Estudo sobre a Igreja Católica: Quando somos sacerdotes, profetas e reis?

Precisamos entender bem quando dizemos que o povo de Deus é um povo de sacerdotes, profetas e reis.

Depois de tanto tempo na Igreja é normal observarmos alguns absurdos ensinados em movimentos, pastorais e até em homilias. Um erro gravíssimo que encontro é quando o palestrante ou pregador ensina aos fiéis presentes a noção que ser “Filho de Deus” é algo que impõe uma determinada posição de destaque, privilégio ou superioridade. É fato que muitas vezes esta impressão é passada para “elevar a estima” dos fiéis que tantas vezes está meio derrubada devida a tantos problemas, mas mesmo assim, na maioria das vezes o tiro sai pela culatra e as pessoas acabam acreditando que por serem “filhos e filhas de Deus”, elas tem alguma espécie de privilégio espiritual, ou acham que por serem “filhos e filhas”, Deus tem a obrigação de lhes dar o que precisam na hora que desejam…

A primeira coisa que devemos entender é que todo ser humano se torna filho ADOTIVO de Deus, quando passa a fazer parte do seu Corpo Místico através do Sacramento do Batismo. E isto acontece não pelo mérito da pessoa, mas pela misericórdia de Jesus Cristo que morreu por nós, e nos fez parte de seu Corpo. Ora, se Jesus é a cabeça da Igreja e Deus é Pai da “cabeça”, também é Pai do Corpo. Logo, quando nos tornamos cristãos através do batismo, somos que “enxertados” nesta filiação. Para um pai que adota uma criança, é fato que ele a considera como um filho de sangue, mas sabemos que no caso de Deus, a adoção não nos torna “deuseszinhos”. Não é que Deus agora tenha milhões de filhos. Ele tem um- Jesus Cristo – e nós somos filhos porque fazemos parte do seu corpo (que é a Igreja).

Se existe um sentimento que devemos expressar ao mundo por sermos filhos de Deus, este sentimento é de GRATIDÃO. Devemos sim, ser eternamente agradecidos a Jesus Cristo por esta filiação divina. O cristão católico não tem o direito de exigir nada de Deus alegando ser seu filho. Também não devemos nos sentir superiores aos outros irmãos por que fomos agraciados com esta dádiva. Devemos ao contrário, amá-los e ajudá-los a encontrar o caminho de Deus, para que eles também se tornem seus filhos.

Outro erro comum que encontramos em diversos ensinamentos pastorais é quando se diz que o povo de Deus é um povo de sacerdotes, profetas e reis. Sim de fato o somos. Porém muitas vezes os ensinamentos que nos dão a este respeito são ensinamentos errados, que precisam ser corretamente explicados. E é isso que gostaria de falar com você agora, definindo todos os termos e colocando os pingos nos “i”.

Jesus Cristo é Aquele que o Pai ungiu com o Espírito Santo e constituiu “sacerdote, profeta e rei”. Todo o povo de Deus participa destas três funções de Cristo, com as responsabilidades de missão e de serviço que delas resultam. (CIC§ 783)

Nós como Corpo Místico de Cristo, participamos enquanto povo das três funções que o Pai deu a Jesus Cristo pelo Espírito Santo. É importante que se diga, que nós até somos um povo de sacerdotes, profetas e reis, mas isso se dá quando participamos ativamente do Corpo de Cristo, que é a Igreja.

Sacerdotes – Participamos da missão de Jesus Cristo enquanto sacerdotes, quando a partir do momento em que somos batizados nos consagramos para sermos uma casa espiritual e um sacerdócio santo. Somos um povo de sacerdotes quando oferecemos ao Senhor sacrifícios espirituais para a nossa santificação enquanto pessoas e enquanto comunidade (Igreja).

Existem pessoas que usam este termo para tentar clericalizar tudo e querer que nós leigos façamos as funções dos sacerdotes. O padre tem uma missão particular e não cabe aos leigos excuta-las. Leigo é leigo e padre é padre. Ponto final. Mesmo que um padre queira que o leigo execute esta ou aquela função (que cabe unicamente ao sacerdote) alegando que você pode ser sacerdote, profeta e rei, isto está errado.

Você enquanto povo de Deus se torna um sacerdote, quando você durante o seu dia oferece orações a Deus, quando você ao passar por um determinado sacrifício no seu dia, não esmorece e ao contrário, entrega aquele sacrifício ao Senhor e quando você resiste a uma tentação e permanece distante do pecado, ofertando aquela luta interior ao Senhor como ato do seu amor.

Profetas – Participamos da missão de Jesus Cristo enquanto profeta quando aderimos à fé transmitida aos santos de uma vez por todas de forma completa, e ao invés de questionarmos a doutrina católica, buscamos encontrar nela as respostas e nos aprofundamos no conhecimento da mesma, nos tornando então testemunhas de Cristo no meio deste mundo.

