Não cantará o galo, antes de Me teres negado três vezes!

pedro e o galoDo Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, estando Jesus à mesa com os discípulos, sentiu-Se intimamente perturbado e declarou: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar! Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito. Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe perguntasse a quem se referia. Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: Senhor, quem é? Jesus respondeu: É aquele a quem Eu der o bocado de pão ensopado. E molhando o bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Jesus disse-lhe, então: O que tens a fazer fá-lo depressa. Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. Alguns pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: ‘Compra o que precisamos para a Festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. Tendo tomado o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite. Depois de Judas ter saído, Jesus disse: Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve. Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: ‘Para onde Eu for vós não podereis ir’, também agora o digo a vós. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde. Disse-lhe Pedro: Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti! Replicou Jesus: Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes! (Jo 13,21-33.36-38)

Comentário feito por São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja – Obras Completas, vol. 10

São Pedro, Apóstolo, foi muito injusto para com o seu Senhor porque O negou, jurando que não O conhecia e, não contente com isso, foi maldizente e blasfemo, asseverando não saber Quem Ele era (Mt 26,69 ss). Este incidente magistral partiu o coração de Nosso Senhor. Que fazeis e que dizeis vós, pobre São Pedro? Não sabeis quem Ele é, não O conheceis?, vós que fostes chamado pela Sua própria boca ao Apostolado e que haveis confessado ser Ele o Filho do Deus vivo? (Mt 16,16) Ah, homem miserável, como ousais dizer que não O conheceis? Não foi Ele Quem vos lavou outrora os pés (Jo 13,6), Ele Quem vos alimentou com o Seu Corpo e o Seu Sangue? […]

Portanto, que ninguém presuma das suas boas obras e pense não ter nada a temer, uma vez que São Pedro, que tantas graças recebeu, que prometeu acompanhar Nosso Senhor até à prisão e até à morte, se prontificou a negá-lo ao mais pequeno reparo duma criada.

Ao cantar do galo, São Pedro lembrou-se do que acabara de fazer e do que lhe havia dito o seu Bom Senhor; então, reconhecendo a sua falta, saiu a chorar tão amargamente que só por isso recebeu indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados. Bem-aventurado São Pedro, que através de tal contrição recebestes o perdão de tão grande deslealdade. […] Bem sei que foi o sagrado olhar de Nosso Senhor que lhe calou fundo no coração e lhe abriu os olhos para reconhecer o seu pecado (Lc 22,61) […], pois a partir daí não deixou jamais de chorar, em especial sempre que ouvia o galo cantar. […] Assim, de grande pecador tornou-se um grande santo.

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Especial Semana Santa:: Coroa das sete dores de Nossa Senhora

Icon_of_Virgin_Mary_(fragment,_Greece)Trecho do livro Maria Sempre Virgem e Santa

Esta oração é bastante rezada pela Igreja durante o período quaresmal, sobretudo na terça-feira da Semana Santa, que é uma época oportuna para meditarmos as dores e sofrimentos de Nossa Senhora. Infelizmente não se sabe por qual motivo, os católicos deixaram de rezar esta oração que é linda e muito profunda. Quando a rezamos, nos colocamos ao lado da Mãe de Jesus nos momentos mais sofridos de sua vida, narrados nos Santos Evangelhos.

O cristão que trilha este caminho ao lado de Maria, torna seu coração mais fecundo ao amor e aprende a superar, como Maria, os momentos difíceis; com a ajuda que vem do alto. É claro que nossas dores não se comparam aos sofrimentos da Santa Virgem. Porém é preciso levar em consideração o fato que nenhuma criatura viveu com tanto amor as dores e padecimentos e por isso ela é chamada de corredentora e Onipotência Suplicante!

Fazendo esta oração, nós Unimos nossas dores imperfeitas aos sofrimentos d’Ela e assim encontraremos ânimo para suportar as dificuldades de nosso dia e teremos força para subirmos ao alto de nosso próprio Calvário.

Como rezar?

