Política para os católicos: A diferença entre o político, o politiqueiro e o revolucionário

Interromper.Conversa

Política é a arte de administrar conflitos. Para mim, esta é a definição mais completa e mais sucinta sobre o tema. Estava pensando nisso quando resolvi escrever sobre três perfis de pessoas que estão mais perto de nós do que pensamos e as vezes nem nos damos conta: A pessoa política, o politiqueiro e o revolucionário. Antes de mais nada, é possível que você não se enquadre em nenhum destes perfis, por não ser assim tão predisposto(a) a política ou ao debate, mas observe que como fazemos política em todos os lugares, dificilmente não nos enquadraremos em um destes tipos. E por que falar disso em um blog católico? Por que estes três tipos também estão dentro das nossas paróquias e comunidades. Leia…

Uma pessoa política, não é aquela que “bajula” os outros. Não é o famoso “puxa-saco” – Também conhecido como “xeleléu” ou “babão”. Em um sentido mais subjetivo, podemos afirmar que uma pessoa política significa, também, ter a sabedoria – e talvez a astúcia – para lidar com situações ou pessoas que nem sempre nos são agradáveis, usando a solidez do diálogo e a força do argumento para resolver possíveis conflitos em questão. Entenda que por razão de falarmos de conceitos, uma pessoa política ao portar estas habilidades, pode ser boa ou não. Mas, ainda que está pessoa use seus dons e conhecimentos para interesses pessoais ou escusos, não se pode dizer que ela não é uma pessoa política. Se a pessoa tem essas características e as usa para o bem comum ou para defender aquilo que é justo, correto, louvável, ético e valoroso, esta pessoa é uma boa pessoa política ou um “político do bem”. Caso ela use isso para o seu benefício próprio, ela é uma má pessoa política ou seja, uma espécie de Darth Vader (do lado negro da força).

Se você olhar por esta ótica, vai ver que existem verdadeiros políticos perto de você. Sim eles estão ao seu redor e talvez até você mesmo seja um político e não se deu conta. Quando existe aquela reunião de paróquia onde as pessoas discutem, os ânimos se arrefecem e do nada aparece alguém que com o diálogo e fortes argumentos, consegue expor suas ideias e conseguir um consenso, ou ao menos apoio de parte do grupo, respeitando as regras do diálogo e do debate, eis ai uma pessoa política.

Resumindo: A pessoa política é aquela que tem capacidade de falar, ouvir, argumentar de forma racional e lógica suas ideias, explicando o que pensa, de forma clara para todos os presentes, respeitando o senso ético de um debate de ideias. Uma pessoa política sabe que pode vencer ou perder.

Ao nosso redor existem muitas pessoas com este dom. Sim amigos, política é um dom. Até por que, administrar conflitos não é para qualquer um. Defender ideias, leis, valores, rumos, caminhos e metas não é para todo mundo.

Por outro lado existe o politiqueiro, mas deste eu não vou falar muito, até por que, este é um sujeito que onde quer que esteja, infelizmente acaba sofrendo por si só. Logo é descoberto e se destrói sozinho no meio do caminho. O politiqueiro é o sujeito que vive de orelha em pé, atento para bajular aquele que tem mais poder, a fim de sobreviver em meio ao caos. Ele é o cidadão que se esgueira pelos cantos, como um ratinho de esgoto. Como não tem força de argumento e foge do diálogo e do debate de ideias, vive da bajulação e da promoção alheia. Este é o mais vil dos elementos que encontramos na política.

Mas o perfil mais preocupante é o famoso “revolucionário”. Este sim é complicado. Mas por que?

A princípio alguém poderia dizer: Mas é bom uma revolução de vez em quando. Precisamos renovar. E para isso o revolucionário é perfeito! Poderia ser mas não é.

