Voltando a cantar as coisas de Deus…

Adoração

A nova que dele temos ouvido e vos anunciamos é esta: Deus é luz e nele não há treva alguma. Se dizemos ter comunhão com ele, mas andamos nas trevas, mentimos e não seguimos a verdade. Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o Sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado. (1Jo 1,5-7)

Estes dias comecei a remexer no velho baú das minhas composições musicais. Encontrei um CD que havia gravado em voz e violão com algumas canções que costumava fazer diante de Jesus Eucarístico nas minhas solitárias adorações, algumas muito boas, diga-se de passagem. Embora não costume falar muito de música aqui no blog, este é um lado meu que andei deixando de lado por “n” motivos, alguns nem tão justificáveis assim. Mas como se diz por ai, deixar de lado algo que é parte de você vai te matando aos poucos. Ah como a música me faz bem! Lembrei do meu bom e querido ministério de música e de animador. Fiquei mexido!

O fato é que fui ouvindo estas canções e quando me dei conta, estava rezando com elas como antigamente. Confesso que não sou lá um grande musicista, nem grande cantor e no máximo um compositor mediano, mas ao longo da minha vida, a música sempre foi uma arma que o Senhor usou para fazer o bem aos irmãos. Só que antes de fazer bem aos outros, cantar estas canções novamente fez um bem enorme a minha alma. Me fez recordar diálogos lindos que tive com o Senhor, situações em que com a graça de Deus consegui vencer, grandes lutas que tive que passar… Enfim, recordar esta história musical verdadeiramente me fez bem.

Partilhando com uns amigos (pessoas que conhecem a minha história e acreditam na minha musicalidade), surgiu a ideia de gravar um CD, desta vez não caseiro, com uma produção de verdade, com alguém que entende do assunto fazendo a produção e os arranjos. Nada para ganhar o EMI, mas para mostrar um pouco destas experiências para os amigos que rezam comigo, que já rezaram ou que vão conhecer esta história. Gravar um CD católico não é um “ganha pão”, nem um prêmio para os grandes músicos, mas é fruto da missão que vivemos e de uma história que precisa ser contada. Certa vez o Eugênio Jorge disse que gravamos um CD quando temos uma história para contar. Depois de tanto tempo, acho que é a hora de enfim contar esta história para quem quiser ouvir.

Falando nisso, é bom dizer que desde que esta moção de Deus soou em mim, este trecho bíblico que citei acima não sai da minha cabeça, sobretudo a primeira verdade fundamental que descobri sobre nosso Pai do céu: Deus é luz e nele não há treva alguma (1Jo 1,5). Esta é a inspiração do projeto, pois no fundo sempre foi esta a inspiração da minha musicalidade. A música de Deus tem o poder de iluminar a nossa alma. E quando digo da música de Deus, não quero dizer apenas a música religiosa, mas a música que fala daquilo que é bom, que é nobre, que é puro e que faz bem porque toca naquele cantinho da nossa alma que nada consegue atingir. Existem muitas músicas não cristãs que fazem muito bem a alma das pessoas.

Concordo com quem afirma que não existe música neutra. Todas as músicas tem efeito em nós: positivo ou negativo. Porém a música que sai de Deus, passa pelo artista e toca nos corações, consegue fazer fluir o que há de melhor em nós. Por isso ela é sempre positiva. E é esta música que gosto de cantar: A música de Deus! A música que fala de Deus e das suas maravilhas! A música que ajuda as pessoas se aproximar do Senhor! E quem me conhece sabe da minha predileção pela MPB. Misture tudo e teremos este projeto!

Para que isto se concretize, peço de coração a oração de todos os leitores deste blog, pois o projeto foi lançado ontem a noite quando Deus começou a reunir as criaturas que hão de trabalhar neste CD: Eu (Cadu), Marcelo Silva e Samuel Vilella e alguns outros que com o tempo devido irão aparecer. São pessoas como eu, meio anônimas, meio conhecidas no mundo da grande música católica, competentes e orantes que blindam seus ministérios com oração e simplicidade.

