O que os dez mandamentos tem a ver com a Doutrina Social da Igreja?

moisestabuaA resposta é simples e direta: Tem tudo a ver!

Os dez mandamentos, que constituem um extraordinário caminho de vida indicam as condições mais seguras para uma existência liberta da escravidão do pecado, contêm uma expressão privilegiada da lei natural. Eles «ensinam-nos a verdadeira humanidade do homem. Iluminam os deveres essenciais e, portanto, indiretamente, os deveres fundamentais, inerentes à natureza da pessoa». Conotam a moral humana universal. Lembrados também por Jesus ao jovem rico do Evangelho (cf. Mt 19, 18), os dez mandamentos «constituem as regras primordiais de toda a vida social». (Doutrina Social da Igreja § 22)

No texto anterior eu havia dito que Deus propôs para o seu povo uma Aliança e que esta é algo parecido com um casamento: Exige fidelidade. É importante que se diga que a Aliança que o Senhor propõe ao seu povo é uma aliança desigual onde somente o homem tem vantagens. Deus não ganha nada com a sua proposta. Deus não precisa dos homens, mas porque os ama, se dá inteiramente a eles, sendo o farol que guia os seus bem amados para o caminho da felicidade. Todavia ao se colocar nesta Aliança, o homem recebe todos os carinhos e cuidados de seu Deus, coisa que ao meu ver é bastante interessante pois, sem Deus o homem caminha no escuro podendo tropeçar ou cair em um buraco. E qual seria esta proposta de Deus aos homens?

Eles serão o meu povo e Eu serei seu Deus. (Jr 32,38)

Aos homens caberia a fidelidade e a Deus o zelo, o cuidado e provisão de seu povo. E é justamente ai que entra a primeira Lei de Deus aos homens: Os Dez Mandamentos. O que Deus pede aos homens é que eles sejam uma sociedade, um povo, uma nação que se baseie em suas leis, para que este povo seja plenamente feliz e realizado. Se você fizer uma análise fria dos dez mandamentos, apenas os três primeiros são de ordem espiritual. Os demais têm claramente uma missão social. Vamos rever os Dez Mandamentos:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas;
2. Não tomar seu santo nome em vão;
3. Guardar domingos e festas;

4. Honrar pai e mãe;
5. Não matar;
6. Não pecar contra a castidade;
7. Não roubar;
8. Não levantar falso testemunho;
9. Não desejar a mulher do próximo;
10. Não cobiçar as coisas alheias;

É óbvio que Jesus Cristo é a Aliança definitiva. Porém gostaria de mostrar a você que Deus ao propor a Aliança aos homens, deu regras sociais que se vividas e respeitadas, conduzem um povo a plena felicidade. O próprio discurso de Jesus Cristo é recheado de “regras sociais” que se vividas, conduzem o homem a um caminho de plena felicidade. Mas voltando ao Pentateuco, é possível perceber diversas outras orientações de Deus ao seu povo, como um “desdobramento” deste decálogo. Veja dois exemplos:

“Se houver no meio de ti um pobre entre os teus irmão… não endurecerás o teu coração e não fecharás a mão diante do teu irmão pobre; mas abrir-lhe-ás a mão e emprestar-lhe-ás segundo as necessidades da sua indigência”. (Dt 15, 7-8).

“Se um estrangeiro vier habitar convosco na vossa terra, não o oprimireis, mas esteja ele entre vós como um compatriota e tu amá-lo ás como a ti mesmo, por que vós fostes já estrangeiros no Egito. Eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 19, 33-34).

Se analisarmos bem, até mesmo o trecho que diz para guardarmos os domingos e festas, tem um caráter social, pois ao separar um dia para Deus o homem também separa um dia para si e para sua família, além de dar a oportunidade do homem parar as suas atividades para observar a si e também a tudo àquilo que o cerca. Perceba o quanto a proposta de Deus é interessante! São leis que fazem com que o homem seja de fato homem e não um escravo do trabalho ou dos seus apetites. A Lei de Deus nos liberta do nosso eu mais peçonhento, mais animalesco. É com base nisso que a Igreja ampara a sua Doutrina Social.

Portanto aquele que professa a fé cristã precisa perceber e entender a importância da proposta de Deus para nós enquanto povo e lutar por isso enquanto cidadão. Perceba que as leis de Deus não “excluem” ninguém. Elas não denigrem ninguém. Elas não minimizam e nem desvalorizam a ninguém. Ao contrário, as Leis de Deus valorizam a vida e pessoa! E nós cristãos, entendendo que as Leis de Deus são um presente (um dom) para nós e para todos de um modo geral, precisamos entender as suas leis e defendê-las, não apenas pelo bem dos cristãos, mas para o bem de todos os homens.

