Por um estado menos invasivo e mais cristão: A luta de Charlie Gard não acabou

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Oi pessoal! Pax Domini.

Fazia tempo que não escrevia aqui. A correria da vida acabou me tirando um dos grandes prazeres que tinha: escrever no Dominus Vobiscum. Mas hoje arrumei este tempinho por que me senti muito motivado a fazê-lo com o caso Charlie Gard.

Para quem não está por dentro do assunto, um breve resumo: Charlie Gard é um bebê diagnosticado meses atrás pelo hospital Great Ormond Street de Londres (Reino Unido) com a síndrome do esgotamento mitocondrial, uma doença genética rara que causa fraqueza muscular progressiva e pode levar à morte no primeiro ano de vida. A doença é tida como incurável pela medicina atual e o bebê passou muitos meses sob a dependência de aparelhos até que a justiça da Inglaterra (se é que se pode chamar essa porcalhada de justiça), ordenou que os aparelhos fossem desligados.

No entanto, existia nos Estados Unidos um estudo onde se desenvolvia uma espécie de tratamento alternativo e os pais do bebê tinham conseguido doações para levá-lo até lá. Travou-se ai uma verdadeira guerra nos tribunais que chegou até o Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que deu a razão ao centro médico (na minha humilde opinião esse tal tribunal deveria riscar os direitos humanos do seu nome).

Na segunda-feira, Chris Gard e Connie Yates, os pais do bebê, anunciaram sua decisão de finalizar a longa batalha judicial que tinha empreendido para levar seu filho aos Estados Unidos, não por que houvessem desistido ou por que não tivessem ajuda (muitos institutos estrangeiros, incluindo o Hospital Pediátrico Bambino Gesù de Roma, ofereceram ajuda aos pais de Charlie). A questão é que com o tempo o mal de Charlie foi se agravando. Caso os pais da criança tivessem conseguido a liberação a tempo, havia uma possibilidade de êxito. No entanto, o tempo gasto nos tribunais não era favorável a Charlie Gard e o dano – ai sim – tornou-se irreversível.

“Muito tempo foi desperdiçado. Agora estamos em julho e o nosso pobre menino foi deixado só deitado em um hospital por meses sem nenhum tratamento, enquanto se travavam longas batalhas no tribunal (…). Charlie foi deixado para que sua doença se deteriorasse devastadoramente até o ponto sem retorno. Diante disso, disseram que, “como dedicados e amorosos pais de Charlie, decidimos que não é mais do melhor interesse dele continuar com o tratamento e deixaremos nosso filho ir e que esteja com os anjos”. (Pais de Charlie Gard)

O fato meus caros é que mais uma vez o estado interferiu negativamente em uma decisão familiar. O poder dado ao estado (no caso na Inglaterra, mas poderia acontecer em qualquer país), acende um alerta: Será que é bom ter um estado que decida quem deva nascer ou morrer? Será que é válido o estado ter o poder de decidir sobre a vida, o comportamento e a saúde dos nossos filhos? E se fosse o seu filho? Você não tentaria salvar a sua vida mesmo se houvesse 1% de esperança?

Talvez você argumente: Mas será que não seria melhor ter desligado logo os aparelhos? A criança não sofreria menos?

A questão meus caros é justamente essa: Primeiro que, enquanto tiver possibilidade, é obrigação lutarmos pela vida e esta possibilidade existia, porém não foi levada adiante em virtude de um médico orgulhoso e uma justiça injusta e infeliz. Segundo que no caso do desligamento dos aparelhos ser irreversível, não cabe a você, nem a mim, nem ao padre, nem ao juiz, nem ao estado e nem ao presidente decidir. Isso cabe unicamente aos pais. E eles não queriam desligar os aparelhos. Eles tinham condições de realizar a transferência da criança, tinham o desejo de fazê-lo, e tinham toda a disposição para viver este período ao lado do filho. Mas não foi possível por que a “justiça” se arvorou a ser Deus e decidiu quem deve viver ou morrer.

Por isso, dolorosamente aproxima-se o fim da vida de Charlie Gard. Mas a minha luta (e talvez a sua) para diminuir o poder do estado nas vidas famílias continua. Li em algum jornal que os pais dele farão com o dinheiro arrecadado uma fundação para ajudar crianças com esta doença. Porém isso não basta. É preciso que se repensem as leis que façam com que mais país repitam o sofrimento e a dor de ver seu filho perder a vida quando existe possibilidade de cura.

É justamente nessa hora que eu repito e bato na mesma tecla há mais de dez anos neste blog: Política e religião se misturam sim senhor. É mister eleger políticos éticos e que tenham princípios morais. E no nosso caso, políticos que, além de honestos, tragam o ponto de vista cristão para as assembleias, para o senado e para os tribunais.

A luta de Charlie Gard continua viva.
#SomosTodosCharlieGard

Dominus Vobiscum

O Papa, o índio louco e a cruz comunista: Pode ou não pode Arnaldo?

O mundo inteiro estranhou e se revoltou com o presente que o índio doido que os bolivianos chama de presidente deu ao Papa. E o Dominus Vobiscum não poderia de dar sua opinião.

O mundo inteiro estranhou e se revoltou com o presente que o índio doido que os bolivianos chama de presidente deu ao Papa. E o Dominus Vobiscum não poderia de dar sua opinião.

A ousadia dos comunistas aliada ao desejo de ofender os cristãos não tem limites e em geral propicia-nos a momentos toscos como este da foto acima. O assunto já está batido e debatido nas redes sociais de forma que vou apenas resumir o acontecido para prosseguir com o pensamento…

Em visita a Bolívia, o Santo Padre recebeu do presidente Evo Morales (aquele índio doido que os bolivianos chamam de presidente) essa coisa bizarra a quem chamaram de cruz, feita em forma da foice e do martelo (símbolo do comunismo). A cara do Papa Francisco mostra o grau de satisfação dele com o presente. E nem adianta diplomatas falarem: O pontífice não gostou. Se ele fosse brasileiro e nordestino talvez dissesse: “Mas que raio de bixiga lixa é isso? Queres arriar é velho?” Mas como o Papa é argentino, foi um pouco mais educado. Disse algumas palavras que cada um interpreta de um jeito. Como não falo espanhol, não entro no mérito…

Porém mais do que um presente de grego, ao meu ver, o presente é uma afronta a fé católica: Cristo sendo crucificado em uma foice e em um martelo, retrata o descaso da ideologia social-comunista para com o objeto mais sagrado do cristianismo que é a cruz. É preciso lembrar que o comunismo tem como um de seus pilares a destruição da fé católica. E antes que me chamem de radical ou venham tentar argumentar que não, transcrevo abaixo trecho do próprio Karl Marx afirmando efusivamente que o fim da religião é imprescindível para o crescimento do comunismo:

