome de Deus. O Espírito ao longo da história foi conduzindo o povo de Deus mediante as profecias do Antigo Testamento até o seu pleno cumprimento, ou seja, até a vinda do Cristo, de quem revela o mistério no Novo Testamento.

A ação do Espírito Santo sobre João Batista:

Sabemos que João Batista, foi o último profeta do Antigo Testamento. Ele era cheio do Espírito Santo, e este o enviou com uma missão especial: Preparar para o Senhor um povo bem disposto (Lc 1,17) e a anunciar a vinda de Cristo, Filho de Deus: Aquele sobre o qual João viu o Espírito descer e permanecer, Aquele que batiza no Espírito (Jo 1,33).

A ação do Espírito Santo sobre a Virgem Maria:

Em Maria, o Espírito Santo realiza as expectativas e a preparação do Antigo Testamento para a vinda de Cristo. De forma única enche-a de graça e torna fecunda a sua virgindade para dar à luz o Filho de Deus encarnado. Faz dela a Mãe do Cristo total, isto é, de Jesus Cabeça e da Igreja que é o seu corpo. Maria está com os Doze no dia de Pentecostes, quando o Espírito inaugura os últimos tempos com a manifestação da Igreja.

A relação do Espírito Santo e Jesus em sua missão terrena:

É importante salientar que o Filho de Deus é consagrado Messias através da unção do Espírito na sua humanidade desde a Encarnação. Ele revela-O no seu ensino, cumprindo a promessa feita aos antepassados e comunica-O à Igreja nascente, soprando sobre os Apóstolos depois da Ressurreição.

No próximo post, iremos conversar sobre o grande momento da Igreja nascente: Pentecostes!

Série Espiritualidade: “Regra de São Bento”

stbenedictCapítulo 2 – Como deve ser o Abade

1. O Abade digno de presidir ao mosteiro deve lembrar-se sempre daquilo que é chamado, e corresponder pelas ações ao nome de superior. 2. Com efeito, crê-se que, no mosteiro ele faz as vezes do Cristo, pois é chamado pelo mesmo cognome que Este, 3. no dizer do Apóstolo: “Recebestes o espírito de adoção de filhos, no qual clamamos: ABBA, Pai.” 4. Por isso o Abade nada deve ensinar, determinar ou ordenar, que seja contrário ao preceito do Senhor, 5. mas que a sua ordem e ensinamento, como o fermento da divina justiça se espalhe na mente dos discípulos; 6. lembre-se sempre o abade de que da sua doutrina e da obediência dos discípulos, de ambas essas coisas, será feita apreciação no tremendo juízo de Deus.

7. E saiba o Abade que é atribuído à culpa do pastor tudo aquilo que o Pai de família puder encontrar de menos no progresso das ovelhas. 8. Em compensação, de outra maneira será, se a um rebanho irrequieto e desobediente tiver sido dispensada toda diligência do pastor e oferecido todo o empenho na cura de seu atos malsãos; 9. absolvido então o pastor no juízo do Senhor, diga ao mesmo com o Profeta: “Não escondi vossa justiça em meu coração, manifestei vossa verdade e a vossa salvação; eles, porém, com desdém desprezaram-me”. 10. E então, finalmente, que prevaleça a própria morte como pena para as ovelhas que desobedeceram aos seus cuidados.

11. Portanto, quando alguém recebe o nome de Abade, deve presidir a seus discípulos usando de uma dupla doutrina, 12. isto é, apresente as coisas boas e santas, mais pelas ações do que pelas palavras, de modo que aos discípulos capazes de entendê-las proponha os mandamentos do Senhor por meio de palavras, e aos duros de coração e aos mais simples mostre os preceitos divinos pelas próprias ações. 13. Assim, tudo quanto ensinar aos discípulos como sendo nocivo, indique pela sua maneira de agir que não se deve praticar, a fim de que. pregando aos outros, não se torne ele próprio réprobo, 14. e Deus não lhe diga um dia como a um pecador: “Por que narras as minhas leis e anuncias o meu testamento pela tua boca? tu que odiaste a disciplina e atiraste para trás de ti as minhas palavras”, 15. e ainda: “Vias o argueiro no olho de teu irmão e não viste a trave no teu próprio”.

