Evangelho:: São Gregório Magno explica o termo usado por Jesus: Eu Sou!

icone de JesusDo Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos judeus: Em verdade, em verdade vos digo: se alguém observar a minha palavra, nunca morrerá. Disseram-lhe, então, os judeus: Agora é que estamos certos de que tens demónio! Abraão morreu, os profetas também, e Tu dizes: ‘Se alguém observar a minha palavra, nunca experimentará a morte’? Porventura és Tu maior que o nosso pai Abraão, que morreu? E os profetas morreram também! Afinal, quem é que Tu pretendes ser? Jesus respondeu: Se Eu me glorificar a mim mesmo, a minha glória nada valerá. Quem me glorifica é o meu Pai, de quem dizeis: ‘É o nosso Deus’; e, no entanto, não o conheceis. Eu é que o conheço; se dissesse que não o conhecia, seria como vós: um mentiroso. Mas Eu conheço-o e observo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o meu dia; viu-o e ficou feliz. Disseram-lhe, então, os judeus: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão? Jesus respondeu-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou! Então, agarraram em pedras para lhe atirarem. Mas Jesus escondeu-se e saiu do templo. (Jo 8,51-59)

Comentário feito por São Gregório Magno (c. 540-604), papa, doutor da Igreja – Homilias sobre o Evangelhos, nº 18

Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o Meu dia; viu-o e ficou feliz. Abraão viu o dia do Senhor quando recebeu em sua casa os três anjos que representam a Santíssima Trindade: três hóspedes a quem se dirigiu como se fossem um só (cf Gn 18,2-3). […] Mas o espírito terra-a-terra dos ouvintes do Senhor não eleva o olhar acima da carne […], e eles dizem-Lhe: Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?  Então, o nosso Redentor desvia suavemente o seu olhar do corpo de carne para o elevar à contemplação da Sua divindade, declarando: Em verdade, em verdade vos digo: antes de Abraão existir, Eu sou! Antes indica o passado e Eu sou o presente. Uma vez que a Sua divindade não tem passado nem futuro, mas existe desde sempre, o Senhor não diz: Antes de Abraão, Eu era mas sim: Antes de Abraão existir, Eu sou!. Foi por isso que Deus declarou a Moisés: Eu sou Aquele que sou. […] Assim dirás aos filhos de Israel: “Eu sou” enviou-me a vós! (Ex 3,14).

Abraão teve um antes e um depois; veio a este mundo […] e deixou-o, levado pelo decurso da sua vida. Mas é próprio da Verdade existir sempre (Jo 14,6), pois nem começa num primeiro tempo nem termina num tempo seguinte. Mas esses descrentes, que não conseguiam suportar as Suas palavras de vida eterna, foram recolher pedras para lapidar Aquele que não conseguiam compreender. […]

Jesus escondeu-Se e saiu do templo. É espantoso que o Senhor tenha escapado aos Seus perseguidores escondendo-Se, embora pudesse exercer o poder da Sua divindade. […] Então porque Se escondeu? Porque, uma vez feito homem entre os homens, o nosso Redentor diz-nos umas coisas através da Sua palavra e outras através do Seu exemplo. E, pelo Seu exemplo, que nos diz Ele senão para fugirmos humildemente da cólera dos orgulhosos, mesmo quando podemos oferecer resistência? […] Por isso, que ninguém proteste ao ouvir afrontas, que ninguém pague o insulto com o insulto. Pois é mais glorioso evitar uma injúria calando-se, como fez Deus, que tentar ganhar a discussão respondendo.