“Além disso, há verdades eternas, como a liberdade, a justiça, etc, que são comuns a todos os regimes sociais. Mas o comunismo quer abolir estas verdades eternas, quer abolir a religião e a moral, em lugar de lhes dar uma nova forma, e isso contradiz todo o desenvolvimento histórico anterior.” (Karl Mark – Manifesto Comunista)

“A luta continuava a ser travada com armas filosóficas, mas já não se lutava por objetivos filosóficos abstratos; agora, tratava-se diretamente de acabar com a religião tradicional e com o Estado existente.” (K. Marx. F. Engels. Obras escolhidas. vol. 3. Rio de Janeiro, Editorial Vitória Limitada, 1963, p. 176)

Além do mais, sabemos que ao longo da história o socialismo e o comunismo (partindo do princípio que ambos tem a mesma raiz), já mataram mais de 100 Milhões de pessoas em todo mundo.

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Portanto o presente de extremo mal gosto estético e artístico não foi por acaso. Existe ali uma razão implícita de afronta ao Papa e consequentemente ao cristianismo no mundo todo. Não esqueçam que a própria Teologia da Libertação (uma tentativa de inserir a ideologia comunista na Fé Católica) tem um discurso que tenta reduzir a distância entre o céu e a terra usando como exemplo a cruz, e afirmando que temos que ser “menos verticais” e mais “horizontais”. Ou seja: Vamos derrubar o clero e ordem litúrgica e vamos fazer uma Igreja do jeito que agente quer e que agente gosta. Houve ali uma tentativa de minimizar a força do símbolo maior da nossa fé, que é a morte cruenta de Nosso Senhor Jesus Cristo e consequentemente a sua vitória contra a morte, ressuscitando no terceiro dia.

Óbvio que o presidente da Bolívia inventou uma desculpa para dar o presente (dizendo que foi uma obra de arte feita por um padre e blá,blá, blá…) querendo dar uma de João-sem-braço, pensando que enrola o mundo do jeito que enrola os bolivianos, mas sabemos a sua real intenção.

Sabemos também que o Padre Frederico Lombardi recentemente deu um depoimento em nome da Santa Sé colocando panos quentes na situação (e antes que crucifiquem o Papa ou o Vaticano, lembrem-se que a Santa Sé é um país e que portanto a diplomacia se faz necessária).

Mas como eu não sou diplomata e achei aquela coisa tosca, fruto de um tremendo mal gosto estético, além de uma afronta a minha fé, eu vou falar sem diplomacia: Sou católico e acho que aquilo ali não se dá pra ninguém. Foi uma afronta a fé e uma tentativa de ridicularizar a Igreja. Se eu como católico me senti ofendido, imagina o Santo Padre?

Agora vamos a história recente para mostrar que o presente não dado por acaso, mas ao contrário, foi mais uma tentativa de espezinhar a Igreja Católica de forma irônica e jocosa. Veja ele já fez umas palhaçadas assim antes. é reincidente amigos! Já levou cartão amarelo e já passou da hora de levar um cartão vermelho! Veja…

No início de seu governo em 2006, Evo se apresentava como líder ambientalista e evocava a divindade divina andina Pachamama (“Mãe Terra”). Mas no intuito de ganhar dinheiro seu discurso mudou. Recentemente ao autorizar a exploração de gás e petróleo em parques nacionais, Evo afirmou que as reservas florestais são apenas “invenções do Império Norte-Americano”. Resumindo: Ele não acredita em nada só no dinheiro e no poder como todo bom comunista.

Na sua posse, Evo Morales fez questão de começar as solenidades com um ritual ancestral indígena em um sítio arqueológico chamado Tiwanaku. Dilma participou do evento...

Na sua posse, Evo Morales fez questão de começar as solenidades com um ritual ancestral indígena em um sítio arqueológico chamado Tiwanaku. Dilma participou do evento…

Vale lembrar que por causa deste senhor, o Catolicismo deixou de ser a religião oficial da Bolívia. Com isso o ensino religioso foi abolido no país desde 2009 quando também afirmou:

“A Igreja Católica é um símbolo do colonialismo europeu e, portanto, deve desaparecer da Bolívia”.

Recordemos ainda que quando visitou o Vaticano em 2013, Evo Morales achando-se senhor do bem e do mal, e no direito de dizer o que a Igreja deve ou não fazer, entregou ao Papa Bento XVI uma carta pedindo o fim do celibato e a ordenação presbiteral de mulheres, dizendo que a Igreja precisa “democratizar e humanizar sua estrutura clerical”:

“A Igreja não tem que negar uma parte fundamental de nossa natureza como seres humanos e deve abolir o celibato. Assim haverá menos filhos e filhas não reconhecidos por seus padres”…

Moral da história: Evo Morales ofendeu e no fim da história ficou feio pra ele, porque é ridículo ofender um visitante da forma que ele fez com o Papa. Isso mostra o caráter deste homem, e da ideologia a qual ele pertence e milita. Também mostrou que o comunismo, ao contrário do que alguns dizem está mais vivo do que nunca e que a América do Sul está cheio de gente que pensa assim e que já dominou boa parte dos governos sul-americanos. Se o Papa continuar visitando os “hermanos” da América do Sul é capaz de receber coisa pior: Quem sabe até uma… mandioca!

Não pensem que o índio pachamana é o único: O presidente da Venezuela é comuna, da Argentina também, do Uruguai, do Chile, do Brasil… Quem sabe esta viagem do Papa não sirva para abrir os olhos dos cegos que não perceberam ainda que a América do Sul está se tornando uma América Social-Comunista? Quem sabe não sirva para que alguns católicos que ainda agonizam na tal Teologia da Libertação não vejam o perigo disso para nossa fé? Afinal de contas, há males que vem para o bem…

Dominus Vobiscum

Acabou a esperança?

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Gostaria de começar este texto com algumas perguntas: Você confia no ser humano? Você confia na humanidade? Você acredita que a humanidade pode construir uma sociedade perfeita? Será que o nosso futuro será melhor do que vivemos hoje?

Eu não sei você, mas para todas estas perguntas a minha resposta é uma só: Não.

Eu não confio nos seres humanos. Entendo que na nossa vida precisamos confiar em uma pessoa ou outra, mas se você observar direitinho, de uma forma geral, cada pessoa com seus dramas e problemas, pode nos deixar na mão em algum momento. Quantas vezes confiamos em pessoas que nos deixaram na mão? Quantas vezes eu deixei pessoas na mão? Não estou dizendo que todas as pessoas são ruins. Só estou dizendo que não confio nelas. A pessoa que é boa também pode fazer uma má escolha e até por falta de conhecimento ou ingenuidade, colocar àquilo que você espera ou deseja em risco. Seja por maldade, ou seja por uma má escolha, o ser humano pode destruir o que conquistamos. O livre arbítrio é muito bom, mas em contrapartida abre este leque: Por causa de um erro, uma má escolha ou por uma fraqueza a pessoa pode te decepcionar. E olha que até confio, mas não nas pessoas: Confio naquilo que Deus semeou de bom no coração de algumas pessoas que em certos casos se sobressaem.

Também não acredito que a humanidade possa construir uma sociedade perfeita. Se em uma família com cinco pessoas, muitas vezes não se chega a um consenso, quem dirá uma sociedade? Se em uma paróquia muitas vezes não chegamos a um ponto de unidade, quem dirá uma cidade? Quem dirá um país? É preciso pensar que cada pessoa tem um sonho, uma meta, um objetivo. Cada pessoa pensa de um jeito e age de um jeito. Mesmo que todos fossem cristãos, dificilmente se construiria uma sociedade perfeita. Se isso fosse realmente possível, pelo menos uma congregação ou comunidade religiosa seria perfeita. Mas não é…

Nem mesmo as comunidades e congregações mais radicais, mais santas são perfeitas. Pessoas vivem juntas, trabalham juntas, convivem juntas, tem o mesmo ideal e ainda assim não acontece a perfeição.

Além do mais, se pensarmos que a Bíblia fala do Apocalipse como um tempo difícil e complicado para a humanidade, qual a lógica da sociedade melhorar? Sinceramente, eu não acredito que haverá melhora…

Caminhamos para um futuro onde as ideologias estão tomando conta de todos os povos. Como já disse uma vez, a ideologia é uma crença do homem em um mundo perfeito, que para alcançá-lo é necessário destruir tudo que já existe. Portanto não vejo sentido em pensar em um mundo melhor, quando a tônica do debate é a destruição. E ai vem a pergunta: Não temos esperança? Não há vale a pena confiar em ninguém? O que fazer? Chamamos ou não o Chapolim Colorado?

Bom, se você chegou até aqui e teve paciência de ler este texto, você deve estar pensando que eu sou mais um pessimista no mundo, um profeta do Apocalipse ou alguém revoltado com algo. Não caríssimos. Eu tenho esperança…

Diz um adágio popular que quando o vento muda de direção, o pessimista desiste de velejar. O otimista reza esperando que ele volte a ser como antes. Já o realista ajusta as velas. Eu não me considero um pessimista e muito menos otimista. Eu sou um realista que tem sim esperança.

Sim caríssimos existe uma esperança e esta esperança tem nome: Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo. É Nele que eu ponho a minha esperança. É Nele que eu ponho a minha fé. Eu já pus minha confiança em pessoas e me decepcionei. Já esperei de instituições políticas e nenhuma resolveu. A minha fé está no Senhor e na sua Igreja Católica Apostólica Romana, que com seus ensinamentos nos mostram o caminho a seguir. Foi sobre ela que Cristo profetizou dizendo que as portas do inferno jamais prevaleceriam sobre ela.

Com isso não estou dizendo que será fácil, ou que quem estiver na Igreja de Cristo terá uma vida mais fácil. Todos nós passaremos por duros momentos. Mas, quem estiver dentro da Barca de Cristo, terá o fardo aliviado e encontrará consolo em suas promessas, até por que, todas as suas promessas se cumprem.

Tem muita gente que se diz católico, que na hora do “pega pra capar” deixa de lado o que a Igreja ensina para colocar sua confiança em pessoas, sejam elas sacerdotes, formadores de opinião, artistas e até políticos cafajestes que são bons de bico, mas que são mais sujos do que pau de galinheiro. É que das duas uma: Ou este cidadão ainda não entendeu que em se tratando de pessoas de carne e osso, nós confiamos desconfiando, ou esta pessoa no fundo ainda não conhece Àquele que nos salva e liberta. Ela pode estar há anos na Igreja, mas não conhece Nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora pergunto a você: Em quem você deposita sua esperança?

Dominus Vobiscum

Política para os católicos: A diferença entre o político, o politiqueiro e o revolucionário

Interromper.Conversa

Política é a arte de administrar conflitos. Para mim, esta é a definição mais completa e mais sucinta sobre o tema. Estava pensando nisso quando resolvi escrever sobre três perfis de pessoas que estão mais perto de nós do que pensamos e as vezes nem nos damos conta: A pessoa política, o politiqueiro e o revolucionário. Antes de mais nada, é possível que você não se enquadre em nenhum destes perfis, por não ser assim tão predisposto(a) a política ou ao debate, mas observe que como fazemos política em todos os lugares, dificilmente não nos enquadraremos em um destes tipos. E por que falar disso em um blog católico? Por que estes três tipos também estão dentro das nossas paróquias e comunidades. Leia…

Uma pessoa política, não é aquela que “bajula” os outros. Não é o famoso “puxa-saco” – Também conhecido como “xeleléu” ou “babão”. Em um sentido mais subjetivo, podemos afirmar que uma pessoa política significa, também, ter a sabedoria – e talvez a astúcia – para lidar com situações ou pessoas que nem sempre nos são agradáveis, usando a solidez do diálogo e a força do argumento para resolver possíveis conflitos em questão. Entenda que por razão de falarmos de conceitos, uma pessoa política ao portar estas habilidades, pode ser boa ou não. Mas, ainda que está pessoa use seus dons e conhecimentos para interesses pessoais ou escusos, não se pode dizer que ela não é uma pessoa política. Se a pessoa tem essas características e as usa para o bem comum ou para defender aquilo que é justo, correto, louvável, ético e valoroso, esta pessoa é uma boa pessoa política ou um “político do bem”. Caso ela use isso para o seu benefício próprio, ela é uma má pessoa política ou seja, uma espécie de Darth Vader (do lado negro da força).

Se você olhar por esta ótica, vai ver que existem verdadeiros políticos perto de você. Sim eles estão ao seu redor e talvez até você mesmo seja um político e não se deu conta. Quando existe aquela reunião de paróquia onde as pessoas discutem, os ânimos se arrefecem e do nada aparece alguém que com o diálogo e fortes argumentos, consegue expor suas ideias e conseguir um consenso, ou ao menos apoio de parte do grupo, respeitando as regras do diálogo e do debate, eis ai uma pessoa política.

Resumindo: A pessoa política é aquela que tem capacidade de falar, ouvir, argumentar de forma racional e lógica suas ideias, explicando o que pensa, de forma clara para todos os presentes, respeitando o senso ético de um debate de ideias. Uma pessoa política sabe que pode vencer ou perder.

