Católicos na Política: Uma necessidade dos tempos em que vivemos

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O homem é um animal político. Assim dizia Aristóteles no seu célebre livro intitulado “Política”. Já Santo Agostinho dizia em seu livro Confissões:

Tu mesmo que incitas ao deleite no teu louvor, porque nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso. (Santo Agostinho)

Ora, se o homem é um ser político e ao mesmo tempo um ser religioso (pois a busca de Deus é a única que pode aquietar o nosso coração), como pode a política não se misturar com a religião no nosso dia a dia, se dentro de nós estes dois atos (o religioso e o político) se revelam necessidades do ser humano enquanto ser diferenciado dos demais seres da terra?

Infelizmente quando se fala em política, a primeira coisa que nos vem em mente é a trágica política partidária que se faz no Brasil (que de partidária não tem absolutamente nada, haja vista que quase nenhum político da nossa nação defende partidos, mas seus próprios interesses). No entanto a política é mais que isso. Muito mais…

Quando lutamos para que uma rua seja asfaltada, ou reivindicamos por mais segurança em nosso bairro, ou ainda quando realizamos um abaixo-assinado para a criação de um posto de saúde mais próximo, também fazemos política. Naquela famosa reunião de condomínio, quando lutamos pelos interesses comuns e os da nossa família, fazemos política. Ou seja, a política é muito mais do que a nojenta briga político partidária que existe por ai. É muito mais do que corrupção, mensalão, petrolão e roubalheira do dinheiro público. É mais do que estes cretinos sem caráter que vivem as custas do nosso dinheiro.

E justamente por que vemos tantas atrocidades na política atual, é que muitos de nós desejam ardentemente se afastar da política, criando uma ojeriza até da palavra “política”. Um dia eu também já fui assim…

Desde os meus 15 anos participo das coisas da Igreja. Já fui de grupo de jovens, RCC, fui missionário da Canção Nova, participei de pastorais e ministérios diversos… E nessa história, já se vão 25 anos. Uma vida de dedicação as coisas de Deus.

E em boa parte deste período, sempre fui contra qualquer tipo de mistura entre fé e política. Nunca admiti que isso pudesse acontecer, e nunca acreditei que um político pudesse ser católico verdadeiro, ou que um católico verdadeiro pudesse se tornar político e continuar sendo católico. Na verdade para mim a política era uma coisa meio que demoníaca. E sinceramente, vi muita coisa ruim dentro da política que me fazia acreditar que isso era verdade. Quando via algo deste tipo na política, meu pensamento era: Política é coisa do capeta! Deus que me livre disso!

Ao longo da minha vida, vi políticos interesseiros se aproximarem da Igreja querendo votos doando migalhas aos padres… Sumiam depois das eleições. Vi políticos doarem faixas, barracas para quermesse, folhas de canto para missas, cartazes… Desde que tivesse seu nome lá: impresso e em destaque. Vi pessoas se oferecerem para fazer leitura na missa em época de eleição no intuito de se mostrar como candidato. Depois da eleição nem passava na porta da igreja. Vi cada coisa…

Vi pessoas que se diziam extremamente corretas se candidatarem, ganharem a eleição com o voto de católicos e mudarem, defendendo aspectos contrários a nossa fé. Vi católicos aparecendo em escândalos políticos… Infelizmente vi tudo isso. Cheguei a pensar que diante do poder e do dinheiro cada pessoa tem seu preço e ninguém seria tão santo assim a ponto de recusar o poder.

