Resiliência: uma armadura para os tempos atuais

bambu modelo de resiliência

No dia a dia estamos sempre expostos a diversas situações. Umas boas e outras nem tanto. Chamamos de resiliência a capacidade que temos para recuperar as forças diante das adversidades que a vida nos apresenta.

Esta qualidade é essencial para que possamos nos levantar, na hora que as situações inesperadas aparecem e nos dão uma rasteira. O mundo moderno apresenta um dos mais altos níveis de estresse já registrados na história da humanidade. A qualidade de vida de fato é melhor do que a 50 anos atrás, porém o que vemos ao nosso redor são pessoas que se sentem insatisfeitas e infelizes.

O homem moderno tem a tecnologia a seu favor, mas é menos preparado para controlar as emoções, o estresse, problemas financeiros, decepções, acontecimentos inesperados, tragédias ou perdas.

Para vencer luta diária que somos obrigados a travar, é preciso cultivar a resiliência.

Para começar, é preciso deixar claro que você não nasce com a resiliência. Não é um dom ou uma característica da sua personalidade. É algo que se conquista com o tempo, com luta e com força de vontade, e algo que depende sim da ajuda de Deus, mas fundamentalmente de cada um de nós.

Outra coisa que precisa ser dita: Quem é resiliente não é imune ao estresse, a dor ou as tragédias. O resiliente também chora. Porém quem tem a resiliência transcende a dor. Não para nela. É como o bambu que enverga mas não quebra.

Talvez você já tenha visto por ai a célebre frase do filme Rocky Balboa, onde Rocky ensina ao seu filho sobre resiliência:

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E isso é para todo mundo! O fato de você ser cristão não vai te livrar sofrimento. Mas o fato de ser cristão pode te ajudar e muito a conseguir o que chamamos de resiliência. Pois quem crê em Cristo, crê por que tem fé, e quem tem fé, tem esperança. Quem conquista a resiliência, consegue uma incrível armadura para viver bem neste tempo.

Para se tornar resiliente o indivíduo precisa antes de tudo rever a vida e mudar de hábitos.

Santo Inácio de Loyola dizia que para cada vício, é preciso cultivar uma virtude. E para cultivar uma virtude é necessário reconhecer o vício e se decidir pela mudança.

E a primeira mudança para conseguir a resiliência é o amor próprio. É preciso antes de mais nada aprender a se amar, se valorizar, aprender a dizer não quando for necessário, e buscar sempre uma vida de oração.

Aliás, a vida de oração é um capítulo a parte, por que não basta rezar: é preciso fazer uma oração determinada. Ao invés de mostrar sua dor ao Senhor, peça o Espírito Santo que lhe fortaleça para superar a dor. Deus vê o desejo do seu coração em transcender e te abençoa.

Outro ponto que precisa ser observado é: Quem está ao meu redor me impulsiona a ser melhor, ou me enterra onde me encontro? Eu sempre digo que é preciso deixar que as pessoas se aproximem de nós, mas é essencial decidir quem deve permanecer ao nosso lado.

Acredite: Bons hábitos e a busca pelas virtudes te ajudarão a adquirir esta resiliência. E partir disso tua vida será muito diferente.

Pax Domini

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Série Espiritualidade: Da corrupção da natureza e da eficácia da graça divina

Do livro “Imitação de Cristo”

A alma: Senhor, meu Deus, que me criastes à vossa imagem e semelhança, concedei-me a graça que declarastes ser tão importante e necessária para a salvação: que eu vença minha péssima natureza, que me arrasta ao pecado e à perdição. Porque sinto em minha carne a lei do pecado, que é contrária à lei do espírito e me cativa, querendo me levar a obedecer, em muitas coisas, à sensualidade; nem poderei resistir às paixões, se não me assistir vossa santíssima graça, e me inflamar o coração.

É necessária vossa graça, e grande graça, para vencer a natureza, propensa sempre ao mal desde a infância. Porque, viciada pelo primeiro homem, Adão, e corrompida pelo pecado, transmite a todos os homens a pena desta mancha, de sorte que a mesma natureza, por vós criada boa e reta, agora deve ser considerada como enferma e enfraquecida pela corrupção, visto que seus movimentos, abandonados a si mesmos, a arrastam ao mal e às coisas baixas, Porque a módica força que lhe ficou é como uma centelha oculta debaixo da cinza. Esta centelha é a razão natural, que, embora envolta em densas trevas, discerne ainda o bem do mal, a verdade do erro, mas não é capaz de fazer tudo que aprova, já que não possui a plena luz da verdade, nem a primitiva pureza de seus afetos.

Daí vem, ó meu Deus, que “segundo o homem interior me deleito em vossa lei” (Rom 7, 22), sabendo que vosso mandato é bom, justo e santo, que reprova todo mal e ensina que se deve fugir ao pecado. Segundo a carne, porém, estou escravizado à lei do pecado, pois obedeço mais à sensualidade que à razão. Daí vem que “tenho vontade de fazer o bem, mas não sei realizá-lo” (Rom 7, 18). Por isso faço muitos bons propósitos, mas faltando-me vossa graça que auxilie minha fraqueza, com o menor obstáculo desfaleço e desisto. Assim sucede que bem conheço o caminho da perfeição e vejo claramente o que devo fazer. Entretanto, oprimido com o peso da corrupção, não me elevo ao que é mais perfeito.

Oh! Como me é necessária, Senhor, vossa graça, para começar, continuar e completar o bem. Porque sem ela nada posso fazer, mas tudo posso em vós, se me confortar vossa graça, Ó graça verdadeiramente celestial, sem a qual nada valem os próprios merecimentos, nem apreço merecem os dons naturais! Nada valem diante de vós, Senhor, as artes e a riqueza, a formosura e a fortaleza, o engenho e a eloqüência – sem a graça. Porque os dons da natureza são comuns aos bons e aos maus; mas a graça ou caridade é peculiar dos escolhidos, porque os torna dignos da vida eterna. Tão excelente é esta graça, que nem o dom da profecia, nem o poder de fazer milagres, nem a mais alta contemplação tem valor algum sem ela. Nem mesmo a fé, nem a esperança, nem as outras virtudes vos agradam, sem a graça e sem a caridade.

Ó graça beatíssima, que fazes rico de virtudes o pobre de espírito e tornas humilde de coração o rico dos bens de fortunas: vem, desce sobre mim e enche minha alma de tua consolação, para que não desfaleça, de cansaço e aridez, meu espírito. Suplico-vos, Senhor, que eu ache graça em vossos olhos, porque me basta a vossa graça, embora me falte tudo que deseja a natureza. Ainda que seja tentado e vexado com muitas tribulações, nada temerei, enquanto estiver comigo a vossa graça. Ela é a minha fortaleza, me dá conselho e amparo. Ela é mais poderosa que todos os inimigos e mais sábia que todos os sábios.

Ela é a mestra da verdade e da disciplina, a luz do coração e o alívio nas tribulações; ela afugenta a tristeza, dissipa o temor, nutre a devoção, gera santas lágrimas. Que sou eu sem a graça, senão um lenho seco e um tronco inútil, que se atira ao fogo? Previna-me, pois, Senhor, a vossa graça e me acompanhe sempre e me conserve continuamente na prática das boas obras, por Jesus Cristo, vosso Filho. Amém.

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Série Espiritualidade: Do desejo da vida eterna e quantos bens estão prometidos aos que combatem

Do livro “Imitação de Cristo”

Jesus: Filho, quando sentires que o céu te inspira saudades da bem-aventurança e o desejo de deixar o tabernáculo do corpo para contemplar minha glória sem sombra de mudanças, alarga o teu coração e recebe esta santa inspiração com todo afeto. Dá muitas graças à Bondade soberana, que usa de tanta liberdade para contigo, com tanta clemência te visita, tanto te anima, tão poderosamente te levanta, para que teu próprio peso não te arraste para as coisas terrenas. Pois isto não te vem por teus pensamentos ou esforços, mas só pela mercê da graça celeste e do beneplácito divino para que te adiantes nas virtudes, sobretudo na humildade, e te prepares para futuras pelejas; para que te entregues a mim com todo o afeto do teu coração e me sirvas com ardente amor.

Filho, muitas vezes arde o fogo, mas não sobe a chama sem fumo. Assim tambem os desejos de alguns se abrasam pelas coisas celestiais, e, contudo, não estão livres da tentação e dos afetos carnais. Por isso não fazem unicamente pela glória de Deus o que, aliás, com tanto desejo lhe pedem. Tal é também muitas vezes teu desejo, que manifestastes com tanta ansiedade; pois não é puro nem perfeito o que está contaminado de algum interesse próprio.

Pede-me, não o que te é agradável e cômodo, senão o que a mim me é aceito e honroso; pois, se julgares retamente, deves preferir minha lei a todos os teus desejos e cumpri-la. Conheço teus desejos e ouvi teus freqüentes gemidos. Quiseras já agora estar na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, já te deleita o pensamento da morada eterna, na pátria celestial repleta de gozo; – mas não é ainda chegada essa hora, outro é o tempo atual, tempo de guerra, trabalho e provação. Desejas gozar a plenitude do Sumo Bem, mas por enquanto ainda não o podes conseguir. Sou eu esse Bem supremo; espera-me, diz o Senhor, até que venha o reino de Deus.

Hás de passar ainda por muitas provações na terra e ser exercitado em muitas coisas. Consolações se te darão de vez em quando, mas plena satisfação não podes receber. Esforça-te, pois, e tem coragem, para fazer e sofrer o que repugna à natureza. Importa que te revistas do homem novo e te transformes em outro homem. Cumpre-te fazer muitas vezes o que não queres e deixar o que queres. O que agrada aos outros terá bom sucesso; o que te agrada não se fará. O que os outros dizem está atendido; o que tu dizes será desprezado. Pedirão os outros e receberão; tu pedirás, e não alcançarás.

Serão grandes os outros na boca dos homens; mas de ti nem se dirá palavra. Os outros serão encarregados de diversas comissões, e tu não serás julgado capaz de coisa alguma. Com isto se contristará, às vezes, a natureza; mas muito ganharás, se o sofreres calado. Nessas e noutras coisas semelhantes costuma ser aprovado o servo fiel do Senhor, para ver como sabe negar-se e mortificar em tudo. Dificilmente haverá coisa em que mais te seja preciso morrer a ti mesmo, do que em ver e sofrer o que é contrário à tua vontade, mormente quando te mandam fazer coisas que te parecem inúteis ou desarrazoadas. E porque não ousas resistir à autoridade do superior, sob cujo governo estás, duro te parece andar à vontade de outrem e deixar de todo o teu próprio parecer.

Mas considera, filho, o fruto destes trabalhos, o fim breve e o prêmio excessivamente grande, e não te serão molestos, mas acharás neles consolo para teus sofrimentos. Pois, por um pequeno desejo que agora sacrificas, tua vontade será sempre satisfeita no céu onde acharás tudo que quiseres, tudo o que podes desejar. Ali possuirás todo o bem, sem medo de o perder. Ali tua vontade, sempre unida com a minha, nada desejará fora de mim, nada que te seja próprio. Ali ninguém te fará oposição ou de ti se queixará, ninguém te causará estorvo ou contrariedades; antes, tudo quanto desejares já estará presente, para preencher e satisfazer plenamente todos os teus desejos. Ali te darei a glória pela injúria padecida, uma túnica de honra pela tristeza, e, pela escolha do ínfimo lugar, um trono em meu reino para sempre. Ali brilhará o fruto da obediência, alegrar-se-á a austera penitência e será gloriosamente coroada a sujeição humilde.

Sujeita-te, pois, agora, humildemente à vontade de todos, sem te importar quem foi que tal disse ou mandou. Mas cuida muito em acolher de bom grado qualquer pedido ou aceno, seja de teu superior, ou embora de teu igual ou inferior, e trata de o cumprir com sincera vontade. Busque um isto, outro aquilo; glorie-se este numa coisa, aquele em outra, e receba mil louvores; tu, porém, não te deleites numa nem noutra coisa, mas só no desprezo de ti mesmo e na minha vontade e glória. Este deve ser o teu desejo: que tanto na vida como na morte Deus seja sempre por ti glorificado.

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“A alegria é uma das melhores garantias contra a tentação”

Do Evangelho Quotidiano

Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor.
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu, que tenho guardado os mandamentos do meu Pai, também permaneço no seu amor.
Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria s eja completa. (S. João 15,9-11)

Comentário do Evangelho feito por Beata Teresa de Calcutá (1910-1997)

Manifestei-vos estas coisas, para que […] a vossa alegria seja completa. A alegria é para nós uma necessidade e uma força, até fisicamente. Aquelas irmãs que cultivam o espírito de alegria não sentem tanto o cansaço e estão sempre prontas a fazer o bem. Plena de alegria, uma irmã prega sem pregar. Uma irmã alegre é como o raio de sol do amor de Deus, a esperança de uma alegria eterna, a chama de um amor que queima.A alegria é uma das melhores garantias contra a tentação. O diabo carrega em si pó e lama, que lança sobre nós, para tal aproveitando todas as ocasiões. Um coração alegre sabe proteger-se disso.

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Oração de Santo Inácio de Loyola para pedir força de vontade

Santo Inácio de Loyola (31 de maio de 1491 – 31 de julho de 1556) foi o fundador da Companhia de Jesus, conhecida como os Jesuítas, uma ordem religiosa católica romana estabelecida com o fim de fortalecer a igreja, inicialmente contra o Protestantismo. O papa Pio XI, em 1922, declarou santo Inácio de Loyola Padroeiro de todos os Exercícios Espirituais (que por sinal nunca fiz, mas gostaria muito de fazer)A devoção popular afirma que ele é o Santo que intercede pelos que pedem a Deus força de vontade, que por sinal é algo muito necessário para o crescimento espiritual dos cristãos que nem sempre pedem por isso (pedimos tantas coisas materiais, mas pouquíssimas coisas espirituais). É dele a oração abaixo e você que deseja pedir a Deus força de vontade, reze conosco:

Tomai Senhor, e recebei.
Toda a minha liberdade, e a minha memória também.
O meu entendimento, e toda minha bondade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me deste com amor.
Todos os dons que me deste,
Com gratidão vos devolvo.
Dispondo deles Senhor,
Segundo a vossa vontade.
Dai-me somente o vosso amor e a vossa graça,
Isso me basta, nada mais quero pedir.