Ao nosso redor existem muitas pessoas com este dom. Sim amigos, política é um dom. Até por que, administrar conflitos não é para qualquer um. Defender ideias, leis, valores, rumos, caminhos e metas não é para todo mundo.

Por outro lado existe o politiqueiro, mas deste eu não vou falar muito, até por que, este é um sujeito que onde quer que esteja, infelizmente acaba sofrendo por si só. Logo é descoberto e se destrói sozinho no meio do caminho. O politiqueiro é o sujeito que vive de orelha em pé, atento para bajular aquele que tem mais poder, a fim de sobreviver em meio ao caos. Ele é o cidadão que se esgueira pelos cantos, como um ratinho de esgoto. Como não tem força de argumento e foge do diálogo e do debate de ideias, vive da bajulação e da promoção alheia. Este é o mais vil dos elementos que encontramos na política.

Mas o perfil mais preocupante é o famoso “revolucionário”. Este sim é complicado. Mas por que?

A princípio alguém poderia dizer: Mas é bom uma revolução de vez em quando. Precisamos renovar. E para isso o revolucionário é perfeito! Poderia ser mas não é.

O revolucionário é alguém de certo modo atua na política, mas passa longe de ser uma pessoa política, e por uma simples razão: O revolucionário não ouve, não debate e não pondera. O revolucionário só fala, só argumenta e impõe a ferro e fogo as suas ideias. O revolucionário tem esse nome, por que não respeita as regras do debate. Não respeita a pessoa com quem ele debate. O revolucionário se estabelece de um jeito ou de outro, seja na força, seja na voz… É o famoso criador de panelinhas. Como seu argumento é fraco, ele precisa de um grupo para lhe encorajar. Ele não une, mas prega a divisão de grupos, pessoas e classes. E como seu argumento é fraco, em geral é o que mais grita, como se fosse possível impor uma ideia pelo seu volume vocal.

Uma outra característica do revolucionário: Suas propostas em geral visam uma ruptura dura e seca com o que vivemos. Para ele nada do que vivemos, do que foi definido por uma hierarquia está certo. Tudo tem que ser desobedecido, tudo tem que ser diferente e enquanto não for, não está bom. Só ele sabe o que dá certo. Ninguém sabe mais que ele. O revolucionário defende um futuro que para acontecer necessita da destruição do presente. Explico…

O revolucionário sonha com o mundo do jeito dele. Mas para que isso aconteça, ele não mede esforços para realizar o que deseja, não tem princípios éticos e morais e não se preocupa com nada e nem ninguém. O negócio do revolucionário é “fazer a jiripoca piar” custe o que custar. Para o revolucionário, é possível fazer algo errado, desde que o final seja bom. Ela passa por cima de valores, de pessoas, de sentimentos… Nada disso para ele importa desde que aconteça como ele sempre quis. Ou seja: É o famoso “mimadinho da mamãe” que virou “rebelde sem causa”.

Não precisamos ir muito longe para identificar os políticos bons, os políticos ruins, os politiqueiros e os revolucionários. Olhe para sua paróquia, seu trabalho, sua família e seus amigos. Mas sobretudo olhe para você mesmo. Veja como se dão as relações entre as pessoas e como os interesses pessoais são resolvidos. Você perceberá que este tipo de coisa não acontece apenas no Congresso Nacional ou na Câmara. Acontece ai pertinho de você.

Dominus Vobiscum

Católicos na Política: Uma necessidade dos tempos em que vivemos

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O homem é um animal político. Assim dizia Aristóteles no seu célebre livro intitulado “Política”. Já Santo Agostinho dizia em seu livro Confissões:

Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso. (Santo Agostinho)

Ora, se o homem é um ser político e ao mesmo tempo um ser religioso (pois a busca de Deus é a única que pode aquietar o nosso coração), como pode a política não se misturar com a religião no nosso dia a dia, se dentro de nós estes dois atos (o religioso e o político) se revelam necessidades do ser humano enquanto ser diferenciado dos demais seres da terra?

Infelizmente quando se fala em política, a primeira coisa que nos vem em mente é a trágica política partidária que se faz no Brasil (que de partidária não tem absolutamente nada, haja vista que quase nenhum político da nossa nação defende partidos, mas seus próprios interesses). No entanto a política é mais que isso. Muito mais…

Quando lutamos para que uma rua seja asfaltada, ou reivindicamos por mais segurança em nosso bairro, ou ainda quando realizamos um abaixo-assinado para a criação de um posto de saúde mais próximo, também fazemos política. Naquela famosa reunião de condomínio, quando lutamos pelos interesses comuns e os da nossa família, fazemos política. Ou seja, a política é muito mais do que a nojenta briga político partidária que existe por ai. É muito mais do que corrupção, mensalão, petrolão e roubalheira do dinheiro público. É mais do que estes cretinos sem caráter que vivem as custas do nosso dinheiro.

E justamente por que vemos tantas atrocidades na política atual, é que muitos de nós desejam ardentemente se afastar da política, criando uma ojeriza até da palavra “política”. Um dia eu também já fui assim…

Desde os meus 15 anos participo das coisas da Igreja. Já fui de grupo de jovens, RCC, fui missionário da Canção Nova, participei de pastorais e ministérios diversos… E nessa história, já se vão 25 anos. Uma vida de dedicação as coisas de Deus.

E em boa parte deste período, sempre fui contra qualquer tipo de mistura entre fé e política. Nunca admiti que isso pudesse acontecer, e nunca acreditei que um político pudesse ser católico verdadeiro, ou que um católico verdadeiro pudesse se tornar político e continuar sendo católico. Na verdade para mim a política era uma coisa meio que demoníaca. E sinceramente, vi muita coisa ruim dentro da política que me fazia acreditar que isso era verdade. Quando via algo deste tipo na política, meu pensamento era: Política é coisa do capeta! Deus que me livre disso!

Ao longo da minha vida, vi políticos interesseiros se aproximarem da Igreja querendo votos doando migalhas aos padres… Sumiam depois das eleições. Vi políticos doarem faixas, barracas para quermesse, folhas de canto para missas, cartazes… Desde que tivesse seu nome lá: impresso e em destaque. Vi pessoas se oferecerem para fazer leitura na missa em época de eleição no intuito de se mostrar como candidato. Depois da eleição nem passava na porta da igreja. Vi cada coisa…

Vi pessoas que se diziam extremamente corretas se candidatarem, ganharem a eleição com o voto de católicos e mudarem, defendendo aspectos contrários a nossa fé. Vi católicos aparecendo em escândalos políticos… Infelizmente vi tudo isso. Cheguei a pensar que diante do poder e do dinheiro cada pessoa tem seu preço e ninguém seria tão santo assim a ponto de recusar o poder.