Aos poucos vamos contando a história desta empreitada e espero que vocês se envolvam e gostem do resultado final. Apensar de muitos de vocês conhecerem as canções Grão de Trigo e Não se deixe desanimar (gravadas pela Eliana Ribeiro), elas não serão gravadas aqui, mas são 10 canções inéditas que iremos aos poucos mostrando. Assim como muitos leitores do blog compraram meus três livros (O homem, Deus e a Religião, As Sagradas Escrituras e Maria Sempre Virgem e Santa), se preparem para conhecer mais este produto, que é fruto de muita oração, muito amor a música católica e ao povo de Deus.

Esta é das antigas: Back na gravação do DVD Monsenhor Jonas - Como é linda nossa família!

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Vida de Santo Agostinho de Hipona :: Contra os Acadêmicos – Livro III [As implicações da definição de Zenão]

Santo Agostinho de Hipona (4)Pax et Bonum! Amigos, que a Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês! Dando continuidade aos estudos do livro “Contra os Acadêmicos“, hoje iremos, continuar lendo o livro III. Agostinho nos faz refletir acerca da definição de Zenão sobre a verdade. Boa Leitura!

As implicações da definição de Zenão

Mas deixemos este tribunal litigioso por um lugar onde não nos moleste a multidão. Oxalá fosse a escola de Platão, que segundo se diz, recebeu seu nome do fato de ser separada do povo. Aqui discutamos, segundo nossas forças, não sobre a glória, que é coisa vã e pueril, mas sobre a própria vida e a esperança da alma feliz. Os Acadêmicos negam que se pode saber algo. Em que vos baseais para dizer isso, homens diligentíssimos e doutíssimos? Na definição de Zenão, respondem. Mas por quê? Se ela é verdadeira, aquele que a conhece sabe alguma coisa, se é falsa, não deveria abalar homens tão fortes. Mas vejamos o que diz Zenão. Segundo ele, só se pode compreender e perceber o que é de tal natureza que não tenha características comuns com o falso. Foi isso, discípulo de Platão, que te levou a envidar todos os esforços para desviar os desejosos de saber de toda esperança de aprender, de modo que, ajudados ainda por uma lamentável preguiça espiritual, abandonem todo estudo filosófico?

Mas como não seria ele abalado, se, de uma parte, não se pode encontrar nada que seja tal [isto é, conforme o que exige Zenão] e, de outra, só se pode conhecer com certeza o que é tal? Se assim fosse, seria melhor dizer que o homem não pode alcançar a sabedoria que dizer que o sábio não sabe por que vive, como vive, nem se vive, enfim, o que ultrapassa tudo o que se pode dizer ao mesmo tempo ser sábio e ignorar a sabedoria. Pois, o que é mais chocante: dizer que o homem não pode ser sábio ou dizer que o sábio ignora a sabedoria? Portanto, não há nada a discutir, se a questão assim colocada não é suficiente para resolvê-la. Mas talvez este modo de falar afastaria totalmente os homens da filosofia. Entretanto, é necessário atraí-lo pelo dulcíssimo e augustíssimo nome da sabedoria, para que, chegados à idade avançada sem nada terem aprendido, te persigam com as piores imprecações, a ti que terão seguido após terem renunciado aos prazeres corporais para tormento do espírito.