E cada vez que via essas coisas, mais me afastava da política. Mais tinha medo de me aproximar e cair na mesmice dos facínoras que via, e mais tinha raiva desta coisa que para mim era medonha e nociva. Para mim, um católico na política era o mesmo que uma ovelha gorda, jovem, tenra e inocente no meio de uma alcateia pronta para o abate em questão de segundos. Pobre ovelha…

Porém houve um dia em que rezando diante de Jesus Sacramentado depois de ver um certo episódio com um certo político, o Senhor tocou neste assunto comigo. É complicado explicar estas coisas místicas. Mas creio que só Deus para me fazer mudar de opinião com relação a este assunto, sobretudo depois do que tinha acontecido. Diante de Jesus, comecei a pensar sobre como um bom político poderia fazer a diferença para as pessoas. Não sei explicar com palavras, mas me vinham imagens a mente de possibilidades positivas onde um bom político poderia ajudar pessoas. Aquilo mexeu comigo. Senti que Deus me levava a rezar para que despertassem no país católicos políticos. Não quero ser político (Deus me livre). Mas partir deste dia, passei a pedir a Deus por isso. E sempre pedia (e peço até hoje) por políticos incorruptíveis, pois para mim esta é a nossa necessidade nesses tempos difíceis. Passei a pedir a Deus por políticos que amassem a Deus sobre todas as coisas e não a partidos. Passei a rezar por políticos que tenham Deus no coração e não se abram a ideologias ou ideias que são contrárias a nossa fé. Resumindo: Passei a pedir por santos na política. Se nosso Deus é o Deus do impossível, por que ele não poderia fazer nascer uma geração de santos para atuar onde vivem os lobos? Se Deus estiver no controle quem sabe as ovelhas doces e tenras não podem dar um “hadouken” nos lobinhos do mal? Até na política eu ponho minha fé em Deus e não nos homens…

Hoje eu tenho a clareza que nenhuma ideologia (partidária ou revolucionária) possa retirar nosso país do estágio no qual se encontra. Apenas Deus.

Ele é a nossa força e a nossa esperança. É Nele que cremos e confiamos. Todos os homens que se arvoraram em salvadores da pátria fracassaram. Sucumbiram diante do mal, da corrupção e do pecado. É óbvio que existem ideologias totalmente e declaradamente contrárias a fé católica que precisam ser rechaçadas. Mas toda ideologia é risco, sobretudo àquelas que se escondem hoje, para serem mais perversas no futuro. Porém homem algum pode nos salvar. Só Jesus salva!

E tenho outra certeza neste mundo: Política e religião precisam se misturar e a fé que temos precisa reger nossos atos políticos. Somente quando os católicos (desses que realmente querem ser santos) se envolverem com este assunto e adentrarem neste campo, o Brasil mudará. Não por eles, mas pelo Cristo que habita dentro deles. Hoje mais do que nunca, o católico é chamado a trazer sua fé para a sociedade, defendendo seus valores e transformando a sociedade em que vivemos aos moldes do evangelho. O Brasil é sim um país laico, mas a maioria do seu povo é católico, e no dia em que o católico entrar na política levantando a bandeira do evangelho, a coisa muda.

Hoje eu não vejo um católico na política como uma ovelha no meio de lobos famintos. Eu vejo um católico na política como uma cruz iluminada que demarca um território que é nosso, afastando as trevas de nós.

Oremos,

Dominus Vobiscum

Série Espiritualidade: “Regra de São Bento”

