Vida de Santo Agostinho de Hipona :: Contra os Acadêmicos – Livro III [Refutação do assentado primado dos Acadêmicos]

Santo Agostinho de Hipona (4)Pax et Bonum! Amigos, que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês! Dando continuidade aos estudos do livro “Contra os Acadêmicos“, hoje iremos, continuar lendo o livro III. Boa Leitura!

Refutação do assentado primado dos Acadêmicos

Ao perceber que era isso o que também eles esperavam, comecei como uma espécie de novo exórdio, dizendo:

– Cederei aos vossos desejos. Depois das grandes fadigas da escola de retórica, eu esperava poder descansar um pouco sob uma armadura leve, tratando este assunto mais sob forma de interrogações que de discurso. Todavia, como somos poucos e não preciso de forçar minha voz em detrimento da saúde e, de outra parte, por causa disso resolvi que o estilo seja uma espécie de condutor e moderador do meu discurso, para não me deixar levar a falar com mais entusiasmo do que permite o cuidado do meu estado físico, ouvi em discurso contínuo, como desejais, o que penso.

Primeiramente, vejamos o que dá aos seguidores dos Acadêmicos motivo para tanto gloriar-se. Há, efetivamente, nas obras que Cícero escreveu em defesa deles, uma passagem que a meu ver, é de admirável elegância e, segundo outros, também de rara solidez. É difícil não impressionar-se com o que diz: “Os seguidores de todas as outras seitas que julgam ser sábios concedem o segundo lugar ao sábio Acadêmico, pois cada um deles reserva necessariamente para si o primeiro. Daqui se pode concluir com probabilidade que com direito se julga primeiro aquele que é o segundo no juízo de todos os outros.

Suponhamos, por exemplo, aqui presente um sábio estóico, pois foi principalmente contra eles que se exerceu a engenhosidade dos Acadêmicos. Se perguntarmos a Zenão ou a Crisipo quem é sábio, responderá que é aquele que ele próprio descreveu. De seu lado, Epicuro, ou algum outro adversário negará tal afirmação e sustentará que para ele sábio é o mais hábil caçador de prazeres. Começa a discussão. Clama Zenão e todo o Pórtico, em alvoroço, grita que o homem não nasceu senão para a virtude, que esta atrai a si as almas com o seu esplendor, sem oferecer absolutamente nenhuma vantagem exterior, sem nenhum atrativo de recompensa, que o prazer de Epicuro é próprio somente dos animais e que é ímpio lançar o homem e o sábio à companhia destes. Epicuro, por sua vez, qual outro Liber de seus jardins, convoca em seu auxílio a turba dos discípulos embriagados, mas que, no seu furor de bacantes, procuram a quem dilacerar com suas unhas sujas e seus dentes ásperos. Com o testemunho da turba, acumula as palavras prazer, suavidades e repouso, insistindo enfaticamente que ninguém pode ser feliz sem o prazer. Se no meio da disputa se apresentar um Acadêmico, ouvirá as duas partes, cada qual tentando atraí-lo para o seu lado. Se se inclinar para um dos partidos, será chamado de insensato, ignorante e temerário pelos sequazes do partido contrario. Assim, depois de ter ouvido os dois partidos, interrogado sobre o que pensa, dirá que está em dúvida. Pergunta agora ao estóico quem é melhor, se Epicuro, o qual diz que o estóico delira, ou o Acadêmico, que declara que ainda precisa refletir sobre a questão tão grave. Ninguém duvida que o preferido será o Acadêmico. Dirige-te então a Epicuro e pergunta-lhe quem prefere, Zenão, por quem é chamado animal, ou Arcesilau, que lhe diz: talvez tens razão, mas preciso examinar isso melhor. Não é evidente que Epicuro julgará que todo o Pórtico é louco e que em comparação com este os Acadêmicos são homens modestos e cautelosos?”. Assim Cícero, com grande eloquência faz desfilar diante de seus leitores, como que num agradabilíssimo espetáculo, quase todas as seitas, mostrando que se nenhum representante delas deixa de atribuir-se o primeiro lugar, o que é inevitável, todos concordam em dar o segundo a quem não lhes é contrário, mas duvida. Não me oporei a eles neste ponto, nem pretendo diminuir-lhes a glória.