O revolucionário é alguém de certo modo atua na política, mas passa longe de ser uma pessoa política, e por uma simples razão: O revolucionário não ouve, não debate e não pondera. O revolucionário só fala, só argumenta e impõe a ferro e fogo as suas ideias. O revolucionário tem esse nome, por que não respeita as regras do debate. Não respeita a pessoa com quem ele debate. O revolucionário se estabelece de um jeito ou de outro, seja na força, seja na voz… É o famoso criador de panelinhas. Como seu argumento é fraco, ele precisa de um grupo para lhe encorajar. Ele não une, mas prega a divisão de grupos, pessoas e classes. E como seu argumento é fraco, em geral é o que mais grita, como se fosse possível impor uma ideia pelo seu volume vocal.

Uma outra característica do revolucionário: Suas propostas em geral visam uma ruptura dura e seca com o que vivemos. Para ele nada do que vivemos, do que foi definido por uma hierarquia está certo. Tudo tem que ser desobedecido, tudo tem que ser diferente e enquanto não for, não está bom. Só ele sabe o que dá certo. Ninguém sabe mais que ele. O revolucionário defende um futuro que para acontecer necessita da destruição do presente. Explico…

O revolucionário sonha com o mundo do jeito dele. Mas para que isso aconteça, ele não mede esforços para realizar o que deseja, não tem princípios éticos e morais e não se preocupa com nada e nem ninguém. O negócio do revolucionário é “fazer a jiripoca piar” custe o que custar. Para o revolucionário, é possível fazer algo errado, desde que o final seja bom. Ela passa por cima de valores, de pessoas, de sentimentos… Nada disso para ele importa desde que aconteça como ele sempre quis. Ou seja: É o famoso “mimadinho da mamãe” que virou “rebelde sem causa”.

Não precisamos ir muito longe para identificar os políticos bons, os políticos ruins, os politiqueiros e os revolucionários. Olhe para sua paróquia, seu trabalho, sua família e seus amigos. Mas sobretudo olhe para você mesmo. Veja como se dão as relações entre as pessoas e como os interesses pessoais são resolvidos. Você perceberá que este tipo de coisa não acontece apenas no Congresso Nacional ou na Câmara. Acontece ai pertinho de você.

Dominus Vobiscum

Podcast:: O que devo fazer para andar na Luz de Deus?

Deus é Luz e Nele não há trevas! Isso quem nos diz é o apóstolo São João em sua primeira carta.  Mas o que devemos fazer para andar na luz de Deus? Quais sãos os primeiros passos que eu devo dar para que não habite em mim as trevas do pecado, da mentira e da escuridão? Estas e outras respostas você encontra neste podcast, que é dedicado especialmente a você que deseja ser Sal na Terra e Luz no Mundo. Ouça!

Podcast:: Você testemunha a Glória de Deus na sua vida?

podcast12

Atenção a todos os amigos e leitores do blog Dominus Vobiscum: Tem podcast novo no ar! Infelizmente devido ao tempo e também a falta de equipamento técnico precisei dar uma parada neste projeto que nunca saiu do coração, até porque foi assim que tudo começou! E no podcast de hoje vamos conversar sobre “Dar testemunho da Glória de Deus”.

Como católicos somos chamados a testemunhar aquilo que o Senhor Jesus fez em nossas vidas. Testemunhar a ação de Deus nos liberta da murmuração, edifica a nós e aos irmãos e torna o nosso coração agradecido. Ouça com carinho este podcast e se quiser, responda a pergunta: O que Jesus já fez de bom na sua vida?

Papa Francisco: Não se pode anunciar o Cristo sem a Igreja!

papa francisco

“Todo batizado tem o dever de anunciar o Evangelho, Cristo, mas este anúncio não pode fazer-se sem a Igreja”. Foram estas as palavras do Papa Francisco em sua mensagem pelo 87º Dia Mundial das Missões divulgada hoje e que se celebra em 20 de outubro. O Santo Padre explicou ainda em sua mensagem que para este anúncio a pessoa deve ser capaz de aceitar a fé e deve ter a coragem de pôr sua confiança em Deus.

