Até que ponto os bens materiais são importantes? Uma reflexão para uma sociedade neo pagã e materialista

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Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.  Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava ele saciar-se com os restos caídos da mesa do rico; mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que, se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo’. O rico exclamou: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna — pois tenho cinco irmãos, para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’». (Lucas 16,19-31)

CONFIRA O COMENTÁRIO DO PADRE PAULO RICARDO SOBRE ESTE EVANGELHO

Comentário da Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade «Não há maior amor»

Cristo disse: «Tive fome e destes-Me de comer» (Mt 25, 35). E não teve fome só de pão, mas também da estima acolhedora que nos permite sentirmo-nos amados, reconhecidos, sermos alguém aos olhos de outrem. Ele não foi desprovido só das suas vestes, mas também da dignidade e do respeito humano, pela grande injustiça que é cometida com o pobre, que é precisamente ser desprezado por ser pobre. Não só foi privado de um teto, mas também sofreu as privações por que passam os encarcerados, os rejeitados e os escorraçados, aqueles que vagueiam pelo mundo sem ter ninguém que trate deles.

Ao desceres a rua, sem outro propósito senão esse, talvez atentes no homem que está ali à esquina, e vás ao seu encontro. Talvez ele fique de pé atrás, mas tu colocas-te na sua frente. Tens de irradiar a presença que trazes dentro de ti com o amor e a atenção que dás ao homem a quem te diriges. E porquê? Porque, para ti, Ele é Jesus. Sim, é Jesus, mas não pode receber-te em sua casa — é por isso que tens de ser tu a dirigir-te a Ele. Ele está escondido ali, naquela pessoa. Jesus, oculto no mais pequenino dos irmãos (Mt 25, 40), cheio de fome de pão, mas também de amor, de reconhecimento, de ser tido como alguém com valor.

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Tadinho morreu… agora vai pro céu… Peraí quem garante isso?

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A semana nem terminou e quando me dei conta estava eu contabilizando algumas mortes significativas durante este período sobretudo entre os dias de terça e quarta-feira. Morreram alguns famosos. Morreram milhares de anônimos. Morreram conhecidos meus e um leque de desconhecidos. Uma das pessoas falecidas foi a irmã de um grande amigo que não resistiu na mesa de cirurgia. Partiu. Que Deus a acolha e abençoe bem como a todos os outros falecidos.

Figuras ilustres como o presidente Venezuelano Hugo Chávez e cantor “Chorão” faleceram durante a semana, mortes inclusive amplamente comentadas nas mais diversas mídias sociais. Mas o que de fato me chamou a atenção e me motivou a escrever este texto, foi de ler muitas frases parecidas com a que citarei abaixo:

“Vá com Deus Chorão, nos encontraremos no céu” (um fã do facebook cujo o nome não me recordo).

A verdade por mais cruel que seja, é que ninguém pode garantir que o “Chorão”, o Chávez ou a irmã do meu amigo estão definitivamente no céu. Talvez você fique chocado, chateado e irritado comigo, mas a verdade é essa, ainda que seja dura. E também não podemos sequer dizer isto de nós mesmos (ninguém pode se garantir no céu ainda que seja o nosso desejo).

Veja, eu e você queremos o céu. Querer e desejar o céu é algo maravilhoso! Na verdade é uma coisa que muitas vezes nos move a mudar de vida e seguir mais a Jesus Cristo. Porém garantias ninguém tem. Temos apenas a possibilidade, que aceitando Jesus Cristo como seu Único Senhor e Salvador, contando com a graça de Deus e com a nossa luta pessoal (já São Tiago dizia que a fé sem obras é morta) podemos alcançar um dia este intento.

É certo que existem muitas pessoas que alcançaram o céu e que permanecem anônimas (graças a Deus). Outras fizeram esta busca de forma tão perfeita que chegaram a ser elevadas aos altares. Eu creio que se por graça Divina eu chegar lá, me espantarei ao encontrar pessoas que não esperava ver, bem como me decepcionarei com alguns que esperava encontrar e não encontrarei… Não sabemos a intimidade de cada pessoa, e não sabemos como Jesus irá julgar a cada um de nós, já que Ele disse que quanto mais Ele nos dá, mais nos cobrará.

Entenda que não é porque a pessoa está velhinha, sofrida, com dores aqui e acolá que ela tem a garantia do céu. Quanto mais velhos ficamos, mais pecados cometemos e mais devemos nos esforçar para repará-los: Idade avançada não leva ninguém para o céu.

Outro fato que precisa ser dismistificado: Não é porque amamos alguém que podemos dar certeza definitiva da sua ida para o céu, seja algum familiar, seja uma pessoa pública de reconhecida fama. O fato de alguém ser celebridade não lhe dá o direito de ter cadeira cativa no céu. E não é o nosso “pensamento positivo” que vai abrir as portas do céu para os nossos familiares. As coisas se resolvem de outro jeito.

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Antes de mais nada, a fé católica acredita que a morte não é o fim e que ainda que uma pessoa morra e não alcance o céu de forma direta, ela pode ir ao purgatório (para saber mais sobre o purgatório clique aqui), e uma vez lá, ela conta com as orações de quem está aqui, para terem seus pecados expiados. Por isso que nós rezamos o Santo Terço pelas almas do purgatório, por isso oferecemos a Santa Missa, os sacrifícios que fazemos…

Estou escrevendo este texto não apenas para desiludir àqueles que tem uma fé infantil, mas para fazer com que você, que ama alguém que partiu, possa continuar amando de forma efetiva: Rezando pela alma do seu ente querido para lhe dar a salvação.

Imagino que alegria deve ser para uma alma que padece no purgatório ser premiada com o céu. E penso também quão grata aquela alma será por você que rezou para ela fosse liberta de lá. É preciso formar os católicos na verdade, pois Jesus disse que a verdade liberta e leva o cristão a uma fé madura. Eu poderia escrever um texto água com açucar e falar mil abobrinhas para afagar seu coração. Mas eu não posso mentir para você e para ninguém. Como diz a célebre frase: Diga-me a verdade sempre. E nunca me console com mentiras!

Preciso dizer também (para finalizar) que se você está sofrendo pela perda de um ente querido, que eu me solidarizo com você e hoje rezarei por todas as almas que padecem no purgatório. Vamos rezar juntos?

Livro Maria Sempre Virgem e SantaVeja também o novo livro do Cadu (Administrador do Blog Dominus Dominus Vobiscum): Maria Sempre Virgem e Santa. Nele você vai encontrar ensinamentos seguros da doutrina da Igreja a respeito da Santíssima Virgem Maria, além das orações mais tradicionais da nossa Igreja à Virgem Mãe de Deus. Vendas apenas pela internet nos sites Clube de Autores e Agbook. Um livro para quem deseja ser mais íntimo de Nossa Senhora.

Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida!

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se de Jesus para O ouvirem. Mas os fariseus e os doutores da Lei murmuravam entre si, dizendo: “Este acolhe os pecadores e come com eles”. Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? Ao encontrá-la, põe na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão. Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perde uma, não acende a candeia, não varre a casa e não procura cuidadosamente até a encontrar? E, ao encontrá-la, convoca as amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Digo-vos: Assim há alegria entre os anjos de Deus por um só pecador que se converte.

Comentário do Evangelho do dia feito por São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, doutor da Igreja

Este homem que possui cem ovelhas é o Bom Pastor (Jo 10,11), Cristo, que havia estabelecido todo o rebanho da raça humana numa só ovelha, isto é, em Adão, a quem colocara num Paraíso de delícias, numa região de pastagens vivificantes. Mas essa ovelha, confiando nos uivos de lobos, esqueceu a voz do Pastor e, perdendo-se no caminho que conduz ao redil da salvação, achou-se toda coberta de feridas mortais. Cristo veio a este mundo procurar a ovelha perdida e recuperou-a no seio da Virgem. Ele, que veio até nós nascido da carne, colocou-a depois sobre a cruz e levou-a aos ombros da Sua Paixão. Então, cheio da alegria da Ressurreição, ergueu-a, na Sua Ascensão, até às moradas do Céu. Ele convoca os amigos e vizinhos, isto é, os Anjos, e diz-lhes: Alegrai-vos Comigo, porque encontrei a Minha ovelha perdida, e os Seus Anjos rejubilam e exultam com Cristo por causa do regresso da ovelha do Senhor. Não se irritam por vê-la sentar-se diante deles no trono de majestade, dado que a inveja não existe no Céu, de onde foi banida com o diabo, e esse pecado não poderá jamais lá reentrar graças ao Cordeiro que tira o pecado do mundo (Jo 1,29).