Alguns, é certo, acham que aqui Cícero não quis brincar, mas, por detestar a frivolidade dos gregos, colher e reunir alguns argumentos vãos e ocos. Mas o que me impede a mim, se quiser resistir a esta impostura acadêmica, mostrar, o que farei facilmente, que é um mal menor se ignorante (indoctum) que ser incapaz de instruir-se (indocilem)? Assim, quando esse presunçoso Acadêmico se apresenta como discípulo a cada um dos filósofos e ninguém consegue convencê-lo do que crê saber, todos acabam concordando em rir-se dele. Cada qual pensará que, se nenhum dos seus adversários aprendeu alguma coisa, o Acadêmico, este é incapaz de aprender. Consequentemente, será expulso de todas as escolas, não a golpes de férula, o que seria mais vergonhoso que modesto, mas com as clavas e bastões daqueles homens vestidos de manto. Na verdade não será grande trabalho reclamar contra um flagelo comum o socorro, por assim dizer, hercúleo, dos Cínicos.

Mas se eu quiser disputar com os Acadêmicos uma glória tão miserável, o que mais facilmente se concederá ao filosofante que sou, ainda não sábio, o que poderão alegar? Suponhamos que eu e um Acadêmico entremos numa dessas disputas dos filósofos, que todos estejam presentes e todos exponham brevemente sua doutrina, segundo convém. Pergunta-se a Carnéades o que pensa. Dirá que duvida. E cada qual o preferirá aos demais. Portanto, todos o preferirão a todos. Uma grande e altíssima glória! Quem não quererá imitá-lo? E se me perguntarem responderei a mesma coisa. O louvor será igual. Logo o sábio goza de uma glória pela qual o estulto se torna seu igual. E que dizer se o último até  facilmente o superar? Nada fará a vergonha? Deterei o Acadêmico no momento em que estiver para deixar o tribunal, pois afinal a estultícia é ávida desse tipo de vitória. Retendo-o, mostrarei aos juízes o que ignoram e direi: “Excelentíssimos senhores, tenho em comum com este homem a dúvida sobre quem de nós segue a verdade. Mas também temos opiniões pessoais e peço-vos que as julgueis. Ainda que vos tenha ouvido, ignoro onde está a verdade, mas isso vem do fato de eu não saber quem de vós é sábio. Este, porém, nega que o próprio sábio conhece alguma coisa ao certo, nem mesmo a sabedoria, donde o sábio deriva o seu nome. Quem não vê a quem caberá a palma? Se meu adversário disser isso, vencerei em glória; se, envergonhado, confessar que o sábio conhece a sabedoria, terei vencido pela minha opinião.

(Postagem: Paulo Praxedes – Equipe do Blog Dominus Vobiscum – Referências: Veritatis  Suma Teológica  Ordem de Santo Agostinho  Patrística vol.24)

Veja Também:: Vida de São Agostinho | Livro I | Livro II | Livro III – Necessidade da fortuna para tornar-se sábio | Livro III – O sábio e o conhecimento da sabedoria | Livro III – Irrazoabilidade da descrição acadêmica do sábio | Livro III – Balanço da discussão e plano subsequente

Até o próximo post! E divulguem/compartilhem este estudo com seus amigos para que juntos possamos aprender com os doutores da nossa Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana!

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Evangelização com pipoca: O Apocalipse de São João (filme dublado e completo)

filme_apocalipseFazia tempo que eu não postava aqui um bom vídeo, então desta vez resolvi voltar em grande estilo :). Filme “O Apocalipse” que retrata a história do último livro das Sagradas Escrituras, conta com um grande elenco – Entre os atores Richard Harris e Benjamin Sadler. A produção é da RAI (TV Italiana). No filme é possível entender um pouco do cristianismo primitivo e a sinopse você confere abaixo:

O Imperador romano Domitian lança uma campanha bárbara contra os cristãos. Mantido como refém pelos romanos na ilha de Patmos, o velho apóstolo João luta para salvar a Cristandade da extinção enviando cartas às comunidades cristãs. Determinada pela vontade de conhecer a última testemunha viva da paixão de Cristo, a jovem cristã Irene, consegue ter acesso à cela de João. Confiando-lhe as anotações originadas de suas visões, João implora a Irene para que ela espalhe a mensagem entre os cristãos. Estas visões formarão o Livro das Revelações.

[youtube http://youtu.be/7NSCx9_w1HY]

Papa Francisco manda mensagem e benção apostólica às famílias brasileiras

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O Papa Francisco enviou no dia 06 de agosto (terça feira passada) uma benção apostólica para os fiéis, comunidades e paróquias que participam, no Brasil, da Semana Nacional da Família. A semana, que teve início ontem (dia 11 de agosto) e se encerra no próximo dia 17 do mesmo mês, tem como tema “Transmissão e Educação da Fé Cristã na Família”. O evento é animado pela Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB.  Na mensagem como vocês podem ver abaixo, o Sumo Pontífice nos fala sobre a missão dos pais em educar e testemunhar aos filhos a fé católica e na luta contra o aborto em todas as suas fases. Eis na íntegra da mensagem do Papa Francisco (os grifos são meus):

Queridas famílias brasileiras,

Guardando vivas no coração as alegrias que me foram proporcionadas durante a recente visita ao Brasil, me sinto feliz em saudá-las por ocasião da Semana Nacional da Família, cujo tema é “A transmissão e a educação da fé cristã na família”, encorajando os pais nessa nobre e exigente missão que possuem de ser os primeiros colaboradores de Deus na orientação fundamental da existência e a segurança de um bom futuro. Para isso, “é importante que os pais cultivem as práticas comuns de fé na família, que acompanhem o amadurecimento de fé dos filhos” (Carta Enc. Lúmem Fidei, 53). Neste sentido, os pais são chamados a transmitir, tanto por palavras como, sobretudo pelas obras, as verdades fundamentais sobre a vida e o amor humano, que recebem uma nova luz da Revelação de Deus. De modo particular, diante da cultura do descartável, que relativiza o valor da vida humana, os pais são chamados a transmitir aos seus filhos a consciência de que esta deva sempre ser defendida, já desde o ventre materno, reconhecendo ali um dom de Deus e garantia do futuro da humanidade, mas também na atenção aos mais velhos, especialmente aos avós, que são a memória viva de um povo e transmissores da sabedoria da vida. Fazendo votos de que vocês, queridas famílias brasileiras, sejam o mais convincentes arautos da beleza do amor sustentado e alimentado pela fé e como penhor de graças do Alto, pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida, a todos concedo a Benção Apostólica.

Papa Francisco – Vaticano, 6 de agosto de 2013

Fonte: Radio Vaticana

A solidão de uma gravidez indesejada

jovem gravidaUma mulher que passa por uma gravidez indesejada e por conseguinte pode pensar em fazer um aborto, precisa antes de tudo de ajuda, carinho, amparo e orientação. “Descer a lenha” ou “soltar os cachorros” em cima da jovem que está vivendo esta situação não ajuda em nada. Ajudar é uma missão não apenas dos padres, bispos e missionários, mas de todos os católicos verdadeiramente católicos. Em uma situação assim, a mulher sente o peso do mundo em suas costas. Engravidar inesperadamente (sobretudo quando se é muito jovem e depende dos pais), na grande maioria dos casos, gera uma série de sentimentos difíceis de administrar: tristeza, solidão, angústia e desespero. Nesta hora não nos cabe julgar ou condenar a jovem pelo seu ato, mas dar apoio a ela e ao filho que já está sendo gestado.

Sei que na sociedade machista em que vivemos, muitos pais sentem a sua masculinidade afetada quando a sua filha diz que vai ser mãe solteira. Entendo que muitos pais carregam o sonho de levar a sua filha ao altar para o matrimônio, para somente depois disso pensar em neto. Mas nem sempre a vida é como queremos. A Igreja Católica Apostólica Romana por exemplo, ensina a castidade aos jovens mas também ensina o perdão acima de tudo. Condenar uma jovem neste estado é colocar em risco a vida do bebê e a estabilidade da família. Ao invés de ouvir, a jovem precisa ser ouvida, ajudada e em muitas socorrida materialmente. Além desta atitude ser a verdadeira atitude cristã, também ajuda muito a diminuir o número de abortos no Brasil e no mundo.

Depois que a situação estiver estabilizada e resolvida, é importante conversar com esta jovem para que ela reflita sobre seus atos. Mas só depois…

Conselho aos pais: Nesta hora, não pense nos seus planos e sonhos. Não pense no que os outros vão dizer. Pense apenas na sua filha e no seu neto, que precisa ser amado desde o momento da sua fecundação.

Um aborto deixa sequelas gravíssimas na vida mulher e também no seio da família. Para evitar isso, o diálogo é fundamental. A família que passa por uma situação assim, em caso de dificuldade em conversar pode pedir a ajuda profissional de um psicólogo, um sacerdote ou até da pastoral familiar, que podem servir de mediadores para este diálogo tantas vezes complexo.

Portanto se você mulher está passando por uma gravidez não desejada, não viva tudo isso sozinha. Não se isole do mundo! Não procure opiniões de pessoas despreparadas! É importante ter amigos, mas é essencial falar disso com quem tem uma bagagem profissional e até mesmo espiritual para lhe ajudar. Saia do isolamento e busque pessoas disponíveis para te escutar, acompanhar e ajudar.

Dominus Vobiscum

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