  • Reze o Creio, o Pai Nosso e 3 Ave-Marias.
  • Para cada dor de Maria deve-se rezar 1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Primeira Dor de Nossa Senhora: A Apresentação de Jesus no Templo e a profecia de Simeão

Ao apresentar o Menino Jesus no Templo, Maria encontrou Simeão que proferiu a seguinte profecia: “Eis que este menino está destinado a ser uma causa de queda e de soerguimento para muitos homens em Israel, e a ser um sinal que provocará contradições, a fim de serem revelados os pensamentos de muitos corações. E uma espada transpassará a tua alma (Lc 2, 34-35)

Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado. (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Segunda Dor de Nossa Senhora: A fuga para o Egito

Após o nascimento de Jesus, o Rei Herodes quis matá-lo e, por causa disso, um anjo do Senhor apareceu a São José e disse: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise”. Obediente, “José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito.” (Mt 2, 13-14).

Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado. (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Terceira Dor de Nossa Senhora: A perda do Menino Jesus no Templo

Terminada a festa da Páscoa, o Menino Jesus ficou em Jerusalém sem que seus pais o percebessem. Três dias depois o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. (Lc 2, 43-50)

Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Quarta Dor de Nossa Senhora: O encontro com Jesus no Caminho do Calvário

Um dos momentos mais pungentes da Paixão é o encontro de Jesus com Sua Mãe no caminho do Calvário. As lágrimas que Maria derramou na ocasião, a troca de olhar com o Filho, a constatação das crueldades que Ele estava sofrendo, tudo causava imensa dor no Seu Coração de Mãe.

Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Quinta dor de Nossa Senhora: Maria fica de pé junto à Cruz de Jesus

Maria acompanhou de perto todo o sofrimento de Jesus na Cruz e assistiu de pé à sua morte: “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cleofás, e Maria Madalena” (Jo 19, 25)

Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Sexta Dor de Nossa Senhora: Maria recebe o corpo de Jesus morto em seus braços

Nossa Senhora da Piedade, é assim que o povo católico invoca Maria nesse momento da Paixão. Depois “tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar.” (Jo 19, 40)

Unidos à dor que Maria sentiu nessa ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

Sétima Dor de Nossa Senhora: Maria deposita Jesus no Sepulcro

O sepultamento de Seu Divino Filho foi a última dor que Maria sentiu durante a Paixão. “No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. Foi ali que depositaram Jesus.” (Jo 19, 41-42)

Unidos à dor que Maria sentiu nesta ocasião, peçamos forças e graças para suportarmos com paciência todas as dores de nossas vidas, e para nos mantermos afastados do pecado (1 Pai Nosso, 7 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai).

ORAÇÃO FINAL:

Estava a Mãe dolorosa, Junto à Cruz, lacrimosa, Da qual pendia o seu Filho. Banhada em pranto amoroso, Neste transe doloroso, a dor lhe rasgava o peito.

Estava triste e sofria, Porque ela mesma via, as dores do Filho amado. Quem não chora, vendo isto, Contemplando a Mãe do Cristo, Em tão grande sofrimento?

Dai-me, ó Mãe, fonte de amor, que eu sinta a força da dor, para que eu chore contigo.

Fazei arder meu coração, do Cristo Deus na paixão, para que eu sofra com Ele. Quero contigo chorar, e a Cruz compartilhar, por toda a minha vida.

Por Maria, amparado, que eu não seja condenado, no dia de minha morte. Ó Cristo, que eu tenha sorte, no dia de minha morte, ser levado por Maria.

E no dia em que eu morrer, fazei com que eu possa ter, a glória do Paraíso. Amém.

Privilégios para quem pratica essa devoção:

Em revelação particular a Santa Brígida, devidamente aprovada pela Igreja, Nossa Senhora promete conceder sete graças para quem, cada dia, rezar sete Ave-Marias em honra das suas dores e lágrimas. Eis as promessas:

  • Darei paz as suas famílias;
  • Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios;
  • Serão consolados em suas penas e os acompanharei nas suas aflições;
  • Tudo o que pedirem lhes será concedido, contanto que nada se oponha à vontade adorável do Meu Divino Filho e à santificação das suas almas;
  • Irei defendê-los nos combates espirituais contra o inimigo infernal e serão protegidos em todos os instantes da vida;
  • Irei assistí-los visivelmente no momento da morte e verão o rosto da Sua Mãe Santíssima;
  • Obtive do Meu Filho que, os que propaguem esta devoção (às Minhas Lágrimas e Dores), sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois terão todos os seus pecados apagados e o Meu Filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.

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Série Espiritualidade: “Regra de São Bento”

stbenedictCapítulo 21 – Dos decanos do mosteiro

1. Se a comunidade for numerosa, sejam escolhidos, dentre os seus membros, irmãos de bom testemunho e de vida monástica santa, e constituídos Decanos; 2. empreguem sua solicitude em tudo o que diz respeito às suas decanias, conforme os mandamentos de Deus e os preceitos do seu Abade.

3. Que os Decanos eleitos sejam tais que possa o Abade, com segurança, repartir com eles o seu ônus; 4. e não sejam escolhidos pela ordem na comunidade, mas segundo o mérito da vida e a doutrina da sabedoria. 5. Se algum dentre os Decanos, acaso inchado por qualquer soberba, for julgado merecedor de repreensão, seja repreendido uma, duas, até três vezes; se não quiser emendar-se seja destituído 6. e ponha-se em seu lugar outro que seja digno. 7. O mesmo determinamos a respeito do Prior.

Capítulo 22 – Como devem dormir os monges

1. Durma cada um em uma cama. 2. Tenham seus leitos de acordo com o modo de viver monástico e conforme o abade distribuir. 3. Se for possível, durmam todos num mesmo lugar; se, porém, o número não o permitir, durmam aos grupos de dez ou vinte, em companhia de monges mais velhos que sejam solícitos para com eles. 4. Esteja acesa nesse recinto uma candeia sem interrupção, até o amanhecer.

5. Durmam vestidos e cingidos com cintos ou cordas, mas de forma que não tenham, enquanto dormem, as facas a seu lado, a fim de que não venham elas a ferir, durante o sono, quem está dormindo; 6. e de modo que estejam os monges sempre prontos e, assim, dado o sinal, levantando-se sem demora, apressem-se mutuamente e antecipem-se no Ofício Divino, porém com toda gravidade e modéstia.

7. Que os irmãos mais jovens não tenham leitos juntos, mas intercalados com os dos mais velhos. 8. Levantando-se para o Ofício Divino chamem-se mutuamente, para que não tenham desculpas os sonolentos; façam-no, porém, com moderação.

Capítulo 23 – Da excomunhão pelas faltas

1. Se houver algum irmão teimoso ou desobediente, soberbo ou murmurador, ou em algum modo contrário à santa Regra, e desprezador dos preceitos dos seus superiores, 2. seja ele admoestado, conforme o preceito de nosso Senhor, a primeira e a segunda vez, em particular pelos seus superiores.

3. Se não se emendar, seja repreendido publicamente, diante de todos. 4. Se porém, nem assim se corrigir sofra a excomunhão, caso possa compreender o que seja essa pena. 5. Se, entretanto, está de ânimo endurecido, seja submetido a castigo corporal.

Capítulo 24 – Qual deve ser o modo de proceder-se à excomunhão

1. A medida tanto da excomunhão como da disciplina, deve regular-se segundo a espécie da falta, 2. e esta espécie das faltas está sob critério do julgamento do abade.

3. Se algum irmão incorrer em faltas mais leves, seja privado da participação à mesa. 4. Será este o proceder de quem está privado da mesa: não entoe salmo, nem antífona no oratório, nem recite lição até que tenha sido dada a devida satisfação. 5. Receba sozinho a sua refeição depois da refeição dos irmãos; 6. de modo que, por exemplo, se os irmãos vão tomar a refeição à hora sexta, aquele irmão o fará à hora nona; se os irmãos à nona, ele à hora de Vésperas, 7. até que tenha obtido o perdão por conveniente satisfação.

Capítulo 25 – Das faltas mais graves

1. Que seja suspenso da mesa e também do oratório o irmão culpado de faltas mais graves.

2. Que nenhum irmão se junte a ele em nenhuma espécie de relação, nem para lhe falar. 3. Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado, permanecendo no luto da penitência, ciente daquela terrível sentença do Apóstolo que diz: 4. “Este homem foi assim entregue à morte da carne para que seu espírito se salve no dia do Senhor”. 5. Faça a sós a sua refeição na medida e na hora que o Abade julgar convenientes, 6. não seja abençoado por ninguém que por ele passe, nem também a comida que lhe é dada.