E cada vez que via essas coisas, mais me afastava da política. Mais tinha medo de me aproximar e cair na mesmice dos facínoras que via, e mais tinha raiva desta coisa que para mim era medonha e nociva. Para mim, um católico na política era o mesmo que uma ovelha gorda, jovem, tenra e inocente no meio de uma alcateia pronta para o abate em questão de segundos. Pobre ovelha…

Porém houve um dia em que rezando diante de Jesus Sacramentado depois de ver um certo episódio com um certo político, o Senhor tocou neste assunto comigo. É complicado explicar estas coisas místicas. Mas creio que só Deus para me fazer mudar de opinião com relação a este assunto, sobretudo depois do que tinha acontecido. Diante de Jesus, comecei a pensar sobre como um bom político poderia fazer a diferença para as pessoas. Não sei explicar com palavras, mas me vinham imagens a mente de possibilidades positivas onde um bom político poderia ajudar pessoas. Aquilo mexeu comigo. Senti que Deus me levava a rezar para que despertassem no país católicos políticos. Não quero ser político (Deus me livre). Mas partir deste dia, passei a pedir a Deus por isso. E sempre pedia (e peço até hoje) por políticos incorruptíveis, pois para mim esta é a nossa necessidade nesses tempos difíceis. Passei a pedir a Deus por políticos que amassem a Deus sobre todas as coisas e não a partidos. Passei a rezar por políticos que tenham Deus no coração e não se abram a ideologias ou ideias que são contrárias a nossa fé. Resumindo: Passei a pedir por santos na política. Se nosso Deus é o Deus do impossível, por que ele não poderia fazer nascer uma geração de santos para atuar onde vivem os lobos? Se Deus estiver no controle quem sabe as ovelhas doces e tenras não podem dar um “hadouken” nos lobinhos do mal? Até na política eu ponho minha fé em Deus e não nos homens…

Hoje eu tenho a clareza que nenhuma ideologia (partidária ou revolucionária) possa retirar nosso país do estágio no qual se encontra. Apenas Deus.

Ele é a nossa força e a nossa esperança. É Nele que cremos e confiamos. Todos os homens que se arvoraram em salvadores da pátria fracassaram. Sucumbiram diante do mal, da corrupção e do pecado. É óbvio que existem ideologias totalmente e declaradamente contrárias a fé católica que precisam ser rechaçadas. Mas toda ideologia é risco, sobretudo àquelas que se escondem hoje, para serem mais perversas no futuro. Porém homem algum pode nos salvar. Só Jesus salva!

E tenho outra certeza neste mundo: Política e religião precisam se misturar e a fé que temos precisa reger nossos atos políticos. Somente quando os católicos (desses que realmente querem ser santos) se envolverem com este assunto e adentrarem neste campo, o Brasil mudará. Não por eles, mas pelo Cristo que habita dentro deles. Hoje mais do que nunca, o católico é chamado a trazer sua fé para a sociedade, defendendo seus valores e transformando a sociedade em que vivemos aos moldes do evangelho. O Brasil é sim um país laico, mas a maioria do seu povo é católico, e no dia em que o católico entrar na política levantando a bandeira do evangelho, a coisa muda.

Hoje eu não vejo um católico na política como uma ovelha no meio de lobos famintos. Eu vejo um católico na política como uma cruz iluminada que demarca um território que é nosso, afastando as trevas de nós.

Oremos,

Dominus Vobiscum

Por que Nossa Senhora sempre que aparece fala mal do comunismo?

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Deus me fala de formas muito diferentes. É assim comigo, com você e com qualquer um de nós que se deixa conduzir por Ele. Isso não nos faz melhores ou piores. É que Deus usa dos fracos para confundir os fortes, e no fim das contas, acabamos por fazer o óbvio: Dar Glória a Deus por tudo e em todos os momentos.

Quem me conhece e acompanha meu facebook pessoal, sabe da crescente preocupação que tenho com relação aos rumos que a política do nosso país tem tomado: Uma política ideológica que exclui os valores cristãos do seio da sociedade. Pois bem, hoje estudando um pouco sobre Nossa Senhora das Graças, de pesquisa em pesquisa, acabei chegando a diversos sites que acabaram por me responder uma pergunta clássica: Por que em tantas aparições de Nossa Senhora, ela mesma nos alerta sobre o perigo do comunismo? Será que o comunismo (e as suas variações mais modernas como o socialismo) são tão más assim ou é coisa de católico radical, fundamentalista e conservador? Ou será Nossa Senhora mentirosa? A resposta eu lhe dou em alguns fatos:

Fato 1: Outubro de 1917

Comunistas russos realizam o golpe de estado e tomam o poder. Uma das primeiras ações dos soldados vermelhos foi apossar-se de uma imagem de Nossa Senhora — de vários séculos de antiguidade, da feliz época em que a Rússia ainda era católica — e furar-lhe os olhos. A imagem encontrava-se na parte posterior da catedral ortodoxa (cismática) de São Basílio, na Praça Vermelha. Logo depois colocaram na boca do menino Jesus um cigarro, como símbolo de desprezo e irreverência. [Link original aqui]

Fato 2: 29 de julho de 1936

Berja, sul de Espanha. Comunistas espanhóis atacam um santuário de Nossa Senhora. Jóias e objetos de valor tinham sido previamente retirados pelos fiéis, como medida de proteção. Os vermelhos pegaram todos os móveis que conseguiram, fizeram uma pequena fogueira e colocaram sobre ela a imagem da Virgem, destruindo-a completamente. Como não conseguiram destruir uma pintura representando os milagres de Nossa Senhora, que se encontrava no teto, crivaram-na de balas. Depois disso, transformam o santuário em curral para gado. [Link original aqui]

Fato 3: 6 de dezembro de 2003

Caracas, Venezuela. Manifestantes comunistas, partidários do presidente Chávez, tomaram a praça Altamira, na capital, onde os oposicionistas se reuniam em torno de imagens de Nossa Senhora. Em abominável sacrilégio, jogaram as imagens ao chão, fizeram sobre elas suas necessidades fisiológicas e chegaram ao cúmulo de simular a realização de ato sexual com elas. O então vice-presidente do país, presente no local, não tomou nenhuma providência para evitar a diabólica profanação. [Link original aqui]

Fato 4: 21 de junho de 2007

China. Um decreto oficial do governo comunista ordenou a demolição com dinamite do santuário de Nossa Senhora do Monte Carmelo, em Tianjiajing. A imagem da Santíssima Virgem, de cem anos de antiguidade, deveria ser destruída, e também as estações da Via Sacra. Devido à pressão internacional, os atos sacrílegos foram, por ora, adiados, mas os católicos foram proibidos de realizar qualquer manifestação, peregrinação ou função religiosa no local. [Link original aqui]

Exemplos como os anteriores poderiam contar-se às centenas. São países diferentes, épocas diversas, culturas distintas, mas o ódio é o mesmo. Vem desde o início do regime comunista na Rússia.

Maria é a Rainha dos anjos e o terror dos demônios. A Virgem, pelo simples fato de existir, presta uma imensa glória a Deus e anima todos aqueles que desejam ser de Deus. Além disto, Ela é a medianeira universal de todas as graças, com as quais ilumina a inteligência, fortalece a vontade e estimula a ação dos fiéis na luta da luz contra as trevas. Ora, se Nossa Senhora é medianeira das Graças de Deus e os comunistas a combatem veementemente, de que lado eles estão? Quem é o inimigo sobrenatural da Santíssima Virgem Maria?

São Luís Grignion de Montfort, ensina:

“Uma única inimizade Deus promoveu e estabeleceu, inimizade irreconciliável, que não só há de durar, mas aumentar até o fim: a inimizade entre Maria, sua digna Mãe, e o demônio; entre os filhos e servos da Santíssima Virgem e os filhos e sequazes de Lúcifer; de modo que Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”. (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, Ed. Vozes – 6a Edição, Petrópolis, 1961, p. 54.)

Porém existe um outro aspecto: A natureza da Virgem Maria.

Veja, Maria é real. Maria existe. Ela é uma pessoa assim como você e eu. E age muitas vezes por meio de suas aparições, várias delas bem conhecidas, como em Fátima, outras ainda desconhecidas por diversos motivos. Ela atua segundo a sabedoria de Deus, para promover e ensinar os caminhos de Deus aos homens. Ao contrário da luta de classes promovidas pelos ideais marxistas, a Virgem nos inclina ao amor ao próximo e à harmonia social. Isso é da natureza da Virgem. Esta Nela e assim permanecerá por todo sempre. Portanto se a doutrina marxista prega a divisão, Maria prega a unidade. Se o comunismo prega a luta de classes, Maria prega a paz entre os povos. Não dá para conciliar água e óleo, pois eles jamais se misturam.

A inveja marxista opõe-se à virtude da humildade e ao desprendimento dos bens da Terra. Ao espírito de revolta, de punho erguido, opõe-se a resignação ante os desígnios divinos. Contra a impureza, a blasfêmia, a preguiça, o gosto pela imundície e pelo chulo, Nossa Senhora representa para nós um modelo de Virgem puríssima, de espírito elevado, que vive para louvar a Deus. Ela ama a pobreza digna e sublime como a riqueza desprendida e dadivosa, sempre realizando aquilo que mais glória dá ao Criador.

Eis ai o grande motivo do ódio dos comunistas contra Nossa Senhora.

Dominus Vobiscum

O que os dez mandamentos tem a ver com a Doutrina Social da Igreja?

moisestabuaA resposta é simples e direta: Tem tudo a ver!

Os dez mandamentos, que constituem um extraordinário caminho de vida indicam as condições mais seguras para uma existência liberta da escravidão do pecado, contêm uma expressão privilegiada da lei natural. Eles «ensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Iluminam os deveres essenciais e, portanto, indiretamente, os deveres fundamentais, inerentes à natureza da pessoa». Conotam a moral humana universal. Lembrados também por Jesus ao jovem rico do Evangelho (cf. Mt 19, 18), os dez mandamentos «constituem as regras primordiais de toda a vida social». (Doutrina Social da Igreja § 22)

No texto anterior eu havia dito que Deus propôs para o seu povo uma Aliança e que esta é algo parecido com um casamento: Exige fidelidade. É importante que se diga que a Aliança que o Senhor propõe ao seu povo é uma aliança desigual onde somente o homem tem vantagens. Deus não ganha nada com a sua proposta. Deus não precisa dos homens, mas porque os ama, se dá inteiramente a eles, sendo o farol que guia os seus bem amados para o caminho da felicidade. Todavia ao se colocar nesta Aliança, o homem recebe todos os carinhos e cuidados de seu Deus, coisa que ao meu ver é bastante interessante pois, sem Deus o homem caminha no escuro podendo tropeçar ou cair em um buraco. E qual seria esta proposta de Deus aos homens?

Eles serão o meu povo e Eu serei seu Deus. (Jr 32,38)

Aos homens caberia a fidelidade e a Deus o zelo, o cuidado e provisão de seu povo. E é justamente ai que entra a primeira Lei de Deus aos homens: Os Dez Mandamentos. O que Deus pede aos homens é que eles sejam uma sociedade, um povo, uma nação que se baseie em suas leis, para que este povo seja plenamente feliz e realizado. Se você fizer uma análise fria dos dez mandamentos, apenas os três primeiros são de ordem espiritual. Os demais têm claramente uma missão social. Vamos rever os Dez Mandamentos:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas;
2. Não tomar seu santo nome em vão;
3. Guardar domingos e festas;

4. Honrar pai e mãe;
5. Não matar;
6. Não pecar contra a castidade;
7. Não roubar;
8. Não levantar falso testemunho;
9. Não desejar a mulher do próximo;
10. Não cobiçar as coisas alheias;

É óbvio que Jesus Cristo é a Aliança definitiva. Porém gostaria de mostrar a você que Deus ao propor a Aliança aos homens, deu regras sociais que se vividas e respeitadas, conduzem um povo a plena felicidade. O próprio discurso de Jesus Cristo é recheado de “regras sociais” que se vividas, conduzem o homem a um caminho de plena felicidade. Mas voltando ao Pentateuco, é possível perceber diversas outras orientações de Deus ao seu povo, como um “desdobramento” deste decálogo. Veja dois exemplos:

“Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmão… não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante do teu irmão pobre; mas abrir-lhe-ás a mão e emprestar-lhe-ás segundo as necessidades da sua indigência”. (Dt 15, 7-8).

“Se um estrangeiro vier habitar convosco na vossa terra, não o oprimireis, mas esteja ele entre vós como um compatriota e tu amá-lo ás como a ti mesmo, por que vós fostes já estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 19, 33-34).

Se analisarmos bem, até mesmo o trecho que diz para guardarmos os domingos e festas, tem um caráter social, pois ao separar um dia para Deus o homem também separa um dia para si e para sua família, além de dar a oportunidade do homem parar as suas atividades para observar a si e também a tudo àquilo que o cerca. Perceba o quanto a proposta de Deus é interessante! São leis que fazem com que o homem seja de fato homem e não um escravo do trabalho ou dos seus apetites. A Lei de Deus nos liberta do nosso eu mais peçonhento, mais animalesco. É com base nisso que a Igreja ampara a sua Doutrina Social.

Portanto aquele que professa a fé cristã precisa perceber e entender a importância da proposta de Deus para nós enquanto povo e lutar por isso enquanto cidadão. Perceba que as leis de Deus não “excluem” ninguém. Elas não denigrem ninguém. Elas não minimizam e nem desvalorizam a ninguém. Ao contrário, as Leis de Deus valorizam a vida e pessoa! E nós cristãos, entendendo que as Leis de Deus são um presente (um dom) para nós e para todos de um modo geral, precisamos entender as suas leis e defendê-las, não apenas pelo bem dos cristãos, mas para o bem de todos os homens.

Como vamos estudar aqui, perceba que a Doutrina Social da Igreja, passa pelo grande conhecimento das Leis de Deus!

Continuamos em breve…

É Deus (e só Ele) quem cuida de nós!

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Não entregue sua vida, sua história e seu destino a quem não pode, não quer e nem vai te levar a plena realização. Só Deus pode cuidar de você!

O título deste texto resume toda a história da humanidade: É Deus quem cuida do homem! Se você pegar a Bíblia e fizer uma fria análise da relação entre Deus e o homem, você perceberá que em todos os momentos da história, Deus sempre proveu as necessidades do ser humano: Sua obra-prima, sua imagem e semelhança. Ele sempre cuidou das necessidades do ser humano, desde o primeiro homem, até as sociedades organizadas (povo).

“Ele aparece, por um lado, como origem daquilo que é, como presença que garante aos homens, socialmente organizados, as condições básicas de vida, pondo à disposição os bens necessários; por outro lado, como medida do que deve ser, como presença que interpela o agir humano tanto no plano pessoal como no social sobre o uso dos mesmos bens nas relações com os outros homens.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja § 20)

É importante que saibamos antes de qualquer coisa, que Deus nos ama, Deus nos cerca, Deus está perto de nós. E esta proximidade se dá pelo amor que Ele tem por todos nós de forma única e exclusiva.

Contudo, é importante que se diga que quando afirmamos que Deus está perto de nós e cuidando de nós, não podemos pensar que as coisas estão ruins por vontade de Deus, o que Ele deseja coisas ruins. Deus não deseja mortes, não deseja inflação, corrupção, pobreza e abandono. Deus não quer hospitais sem suprimentos, sem médicos e sem cuidados. Deus não quer violência. As coisas estão ruins, mas sem Deus, provavelmente seriam piores. É preciso que entendamos que o mundo jaz no maligno (1 Jo 1,5) mas apesar disso, o Senhor interfere no meio em que vivemos manifestando seu amor e só não manifesta mais, porque os homens se afastaram Dele. Foi assim na criação, foi assim quando o povo se tornou escravo no Egito, foi assim em diversos eventos narrados na Palavra de Deus. Em todos eles, Deus se manifestou gratuitamente e sem nada exigir em troca, para libertar seu povo das situações mais difíceis.

É preciso que se diga que quando o homem se mete em enrascada a razão principal é uma só: O afastamento de Deus. Leia a Bíblia e veja que quando o homem resolve trilhar seus próprios caminhos e se afastar do caminho de Deus, ele sempre se mete em fria. Se Deus é a luz, quem Dele se afasta cai na escuridão. A grande raiva e frustração do ser humano é não obter êxito de uma vida frutuosa e feliz longe de Deus.

Talvez você me diga: Mas eu sou fiel a Deus, minha família é temente a Deus. Vamos a missa, rezamos, fazemos tudo conforme reza o catecismo, mas passamos por situações difíceis. Por que isso acontece?

A resposta é simples: A sua conversão pessoal é importante, pois ela muda sua vida por dentro, por inteiro. Mas perceba que a relação de Deus na Bíblia em muitos momentos se dá com um povo e não de forma individual. Em vários momentos bíblicos, foi necessário que o povo como um todo, se arrependesse de seus pecados – sobretudo de idolatria e indolência – para se voltar ao Deus Verdadeiro e retomar a caminhada. Você encontrou Deus, mas ainda tem muita gente no mundo que não o conhece e que por isso talvez até de forma involuntária, está ai praticando o mal e complicando a vida dos outros. Portanto perceba que o encontro pessoal com Deus é o primeiro passo para uma grande mudança, porém é necessário apresentar este mesmo Deus para os que não o conhecem e é este efeito em cascata que vai transformar a sociedade.

Mas veja bem: Aqui eu não estou falando de ir à Missa, ou a grupo de oração. Estou falando de um encontro pessoal com Deus. Aquele momento onde Deus se manifesta na sua vida e te revira de cabeça para baixo e dá sentido a tudo que você já viveu. Muita gente vive décadas na Igreja mas nunca experimentou Deus. Isso é fundamental para a vida de todas as pessoas.

Perceba que em todas as vezes que Deus libertou o povo de alguma cilada, ele propôs uma aliança. Quero repetir a palavra “propôs”. Deus fez uma proposta e nunca uma ordem. Deus nos apresenta um caminho. Deus nos faz uma oferta. Mas que oferta seria essa?

Ser o seu povo enquanto Ele seria o Deus desse povo. Como um casamento onde o esposo se dá a esposa, Deus propõe ao homem esta Aliança. E esta é a única forma do homem não cair na cilada do inimigo. Esta é a única maneira do homem não fazer da sua vida um inferno. No próximo texto, falaremos mais sobre esta Aliança.

Espero você por aqui.

Dominus Vobiscum

Por mais sensibilidade ao sofrimento do outro

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Ao ler hoje o trecho inicial do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fui tomado por um súbito momento de reflexão. Sabe quando você lê um livro e de repente uma frase te leva para longe dali e te faz pensar em coisas que você viu ou fez? Pois é, hoje aconteceu comigo. O trecho que me fez viajar em reflexão foi este:

«Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se? E o cenário da pobreza poderá ampliar-se indefinidamente, se às antigas pobrezas acrescentarmos as novas que frequentemente atingem mesmo os ambientes e categorias dotadas de recursos econômicos, mas sujeitos ao desespero da falta de sentido, à tentação da droga, à solidão na velhice ou na doença, à marginalização ou à discriminação social. […] E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta? Ou em face dos problemas da paz, frequentemente ameaçada o íncubo de guerras catastróficas? Ou frente ao vilipêndio dos direitos humanos fundamentais de tantas pessoas, especialmente das crianças? » (Compêndio da Doutrina Social da Igreja § 4)

Fiquei pensando sobre esta sensibilidade com aqueles que sofrem. Achei por um momento que havia perdido isso. Percebi que em muitos casos esta compaixão estava se apagando dentro de mim. Infelizmente a verdade é que constantemente vejo desgraças na TV, na internet e nas ruas. Infelizmente desconfio daqueles que se aproximam de mim nas ruas, com medo de assalto. Nos noticiários vejo mortes aos montes e nenhuma lágrima vem aos meus olhos. Pensei que talvez eu tivesse me fechado em meu universo.