16. Que não seja feita por ele distinção de pessoas no mosteiro. 17. Que um não seja mais amado que outro, a não ser aquele que for reconhecido melhor nas boas ações ou na obediência. 18.Não anteponha o nascido livre ao originário de condição servil, a não ser que exista outra causa razoável para isso; 19. pois se parecer ao Abade que deve fazê-lo por questão de justiça, fá-lo-á seja qual for a condição social; caso contrário, mantenham todos seus próprios lugares, 20. porque, servo ou livre, somos todos um em Cristo e sob um só Senhor caminhamos submissos na mesma milícia de servidão: “Porque não há em Deus acepção de pessoas”. 21. Somente num ponto somos por ele distinguidos, isto é, se formos melhores do que os outros nas boas obras e humildes. 22. Seja pois igual a caridade dele para com todos; que uma só disciplina seja proposta a todos, conforme os merecimentos de cada um.

23. Portanto, em sua doutrina deve sempre o Abade observar aquela fórmula do Apóstolo: “Repreende, exorta, admoesta”, 24. isto é, temperando as ocasiões umas com as outras, os carinhos com os rigores, mostre a severidade de um mestre e o pio afeto de um pai, quer dizer: 25. aos indisciplinados e inquietos deve repreender mais duramente, mas aos obedientes, mansos e pacientes, deve exortar a que progridam ainda mais, e quanto aos negligentes e desdenhosos, advertimos que os repreenda e castigue. 26. Não dissimule as faltas dos culpados, mas logo que começarem a brotar ampute-as pela raiz, como lhe for possível, lembrando-se da desgraça de Heli, sacerdote de Silo. 27. Aos mais honestos e de ânimo compreensível, censure por palavras em primeira e segunda advertência; 28. porém aos improbos, duros e soberbos ou desobedientes reprima com varadas ou outro castigo corporal, desde o início da falta, sabendo que está escrito: “O estulto não se corrige com palavras”. 29. E mais: “Bate no teu filho com a vara e livrarás a sua alma da morte”.

30. Deve sempre lembrar-se o Abade daquilo que é; lembrar-se de como é chamado, e saber que daquele a quem mais se confia mais se exige. 31. E saiba que coisa difícil e árdua recebeu: reger as almas e servir aos temperamentos de muitos; a este com carinho, àquele, porém, com repreensões, a outro com persuasões 32. segundo a maneira de ser ou a inteligência de cada um, de tal modo se conforme e se adapte a todos, que não somente não venha a sofrer perdas no rebanho que lhe foi confiado, mas também se alegre com o aumento da boa grei.

33. Antes de tudo, que não trate com mais solicitude das coisas transitórias, terrenas e caducas, negligenciando ou tendo em pouco a salvação das almas que lhe foram confiadas, 34. mas pense sempre que recebeu almas a dirigir, das quais deverá também prestar contas. 35. E para que não venha, porventura, a alegar falta de recursos, lembrar-se-á do que esta escrito: “Buscai primeiro reino de Deus e sua justiça, e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo”; 36. e ainda: “Nada falta aos que O temem”. 37. E saiba que quem recebeu almas a dirigir, deve preparar-se para prestar contas. 38. Saiba como certo que de todo o número de irmãos que tiver possuído sob seu cuidado, no dia do juízo, deverá prestar contas ao Senhor das almas de todos eles, e mais, sem dúvida também da sua própria alma. 39. E assim, temendo sempre a futura apreciação do pastor acerca das ovelhas que lhe foram confiadas enquanto cuida das contas alheias, torna-se solícito para com a suas próprias, 40. e enquanto com suas exortações subministra a emenda aos outros, consegue ele próprio emendar-se de seu vícios.