Não somos um povo profético por que saímos por ai anunciando o fim do mundo. Isto é maluquice. Não somos profetas quando saímos por ai apontando os defeitos dos outros. Isso é coisa de fofoqueiro. Não somos profetas porque saímos por ai denunciando as injustiças dos ricos com os pobres e promovendo greves, badernas e quebra-quebra. Isso é coisa de socialista.

Podemos até dizer aos irmãos que não sabemos o dia em que o Senhor irá chegar e que é prudente se preparar porque este dia pode ser amanhã. Podemos também fazer, USANDO DE CARIDADE, uma correção fraterna indo DIRETAMENTE ao irmão e lhe mostrando o que a fé católica lhe diz sobre este ou aquele ato. Podemos (e devemos) cuidar dos pobres, mas não unicamente deles. E em todos os momentos devemos usar o amor, e não atitudes de ódio e revolta.

Enquanto povo de Deus profético, somos chamados a conhecer a doutrina, aderir a ela com fé e mostrar com a vida que somos de Deus.

Reis – Participamos da missão de Jesus Cristo enquanto Rei na função real de Cristo, Rei e Senhor do universo, que se fez o servo de todos, pois “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida como resgate pela multidão” (Mt 20, 28). Para o cristão, reinar é servi-Lo, em especial nos pobres e nos que sofrem, nos quais a Igreja reconhece a imagem do seu Fundador pobre e sofredor. O povo de Deus realiza a sua dignidade real na medida em que viver de acordo com esta vocação de servir com Cristo.

Não podemos pensar que por sermos com Cristo reis em sua função real, temos que ter regalias, confortos e bens. Isto não é verdade! É certo que pela graça de Deus haveremos de ter bens materiais, momentos de alegria, descanso e conforto. Mas isso devido a nossa luta, ao nosso trabalho, a nossa maneira de organizar as finanças, a diversos outros fatores. Mas não pelo fato de sermos Filhos de Deus, ou vivemos o Sacerdócio Régio de Cristo. E não sou rico e não sou menos filho de Deus do que aqueles que são. Quem segue por este caminho acabará se revoltando com Deus e com os irmãos. E Deus não quer este tipo de coisa para nós.

Para ser rei com Cristo é necessário ser servo. Simplesmente isso!

Espero que este texto tenha elucidado para você alguns pontos importantes sobre a missão do povo de Deus enquanto sacerdotes, profetas e reis. Esero que você continue visitando nosso blog e lembramos que você pode deixar o seu comentário (desde que coloque o nome e o email).

Deus abençoe você e até o próximo post!

Leia também: Por que dizemos que a Igreja é o povo de Deus? | Quais as características do povo de Deus?

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4 comentários sobre “Estudo sobre a Igreja Católica: Quando somos sacerdotes, profetas e reis?

  1. Prezado Cadu, por favor, peço que me ajude a entender uma coisa: existe uma distinção entre o conceito e a missão de profeta, conforme está bem explicado no seu texto, e aquele que implica no dom/carisma da profecia, conforme diz São Paulo (Aspirai aos dons espirituais e, sobre todos, ao da profecia)? Parece-me que são dois enfoques diferentes. O primeiro, não implica em um dom sobrenatural, e o segundo, sim.

    • Olá Gustavo,
      Acredito que você esteja falando da missão profética (no sentido vocacional) e o dom da profecia que existe na RCC. Sim são coisas diferentes.
      Ambos são dons “sobrenaturais” só que diferentes. Uma vocação é um dom sobrenatural só que muitas vezes não vemos assim. Na igreja muitas vezes vemos a mesma palavra usada em sentidos diferentes e é preciso entender o contexto.

      Espero que tenha ajudado.
      Pax Domini

    • Olá Tozé,
      Dizer que somos filhos adotivos é uma forma simplificada para facilitar o entendimento das pessoas. Só Jesus Cristo é o filho “legítimo” do Pai, tanto que é chamado de Unigênito. Pelo batismo, somos introduzidos ao corpo de Cristo que é a Igreja. Não somos da mesma natureza de Deus, mas a nossa filiação acontece em Jesus e através de Jesus. Um exemplo tosco para entender: Eu sou filho do meu Pai. Legítimo. Porém se um dia eu precisasse fazer um transplante de fígado, este órgão inserido no meu corpo (que não é originalmente meu), passa a ser meu corpo, portanto herda a mesma filiação. Quando somos inseridos no Corpo Místico de Cristo, é como se passássemos a ser um dedinho, uma unha, um cotovelo de Cristo (haja vista que o Corpo Místico de Cristo é formado das pessoas que são igreja mediante o batismo). Esta é a lógica (espero que tenha entendido).

      A filiação “adotiva”, se refere a essa inserção ao Corpo de Cristo que é a Igreja mediante o batismo, que é diferente da filiação de Cristo, que tem a mesma natureza mística.

      Pax Domini

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