Mas vejamos quem os afasta mais da filosofia. Será quem diz: Escuta, amigo, a filosofia não é sabedoria, mas o estudo da sabedoria. Se a ela te aplicares, não serás sábio enquanto viveres aqui – pois a sabedoria pertence a Deus e não pode chegar ao homem – mas depois que tiveres executado e purificado bastante por este tipo de estudo, depois desta vida, isto é, quando tiveres deixado de ser homem, tua alma facilmente desfrutará desta sabedoria. Ou será aquele que diz: Vinde, mortais, para a filosofia, porque nela há grande proveito. Pois o que há de mais caro ao homem que a sabedoria? Vinde, portanto, para que sejais sábios e ignoreis a sabedoria! Eu não falaria assim, diz o Acadêmico. Isso é enganar, pois não encontrarão outra coisa em ti. Se dissesses isso, fugiriam de ti como de um louco. Se os levasses à tua opinião por outros meios, tu os tornarias loucos. Mas admitamos que ambas as opiniões afastam igualmente os homens do filosofar. Se a definição de Zenão obrigava a dizer algo de prejudicial à filosofia, havia necessidade, meu amigo, de dizer o que é objeto de tristeza para outro homem ou o que para ti é motivo de escárnio?

Todavia, na medida em que no-lo permite nossa ignorância, discutamos o que Zenão definiu. Segundo ele, só pode ser compreendida aquela representação que apareça de tal modo que o falso não possa mostrar-se. É evidente que fora disso nada se pode perceber.

Também eu penso assim, diz Arcesilau, e é por isso que ensino que não se percebe nada, pois não se pode encontrar nada que reúna tais condições.

Talvez tu e outros tolos. Mas por que não o poderia o sábio? Acho que o próprio tolo não poderias responder nada, se te pedisse refutar, com tua famosa sutileza, a definição de Zenão e mostrar que também ela pode ser falsa. Se não puderes, já tens uma proposição que percebes como certa. Mas se a refutares, então é que não há nada como se possa refutá-la e julgo-a totalmente verdadeira. Assim, ao conhecê-la, ainda que seja estulto, sei alguma coisa. Vê se consegues que a definição ceda às tuas argúcias! Usarei de um dilema seguríssimo: ou a definição é verdadeira ou falsa. Se é verdadeira, mantenho minha posição, se é falsa, é possível perceber algo, ainda que tenha características comuns com o falso.

– Como pode ser isso? – perguntou ele.

– Zenão definiu, portanto, com muito acerto e não errou quem lhe deu assentimento neste ponto. Consideraremos de pouco valor e vigor uma definição que contra aqueles que haveriam de aduzir muitos argumentos contra a percepção, ao designar as características do que pode ser percebido, se apresenta a si mesma com tais características? Assim, ela é, ao mesmo tempo, definição e exemplo de coisas compreensíveis.

– Não sei, diz Arcesilau, se ela é verdadeira, mas como é provável, demonstro, apoiando-me nela, que não existe nada do que ela declarou ser possível de ser conhecido.

– Talvez o demonstres para tudo, menos para ela. Acho que vês a consequência. Mesmo que não tenhamos certeza da definição, nem por isso ficamos privados do conhecimento, pois sabemos que ou ela é verdadeira, ou é falsa. Logo, não ficamos sem nada saber. Ainda que isso nunca consiga tornar-me ingrato, julgo que esta definição é totalmente verdadeira. Pois ou é possível perceber mesmo as coisas falsas, hipótese da qual os Acadêmicos têm verdadeiro pavor e realmente é absurda, ou tampouco podem perceber-se as coisas que são muito semelhantes às falsas. Logo aquela definição é verdadeira. Mas vejamos o restante.

(Postagem: Paulo Praxedes – Equipe do Blog Dominus Vobiscum – Referências: Veritatis  Suma Teológica  Ordem de Santo Agostinho  Patrística vol.24)

Veja Também:: Vida de São Agostinho | Livro I | Livro II | Livro III – Necessidade da fortuna para tornar-se sábio | Livro III – O sábio e o conhecimento da sabedoria | Livro III – Irrazoabilidade da descrição acadêmica do sábio | Livro III – Balanço da discussão e plano subsequente | Livro III – Refutação do assentado primado dos Acadêmicos

Até o próximo post! E divulguem/compartilhem este estudo com seus amigos para que juntos possamos aprender com os doutores da nossa Igreja que é Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana!