Por mais sensibilidade ao sofrimento do outro

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Ao ler hoje o trecho inicial do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fui tomado por um súbito momento de reflexão. Sabe quando você lê um livro e de repente uma frase te leva para longe dali e te faz pensar em coisas que você viu ou fez? Pois é, hoje aconteceu comigo. O trecho que me fez viajar em reflexão foi este:

«Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se? E o cenário da pobreza poderá ampliar-se indefinidamente, se às antigas pobrezas acrescentarmos as novas que frequentemente atingem mesmo os ambientes e categorias dotadas de recursos econômicos, mas sujeitos ao desespero da falta de sentido, à tentação da droga, à solidão na velhice ou na doença, à marginalização ou à discriminação social. […] E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta? Ou em face dos problemas da paz, frequentemente ameaçada o íncubo de guerras catastróficas? Ou frente ao vilipêndio dos direitos humanos fundamentais de tantas pessoas, especialmente das crianças? » (Compêndio da Doutrina Social da Igreja § 4)

Fiquei pensando sobre esta sensibilidade com aqueles que sofrem. Achei por um momento que havia perdido isso. Percebi que em muitos casos esta compaixão estava se apagando dentro de mim. Infelizmente a verdade é que constantemente vejo desgraças na TV, na internet e nas ruas. Infelizmente desconfio daqueles que se aproximam de mim nas ruas, com medo de assalto. Nos noticiários vejo mortes aos montes e nenhuma lágrima vem aos meus olhos. Pensei que talvez eu tivesse me fechado em meu universo.

A reflexão se tornou mais profunda, quando percebi que este problema não é só meu: Está na sociedade inteira. A verdade é que a grande maioria de cada um de nós se fechou para o outro. Entre os seres humanos de hoje, existe um muro que é difícil de ser quebrado, quase intransponível. Nos comunicamos com quem está ao lado apenas com celulares. Somos “experts” em tecnologia, mas não sabemos nada de relacionamento entre pessoas. Já não trocamos mais palavras de afago. A ternura se perdeu…

Hoje por alguns momentos rezei pedindo a Deus que retirasse de mim esta insensibilidade. E rezei também por todos os amigos que visitam este blog. Portanto rezei por você também. Mas o legal é que durante a oração, lembrei que quando criei este blog, o meu desejo era ajudar os irmãos católicos que desejassem conhecer a fé católica. Lembrei que quando sai de Recife para fazer uma experiência missionária, meu desejo era apresentar aos irmãos o meu maior tesouro: Jesus Cristo. E dali fui lembrando de tudo que aconteceu na minha vida e que teve o desejo único de ajudar os irmãos a ter um encontro pessoal com Nosso Senhor.

Este texto não foi para apontar méritos e deméritos da minha vida, mas para mostrar que assim como eu, talvez você também tenha vivido este conflito entre erros e acertos, perdas e ganhos. E se viveu, é hora de recolocar a fé nos trilhos e perceber que Deus é o mais importante, porém o amor ao próximo é a missão que Deus nos confia. Não é fácil pensar no outro. E é muito mais difícil abrir mão de nossas vontades para fazer o outro feliz. Mas a nossa missão é o outro. Nossa tarefa é fazer o bem comum e não apenas o nosso bem.

Que o bom Deus que nos ajude a nos compadecer com aqueles que sofrem a ponto de sair de nós mesmos e do nosso universo, para fazer a vida do outro melhor, escolhendo o bem comum e fazendo a felicidade do irmão, e consequentemente, trazendo a alegria ao coração de Cristo.

Dominus Vobiscum

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