Como vamos estudar aqui, perceba que a Doutrina Social da Igreja, passa pelo grande conhecimento das Leis de Deus!

Continuamos em breve…

É Deus (e só Ele) quem cuida de nós!

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Não entregue sua vida, sua história e seu destino a quem não pode, não quer e nem vai te levar a plena realização. Só Deus pode cuidar de você!

O título deste texto resume toda a história da humanidade: É Deus quem cuida do homem! Se você pegar a Bíblia e fizer uma fria análise da relação entre Deus e o homem, você perceberá que em todos os momentos da história, Deus sempre proveu as necessidades do ser humano: Sua obra-prima, sua imagem e semelhança. Ele sempre cuidou das necessidades do ser humano, desde o primeiro homem, até as sociedades organizadas (povo).

“Ele aparece, por um lado, como origem daquilo que é, como presença que garante aos homens, socialmente organizados, as condições básicas de vida, pondo à disposição os bens necessários; por outro lado, como medida do que deve ser, como presença que interpela o agir humano tanto no plano pessoal como no social sobre o uso dos mesmos bens nas relações com os outros homens.” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja § 20)

É importante que saibamos antes de qualquer coisa, que Deus nos ama, Deus nos cerca, Deus está perto de nós. E esta proximidade se dá pelo amor que Ele tem por todos nós de forma única e exclusiva.

Contudo, é importante que se diga que quando afirmamos que Deus está perto de nós e cuidando de nós, não podemos pensar que as coisas estão ruins por vontade de Deus, o que Ele deseja coisas ruins. Deus não deseja mortes, não deseja inflação, corrupção, pobreza e abandono. Deus não quer hospitais sem suprimentos, sem médicos e sem cuidados. Deus não quer violência. As coisas estão ruins, mas sem Deus, provavelmente seriam piores. É preciso que entendamos que o mundo jaz no maligno (1 Jo 1,5) mas apesar disso, o Senhor interfere no meio em que vivemos manifestando seu amor e só não manifesta mais, porque os homens se afastaram Dele. Foi assim na criação, foi assim quando o povo se tornou escravo no Egito, foi assim em diversos eventos narrados na Palavra de Deus. Em todos eles, Deus se manifestou gratuitamente e sem nada exigir em troca, para libertar seu povo das situações mais difíceis.

É preciso que se diga que quando o homem se mete em enrascada a razão principal é uma só: O afastamento de Deus. Leia a Bíblia e veja que quando o homem resolve trilhar seus próprios caminhos e se afastar do caminho de Deus, ele sempre se mete em fria. Se Deus é a luz, quem Dele se afasta cai na escuridão. A grande raiva e frustração do ser humano é não obter êxito de uma vida frutuosa e feliz longe de Deus.

Talvez você me diga: Mas eu sou fiel a Deus, minha família é temente a Deus. Vamos a missa, rezamos, fazemos tudo conforme reza o catecismo, mas passamos por situações difíceis. Por que isso acontece?

A resposta é simples: A sua conversão pessoal é importante, pois ela muda sua vida por dentro, por inteiro. Mas perceba que a relação de Deus na Bíblia em muitos momentos se dá com um povo e não de forma individual. Em vários momentos bíblicos, foi necessário que o povo como um todo, se arrependesse de seus pecados – sobretudo de idolatria e indolência – para se voltar ao Deus Verdadeiro e retomar a caminhada. Você encontrou Deus, mas ainda tem muita gente no mundo que não o conhece e que por isso talvez até de forma involuntária, está ai praticando o mal e complicando a vida dos outros. Portanto perceba que o encontro pessoal com Deus é o primeiro passo para uma grande mudança, porém é necessário apresentar este mesmo Deus para os que não o conhecem e é este efeito em cascata que vai transformar a sociedade.

Mas veja bem: Aqui eu não estou falando de ir à Missa, ou a grupo de oração. Estou falando de um encontro pessoal com Deus. Aquele momento onde Deus se manifesta na sua vida e te revira de cabeça para baixo e dá sentido a tudo que você já viveu. Muita gente vive décadas na Igreja mas nunca experimentou Deus. Isso é fundamental para a vida de todas as pessoas.

Perceba que em todas as vezes que Deus libertou o povo de alguma cilada, ele propôs uma aliança. Quero repetir a palavra “propôs”. Deus fez uma proposta e nunca uma ordem. Deus nos apresenta um caminho. Deus nos faz uma oferta. Mas que oferta seria essa?

Ser o seu povo enquanto Ele seria o Deus desse povo. Como um casamento onde o esposo se dá a esposa, Deus propõe ao homem esta Aliança. E esta é a única forma do homem não cair na cilada do inimigo. Esta é a única maneira do homem não fazer da sua vida um inferno. No próximo texto, falaremos mais sobre esta Aliança.

Espero você por aqui.

Dominus Vobiscum

Por mais sensibilidade ao sofrimento do outro

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Ao ler hoje o trecho inicial do Compêndio da Doutrina Social da Igreja, fui tomado por um súbito momento de reflexão. Sabe quando você lê um livro e de repente uma frase te leva para longe dali e te faz pensar em coisas que você viu ou fez? Pois é, hoje aconteceu comigo. O trecho que me fez viajar em reflexão foi este:

«Como é possível que ainda haja, no nosso tempo, quem morra de fome, quem esteja condenado ao analfabetismo, quem viva privado dos cuidados médicos mais elementares, quem não tenha uma casa onde abrigar-se? E o cenário da pobreza poderá ampliar-se indefinidamente, se às antigas pobrezas acrescentarmos as novas que frequentemente atingem mesmo os ambientes e categorias dotadas de recursos econômicos, mas sujeitos ao desespero da falta de sentido, à tentação da droga, à solidão na velhice ou na doença, à marginalização ou à discriminação social. […] E como ficar indiferentes diante das perspectivas dum desequilíbrio ecológico, que torna inabitáveis e hostis ao homem vastas áreas do planeta? Ou em face dos problemas da paz, frequentemente ameaçada o íncubo de guerras catastróficas? Ou frente ao vilipêndio dos direitos humanos fundamentais de tantas pessoas, especialmente das crianças? » (Compêndio da Doutrina Social da Igreja § 4)

Fiquei pensando sobre esta sensibilidade com aqueles que sofrem. Achei por um momento que havia perdido isso. Percebi que em muitos casos esta compaixão estava se apagando dentro de mim. Infelizmente a verdade é que constantemente vejo desgraças na TV, na internet e nas ruas. Infelizmente desconfio daqueles que se aproximam de mim nas ruas, com medo de assalto. Nos noticiários vejo mortes aos montes e nenhuma lágrima vem aos meus olhos. Pensei que talvez eu tivesse me fechado em meu universo.

A reflexão se tornou mais profunda, quando percebi que este problema não é só meu: Está na sociedade inteira. A verdade é que a grande maioria de cada um de nós se fechou para o outro. Entre os seres humanos de hoje, existe um muro que é difícil de ser quebrado, quase intransponível. Nos comunicamos com quem está ao lado apenas com celulares. Somos “experts” em tecnologia, mas não sabemos nada de relacionamento entre pessoas. Já não trocamos mais palavras de afago. A ternura se perdeu…

Hoje por alguns momentos rezei pedindo a Deus que retirasse de mim esta insensibilidade. E rezei também por todos os amigos que visitam este blog. Portanto rezei por você também. Mas o legal é que durante a oração, lembrei que quando criei este blog, o meu desejo era ajudar os irmãos católicos que desejassem conhecer a fé católica. Lembrei que quando sai de Recife para fazer uma experiência missionária, meu desejo era apresentar aos irmãos o meu maior tesouro: Jesus Cristo. E dali fui lembrando de tudo que aconteceu na minha vida e que teve o desejo único de ajudar os irmãos a ter um encontro pessoal com Nosso Senhor.

Este texto não foi para apontar méritos e deméritos da minha vida, mas para mostrar que assim como eu, talvez você também tenha vivido este conflito entre erros e acertos, perdas e ganhos. E se viveu, é hora de recolocar a fé nos trilhos e perceber que Deus é o mais importante, porém o amor ao próximo é a missão que Deus nos confia. Não é fácil pensar no outro. E é muito mais difícil abrir mão de nossas vontades para fazer o outro feliz. Mas a nossa missão é o outro. Nossa tarefa é fazer o bem comum e não apenas o nosso bem.

Que o bom Deus que nos ajude a nos compadecer com aqueles que sofrem a ponto de sair de nós mesmos e do nosso universo, para fazer a vida do outro melhor, escolhendo o bem comum e fazendo a felicidade do irmão, e consequentemente, trazendo a alegria ao coração de Cristo.

Dominus Vobiscum

Você conhece a Doutrina Social da Igreja?

Amor ao próximo

O leigo tem uma missão definida dentro da Igreja: A ele cabe a atuação nos diversos setores da sociedade, transformando os ensinamentos de Cristo em ações concretas.

A Igreja Católica não é a instituição mais importante do mundo a toa. Ao longo dos século ela desempenha um papel importante na sociedade. A sua visão sobre o mundo e suas necessidades, faz com que a partir do Cristo (cabeça da Igreja), ela olhe para o mundo de uma outra maneira e reflita sobre os seus principais problemas com outra ótica. Ao olhar o mundo sob a perspectiva dos ensinamentos de Jesus e sob a Luz do Divino Espírito Santo, a Igreja traz uma resposta diferente de todas as respostas que o mundo nos apresenta, independente do problema apresentado. E nestes mais de 2.000 anos a Igreja sempre tratou com carinho e respeito os filhos de Deus, respondendo de forma concreta e realista a todos os questionamentos da sociedade.

Por isso a Igreja Católica tem na sua Doutrina Social, um dos mais importantes documentos para seus membros, pois incentiva a todos (sobretudo os leigos) a conhecerem a perspectiva cristã sobre os mais diversos assuntos, assimilarem este conteúdo e aplicá-los na vida civil e social, ou seja, no nosso dia a dia. Na verdade, esta é a nossa principal tarefa como católicos leigos: A atuação na sociedade. Somos chamados a ser sal na terra e luz no mundo. Somos chamados a entrar na Igreja para aprender, e sair de lá dispostos a colocar em prática em todos os lugares onde estivermos.

Tem muita gente que está na Igreja trabalhando em pastorais e grupos de oração, achando que o “top” do serviço que ela presta a Igreja é ser um ministro da eucaristia, um músico, ou animador de pastoral. Outros (e eu já pensei assim), trazem o desejo de serem leigos que assumem o papel do padre, deixando-o livre para assumir o papel do leigo. Infelizmente pensar assim, é pensar errado, e talvez por isso tenha tanto leigo sofrendo por não encontrar seu lugar na Igreja.

Assim como os padres têm tarefas definidas, assim também o leigo tem as responsabilidades próprias da sua missão, e por isso é necessário que cada um de nós saibamos o nosso lugar nesta grande obra que é a Igreja.

“Não cabe aos pastores da Igreja intervir diretamente na construção política e na organização da vida social. Essa tarefa faz parte da vocação dos fiéis leigos, que agem por própria iniciativa com seus concidadãos… Terá sempre em vista o bem comum e se conformará com a mensagem evangélica e com a doutrina da Igreja. Cabe aos fiéis leigos “animar as realidades temporais com um zelo cristão e comportar-se como artesãos da paz e da justiça” (SRS 42). (CIC §2442)

O Compêndio da Doutrina Social da Igreja é um documento riquíssimo, que todos os leigos têm a obrigação de ler e estudar, e ouso dizer que se o leigo estudar a fundo este documento apenas durante a sua vida e colocá-lo em prática, ele já terá feito muito pela Igreja. Óbvio que todos os documentos da Igreja precisam ser lidos e são importantes, mas o que quero salientar é o caráter prático deste texto e para quem ele se destina: Ele é para nós leigos e nos mostra como fazer tudo a Luz de Cristo. É como uma receita de bolo: É ler, seguir e esperar o resultado.

É importante frisar que tudo que a Igreja propõe tem como objetivo a dignidade do ser humano como filho amado de Deus. A Igreja não dá em nenhum momento ênfases ideológicas e também não é adepta a economias diversas. O que você encontra neste documento, nada mais é do que um caminho para eu e você amarmos de forma concreta os nossos irmãos que fazem parte da mesma sociedade que nós.

Portanto a partir de hoje vamos começar a refletir profundamente este documento e “redescobri-lo” fazendo uma grande partilha sobre a riqueza destes ensinamentos. Desde já eu quero disponibilizar aqui o Compêndio da Doutrina Social da Igreja que foi preparado em pdf pelo excelente apostolado Veritatis Splendor que é um dos mais antigos apostolados católicos da internet: Baixe o Compêndio da Doutrina Social da Igreja clicando aqui. Durante este período, vamos estudá-lo de forma mais detalhada. E vem ai podcasts e hangouts para comentarmos o assunto. A tônica agora é aprender, porque quem aprende faz certinho! E eu estou com a Igreja e quero fazer certinho também!

Quero convidar você a visitar constantemente nosso blog, para se manter por dentro das nossas postagens. Aguardo você por aqui!

Dominus Vobiscum