A história do Dia Mundial das Missões vem desde 1926, quando a Obra da Propagação da Fé, por sugestão do círculo missionário do seminário da cidade italiana de Sassari, propôs ao Papa Pio XI convocar um dia anual a favor da atividade missionária da Igreja universal. A petição foi acolhida favoravelmente, e no ano seguinte (1927) foi celebrado o primeiro “Dia Mundial das Missões para a propagação da fé”, estabelecendo que este seja comemorado cada penúltimo domingo de outubro, tradicionalmente reconhecido como mês missionário por excelência. Leia aqui na íntegra a mensagem do Papa Francisco (os grifos e negritos são meus):

“Queridos irmãos e irmãs,

Este ano celebramos o Dia Mundial das Missões enquanto se está concluindo o Ano da Fé, ocasião importante para reforçar a nossa amizade com o Senhor e o nosso caminho como Igreja que anuncia com coragem o Evangelho. Nesta perspectiva, gostaria de propor algumas reflexões.

1. A fé é um dom precioso de Deus, o qual abre a nossa mente para que possamos conhecê-Lo e amá-Lo. Ele quer entrar em relação conosco para fazer-nos participar da sua própria vida e tornar a nossa vida mais cheia de significado, melhor, mais bela. Deus nos ama! A fé, porém, pede para ser acolhida, pede, isso é, a nossa resposta pessoal, a coragem de confiar-nos a Deus, de viver o seu amor, gratos pela sua infinita misericórdia.

É um dom, então, que não é reservado a poucos, mas que vem oferecido com generosidade. Todos deveriam poder experimentar a alegria de sentir-se amado por Deus, a alegria da salvação! E é um dom que não se pode ter só para si mesmo, mas que deve ser compartilhado. Se nós queremos tê-lo somente para nós mesmos, nos tornaremos cristãos isolados, estéreis e doentes.

O anúncio do Evangelho faz parte do ser discípulos de Cristo e é um empenho constante que anima toda a vida da Igreja. “O zelo missionário é um sinal claro da maturidade de uma comunidade eclesial”. Toda comunidade é “adulta” quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la também às “periferias”, sobretudo a quem não teve ainda a oportunidade de conhecer Cristo.

A solidez da nossa fé, em nível pessoal e comunitário, é medida também pela capacidade de comunicá-la aos outros, de difundi-la, de vivê-la na caridade, de testemunhá-la a quantos nos encontram e partilham conosco o caminho da vida.

2. O Ano da Fé, a cinquenta anos do início do Concílio Vaticano II, é de estímulo para que toda a Igreja tenha uma renovada consciência da sua presença no mundo contemporâneo, da sua missão entre os povos e as nações. A missionariedade não é somente uma questão de territórios geográficos, mas de povos, de culturas e de indivíduos, propriamente porque os “confins” da fé não atravessam somente lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e de cada mulher.

O Concílio Vaticano II destacou de modo especial como a tarefa missionária, a tarefa de alargar os confins da fé, seja própria de cada batizado e de todas as comunidades cristãs: “Porque o povo de Deus vive nas comunidades, especialmente naquelas diocesanas e paroquiais, e nessas de todo modo aparece de forma visível, cabe também a estas comunidades dar testemunho de Cristo diante das nações“.

Toda comunidade é então interpelada e convidada a fazer próprio o mandato confiado por Jesus aos Apóstolos de ser suas “testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”, não como um aspecto secundário da vida cristã, mas como um aspecto essencial: todos somos enviados nas estradas do mundo para caminhar com os irmãos, professando e testemunhando a nossa fé em Cristo e fazendo-nos anunciadores do seu Evangelho.