Irmãos, assim nos veio Cristo procurar à Terra. Procuremo-Lo no Céu. Assim nos levou Ele até à glória da Sua divindade. Levemo-Lo no nosso corpo com a santidade de toda a nossa vida.

Até o próximo post! Não se esqueça de clicar na imagem abaixo e votar!

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Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus!

Durante a Oração do Ângelus, na Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, o Santo Padre disse que nos Santos e Santas de Deus podemos ver o Amor vencer o egoísmo e a morte. Diante de dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Santo Padre enfatizou:

“Na festa de hoje pregustamos a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos, na que estamos seguros de alcançar Deus no outro e o outro em Deus”.

“Com esta fé nos enche a esperança de venerarmos todos os Santos, e nos preparamos para comemorar amanhã os fiéis defuntos. Nos santos vemos a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte: vemos que seguir a Cristo leva à vida, à vida eterna, e dá sentido à vida presente, a cada instante pois a enche de amor e de esperança”.

“Faz-nos refletir sobre o duplo horizonte da humanidade, que expressamos simbolicamente com as palavras ‘terra’ e ‘céu’: a terra representa o caminho histórico, o céu a eternidade, a plenitude da vida em Deus”.

O Pontífice assinalou que esta festa nos faz pensar na Igreja em sua dupla dimensão:

“a Igreja em caminho no tempo é aquela que celebra a festa sem fim, a Jerusalém celestial”. “Estas duas dimensões estão unidas pela realidade da ‘comunhão dos santos’: uma realidade que começa aqui sobre a terra e alcança seu cumprimento no Céu”.

“No mundo terrestre, a Igreja é o início deste mistério de comunhão que une a humanidade, um mistério totalmente centrado sobre Jesus Cristo: Ele introduziu no gênero humano esta dinâmica nova, um movimento que o conduz para Deus e ao mesmo tempo para a unidade, para a paz em sentido profundo”.

O Papa recordou que Jesus Cristo morreu para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos”, e esta sua obra continua na Igreja que é inseparavelmente ‘una’, ‘Santa’ e ‘católica’. Ser cristãos, formar parte da Igreja significa abrir-se a esta comunhão, como uma semente que se abre na terra, morrendo, e germina para o alto, para o céu”.

Bento XVI precisou também que “os Santos –aqueles que a Igreja proclama como tais, mas também todos os santos e as santas que só Deus conhece, e que também hoje celebramos– viveram intensamente esta dinâmica. Em cada um deles, de maneira pessoal, fez-se presente Cristo, graças a seu Espírito que age mediante a Palavra e os Sacramentos”.

“De fato, o estar unidos a Cristo, na Igreja, não anula a personalidade, mas, a transforma com a força do amor, e lhe confere, já aqui sobre a terra, uma dimensão eterna”.

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Série Espiritualidade: Da utilidade da comunão freqüente

Do livro “A Imitação de Cristo”

Voz do discípulo: Eis que venho a vós, Senhor, para aproveitar-me de vossa munificência, e deliciar-me neste sagrado banquete, que vós, Deus meu, preparastes, na vossa ternura, para o pobre. Em vós se acha tudo o que posso e devo desejar; vós sois minha esperança, fortaleza honra e glória. Alegrai, pois, hoje, a alma de vosso servo, porque a vós, Senhor Jesus, levantei a minha alma. Desejo receber-vos agora com devoção e reverência; desejo hospedar-vos em casa, para que, com Zaqueu, mereça ser abençoado e contado entre os filhos de Abraão. Minha alma suspira por vosso corpo; meu coração deseja ser convosco unido.