A reflexão se tornou mais profunda, quando percebi que este problema não é só meu: Está na sociedade inteira. A verdade é que a grande maioria de cada um de nós se fechou para o outro. Entre os seres humanos de hoje, existe um muro que é difícil de ser quebrado, quase intransponível. Nos comunicamos com quem está ao lado apenas com celulares. Somos “experts” em tecnologia, mas não sabemos nada de relacionamento entre pessoas. Já não trocamos mais palavras de afago. A ternura se perdeu…

Hoje por alguns momentos rezei pedindo a Deus que retirasse de mim esta insensibilidade. E rezei também por todos os amigos que visitam este blog. Portanto rezei por você também. Mas o legal é que durante a oração, lembrei que quando criei este blog, o meu desejo era ajudar os irmãos católicos que desejassem conhecer a fé católica. Lembrei que quando sai de Recife para fazer uma experiência missionária, meu desejo era apresentar aos irmãos o meu maior tesouro: Jesus Cristo. E dali fui lembrando de tudo que aconteceu na minha vida e que teve o desejo único de ajudar os irmãos a ter um encontro pessoal com Nosso Senhor.

Este texto não foi para apontar méritos e deméritos da minha vida, mas para mostrar que assim como eu, talvez você também tenha vivido este conflito entre erros e acertos, perdas e ganhos. E se viveu, é hora de recolocar a fé nos trilhos e perceber que Deus é o mais importante, porém o amor ao próximo é a missão que Deus nos confia. Não é fácil pensar no outro. E é muito mais difícil abrir mão de nossas vontades para fazer o outro feliz. Mas a nossa missão é o outro. Nossa tarefa é fazer o bem comum e não apenas o nosso bem.

Que o bom Deus que nos ajude a nos compadecer com aqueles que sofrem a ponto de sair de nós mesmos e do nosso universo, para fazer a vida do outro melhor, escolhendo o bem comum e fazendo a felicidade do irmão, e consequentemente, trazendo a alegria ao coração de Cristo.

Dominus Vobiscum

Você conhece a Doutrina Social da Igreja?

Amor ao próximo

O leigo tem uma missão definida dentro da Igreja: A ele cabe a atuação nos diversos setores da sociedade, transformando os ensinamentos de Cristo em ações concretas.

A Igreja Católica não é a instituição mais importante do mundo a toa. Ao longo dos século ela desempenha um papel importante na sociedade. A sua visão sobre o mundo e suas necessidades, faz com que a partir do Cristo (cabeça da Igreja), ela olhe para o mundo de uma outra maneira e reflita sobre os seus principais problemas com outra ótica. Ao olhar o mundo sob a perspectiva dos ensinamentos de Jesus e sob a Luz do Divino Espírito Santo, a Igreja traz uma resposta diferente de todas as respostas que o mundo nos apresenta, independente do problema apresentado. E nestes mais de 2.000 anos a Igreja sempre tratou com carinho e respeito os filhos de Deus, respondendo de forma concreta e realista a todos os questionamentos da sociedade.

Por isso a Igreja Católica tem na sua Doutrina Social, um dos mais importantes documentos para seus membros, pois incentiva a todos (sobretudo os leigos) a conhecerem a perspectiva cristã sobre os mais diversos assuntos, assimilarem este conteúdo e aplicá-los na vida civil e social, ou seja, no nosso dia a dia. Na verdade, esta é a nossa principal tarefa como católicos leigos: A atuação na sociedade. Somos chamados a ser sal na terra e luz no mundo. Somos chamados a entrar na Igreja para aprender, e sair de lá dispostos a colocar em prática em todos os lugares onde estivermos.

Tem muita gente que está na Igreja trabalhando em pastorais e grupos de oração, achando que o “top” do serviço que ela presta a Igreja é ser um ministro da eucaristia, um músico, ou animador de pastoral. Outros (e eu já pensei assim), trazem o desejo de serem leigos que assumem o papel do padre, deixando-o livre para assumir o papel do leigo. Infelizmente pensar assim, é pensar errado, e talvez por isso tenha tanto leigo sofrendo por não encontrar seu lugar na Igreja.

Assim como os padres têm tarefas definidas, assim também o leigo tem as responsabilidades próprias da sua missão, e por isso é necessário que cada um de nós saibamos o nosso lugar nesta grande obra que é a Igreja.

“Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos… Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos “animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça” (SRS 42). (CIC §2442)

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja é um documento riquíssimo, que todos os leigos têm a obrigação de ler e estudar, e ouso dizer que se o leigo estudar a fundo este documento apenas durante a sua vida e colocá-lo em prática, ele já terá feito muito pela Igreja. Óbvio que todos os documentos da Igreja precisam ser lidos e são importantes, mas o que quero salientar é o caráter prático deste texto e para quem ele se destina: Ele é para nós leigos e nos mostra como fazer tudo a Luz de Cristo. É como uma receita de bolo: É ler, seguir e esperar o resultado.

É importante frisar que tudo que a Igreja propõe tem como objetivo a dignidade do ser humano como filho amado de Deus. A Igreja não dá em nenhum momento ênfases ideológicas e também não é adepta a economias diversas. O que você encontra neste documento, nada mais é do que um caminho para eu e você amarmos de forma concreta os nossos irmãos que fazem parte da mesma sociedade que nós.

Portanto a partir de hoje vamos começar a refletir profundamente este documento e “redescobri-lo” fazendo uma grande partilha sobre a riqueza destes ensinamentos. Desde já eu quero disponibilizar aqui o Compêndio da Doutrina Social da Igreja que foi preparado em pdf pelo excelente apostolado Veritatis Splendor que é um dos mais antigos apostolados católicos da internet: Baixe o Compêndio da Doutrina Social da Igreja clicando aqui. Durante este período, vamos estudá-lo de forma mais detalhada. E vem ai podcasts e hangouts para comentarmos o assunto. A tônica agora é aprender, porque quem aprende faz certinho! E eu estou com a Igreja e quero fazer certinho também!

Quero convidar você a visitar constantemente nosso blog, para se manter por dentro das nossas postagens. Aguardo você por aqui!

Dominus Vobiscum