Convido os Bispos, os Presbíteros, os Conselhos presbiterais e pastorais, toda pessoa e grupos responsáveis na Igreja a dar ênfase à dimensão missionária nos programas pastorais e formativos, sentindo que o próprio compromisso apostólico não é completo se não contém o propósito de “dar testemunho de Cristo diante das nações”, diante de todos os povos. A missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que abrange todos os aspectos da vida cristã.

3. Muitas vezes a obra de evangelização encontra obstáculos não somente em seu lado externo, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes são frágeis o fervor, a alegria, a coragem, a esperança no anunciar a todos a Mensagem de Cristo e no ajudar os homens de nosso tempo a encontrá-Lo. Às vezes se pensa ainda que levar a verdade do Evangelho seja fazer violência à liberdade.

Paulo VI tem palavras iluminadoras quanto a isso: “Seria…um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a esta consciência a verdade evangélica e a salvação de Jesus Cristo com plena clareza e no respeito absoluto das livres opiniões que essa fará…é uma homenagem a esta liberdade”.

Devemos ter sempre a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo, de fazer-nos portadores do seu Evangelho. Jesus veio em meio a nós para indicar o caminho de salvação, e confiou também a nós a missão de fazê-lo conhecer a todos, até os confins da terra. Muitas vezes vemos que são a violência, a mentira, o erro a serem colocados em destaque e propostos.

É urgente fazer resplandecer no nosso tempo a vida boa do Evangelho com o anúncio e o testemunho, e isto a partir do interior da própria Igreja. Porque, nesta perspectiva, é importante não esquecer nunca um princípio fundamental para todo evangelizador: não se pode anunciar Cristo sem a Igreja. Evangelizar não é nunca um ato isolado, privado, mas sempre eclesial.

Paulo VI escrevia que “quando o mais desconhecido pregador, missionário, catequista ou pastor anuncia o Evangelho, reúne a comunidade, transmite a fé, administra um Sacramento, mesmo se está sozinho, cumpre um ato de Igreja”. Ele não age “por uma missão atribuída a si mesmo, nem em força de uma inspiração pessoal, mas em união com a missão da Igreja e em nome dessa” (ibidem). E isto dá força à missão e faz cada missionário e evangelizador sentir que não está nunca sozinho, mas faz parte de um único Corpo animado pelo Espírito Santo.

4. Na nossa época, a mobilidade difusa e a facilidade de comunicação através das novas mídias têm fundido entre eles os povos, os conhecimentos, as experiências. Por motivo de trabalho, famílias inteiras se deslocam de um continente a outro; as trocas profissionais e culturais, então, o turismo e fenômenos análogos empurram a um amplo movimento de pessoas.

Às vezes se torna difícil mesmo para as comunidades paroquiais conhecer de modo seguro e aprofundado quem está de passagem ou quem vive estavelmente no território. Além disso, em áreas sempre mais amplas das regiões tradicionalmente cristãs cresce o número daqueles que são estranhos à fé, indiferentes à dimensão religiosa ou animados por outras crenças. Não raramente, então, alguns batizados fazem escolhas de vida que lhes conduzem para longe da fé, tornando-se assim necessitados de uma “nova evangelização”.

A tudo isto se soma o fato de que ainda uma ampla parte da humanidade não foi alcançada pela boa notícia de Jesus Cristo. Vivemos, então, em um momento de crise que toca vários setores da existência, não somente aquele da economia, das finanças, da segurança alimentar, do ambiente, mas também aquele do sentido profundo da vida e dos valores fundamentais que a animam.

Também a convivência humana é marcada por tensões e conflitos que provocam insegurança e cansaço de encontrar o caminho para uma paz estável. Nesta complexa situação, onde o horizonte do presente e do futuro parecem caminhos de nuvens ameaçadoras, torna-se ainda mais urgente levar com coragem em toda realidade o Evangelho de Cristo, que é anúncio de esperança, de reconciliação, de comunhão, anúncio da proximidade de Deus, da sua misericórdia, da sua salvação, anúncio de que o poder de amor de Deus é capaz de vencer as trevas do mal e guiar no caminho do bem.

O homem do nosso tempo tem necessidade de uma luz segura que ilumina a sua estrada e que somente o encontro com Cristo pode dar. Levemos a este mundo, com o nosso testemunho, com amor, a esperança doada pela fé! A missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas sim testemunho de vida que ilumina o caminho, que leva esperança e amor. A Igreja – repito mais uma vez – não é uma organização assistencial, uma empresa, uma ONG, mas é uma comunidade de pessoas, animadas pela ação do Espírito Santo, que têm vivido e vivem a maravilha do encontro com Jesus Cristo e desejam partilhar esta experiência de profunda alegria, partilhar esta Mensagem de salvação que o Senhor nos trouxe. É propriamente o Espírito Santo que guia a Igreja neste caminho.

5. Gostaria de encorajar todos a fazerem-se portadores da boa notícia de Cristo e sou grato de modo particular aos missionários e as missionárias, aos presbíteros fidei donum, aos religiosos e às religiosas, aos fiéis leigos – sempre mais numerosos – que acolhendo o chamado do Senhor, deixam a própria pátria para servir o Evangelho em terras e culturas diferentes. Mas gostaria ainda de destacar como as próprias jovens Igrejas estão se empenhando generosamente no envio de missionários às Igrejas que se encontram em dificuldade – não raramente Igrejas de antigo cristianismo – levando assim o frescor e o entusiasmo com o qual vivem a fé que renova a vida e doa esperança.

Viver este alento universal, respondendo ao mandato de Jesus “ide, portanto, e fazei discípulos todos os povos” é uma riqueza para toda Igreja particular, para toda comunidade, e doar missionários e missionárias não é nunca uma perda, mas um ganho. Faço apelo a quantos percebem tal chamado a corresponder generosamente à voz do Espírito, segundo o próprio estado de vida, e a não ter medo de ser generoso com o Senhor.

Convido também os Bispos, as famílias religiosas, as comunidades e todas as agregações cristãs a apoiar, com clarividência e atento discernimento, o chamado missionário ad gentes e de leigos para reforçar a comunidade cristã. E esta deveria ser uma atenção presente também entre as Igrejas que fazem parte de uma mesma Conferência Episcopal ou de uma Região: é importante que as Igrejas mais ricas de vocações ajudem com generosidade aquelas que sofrem pela sua escassez.

Junto a isso exorto os missionários e as missionárias, especialmente os presbíteros fidei donum, e os leigos a viver com alegria o seu precioso serviço nas Igrejas às quais são enviados, e a levar a sua alegria e a sua experiência às Igrejas da qual partiram, recordando como Paulo e Barnabé ao término da sua primeira viagem missionária “referindo tudo aquilo que Deus tinha feito com eles e como tinha aberto aos gentios a porta da fé”. Esses podem transformar um caminho para uma espécie de “restituição” da fé, levando o frescor das jovens Igrejas, a fim de que as Igrejas de antigo cristianismo reencontrem o entusiasmo e a alegria de partilhar a fé em uma troca que é enriquecimento recíproco no caminho de seguir o Senhor.

A solicitude para com todas as Igrejas, que o Bispo de Roma partilha com os irmãos Bispos, encontra uma importante atuação no compromisso das Pontifícias Obras Missionárias, que têm o foco de animar e aprofundar a consciência missionária de cada batizado e de cada comunidade, seja chamando a atenção para a necessidade de uma mais profunda formação missionária de todo Povo de Deus, seja alimentando a sensibilidade das Comunidades cristãs a oferecer a sua ajuda em favor da difusão do Evangelho no mundo.