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Evangelho:: Monge da igreja primitiva comenta sobre a prática do perdão

perdãoDo Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou-Lhe: Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes? Jesus respondeu: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete. Por isso, o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: ‘Concede-me um prazo e tudo te pagarei.’ Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: ‘Paga o que me deves!’ O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: ‘Concede-me um prazo que eu te pagarei.’ Mas ele não concordou e mandou-o prender, até que pagasse tudo quanto lhe devia. Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros, contristados, foram contá-lo ao seu senhor. O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: ‘Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?’ E o senhor, indignado, entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração. (Mt 18,21-35)

Comentário ao Evangelho do dia feito por São Cesário de Arles (470-543), monge, bispo Sermão 25 (trad. breviário)

Qual é a misericórdia humana? A que atende às misérias dos pobres. E qual é a misericórdia divina? Sem dúvida nenhuma, a que te concede o perdão dos pecados. […]

Deus, neste mundo, tem frio e fome na pessoa de todos os pobres, como Ele mesmo disse (Mt 25,40). […] Que espécie de gente somos nós? Quando Deus dá, queremos receber; mas quando pede, não queremos dar. Quando um pobre tem fome, é Cristo que passa necessidade, como Ele próprio disse: Tive fome e não Me destes de comer (v. 42). Não desprezes, portanto, a miséria dos pobres, se queres esperar confiadamente o perdão dos pecados. […] Ele restitui no céu o que recebe cá na terra.

Pergunto-vos, irmãos: que quereis ou que buscais quando vindes à igreja? Certamente quereis e buscais misericórdia. Dai, portanto, a misericórdia terrena e recebereis a misericórdia celeste. O pobre pede-te a ti, e tu pedes a Deus; ele pede um pouco de pão, tu pedes a vida eterna. […] Portanto, quando vindes à igreja dai esmolas para os pobres, sejam elas quais forem, segundo as vossas possibilidades.

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Evangelho: De volta ao redil do Pastor

bom pastorDo Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove no monte, para ir à procura da tresmalhada? E, se chegar a encontrá la, em verdade vos digo: alegra-se mais com ela do que com as noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também é da vontade de vosso Pai que está no Céu que não se perca um só destes pequeninos. (Mt 18,12-14)

Comentário feito por São João Eudes (1601-1680), presbítero, pregador, fundador de institutos religiosos (Exposição da fé ortodoxa 1, PG 95, 417-419)

Foste Tu, Senhor, que me fizeste nascer de meu pai e me formaste no seio de minha mãe (Sl 138,13); foste Tu que me trouxeste à luz como uma criança totalmente nua, porque as leis da nossa natureza obedecem perpetuamente às Tuas ordens. A minha vida e a minha existência não se devem à vontade do homem nem a um impulso da carne (Jo 1,13), mas à bênção do Espírito Santo e à Tua graça inexprimível. Tu preparaste o meu nascimento com uma delicadeza que está para além das leis da nossa natureza. Fizeste-me nascer adotando-me como Teu filho (Gl 4,5), e inscreveste-me entre os membros de Tua Igreja santa e imaculada.

Foste Tu que me alimentaste com o leite espiritual, isto é, o leite de Tuas palavras divinas. Foste Tu que me fortaleceste com um alimento sólido, o corpo de Jesus Cristo, nosso Deus, Teu único Filho, o santo, e me inebriaste com o cálice de Deus, quer dizer, a taça do Seu sangue que dá vida, e que Ele derramou para a salvação do mundo.

Tu amaste-nos, Senhor e deste o Teu Filho por nós, para nossa redenção, que Ele assumiu voluntariamente e sem resistência. […] Assim, ó Cristo, meu Deus, abaixaste-Te para me carregares nos Teus ombros, a mim, a ovelha perdida (Lc 15,5), e levaste-me a pastar em verdes prados (Sl 22,2); refrescaste-me nas fontes da verdadeira doutrina (ibid.) por intermédio dos Teus pastores, de quem Tu próprio foste pastor antes de lhes confiares o Teu rebanho.

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Evangelho: O primeiro discípulo do Senhor

Sto. André  [Apóstolo]Do Evangelho Quotidiano

Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, que lançavam as redes ao mar, pois eram pescadores. Disse-lhes: Vinde comigo e Eu farei de vós pescadores de homens. E eles deixaram as redes imediatamente e seguiram-no. Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco. Chamou-os, e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no. (Mt 4,18-22)

Comentário feito por Basílio de Selêucia (?-c. 468), bispo – Sermão em louvor de Santo André, 2-3; PG 28, 1103; atrib. a Santo Atanásio

André foi o primeiro dos apóstolos a reconhecer o Senhor como seu mestre […]; deixou o ensinamento de João Batista para frequentar a escola de Cristo. […] À luz da lâmpada (Jo 5,35), procurava a luz verdadeira; sob o seu brilho incerto, acostumou-se ao esplendor de Cristo. […] De mestre que era, João Batista tornou-se servo e arauto de Cristo, presente diante dele: Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1:29). Aqui está Aquele que livra da morte; aqui está Aquele que destrói o pecado. Eu não fui enviado como esposo, mas como aquele que o acompanha (Jo 3,29). Eu vim como servo e não como senhor.