Dai-vos a mim e estou satisfeito; porque sem vós nada me pode consolar. Sem vós não posso estar, e sem vossa visita não posso viver. Por isso muitas vezes devo achegar-me a vós e receber-vos para remédio de minha salvação, a fim de não desfalecer no caminho quando estiver privado deste alimento celestial. Assim vós mesmo o dissestes uma vez, misericordiosíssimo Jesus, quando pregáveis e curáveis diversas enfermidades: “Não os quero despedir em jejum, para que não desfaleçam no caminho”(Mt 15, 32). Fazei também do mesmo modo comigo, pois ficastes neste Sacramento para consolação dos fiéis. Vós sois a suave refeição da alma, e quem dignamente vos receber se tornará participante e herdeiro da glória eterna. A mim, que tantas vezes caio e peco, tão depressa afrouxo e desfaleço, mui necessário me é que, com a oração, confissão e comunhão freqüente, me renove, purifique e afervore, para não abandonar meus santos propósitos, abstendo-me da comunhão por mais tempo.

Pois “os sentidos do homem estão inclinados para o mal desde a sua adolescência (Gên 8,21), e se não o socorre o remédio celestial, logo cai o homem de mal em pior. Porque, se agora, comungando ou celebrando, sou tão negligente e tíbio, que seria se não tomasse este remédio e não buscasse tão poderoso conforto? E ainda que não esteja, todos os dias, preparado, nem bem disposto para celebrar, contudo me quero esforçar para, nos tempos convenientes, receber os sagrados mistérios e tornar-me participante de tanta graça. Porque, enquanto a alma fiel, longe de vós, peregrina neste corpo mortal, a única e principal consolação para ela é – que muitas vezes se lembre do seu Deus e receba devotamente o seu Amado.

Ó maravilhosa condescendência de vossa bondade para convosco, que vós, Senhor Deus, Criador e vivificador de todos os espíritos, vos dignais de vir à minha pobre alma e saciar-lhe a fome com toda a vossa divindade e humanidade! Ó ditoso coração, ó alma bem-aventurada, que merece receber-vos com devoção a vós, seu Deus e Senhor, e nesta união encher-se de gozo espiritual! Oh! que grande Senhor recebe, que amável hóspede agasalha, que agradável companheiro acolhe, que fiel amigo aceita, que formoso e nobre esposo abraça, mais digno de ser amado que tudo o que se ama e deseja! Dulcíssimo Amado meu, emudeçam diante de vós o céu e a terra com todos os seus ornatos; porque tudo o que têm de brilho e beleza é dom de vossa liberalidade e não chega a igualar a glória de vosso nome, “cuja sabedoria não tem medida” (Sl 146,5).

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Série Espiritualidade: Do desejo da vida eterna e quantos bens estão prometidos aos que combatem

Do livro “Imitação de Cristo”

Jesus: Filho, quando sentires que o céu te inspira saudades da bem-aventurança e o desejo de deixar o tabernáculo do corpo para contemplar minha glória sem sombra de mudanças, alarga o teu coração e recebe esta santa inspiração com todo afeto. Dá muitas graças à Bondade soberana, que usa de tanta liberdade para contigo, com tanta clemência te visita, tanto te anima, tão poderosamente te levanta, para que teu próprio peso não te arraste para as coisas terrenas. Pois isto não te vem por teus pensamentos ou esforços, mas só pela mercê da graça celeste e do beneplácito divino para que te adiantes nas virtudes, sobretudo na humildade, e te prepares para futuras pelejas; para que te entregues a mim com todo o afeto do teu coração e me sirvas com ardente amor.

Filho, muitas vezes arde o fogo, mas não sobe a chama sem fumo. Assim tambem os desejos de alguns se abrasam pelas coisas celestiais, e, contudo, não estão livres da tentação e dos afetos carnais. Por isso não fazem unicamente pela glória de Deus o que, aliás, com tanto desejo lhe pedem. Tal é também muitas vezes teu desejo, que manifestastes com tanta ansiedade; pois não é puro nem perfeito o que está contaminado de algum interesse próprio.

Pede-me, não o que te é agradável e cômodo, senão o que a mim me é aceito e honroso; pois, se julgares retamente, deves preferir minha lei a todos os teus desejos e cumpri-la. Conheço teus desejos e ouvi teus freqüentes gemidos. Quiseras já agora estar na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, já te deleita o pensamento da morada eterna, na pátria celestial repleta de gozo; – mas não é ainda chegada essa hora, outro é o tempo atual, tempo de guerra, trabalho e provação. Desejas gozar a plenitude do Sumo Bem, mas por enquanto ainda não o podes conseguir. Sou eu esse Bem supremo; espera-me, diz o Senhor, até que venha o reino de Deus.

Hás de passar ainda por muitas provações na terra e ser exercitado em muitas coisas. Consolações se te darão de vez em quando, mas plena satisfação não podes receber. Esforça-te, pois, e tem coragem, para fazer e sofrer o que repugna à natureza. Importa que te revistas do homem novo e te transformes em outro homem. Cumpre-te fazer muitas vezes o que não queres e deixar o que queres. O que agrada aos outros terá bom sucesso; o que te agrada não se fará. O que os outros dizem está atendido; o que tu dizes será desprezado. Pedirão os outros e receberão; tu pedirás, e não alcançarás.

Serão grandes os outros na boca dos homens; mas de ti nem se dirá palavra. Os outros serão encarregados de diversas comissões, e tu não serás julgado capaz de coisa alguma. Com isto se contristará, às vezes, a natureza; mas muito ganharás, se o sofreres calado. Nessas e noutras coisas semelhantes costuma ser aprovado o servo fiel do Senhor, para ver como sabe negar-se e mortificar em tudo. Dificilmente haverá coisa em que mais te seja preciso morrer a ti mesmo, do que em ver e sofrer o que é contrário à tua vontade, mormente quando te mandam fazer coisas que te parecem inúteis ou desarrazoadas. E porque não ousas resistir à autoridade do superior, sob cujo governo estás, duro te parece andar à vontade de outrem e deixar de todo o teu próprio parecer.

Mas considera, filho, o fruto destes trabalhos, o fim breve e o prêmio excessivamente grande, e não te serão molestos, mas acharás neles consolo para teus sofrimentos. Pois, por um pequeno desejo que agora sacrificas, tua vontade será sempre satisfeita no céu onde acharás tudo que quiseres, tudo o que podes desejar. Ali possuirás todo o bem, sem medo de o perder. Ali tua vontade, sempre unida com a minha, nada desejará fora de mim, nada que te seja próprio. Ali ninguém te fará oposição ou de ti se queixará, ninguém te causará estorvo ou contrariedades; antes, tudo quanto desejares já estará presente, para preencher e satisfazer plenamente todos os teus desejos. Ali te darei a glória pela injúria padecida, uma túnica de honra pela tristeza, e, pela escolha do ínfimo lugar, um trono em meu reino para sempre. Ali brilhará o fruto da obediência, alegrar-se-á a austera penitência e será gloriosamente coroada a sujeição humilde.

Sujeita-te, pois, agora, humildemente à vontade de todos, sem te importar quem foi que tal disse ou mandou. Mas cuida muito em acolher de bom grado qualquer pedido ou aceno, seja de teu superior, ou embora de teu igual ou inferior, e trata de o cumprir com sincera vontade. Busque um isto, outro aquilo; glorie-se este numa coisa, aquele em outra, e receba mil louvores; tu, porém, não te deleites numa nem noutra coisa, mas só no desprezo de ti mesmo e na minha vontade e glória. Este deve ser o teu desejo: que tanto na vida como na morte Deus seja sempre por ti glorificado.

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O Papa termina último livro da trilogia Jesus de Nazaré

A Sala de Imprensa da Santa Sé anunciou na manhã da última quinta feira (03/08/2012) que o Papa Bento XVI terminou durante estes dias, em sua residência do verão de Castel Gandolfo, o terceiro volume de sua obra “Jesus de Nazaré” dedicado à infância de Cristo.

O texto da Sala de Imprensa da Santa Sé explica ademais que se está procedendo às traduções em diversas línguas, que serão feitas diretamente do original em alemão. Espera-se que a publicação do livro se realize ao mesmo tempo nas línguas de maior difusão, o que “exigirá um espaço de tempo prudente para uma tradução precisa deste importante e esperado texto”, conclui o comunicado.

O novo volume é a continuação de “Jesus de Nazaré”, publicado em 2007; e “Jesus de Nazaré. Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, publicado em 2011. Ambos os livros publicados em sete idiomas e em formato eletrônico, e que já superaram o milhão de cópias vendidas.

Eu consegui ler o primeiro volume da série. Infelizmente ainda não li o segundo. Mas vindo do maior teólogo vivo do mundo, este material certamente irá enriquecer espiritualmente muitos católicos no mundo todo!

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Evangelho do Dia:: Querer somente o que Deus quer

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, enquanto Jesus estava a falar à multidão, apareceram sua mãe e seus irmãos, que, do lado de fora, procuravam falar-lhe. Disse-lhe alguém: “A tua mãe e os teus irmãos estão lá fora e querem falar-te”. Jesus respondeu ao que lhe falara: “Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?”. E, indicando com a mão os discípulos, acrescentou: “Aí estão minha mãe e meus irmãos; pois, todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” (Mt 12,46-50)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Rafael Arnaiz Baron (1911-1938), monge trapista espanhol

Querer somente o que Deus quer é lógico para quem está verdadeiramente apaixonado por Ele. Fora dos Seus desejos, nós nada desejamos, e se desejássemos, era apenas o que é conforme à Sua vontade; se assim não fosse, a nossa vontade não estaria unida à Sua. Mas, se estivermos verdadeiramente unidos, por amor, à Sua vontade, não desejaremos nada que Ele não deseje, não amaremos nada que Ele não ame e, abandonados à Sua vontade, ser-nos-á indiferente o que Ele nos envie ou onde nos coloque. Tudo o que Ele quiser de nós ser-nos-á, não apenas indiferente mas, mais do que isso, agradável. Não sei se me engano em tudo o que digo; submeto-me em tudo Àquele que entende estas coisas; digo somente o que sinto. Na verdade, não desejo mais nada a não ser amá-Lo e tudo o resto entrego nas Suas mãos. Faça-se a Sua vontade! A cada dia me sinto mais feliz, no meu completo abandono nas Suas mãos.

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O que diz a Igreja sobre o céu, o inferno, o purgatório e o juízo final?

Senhor vós vireis nos fins dos tempos. Vinde ao meu encontro e deixai-me ir para vós! Sede para mim um juiz clemente e fazei que no dia da minha morte eu veja o Pai. Concedei-me ser feliz junto de vós!

Na linha dos profetas e de João Batista, Jesus anunciou em sua pregação o Juízo do último Dia. Então será revelada a conduta de cada um e o segredo dos corações. Será também condenada a incredulidade culpada que fez pouco caso da graça oferecida por Deus. A atitude em relação ao próximo revelará o acolhimento ou a recusa da graça e do amor divino Jesus dirá no último Dia: “Cada vez que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40). (CIC§678)

Sobre o julgamento é importante que o católico se atenha ao que professa a nossa fé:

  1. Juízo Final – A Igreja também chama de “O Dia de Deus”. É, segundo a nossa fé, o dia que Deus fixou para o velho mundo dos homens. A partir disso, Deus criará um novo céu e uma nova Terra.
  2. Céu – Embora vejamos em filmes, pinturas ou livros a imagem do céu como um lugar sereno, cheio de nuvens e de anjinhos tocando harpa, não é essa a definição que a Igreja Católica Apostólica Romana tem a respeito do mesmo. A nossa doutrina afirma que O Céu é a vida em comunhão definitiva com Jesus; a bem-aventurança e a felicidade de ver a Deus e de estar junto a ele. Segundo a nossa fé, não há e jamais haverá na Terra um lugar tão bom e tão feliz como no céu e a alma que para lá for levada experimentará um gozo e uma felicidade sem igual.
  3. Inferno – Também na visão criada pelos artistas, o inferno seria um lugar quente, agitado e ruim, cercado por demônios que não dão sossego as almas que lá estão. Todo caso, não essa a imagem correta que a doutrina nos ensina. Para a Igreja Católica Romana, o inferno existe sim e é um lugar onde as almas que conscientemente se apartaram do Senhor Jesus em vida irão habitar. Segundo ela, o inferno é a exclusão definitiva da comunhão com Jesus.
  4. Purgatório – Segundo a fé católica, o purgatório não é um lugar, mas um estado. A pessoa que no dia da sua morte não for levada ao inferno, mas ainda não estiver preparada para encontrar-se com Deus e viver uma plena comunhão com ele irá esperar um tempo para “purgar” seus pecados no purgatório. É um lugar de misericórdia aonde a alma vai se preparar para encontrar-se com Deus. Podemos dizer que é a anti-sala do céu, pois aquele que está no purgatório já “escapou” do inferno.

Não precisamos temer o dia do julgamento, mas ao contrário, uma vez que busquemos viver a santidade no dia a dia, aguardar este dia com alegria, pois será o momento glorioso do triunfo do Senhor sobre todo o mal.

Cristo é Senhor da Vida Eterna. O pleno direito de julgar definitivamente as obras e os corações dos homens pertence a Ele enquanto Redentor do mundo. Ele “adquiriu” este direito por sua Cruz. O Pai entregou “todo o julgamento ao Filho” (Jo 5,22). Ora, o Filho não veio para julgar, mas para salvar e para dar a vida que está nele. É pela recusa da graça nesta vida que cada um já  se julga a si mesmo recebe de acordo com suas obras e pode até condenar-se para a eternidade ao recusar o Espírito de amor.(CIC§679)

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Falando sobre o juízo final

Ele (Jesus) nos mandou pregar ao povo e testemunhar que é ele quem foi constituído por Deus juiz dos vivos e dos mortos. Dele todos os profetas dão testemunho, anunciando que todos os que nele crêem recebem o perdão dos pecados por meio de seu nome. (At 10,42-43)

O texto acima retirado do livro dos Atos dos Apóstolos faz parte da pregação de Pedro na casa de Cornélio. Nele o primeiro Papa afirma que Jesus foi constituído por Deus para julgar os vivos e os mortos. Ou seja, Jesus será o juiz que vai julgar todos os homens no dia do juízo final.

Quem não conhece a doutrina católica, pode até sentir certo receio quando ouve sobre o juízo final e último julgamento. Afinal de contas, os filmes e livros que falam sobre este assunto, formulam teorias malucas e tenebrosas sobre este dia. Como o ser humano adora uma boa fábula, muitos acabam levando estes ensinamentos ao pé da letra e daí vem o medo infundado sobre o fim dos tempos.

Porém nós que somos católicos e lutamos para viver a nossa fé, não podemos esquecer que o juiz é Jesus, o Filho de Deus, o mesmo que morreu por mim e por você. Não há porque temê-lo, sobretudo se você ao longo de sua vida se esforçou para viver os seus ensinamentos. Mesmo que tenha caído em pecado, se você se valeu do sacramento da confissão e se arrependeu verdadeiramente dos seus erros, tenha certeza de que o juiz verá o seu esforço e isso será levando em conta. Duas coisas nós temos que ter como certas:

  1. No fim dos tempos seremos julgados por Jesus, que virá na sua segunda vinda, pra julgar os vivos e os mortos;
  2. Se conhecemos seus ensinamentos e vivemos nos esforçando para vivê-los, sejamos confiantes: Ele nos julgará pelos nossos atos!

Não sabemos como de fato será este julgamento. Porém sabemos como ele vai se basear para julgar, afinal de contas o Senhor já deu indícios disso em seu Evangelho:

Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: – Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: – Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna. (Mt 25, 31-43)

O Senhor nos julgará com amor. Mas também será justo. No livro do Auto da Compadecida, o personagem João Grilo “engana” a Deus. Mas no julgamento final não iremos repetir a feito de nordestino sabido. Deus tudo vê e tudo sabe. Portanto não precisamos temer o julgamento, mas viver os ensinamentos do Senhor hoje. Assim não nos desclassificaremos da eternidade junto a Deus.

Aqui é hora de fazer um sincero e verdadeiro exame de consciência e se for o caso, recolocar a sua vida dentro do eixo dos ensinamentos de Jesus. E sempre é tempo para pensarmos nisso, pois quem nos garante o amanhã? O tempo para mudar de vida é hoje! É agora!

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