Um pensamento enfim dirijo aos cristãos que, em várias partes do mundo, encontram-se em dificuldade no professar abertamente a própria fé e no ver reconhecido o direito de vivê-la dignamente. São nossos irmãos e irmãs, testemunhas corajosas – ainda mais numerosos que os mártires nos primeiros séculos – que suportam com perseverança apostólica as várias formas atuais de perseguição. Não poucos arriscam mesmo a vida para permanecer fiéis ao Evangelho de Cristo. Desejo assegurar que sou próximo com a oração às pessoas, às famílias e às comunidades que sofrem violência e intolerância e repito as palavras consoladoras de Jesus: ‘Coragem, eu venci o mundo’.

Bento XVI exortava: “A Palavra do Senhor se propague e seja glorificada”. Possa este Ano da Fé tornar sempre mais equilibrado o relacionamento com Cristo Senhor, porque somente Nele está a certeza para olhar para o futuro e a garantia de um amor autêntico e duradouro”. É o meu desejo para o Dia Mundial das Missões deste ano. Abençoo de coração os missionários e as missionárias e todos aqueles que acompanham e apoiam este compromisso fundamental da Igreja a fim de que o anúncio do Evangelho possa ecoar em todos os cantos da terra, e nós, ministros do Evangelho e missionários, experimentemos “a doce e confortante alegria de evangelizar”.

Do Vaticano, 19 de maio de 2013, Solenidade de Pentecostes

Francisco”.

Evangelho do Dia:: Querer somente o que Deus quer

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, apareceram sua mãe e seus irmãos, que, do lado de fora, procuravam falar-lhe. Disse-lhe alguém: “A tua mãe e os teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”. Jesus respondeu ao que lhe falara: “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?”. E, indicando com a mão os discípulos, acrescentou: “Aí estão minha mãe e meus irmãos; pois, todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Mt 12,46-50)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol

Querer somente o que Deus quer é lógico para quem está verdadeiramente apaixonado por Ele. Fora dos Seus desejos, nós nada desejamos, e se desejássemos, era apenas o que é conforme à Sua vontade; se assim não fosse, a nossa vontade não estaria unida à Sua. Mas, se estivermos verdadeiramente unidos, por amor, à Sua vontade, não desejaremos nada que Ele não deseje, não amaremos nada que Ele não ame e, abandonados à Sua vontade, ser-nos-á indiferente o que Ele nos envie ou onde nos coloque. Tudo o que Ele quiser de nós ser-nos-á, não apenas indiferente mas, mais do que isso, agradável. Não sei se me engano em tudo o que digo; submeto-me em tudo Àquele que entende estas coisas; digo somente o que sinto. Na verdade, não desejo mais nada a não ser amá-Lo e tudo o resto entrego nas Suas mãos. Faça-se a Sua vontade! A cada dia me sinto mais feliz, no meu completo abandono nas Suas mãos.

Siga-nos e fique por dentro das novidades:
  

Evangelho do Dia:: Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: “Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.” (S. João 15,1-8)

Comentário do Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI

O primeiro período na vida desta santa foi caracterizado pelo seu casamento feliz. O marido chamava-se Ulf e governava um importante território do Reino da Suécia. O casamento durou vinte e oito anos, até à morte de Ulf. Deste casamento nasceram oito filhos, a segunda dos quais, Catarina, é venerada como santa. Eis um sinal eloquente do empenho educativo de Brígida para com os seus filhos. […] Brígida, que tinha direção espiritual com um religioso erudito que a introduziu no estudo das Escrituras, exerceu uma influência muito positiva naquela família que, graças à sua presença, se tornou uma verdadeira “Igreja Doméstica”. Juntamente com o marido, adotou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava generosamente obras de caridade em prol dos pobres, e fundou um hospital. Com a esposa, Ulf aprendeu a melhorar o seu carácter e a progredir na vida cristã. No regresso de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela […], o casal decidiu viver na abstinência; mas, pouco tempo depois, na paz de um mosteiro para onde se tinha retirado, Ulf terminou a sua vida terrena. Este primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar o que poderíamos definir hoje como uma verdadeira “espiritualidade conjugal”: em conjunto, os dois elementos de um casal cristão podem percorrer um caminho de santidade, apoiados na graça do sacramento do matrimônio. Muitas vezes, como foi o caso da vida de Santa Brígida e de Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, a sua delicadeza e a sua doçura, consegue levar o marido a percorrer um caminho de fé. Penso reconhecidamente em muitas mulheres que também hoje iluminam, dia após dia, as suas famílias com o seu testemunho de vida cristã. Que o Espírito do Senhor possa suscitar, também nos nossos tempos, a santidade dos casais cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do casamento vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, a ajuda recíproca, a fecundidade na geração e educação dos filhos, a abertura e a solidariedade para com o mundo, a participação na vida da Igreja.

Siga-nos e fique por dentro das novidades:
  

Evangelho do Dia:: Eram como ovelhas sem pastor

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, os Apóstolos reuniram-se a Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado. Disse-lhes, então: Vinde, retiremo-nos para um lugar deserto e descansai um pouco.» Porque eram tantos os que iam e vinham, que nem tinham tempo para comer. Foram, pois, no barco, para um lugar isolado, sem mais ninguém. Ao vê-los afastar, muitos perceberam para onde iam; e de todas as cidades acorreram, a pé, àquele lugar, e chegaram primeiro que eles. Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, então, a ensinar-lhes muitas coisas. (Mc 6,30-34)

Comentário feito por São Clemente de Alexandria (150-c. 215), teólogo

Salvar é um ato de bondade. A misericórdia divina estende-se a todo o ser vivo: repreende, corrige, ensina e reconduz, como pastor, o seu rebanho. Ele Se compadece daqueles que recebem os Seus ensinamentos, e dos que se apressam a cumprir os Seus preceitos» (Sir18,13ss). […]

Os sãos não têm necessidade do médico enquanto estiverem bem; os doentes, pelo contrário, recorrem à sua arte. Da mesma maneira, nesta vida, nós estamos doentes pelos nossos desejos censuráveis, pelas nossas intemperanças […] e outras paixões: temos necessidade de um Salvador. […] Nós, os doentes, temos necessidade do Salvador; extraviados, necessitamos de quem nos guie; cegos, de quem nos dê luz; sedentos, da fonte de água viva, porque «quem beber da água que Eu lhe der nunca mais terá sede» (Jo 4,14). Mortos, precisamos da vida; rebanho, do pastor; crianças, de um educador: sim, toda a humanidade tem necessidade de Jesus. […]

Cuidarei da que está ferida e tratarei da que está doente. Vigiarei sobre a que está gorda e forte. A todas apascentarei com justiça» (Ez 34,16). Tal é a promessa do bom pastor, que nos apascenta como a um rebanho, a nós que somos pequeninos. Mestre, dá-nos com abundância o Teu pasto, que é a justiça! Sê o nosso pastor e conduz-nos até à Tua montanha santa, até à Igreja que se eleva, que domina as nuvens, que toca os céus. Eis que Eu mesmo cuidarei das Minhas ovelhas e me interessarei por elas (cf Ez 34). […] Eu não vim para ser servido mas para servir. É por isso que o Evangelho O mostra cansado, Ele que se afadiga por nós e que promete dar a Sua vida para resgatar a multidão (Jo 4,5; Mt 20,28).

Siga-nos e fique por dentro das novidades:
  

Evangelho do Dia:: Prefiro a misericórdia do que o sacrifício

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus passou através das searas em dia de sábado e os discípulos, sentindo fome, começaram a apanhar e a comer espigas. Ao verem isso, os fariseus disseram-lhe: “Aí estão os teus discípulos a fazer o que não é permitido ao sábado!” Mas Ele respondeu-lhes: “Não lestes o que fez David, quando sentiu fome, ele e os que estavam com ele? Como entrou na casa de Deus e comeu os pães da oferenda, que não lhe era permitido comer, nem aos que estavam com ele, mas unicamente aos sacerdotes? E nunca lestes na Lei que, ao sábado, no templo, os sacerdotes violam o sábado e ficam sem culpa? Ora, Eu digo vos que aqui está quem é maior que o templo. E, se compreendêsseis o que significa: Prefiro a misericórdia ao sacrifício, não teríeis condenado estes que não têm culpa. O Filho do Homem até do sábado é Senhor. (S. Mateus 12,1-8)