stbenedictCapítulo 4 – Quais são os instrumentos das boas obras

1. Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças.
2. Depois, amar ao próximo como a si mesmo.
3. Em seguida, não matar.
4. Não cometer adultério.
5. Não furtar.
6. Não cobiçar.
7. Não levantar falso testemunho.
8. Honrar todos os homens. 9. E não fazer a outrem o que não quer que lhe seja feito.
10. Abnegar-se a si mesmo para seguir o Cristo.
11. Castigar o corpo.
12. Não abraçar as delícias.
13. Amar o jejum.
14. Reconfortar os pobres.
15. Vestir os nus.
16. Visitar os enfermos.
17. Sepultar os mortos.
18. Socorrer na tribulação.
19. Consolar o que sofre.
20. Fazer-se alheio às coisas do mundo.
21. Nada antepor ao amor de Cristo.
22. Não satisfazer a ira.
23. Não reservar tempo para a cólera.
24. Não conservar a falsidade no coração.
25. Não conceder paz simulada.
26. Não se afastar da caridade.
27. Não jurar para não vir a perjurar.
28. Proferir a verdade de coração e de boca.
29. Não retribuir o mal com o mal.
30. Não fazer injustiça, mas suportar pacientemente as que lhe são feitas.
31. Amar os inimigos.
32. Não retribuir com maldição aos que o amaldiçoam, mas antes abençoá-los.
33. Suportar perseguição pela justiça.
34. Não ser soberbo.
35. Não ser dado ao vinho.
36. Não ser guloso.
37. Não ser apegado ao sono.
38. Não ser preguiçoso.
39. Não ser murmurador.
40. Não ser detrator.
41. Colocar toda a esperança em Deus.
42. O que achar de bem em si, atribuí-lo a Deus e não a si mesmo. Mas, quanto ao mal, saber que é sempre obra sua e a si mesmo atribuí-lo.
43. Temer o dia do juízo.
44. Ter pavor do inferno.
45. Desejar a vida eterna com toda a cobiça espiritual.
46. Ter diariamente diante dos olhos a morte a surpreendê-lo.
47. Vigiar a toda hora os atos de sua vida.
48. Saber como certo que Deus o vê em todo lugar.
49. Quebrar imediatamente de encontro ao Cristo os maus pensamentos que lhe advêm ao coração e revelá-los a um conselheiro espiritual.
50. Guardar sua boca da palavra má ou perversa.
51. Não gostar de falar muito.
52. Não falar palavras vãs ou que só sirvam para provocar riso.
53. Não gostar do riso excessivo ou ruidoso.
54. Ouvir de boa vontade as santas leituras.
55. Dar-se freqüentemente à oração.
56. Confessar todos os dias a Deus na oração, com lágrimas e gemidos, as faltas passadas e 57. daí por diante emendar-se delas.
58. Não satisfazer os desejos da carne.
59. Odiar a própria vontade.
60. Obedecer em tudo às ordens do Abade, mesmo que este, o que não aconteça, proceda de outra forma, lembrando-se do preceito do Senhor: “Fazei o que dizem, mas não o que fazem”.
61. Não querer ser tido como santo antes que o seja, mas primeiramente sê-lo para que como tal o tenham com mais fundamento.
62. Pôr em prática diariamente os preceitos de Deus.
63. Amar a castidade.
64. Não odiar a ninguém.
65. Não ter ciúmes.
66. Não exercer a inveja.
67. Não amar a rixa.
68. Fugir da vanglória.
69. Venerar os mais velhos.
70. Amar os mais moços.
71. Orar, no amor de Cristo, pelos inimigos.
72. Voltar à paz, antes do pôr-do-sol, com aqueles com quem teve desavença.
73. E nunca desesperar da misericórdia de Deus.
74. Eis aí os instrumentos da arte espiritual: se forem postos em ação por nós, dia e noite, sem cessar, e devolvidos no dia do juízo, seremos recompensados pelo Senhor com aquele prêmio que Ele mesmo prometeu: “O que olhos não viram nem ouvidos ouviram preparou Deus para aqueles que o amam”. São, porém, os claustros do mosteiro e a estabilidade na comunidade a oficina onde executaremos diligentemente tudo isso.

Série Espiritualidade: Devemos praticar as obras humildes quando somos incapazes para as mais altas

Do livro “Imitação de Cristo”

Jesus: Filho, não podes conservar-te sempre no desejo fervoroso de todas as virtudes, nem perseverar no mais alto grau de contemplação; mas às vezes te é necessário, por causa de tua natureza viciada, descer a coisas humildes e carregar, em que te pese, o fardo desta vida corruptível. Enquanto viveres neste corpo mortal, sentirás tédio e angústias do coração. Convém, pois, que na carne gemas muitas vezes debaixo do seu peso, porque não podes ocupar-te dos exercícios espirituais e da contemplação das coisas divinas, sem interrupção.

Então te convém recorrer a humildes ocupações exteriores e recrear-te nas boas obras; esperar, com firme confiança, minha vinda e visita celestial; levar com paciência o teu desterro e secura de espírito, até que de novo venha a visitar-te e te livre de todas as penas. Porque eu te farei esquecer os trabalhos e gozar do sossego interior. Abrir-te-ei o jardim delicioso das Sagradas Escrituras, para que, com o coração dilatado, comeces a correr pelo caminho dos meus mandamentos. E então dirás: Não têm proporção as penas desta vida com a futura glória que se nos há de revelar (Rom 8,18).

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Evangelho do Dia: a Tua misericórdia dá-me coragem

Do Evangelho Quotidiano

Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, dizendo: ‘Tocamos flauta para vós e não dançastes; entoamos lamentações e não batestes no peito!’ Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’ Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ Mas a sabedoria foi justificada pelas suas próprias obras. (Mt 11,16-19)

Comentário do Evangelho do dia feito por Santo Afonso-Maria de Ligório (1696-1787), bispo e doutor da Igreja

Fogo sempre ardente, diremos com Santo Agostinho, inflama as nossas almas. Jesus Cristo, fizeste-Te homem para acender nos nossos corações o fogo do amor divino: como pudeste encontrar em nós tamanha ingratidão? Tudo fizeste para que Te amassem; chegaste a sacrificar o Teu sangue e a Tua vida. Porque razão ficam os homens insensíveis a tantas graças? Será que as ignoram? Não, eles sabem, eles crêem que, por amor deles, vieste do céu revestir a carne humana e carregar com as suas misérias; eles sabem que, por amor deles, quiseste levar uma vida de sofrimento permanente e sofrer uma morte ignominiosa. Depois disto, como explicar que vivam no completo esquecimento da Tua bondade extrema? Eles amam os pais, eles amam os amigos, eles chegam mesmo a amar os animais […]; é somente por Ti que não sentem amor nem gratidão! Mas que digo eu? Ao acusar os outros de ingratidão, estou a condenar-me a mim mesmo, pois o meu comportamento para conTigo foi pior do que o deles. Porém, a Tua misericórdia dá-me coragem; sei que ela me sustentou durante tanto tempo, para me perdoar e incendiar-me com o Teu amor, com a única condição de eu querer arrepender-me e amar-Te. Sim, meu Deus, quero arrepender-me […]; quero amar-Te com todo o meu coração. Reconheço que o meu coração […] Te negligenciou para amar as coisas deste mundo; mas também vejo que, apesar desta traição, Tu continuas a chamá-Lo. É por isso que, com toda a força da minha vontade, eu To dedico e To dou. Digna-Te incendiá-lo com o Teu santo amor; faz com que doravante ele só Te ame a Ti. […] Amo-Te, meu Jesus; amo-Te, meu soberano Bem! Amo-Te, único amor da minha alma.

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Evangelho do Dia:: Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, como alguns falassem do templo, dizendo que estava adornado de belas pedras e de ofertas votivas, respondeu: Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído. Perguntaram-lhe, então: Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer? Ele respondeu: Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo.’ Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim. Disse-lhes depois: Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenômenos apavorantes e grandes sinais no céu.  (Lc 21,5-11)

Comentário feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia depois bispo de Constantinopla, doutor da Igreja

Quanto mais o rei se aproxima, mais necessidade temos de nos preparar. Quanto mais se aproxima o momento em que o prêmio será atribuído ao lutador, melhor tem de ser a luta. É também o que acontece nas corridas: quando chega o final da corrida e o objetivo se aproxima, mais se estimula o ardor dos cavalos. É por isso que Paulo diz: A salvação está agora mais perto de nós do que quando abraçamos a fé. A noite vai adiantada e o dia está próximo (Rom 13,11-12). Uma vez que a noite se desvanece e o dia surge, façamos as obras do dia; deixemos as obras das trevas. É também assim que fazemos nesta vida: quando vemos que a noite dá lugar à alvorada e ouvimos cantar a andorinha, acordamo-nos uns aos outros, mesmo que ainda seja noite. […] Apressamo-nos a realizar as tarefas do dia; vestimo-nos depois de termos sido arrancados ao sono, para que o sol nos encontre prontos. O que fazemos nessa altura, façamo-lo agora: sacudamos os nossos sonhos, afastemo-nos das ilusões da vida presente, deixemos o sono profundo e revistamo-nos do fato da virtude. É o que nos diz claramente o apóstolo: Abandonemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Porque o dia chama-nos à batalha, ao combate. Não vos alarmeis ao escutar estas palavras de combate e de luta! Se vestir uma pesada armadura material é penoso, é desejável pelo contrário vestir a armadura espiritual, porque é uma armadura de luz. Então, brilharás com um brilho mais resplandecente que o sol e, cintilando com um fulgor radioso, estarás em segurança, porque são armas […], armas de luz. Estaremos então dispensados do combate? Não! Temos de combater, mas sem nos deixarmos vencer pela fadiga e pela angústia. Porque não é tanto para a guerra que somos convidados, mas para uma festa e um júbilo.

Como é a salvação para o católico?

A fé sem obras é morta, já dizia São Tiago. Por causa da fé, devemos fazer boas obras.

A fé sem obras é morta, já dizia São Tiago. Por causa da fé, devemos fazer boas obras.

Para o Católico a salvação significa tornar as pessoas conformes à vontade Divina e realmente purificadas e Santificadas, o que é feito pelos Dez Mandamentos de Deus, pelos Sacramentos, pela Oração, Penitência e Caridade. Nós não somos “Salvos” em um determinado momento, simplesmente aceitando Jesus Cristo como nosso Salvador, mas somos justificados em um determinado momento, que cabe a nós Santificar-mos cada vez mais e manter-nos assim na graça de Deus.

Deus nos dá um presente, que é a graça, e infelizmente muitas vezes a jogamos fora. A Graça de Deus não é merecida, mas dada. Ela deve, porém, ser correspondida, e correspondida ao longo de toda a vida. Assim a Salvação é algo que, como dizia São Paulo, “Operamos no temor e no tremor” um Dom gratuito, continuamente aceito e acolhido, ou sucessivamente rejeitado e buscado. Neste sentido a Salvação é um ato contínuo.

Se somos Salvos, esta salvação vem pelo Sacrifício de Cristo na cruz, não pela Ressurreição. Por sua Ressurreição ele nos mostra o que podemos esperar, ele nos mostra o prêmio aos que, como dizia São Paulo, “Chegam ao fim da corrida”. Mas não é pela Ressurreição que somos salvos, e sim pela Cruz.

O Protestante diz que não precisa ver Jesus na Cruz, ele merece toda Glória, todo louvor, pois agora está ao lado do Pai, na Glória, e não mais na Cruz. Que dizer a respeito? Sem sombra de dúvida, Jesus está ao lado do Pai, na Glória mas por ter estado na Cruz, estaremos um dia nós também, queira Deus, na Glória face a face com ele, se aceitar-mos também nossa Cruz, a exemplo dele quando nos disse para tomarmos nossas Cruzes e segui-lo.

Ver o Cristo Ressurecto sem ver o Cristo na Cruz é ver o prêmio sem a corrida, é ver o pagamento sem ver o trabalho, é ver em suma o efeito sem ver como a ele se chega. Não basta crer e aceitar Jesus Cristo como Salvador, é preciso viver a Fé, e vivê-la em Santidade. Daí a exigência dos Mandamentos. Daí os Sacramentos. Daí a moral que a Igreja ensina.

Dizer que crê em Jesus Cristo e será salvo, é continuar vivendo vida injusta ou dissoluta, é mentir à própria consciência. É preciso viver a Santidade, Humildade, Mansidão, Perdão das ofensas, fuga de toda a corrupção; numa palavra, semelhança com Cristo e prática do Sermão das Bem-Aventuranças, que Ele concluiu assim:

“Deveis ser perfeitos como vosso Pai Celeste é perfeito” (Mateus 5,11).

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A Fé se reflete nas obras

No podcast que postei ainda hoje, e que gostaria que você ouvisse antes de continuar a leitura deste texto, falamos e debatemos sobre algo interessante: A salvação vem unicamente pela fé, ou depende também das obras que praticamos? É importante conhecer a Doutrina Católica para saber o que a Igreja pensa a respeito. E olha que existem diferenças entre a Doutrina Católica e a Doutrina Protestante. E como este blog se destina a ajudar todos aqueles que desejam conhecer mais sobre a fé católica, gostaria que você lesse mais sobre isso, por sendo sendo bem franco com você a minha e a sua salvação estão em jogo!

A Salvação para os nossos irmãos Protestantes – Para o Protestante basta que a pessoa se declare Salva devido sua Fé (de forma mais popular, que ela aceite Jesus na sua vida), sem necessitar mudar de vida conforme deseja o Nosso Senhor Jesus. Ainda que ela não seja purificada ou Santificada, o ato de “aceitar Jesus” praticamente faz tudo isso.

Lutero (que causou toda essa confusão) afirmava assim:

Os méritos de Jesus não levam em conta os pecados do indivíduo; a Fé confiante faz com que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. O crente diz estar certo da Salvação eterna em qualquer fase da sua vida, desde que mantenha a Fé confiante. Donde o famoso adágio atribuído a Lutero:“Pecco fortiter, sed fortius credo” (Peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio)

Que dizer a Respeito? – Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente concedida aos homens mediante os méritos de Cristo:

Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. (Romanos 5,8)

 E a Igreja católica sabe que o homem não pode merecer o perdão, mas ele o aceita contritamente. Porém, a palavra diz também que o perdão concedido por Deus não é mera fórmula jurídica, ou seja, uma vez que aceitou Jesus pode agora seguramente garantir a salvação. Mas na verdade, a salvação se alcança quando através da graça de Deus vamos voltando a nossa vida, os nossos olhos e coração, para a vontade de Deus. Com isso vai acontencendo uma coisa muito linda em nós: A regeneração da dignidade de filhos de Deus em mim e em você. Veja:

“Jesus replicou-lhe: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo não poderá ver o Reino de Deus. Nicodemos perguntou-lhe: Como pode um homem renascer, sendo velho? Porventura pode tornar a entrar no seio de sua mãe e nascer pela segunda vez?  Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus.” (João 3,3-5)

“E, não por causa de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas unicamente em virtude de sua misericórdia, ele nos salvou mediante o batismo da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo…” (Tito 3,5)

E essa dignidade de filhos de Deus não é de nome apenas, como afirma o Apóstolo São João:

Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. (1 João 3,1)

Por isso nos tornarmos ”parceiros” ou colaboradores (estou usando uma linguagem bem simples) da natureza Divina como diz São Pedro, e o próprio Jesus no Evangelho de São Mateus:

Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo. (2 Pedro 1,4)

Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito. (Mateus 5,48)

Se portanto, é pela regeneração dessa dignidade, Deus nos concede uma nova natureza ao nos perdoar as faltas, está claro que não basta crer, e que as obras boas devem pertencer ao programa de Santificação do Cristão; elas se tornam condição indispensável para que alguém consiga a vida eterna. Deus não pode deixar de exigir tais obras depois de nos ter concedido o princípio capaz de as produzir. No próximo post explicaremos o que significa a salvação para os católicos…

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Podcast: Basta apenas “aceitar” Jesus para ir ao céu?

Este Podcast vai responder um questionamento interessante feito por um amigo internauta que me escreveu um email perguntando que diz respeito a nossa fé. Segundo ele, alguns amigos protestantes disseram aele que basta apenas ter fé, e aceitar Nosso Senhor Jesus Cristo e a Salvação estava garantida, asseguradaMas será que é isso mesmo? Será que isso que a Nossa Santa Igreja ensina? Para a nossa salvação basta somente ter fé? Ou precisamos de obras? Basta ter apenas boas obras? Ou é preciso algo mais?

Este podcast vem respondendo essas perguntas e mostrando fundamentos bíblicos interessantes para sua reflexão.  Na oração desta semana, uma bela oração de São João Crisóstomo que você pode aprender para rezar antes da missa, preparando seu coração para participar melhor, ou até antes de ir comungar. Um podcast muito interessante. Vale a pena ouvir!

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Amai pela mesma razão por que Eu vos tenho amado

Do Evangelho Quotidiano

É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei- -vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhes-tes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros. (S. João 15,12-17)

Comentário do Evangelho feito por São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja

É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Todas as palavras sagradas do Evangelho estão cheias de mandamentos do Senhor. Então, porque é que o Senhor diz que o amor é o Seu mandamento? É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros. É que todos os mandamentos procedem exclusivamente do amor, todos os preceitos são apenas um, e assentam sobre o fundamento único da caridade. Os ramos de uma árvore vêm da mesma raiz; de igual modo, todas as virtudes nascem exclusivamente da caridade. O ramo de uma boa obra não permanece verde quando esta se desliga da raiz da caridade. Os mandamentos do Senhor são pois múltiplos, e ao mesmo tempo são um só – múltiplos pela diversidade das suas obras, um na raiz do amor.Como manter este amor? O próprio Senhor o dá a entender: na maior parte dos preceitos do Evangelho, ordena aos Seus amigos que se amem n’Ele, e amem os seus inimigos por causa d’Ele. Aquele que ama o seu amigo em Deus e o seu inimigo por causa de Deus possui a verdadeira caridade.Há homens que amam a sua família, mas só por causa dos sentimentos de afeto que nascem da ligação natural. […] As palavras sagradas do Evangelho não fazem nenhuma recriminação a esses homens. Mas o que se atribui espontaneamente à natureza é uma coisa, o que se deve pela obediência à caridade é outra. Os homens de que tenho estado a falar amam sem dúvida o seu próximo […], mas segundo a carne e não segundo o espírito. […] Ao dizer: É este o Meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, o Senhor acrescentou imediatamente: como Eu vos amei. Estas palavras significam claramente: Amai pela mesma razão por que Eu vos tenho amado.

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Quem Me vê, vê o Pai

 Do Evangelho Quotidiano

Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus; crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, como teria dito Eu que vos vou preparar um lugar? E quando Eu tiver ido e vos tiver preparado lugar, virei novamente e hei-de levar-vos para junto de mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também. E, para onde Eu vou, vós sabeis o caminho.Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais, como podemos nós saber o caminho?Jesus respondeu-lhe: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir até ao Pai senão por mim. Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!Jesus disse-lhe: Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, ‘mostra-nos o Pai’? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras. Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai. (S. João 14,1-12)

Comentário do Evangelho feito por Beato João Paulo II

Deus, que habita numa luz inacessível (1 Tm 6,16), fala também ao homem através da linguagem de todo o universo: Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tanto o Seu poder eterno como a Sua divindade, tornam-se reconhecíveis quando as obras por Ele realizadas são consideradas pela mente humana (Rm 1,20). Este conhecimento indireto e imperfeito […] não é ainda visão do Pai. Ninguém jamais viu a Deus, escreve São João, para dar maior relevo à verdade segundo a qual o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer (1,18). A revelação manifesta Deus no insondável mistério do Seu ser ─ uno e trino ─ rodeado de luz inacessível. Mediante esta revelação de Cristo, conhecemos a Deus, antes de mais nada, na Sua relação de amor para com o homem […] (cf. Tt 3,4). É precisamente aqui que as Suas perfeições invisíveis se tornam, de maneira particular, reconhecíveis, incomparavelmente mais reconhecíveis do que através de todas as outras obras por Ele realizadas. Tornam-se visíveis em Cristo e por meio de Cristo, por intermédio das Suas ações e palavras e, por fim, mediante a Sua morte na cruz e a Sua ressurreição. Deste modo, em Cristo e por Cristo, Deus, com a Sua misericórdia, torna-se também particularmente visível.

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