Padres do Deserto: Sentenças do Pai Isidoro

Apotegmas de diversos Santos padres - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Os padres do deserto prezavam e muito pela busca das virtudes e pelo afastamento dos vícios da alma. A busca por uma virtude se dá dia a dia. Ela é a vitória sobre aquele vício que trazemos na carne. Hoje quero deixar registrado aqui, cinco apotegmas atribuídos ao Pai Isidoro. Nelas vamos ouvir considerações importantes sobre a vida de oração, o desprezo aos prazeres do mundo, a busca pelas virtudes da alma, a humildade e a real intenção do jejum.

1. Pai Isidoro disse: “Quando eu era mais jovem e permanecia em minha cela eu não punha limites à oração; a noite era para mim tempo de oração tanto quanto o dia”.

2. Pai Isidoro foi um dia ver Pai Teófilo, arcebispo de Alexandria e quando retornou a Scetis, os irmãos perguntaram a ele: “O que há de novo na cidade?” Mas ele lhes disse: “Verdadeiramente irmãos, não vi a face de ninguém, exceto a do arcebispo”. Ouvindo isso ficaram muito ansiosos e disseram: “Houve algum desastre lá então, Pai?” Ele disse: “Não, de modo algum, mas o pensamento de olhar para quem quer que fosse não me atraiu”. A essas palavras eles se encheram de admiração e se fortaleceram em sua intenção de guardarem seus olhos de toda distração.

3. Pai Isidoro de Pelúsia disse: “Prezem as virtudes e não sejam escravos da glória; pois as primeiras são imortais enquanto que as últimas logo se desvanecem”.

4. Ele também disse: “As alturas da humildade são grandes e também as profundezas da vanglória; aconselho-os a atenderem à primeira e não caírem na segunda”.

5. Pai Isidoro, o sacerdote, disse: “Se você jejua regularmente, não se encha de orgulho, mas se você se vangloria por causa disso, então é melhor que coma carne. É melhor para um homem comer carne do que se inflar com orgulho e gloriar-se de si mesmo”.

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Padres do Deserto: Histórias diversas I

Apotegmas de diversos Santos padres - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Nesse post resolvi postar apotegmas que encontrei, mas como não temos muitos dos mesmos autores, resolvi colocá-los juntos para que possamos meditá-los. Para os desavisados, é importante recordar que os Santos Padres do Deserto foram os primeiros monges católicos. Deixaram o conforto para viver uma vida de silêncio, penitência e oração no deserto árido, seco e quente.

PAI AMON
Disse o abade Amon: “Suporta todo homem assim como Deus te suporta”.

PAI APOLO
Havia nas celas um velho homem chamado Apolo. Se aparecia alguém chamando-o para ajudar em alguma tarefa, ele ia alegremente, dizendo: “Vou trabalhar com Cristo hoje, pela salvação de minha alma, pois esta é a recompensa que Ele dá”.

PAI CIRO
Perguntaram a Pai Ciro da Alexandria, sobre a tentação da fornicação e ele replicou: “Se vocês não pensarem sobre isso, vocês não têm esperança, pois se vocês não estiverem pensando nisso, estão fazendo isso. Quer dizer, aquele que não luta contra o pecado e resiste a ele em seu espírito vai pecar fisicamente. É bem verdade que aquele que está fornicando não está preocupado pensando nisso”.

PAI DOULAS
Pai Doulas, discípulo de Pai Bessarião disse: “Um dia, quando estávamos caminhando ao longo da praia, eu estava sedento e disse ao Pai Bessarião: ‘Pai, estou com sede’. Ele rezou e disse-me: ‘Beba um pouco da água do mar’. A água estava doce e eu bebi. Cheguei a pegar um pouco numa garrafa de couro, pois tive medo de ficar sedento mais tarde. Vendo isto, o velho homem perguntou-me porque eu estava levando água. Eu disse a ele: “Perdoe-me, é por medo de ficar com sede mais tarde’. E o ancião disse: ‘Deus está aqui, Deus está em todo lugar'”.

PAI EPIFÂNIO
Dizia o abade Epifânio: “Conhece-te a ti mesmo e nunca cairás. Dá trabalho à tua alma, isto é, a oração contínua e o amor de Deus, antes que alguém a leve a maus pensamentos; e reza para que o espírito do erro se afaste de ti”.

PAI GERONTE
O abade Geronte de Petra disse: “Muitos daqueles que são tentados pelos caprichos do corpo não pecam com o corpo, mas cometem impurezas com o pensamento. E, mesmo conservando a virgindade do corpo, cometem impureza com sua alma. Portanto, amados meus, fazei como está escrito: “Cada um guarde seu coração com cuidadosa vigilância” (Prov. 4,23).

PAI GREGÓRIO
Gregório disse: “Que a tua obra seja pura pela presença do Senhor e não pela exibição”.

PAI IPERÉQUIO
Disse o abade Iperéquio: “Conserva sempre o Reino dos Céus no espírito, e logo o receberás em herança”.

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Padres do Deserto: Sentenças do Pai Evágrio

Apotegmas do Pai Evágrio - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Evágrio Pôntico foi um escritor, asceta e monge cristão. Dirigiu-se ao Egito, a Pátria dos Monges, a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. Da sua vivência com os monges, traçou as principais doenças espirituais que os afligiam – os oito males do corpo; esta doutrina foi conhecida de João Cassiano, que a divulgou pelo Oriente; mais tarde, o Papa Gregório Magno também ouviu falar nela, e adaptou-a para o Ocidente como os sete pecados capitais e reduzindo de 8 para 7 – a saber a soberba, a avareza, a inveja, a ira, a luxúria, a gula e a preguiça (à qual Evágrio chamara de acídia e tristeza).

1. Disse o abade Evágrio: “O início da salvação é condenar-se a si mesmo”.

2. Pai Evágrio disse: “Retirem-se as tentações e ninguém será salvo”.

3. Dizia abade Evágrio: “Se te foge a coragem, reza. Reza com temor e tremor, com ardor, sobriedade e vigilância. Assim deve-se rezar, sobretudo por causa dos nossos inimigos invisíveis que são malvados e especialistas no mal; e exatamente neste ponto nos armarão ciladas”.

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Padres do Deserto: Sentença do Pai Daniel sobre a Eucaristia

Apotegma do Pai Daniel, o Faranita - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Isto é o que disse Pai Daniel, o Faranita:

Nosso Pai Arsênio nos contou sobre um habitante de Scetis, de vida digna e fé simples; pela sua ingenuidade, ele foi enganado e disse: O pão que recebemos não é verdadeiramente o Corpo de Cristo, mas um símbolo. Dois anciãos souberam que ele dissera aquilo, conhecendo seu modo de vida correto acreditaram que ele não falara por malícia, mas por simplicidade. Então, vieram a ele e disseram:

Pai, ouvimos da parte de alguém uma proposição contrária à fé, que disse que o pão que recebemos não é verdadeiramente o corpo de Cristo, mas um símbolo. O ancião disse: Fui eu quem disse isso. Então os outros dois o exortaram dizendo:

Não mantenha essa crença, Pai, mas aquela em conformidade com o que a Igreja Católica nos deu. Acreditamos, de nossa parte, que o pão por si mesmo é o Corpo de Cristo, como no início, Deus formou o homem à sua imagem, tomando do pó da terra, sem que ninguém possa dizer que ele não é a imagem de Deus, mesmo que não pareça. Do mesmo modo, com o pão do qual ele disse: este é meu corpo, assim nós cremos que é verdadeiramente o Corpo de Cristo.

O ancião disse-lhes: Enquanto eu não for convencido pela coisa em si, não estarei completamente convicto. Então eles disseram: Vamos rezar a Deus sobre este mistério por toda a semana e acreditamos que Deus vai nos revelar isto.

O ancião ouviu isso com alegria e rezou nessas palavras: Senhor, vós sabeis que não é por malícia que eu não creio, e, de maneira que eu não erre por ignorância, revele isto a mim, Senhor Jesus Cristo. Os dois homens voltaram a suas celas e rezaram também a Deus, dizendo: Senhor Jesus Cristo, revele esse mistério a esse homem de modo que ele creia e não perca sua recompensa.

Deus ouviu suas preces. Ao final da semana eles vieram à igreja no domingo e se sentaram todos os três no mesmo tapete, o ancião no meio.

Em seguida seus olhos se abriram e quando o pão foi colocado na mesa sagrada, aparecia-lhes uma criança pequena, sozinha. E quando o sacerdote estendeu a mão para partir o pão, viram um anjo descer do céu com uma espada e servir o sangue da criança no cálice. Quando o padre partiu o pão em pedacinhos, o anjo também cortou a criança em pedaços. Quando se aproximaram para receber os sagrados elementos o ancião sozinho recebeu um pedaço da carne sangrenta. Vendo isto, ficou com medo e gritou: Senhor, eu creio que isto é vosso corpo e este cálice vosso sangue. Imediatamente a carne que ele segurava em suas mãos se tornou pão, de acordo com o mistério e ele o tomou dando graças a Deus.

Em seguida os dois homens lhe disseram: Deus conhece a natureza humana e sabe que o homem não pode comer carne crua e é por isso que ele mudou seu corpo em pão e seu sangue em vinho, para aqueles que o recebem na fé. Em seguida, deram graças a Deus pelo ancião, porque Ele não permitiu que o mesmo perdesse a recompensa pelo seu trabalho. Então, todos os três retornaram com alegria para suas celas.

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Padres do Deserto: Sentenças do Pai Arsênio

Apotegmas do Pai Arsênio - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Pai Arsênio tem muitas estórias atribuídas a si. Aqui destacamos seis delas. Excelentes para meditar sobre a maneira com que olhamos nossos pecados, a firmeza e constância na oração, onde encontrar a verdadeira sabedoria, agitação interior e como conduzir sua vida para uma ascese espiritual.

1. Diziam dele que havia como que uma depressão escavada em seu peito, pelas lágrimas que caíram de seus olhos durante toda sua vida, enquanto ele fazia seu trabalho manual. Quando Pai Poemen viu que ele estava morto, disse chorando: “Verdadeiramente você é abençoado, Pai Arsênio, pois você chorou por si mesmo nesse mundo! Quem não chora por si mesmo aqui embaixo, chorará eternamente então; por isso é impossível não chorar, voluntariamente ou quando obrigado pelo sofrimento”. (i.é, o sofrimento derradeiro no inferno).

2. Também era dito dele que nas noites de sábado, preparando-se para a glória do domingo, ele virava-se de costas para o sol e elevava suas mãos em oração em direção ao céu, até que o sol novamente brilhasse em sua face. Então ele se sentava.

3. Um dia Pai Arsênio consultou um velho monge egípcio sobre seus próprios pensamentos. Alguém notou e disse a ele: “Abbá Arsênio, como é que o senhor com uma educação tão aprimorada em Grego e Latim, pergunta a um camponês sobre seus pensamentos?” Ele replicou: “Realmente aprendi Grego e Latim, mas não sei nem ao menos o alfabeto desse camponês”.

4. O abade Arsênio, quando ainda estava no palácio imperial, rezou assim: “Senhor, mostra-me a estrada que conduz à salvação”. Então ouviu uma voz que lhe disse: “Arsênio, foge do mundo e serás salvo”. Depois de ingressar na vida monástica, rezou ainda do mesmo modo e ouviu a voz dizer: “Arsênio, foge do mundo, cala e pratica a hesychia. Estas são as raízes do não-pecar”.

5. Num dia, o abade Arsênio chegou perto de um caniço agitado pelo vento. O ancião disse aos irmãos: “O que é isso que se move assim?” “São os caniços”, responderam. “Na verdade, se alguém permanece na paz e ouve o grito de um passarinho, o seu coração não possui a paz. Pior ainda sois vós, que sois agitados como esses caniços”.

6. Um irmão perguntou ao abade Arsênio: “O que devo fazer, Pai? Um pensamento me angustia: como não consigo nem jejuar nem trabalhar, devo ao menos visitar os doentes. Isso merece recompensa”. O ancião viu aí a semente do diabo: “Adiante”, repondeu-lhe, “come, bebe, dorme; apenas não sai de tua cela”. Pois sabia que a fidelidade à cela torna o monge tal como deve ser. Três dias depois, o irmão foi atingido pela indolência. Tendo encontrado alguma pequena palma, quebrou-a, e no dia seguinte começou a fazer uma corda. Quando teve fome, disse: “Eis mais alguma pequena palma: vou terminá-la e depois comerei”. Isso feito, disse ainda: “Quero ler um pouco, e depois comerei”. E, depois de ter lido: “Recitemos ainda algum salmo breve, e depois comeremos sem escrúpulos”. E deste modo, com o auxílio de Deus, pouco a pouco progredia, até tornar-se aquilo que devia ser, e dominando seus maus pensamentos, venceu-os.

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Padres do Deserto: Sentenças do Abade Antônio

Apotegmas do Abade Antônio - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Hoje mostraremos quatro estórias atribuídas ao Abade Antônio (que nada tem a ver com Santo Antônio, tão popular entre os católicos). Nessas sentenças podemos meditar sobre o silêncio diante das ofensas recebidas, ponderação sobre o que falar, não negar seus erros e limites e sobre não perder tempo com meditações inúteis…

1. O abade Antônio profetizou ao abade Amon: “Tu terás muito progresso no temor de Deus”. Depois o conduziu para fora da cela e mostrou-lhe uma pedra: “Põe-te a injuriar esta pedra”, disse-lhe, “maltrata-a sem parar”. Quando Amon parou, santo Antônio perguntou-lhe se a pedra respondera alguma coisa. “Não”, disse Amon. “Pois bem! Também tu”, acrescentou o ancião, “deves alcançar esta perfeição e imaginar que ninguém te ofende”.

2. Alguns irmãos de Scete quiseram ver o abade Antônio. Subiram numa barca e nela encontraram um ancião que também queria procurar Antônio, mas os irmãos não sabiam de nada. Sentados na barca, conversavam a respeito dos apotegmas dos pais, das Escrituras e de seus trabalhos manuais. O ancião, por sua vez, permanecia em silêncio. Chegados ao porto, ficaram sabendo que também o ancião se diriga ao abade. Tendo chegado junto a Antônio, ele lhes disse: “Vocês encontraram nesse ancião um bom companheiro de viagem. E tu, Pai, estiveste junto de bons irmãos!”. Respondeu o ancião: “É verdade, mas a casa deles não tem portas: entra quem quer na estalagem e solta o burro!”. Falava assim porque os irmãos diziam tudo o que lhes vinha à cabeça.

3. O abade Antônio disse ao abade Pastor: “A grande obra do homem é atirar a culpa sobre si mesmo diante de Deus e esperar a tentação até o último sopro de sua vida”.

4. O abade Antônio perscrutava a profundidade dos julgamentos de Deus; e perguntou: “Senhor, por que alguns morrem após uma breve existência e outros chegam à velhice? Por que para alguns falta tudo e para outros há extrema abundância de bens? Por que os malvados são ricos e os bons são atirados na pobreza?” Uma voz respondeu-lhe: “Antônio, cuida de ti mesmo: estes são os julgamentos de Deus e nada te serve entendê-los”.

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Padres do Deserto: Sentenças do Pai Ammoes

Apotegmas do Pai Ammoes - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

São duas as sentenças atribuídas ao Abade Ammoes que consegui encontrar. Elas vão nos falar sobre duas coisas importantes para o crescimento da nossa fé: O valor que damos a palavra de Deus e a coragem de abrir mão dos nossos confortos em nome da vontade de Deus.

1. Dizia-se do Pai Ammoes que quando ele ia à igreja, não permitia que seu discípulo caminhasse ao seu lado mas a uma certa distância; e se esse último viesse lhe perguntar sobre seus pensamentos, ele se afastava dele logo após responder-lhe: “É por receio que, após tão edificantes palavras, sobrevenham conversas irrelevantes, que eu não permito que caminhes comigo”.

2. Foi dito de Pai Ammoes, que ele possuía cinqüenta medidas de trigo para seu uso e as colocara para fora, ao sol. Antes que elas estivessem devidamente secas, ele viu algo naquele lugar que lhe pareceu perigoso, então disse aos seus empregados: “Vamo-nos embora deste lugar”. Porém, eles pareceram aflitos com isso. Vendo seu desalento, ele lhes disse: “É por causa dos pães que vocês estão tão tristes? Na verdade, tenho visto monges fugindo, deixando suas celas lavadas e também seus pergaminhos e eles nem fecharam as janelas, mas deixaram-nas abertas”.

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Padres do Deserto: Sentenças do Pai Agatão

Apotegmas do Pai Agatão - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

Hoje temos três sentenças do Pai Agatão. Elas vão nos falar sobre discernimento, Amor a Deus, desapego, trabalho santificado e qual a importância de vigiar seus pensamentos.

1. Era dito do Pai Agatão que alguns monges vieram procurá-lo, tendo ouvido falar de seu grande discernimento. Desejando ver se ele perdia a paciência disseram-lhe: “Você não é aquele do qual dizem ser um grande fornicador e um homem orgulhoso?” – “Sim, é verdade”, ele respondeu. Eles continuaram, “Você não é aquele Agatão que está sempre dizendo bobagens?” – “Sou eu”. Novamente, ele disseram: “Você não é Agatão, o herético?” Ao que ele replicou: “Eu não sou um herético”. Então eles perguntaram-lhe: “Diga-nos: por que você aceitou tudo que atiramos sobre você, mas repudiou este último insulto?” Ele replicou: “As primeiras acusações tomei para mim, pois é bom para minha alma. Mas heresia é separação de Deus. Vejam: eu nada tenho para ser separado de Deus”. A este dito, eles ficaram surpresos pelo seu discernimento e retornaram, edificados.

2. Freqüentemente o abade Agatão dava este conselho ao seu discípulo: “Nunca pegues para ti algo que não gostarias de imediatamente dar a alguém”.

3. Um dia perguntou-se ao abade Agatão: “O que é melhor: a ascese corporal ou a custódia da mente?”. Respondeu: “Os homens são como as árvores; o trabalho corporal é a folhagem e a custódia da mente é o fruto: ora, todas as árvores que não dão fruto – está escrito – serão cortadas e lançadas ao fogo. Com relação aos frutos, portanto, deve-se vigiar o que nos acontece, isto é, guardar nossa mente. Também temos necessidade da sombra e da beleza da folhagem, que representam a ascese corporal”. De resto, o abade Agatão era muito dedicado e infatigável no trabalho; sustentava-se sozinho; assíduo no trabalho manual, contentava-se com pouco alimento e roupas simples.

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Padres do Deserto: Sentenças do Pai Abraão

Apotegmas do Pai Abraão - Do Site Central de Obras do Cristianismo Primitivo

São muitas as histórias atribuídas aos Santos Padres do deserto. Elas são chamadas de sentenças ou apotegmas. Algumas não tem a autoria reconhecida e outras são identificadas como sendo de grandes homens que viveram naquele tempo. As que vamos ler agora é de um grande Padre do Deserto chamado “Pai Abraão” (que nada tem a ver com o Abraão da bíblia). Em minhas pesquisas não achei muito sobre ele. Porém nas sentenças abaixo se pode aprender bastante com seus apotegmas.

1. Pai Abraão disse de um homem de Scete que era escriba e não comia pão: Um irmão veio a ele para copiar um livro. O velho homem cujo espírito estava absorto em contemplação, escreveu, porém, omitindo algumas frases e sem pontuação. O irmão, tomando o livro e desejando pontuá-lo, notou que faltavam palavras. Então disse ao ancião: Pai, faltam algumas palavras. O ancião disse a ele: Vá e pratique primeiro o que está escrito, depois volte e eu escreverei o restante.

2. Aconteceu um dia que os anciãos se dirigiram ao abade Abraão, o profeta da região. Interrogaram-no a respeito do abade Banê: “Estivemos conversando com o abade Banê a respeito da clausura na qual ele agora se encontra; ele nos disse estas graves palavras: ele julga que toda a ascese e todas as esmolas que fez no passado foram uma profanação”. E o santo velho Abraão respondeu-lhes e disse: “Falou corretamente”. Os anciäos, pelo caminho, lamentaram sua vida, que também fora daquele modo. Mas o abade Abraão lhes disse: “Por que vos afligis? De fato, durante o tempo em que o abade Banê distribuía as esmolas, talvez tenha conseguido alimentar uma vila, uma cidade, um povoado. Mas, agora, é possível a Banê levantar as duas mãos a fim de que o trigo cresça com abundância pelo mundo inteiro. Agora já lhe é possível pedir a Deus que perdoe os pecados de toda essa geração”. E os anciãos, após tê-lo ouvido, se alegraram por existir um suplicante que intercedia por eles.

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Quem eram os padres do deserto?

"Nada pode haver mais útil para o cristão, do que pensar todos os dias: Hoje começo a servir a Deus, e o dia de hoje pode ser o meu último." (Santo Antão)

Chamamos de Padres do Deserto um grupo influente de eremitas e cenobitas dos séculos III e IV que se estabeleceram no deserto egípcio. Eles foram os primeiros monges da Igreja Católica. Segundo os historiadores, Paulo de Tebas é o primeiro eremita do qual se tem notícia a estabelecer a tradição do ascetismo e contemplação monástica e Pacômio de Tebaida é considerado o fundador do cenobitismo, do monasticismo primitivo.

Porém o grande Pai do Monaquismo Oriental é o venerado Antão do Egito que começou as várias colônias de eremitas na região central. Ele se tornou o protótipo do monge religioso da Igreja oriental, uma fama causada em virtude dos escritos de Santo Atanásio sobre ele.

Os Padres do Deserto tiveram uma enorme influência no desenvolvimento do cristianismo primitivo. As comunidades monásticas do deserto que cresceram destes encontros informais de monges eremitas se tornaram o modelo para o monasticismo cristão. A tradição monástica oriental, representada em Monte Atos, e ocidental, sob a Regra de São Bento, foram ambas fortemente influenciadas pelas tradições iniciadas no deserto.

Talvez devido a esse testemunho de busca intensa a vontade de Deus, muitas pessoas saiam das cidades e iam a sua procura em busca de direção espiritual para suas vidas e seus problemas. Muitos desses conselhos foram coletados em um trabalho chamado “Paraíso” ou “Apotegmas dos Padres” (Por Emily K. C. Strand, tradução Jandira). A partir de agora vamos começar a escrever aqui no blog Dominus Vobiscum sobre esses grandes homens da nossa Igreja que são tão pouco conhecidos aqui no nosso país! Espero que você goste!

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