Comentário do Evangelho do dia feito por Epístola dita de Barnabé

A respeito do sábado está escrito: “As [vossas] celebrações lunares, os sábados, as reuniões de culto, as festas e as solenidades são-Me insuportáveis” (Is 1,13). Considerai esta palavra: “Não são os sábados atuais que Me agradam, mas o sábado que Eu farei quando, tendo posto fim ao universo, fizer surgir um oitavo dia que será a aurora de um mundo novo”. Eis por que razão celebramos com alegria este oitavo dia em que Jesus ressuscitou dos mortos, Se manifestou e depois subiu aos céus. A respeito do Templo, evocarei o erro desses infelizes que puseram a sua esperança no edifício, a pretexto de ser a casa de Deus, em vez de a porem no Deus que os criou. […] Examinemos se ainda existe um templo para Deus. Sim, existe, e está lá, onde Ele mesmo afirma tê-lo construído e adornado. Porque está escrito : “Edificarão Jerusalém com magnificência, e nela a casa de Deus” (Tb 14,5). Constato então que esse templo existe. Mas como construí-lo em nome do Senhor? Escutai. Antes de termos fé, o nosso coração era uma habitação frágil e caduca, parecida com um templo construído pela mão do homem. Estava cheio de cultos a ídolos, servia de covil aos demônios, de tal forma os nossos empreendimentos iam contra os desígnios de Deus. Mas “edificarão Jerusalém com magnificência, e nela a casa de Deus”. Vigiai para que esse templo seja construído “com magnificência”. Como? Recebendo a remissão dos pecados, pondo a nossa esperança no Seu nome, tornando-nos homens novos, recriados como na origem. Então Deus habitará verdadeiramente no nosso coração, que se tornará Sua morada.

Siga-nos e fique por dentro das novidades:
  

Evangelho do Dia:: Humildade e oração. É isso que precisamos cultivar em nossas vidas

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus exclamou: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. (Mt 11,28-30)

Comentário feito pela Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade

Para nos tornarmos santos, precisamos de humildade e oração. Jesus ensinou-nos a rezar e também nos disse para aprendermos, seguindo o Seu exemplo, a ser mansos e humildes de coração. Só alcançaremos uma e outra coisa se soubermos o que é o silêncio. Tanto a humildade como a oração provêm de um ouvido, de uma inteligência e de uma língua que provaram o silêncio junto de Deus, pois Deus fala no silêncio do coração. Esforcemo-nos verdadeiramente por aprender a lição de santidade de Jesus, cujo coração era manso e humilde. A primeira lição dada por este coração é a de examinarmos a nossa consciência, sendo que o resto – amar, servir – surge logo a seguir. Este exame não é exclusivamente da nossa competência, mas releva de uma colaboração entre nós e Jesus. Não vale a pena perder tempo a contemplar inutilmente as nossas misérias; trata-se, isso sim, de elevar o coração a Deus e deixar que a Sua luz nos ilumine.

Se fores humilde, nada te afetará, nem a lisonja, nem a desgraça, pois saberás o que és. Se te repreenderem, não te sentirás desencorajado; e se alguém te disser que és santo, não te colocarás num pedestal. Se fores santo, agradece a Deus; se fores pecador, não te fiques por aí. Cristo diz-te para aspirares muito alto: não para seres como Abraão ou David, ou como qualquer outro santo, mas como o nosso Pai celeste (Mt 5,48). Não fostes vós que Me escolhestes, fui Eu que vos escolhi (Jo 15,16).

Siga-nos e fique por dentro das novidades: