Oração para os momentos de agitação

Oração retirada do livro Orações de Todos os Tempos da Igreja – Prof. Felipe Aquino.

Para nós que vivemos nesses tempos de imensa agitação, no qual se trabalha muito e quase não sobra tempo para a oração, fica o convite para sempre que possível ou necessário, aquietar-se e conversar Deus. Importante saber que quando o coração está atribulado, jamais se deve tomar decisões importantes! Então, que tal parar agora mesmo rezar junto conosco? A oração abaixo é propícia para os momentos onde a agitação e barulho interior nos tira do sentido pleno de Deus. Reze…

Parar…
Como é bom parar!
Senhor, eu gostaria de parar agora mesmo.
Porque tanta agitação?
Para que todo esse frenesi?
Já não sei parar.
Esqueço-me de rezar. Fecho agora os meus olhos,
Quero falar Contigo Senhor.
Quero abrir-me para Teu Universo, mas os meus olhos não querem ficar fechados.
Sinto que uma agitação frenética invade todo o meu corpo, que vai e vem, escrevo da pressa.
Senhor, eu gostaria de parar agora mesmo.
Porque tanta pressa?
Porque tanta agitação?
Eu não posso salvar o mundo.
Sou apenas uma gota de água no oceano imenso de Tua maravilhosa criação.
Verdadeiramente importante é buscar Teu rosto abençoado.
Verdadeiramente importante é parar de vez em quando, é esforçar-se para proclamar que Tu és a grandeza e formosura, a magnificiência, que Tu és o Amor
O urgente é fazer e deixar que Tu fales dentro de mim.
Viver na profundidade das coisas e no esforço contínuo para buscar-Te no silêncio de Teu mistério.
Meu coração continua batendo, mas de um jeito diferente.
Não estou fazendo nada, não estou com pressa.
Simplesmente, estou diante de Ti, Senhor.
E como é bom estar diante de Ti,
Amém.

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A ira – Escritos de Evágrio Pôntico

Quero deixar hoje uma parte do texto de Evágrio Pontico sobre a ira. Já faz algum tempo que comecei a postar aqui no blog os textos deste monge do século IV sobre os oito males do corpo, que mais tarde foram trabalhados pelo Papa Gregório Magno e se transformaram no que conhecemos hoje como os sete pecados capitais. Já falamos anteriormente sobre a gula, a luxuria e a avareza. Leia e medite no que ele escreve sobre a ira. Vale a pena! E que o Senhor Deus tire do nosso coração toda a ira…

A ira é uma paixão furiosa que, com freqüência, faz perder o juízo àqueles que têm o conhecimento, embrutece a alma e degrada todo o conjunto humano. Um vento impetuoso não derruba uma torre e a animosidade não arrasta a alma mansa. A água se move pela violência dos ventos e o homem irado se agita pelos pensamentos irracionais. O monge irado vê alguém e range os dentes. A difusão da neblina condensa o ar e o movimento da ira torna nublada a mente do irado. A nuvem que avança ofusca o sol e, assim, o pensamento rancoroso entorpece a mente. O leão na jaula sacode continuamente a porta tal como o violento, em sua cela, quando é acometido pelo pensamento da ira. É deliciosa a vista de um mar tranqüilo, porém, certamente não é mais agradável que o estado de paz; com efeito, os golfinhos nadam no mar calmo e os pensamentos voltados para Deus emergem um estado de serenidade. O monge magnânimo é uma fonte tranqüila, uma bebida agradável oferecida a todos, enquanto que a mente do irado se vê continuamente agitada e não dará água a quem tem sede e, se a der, será esta turva e nociva; os olhos do irado estão arregalados e cheios de sangue, anunciando um coração em conflito. O rosto do magnânino mostra tranqüilidade e os olhos benignos estão voltados para baixo.

A mansidão do homem é lembrada por Deus e a alma pacífica se converte no templo do Espírito Santo. Cristo recosta sua cabeça nos espíritos mansos e apenas a mente pacífica se converte em morada da Santa Trindade.

As raposas montam guarda na alma rancorosa e as feras se agasalham no coração rebelde.

O homem honesto se afasta das casas de mal conduta assim como Deus de um coração rancoroso. Uma pedra que cai na água a agita, tal como um discurso maligno no coração do homem. Afasta da tua alma os pensamentos de ira, não permita a animosidade no recinto do teu coração e não te perturbes no momento da oração; efetivamente, como a fumaça da palha ofusca a visão, assim a mente se vê perturbada pelo rancor durante a oração.

Os pensamentos do irado são descendentes das víboras e devoram o coração que lhes gerou. Sua oração é um incenso abominável e seus salmos emitem um som desagradável. A oferta do rancoroso é como um doce cheio de formigas que certamente não encontrará lugar nos altares aspergidos pela água benta.

O irado terá sonhos perturbadores e se imaginará assaltado pelas feras. O homem magnânimo, que não guarda rancor, se exercita com discursos espirituais e, durante a noite, recebe a solução dos mistérios.

Fonte: Veritatis Splendor

Veja também:: Exame de consciência para uma boa confissão | Gula ou Gastrimargia – Escritos de Evágrio Pôntico | Luxúria – Escritos de Evágrio Pôntico

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