Tocado por estas palavras, André deixa o seu antigo mestre e precipita-se para Quem ele anunciava. […] Precipita-se para o Senhor, o seu desejo é evidente no seu empenho […], e traz consigo o evangelista João; os dois deixam a lâmpada para avançarem em direção ao Sol. André é a primeira planta do jardim dos apóstolos, é ele que abre a porta ao ensinamento de Cristo, é ele o primeiro a colher os frutos do campo cultivado pelos profetas. […] Ele foi o primeiro a reconhecer Aquele de quem Moisés disse: O Senhor teu Deus suscitará em teu favor um profeta saído das tuas fileiras, um dos teus irmãos, como eu: é a ele que escutarás (Dt 18,15). […] André reconheceu Aquele que os profetas anunciaram, e levou até Ele seu irmão Pedro. Mostrou a Pedro o tesouro que este ainda não conhecia: Encontramos o Messias (Jo 1,41), Aquele que desejávamos. Esperávamos a Sua vinda: vem agora desfrutar da Sua presença. […] André levou seu irmão a Cristo […]; foi o seu primeiro milagre.

Veja também:: 30 de novembro:: Dia de Santo André

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Evangelho: Tudo o que respira louve o Senhor!

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, como alguns falassem do templo, comentando que estava adornado de belas pedras e de piedosas ofertas Jesus disse-lhes: “Virá o dia em que, de tudo isto que estais a contemplar, não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Perguntaram-lhe, então: “Mestre, quando sucederá isso? E qual será o sinal de que estas coisas estão para acontecer?” Ele respondeu: “Tende cuidado em não vos deixardes enganar, pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo.’ Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis; é necessário que estas coisas sucedam primeiro, mas não será logo o fim.” Disse-lhes depois: “Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em vários lugares, fomes e epidemias; haverá fenômenos apavorantes e grandes sinais no céu.” (Lc 21,5-11)

Comentário feito por Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), carmelita, mártir, co-padroeira da Europa (A oração da Igreja)

Já na Antiga Aliança havia uma certa compreensão do caráter eucarístico da oração. A prodigiosa construção da Tenda da Aliança (cf Ex 25ss), tal como mais tarde a do Templo de Salomão (cf 1Rs 5-6), é imagem de toda a Criação agrupando-se em torno do seu Senhor para O adorar e servir. […] Da mesma forma que, segundo a narração da Criação, o céu foi desdobrado como um toldo (cf Sl 104 [103],2), assim também a Tenda foi constituída por painéis de tecido; do mesmo modo que as águas que estavam sob o firmamento foram separadas das que estavam por cima (cf. Gn 1,7), assim também o véu do Templo separava o Santo dos Santos dos espaços envolventes. […] O candelabro de sete braços era igualmente símbolo dos luzeiros do céu, tal como cordeiros e pássaros representavam a abundância de seres vivos que habitam as águas, os solos e os ares. E do mesmo modo que a terra foi confiada ao homem (cf Gn 1, 28), cabia ao Sumo Sacerdote permanecer no Santuário (Lv 21,10ss). […]

Em lugar do Templo de Salomão, Cristo edificou um templo de pedras vivas (cf 1Pe 2,5), a comunhão dos santos, no centro do qual Ele permanece como Sumo Sacerdote eterno e sobre cujo altar é Ele próprio o sacrifício oferecido eternamente. E desta liturgia é participante toda a Criação: os frutos da terra, a ela associados em misteriosa oferenda, assim como as flores, as lâmpadas, as tapeçarias e o reposteiro do templo, o sacerdote consagrado, a unção e a bênção da casa de Deus.

Nem sequer os querubins estão ausentes, eles cujas figuras esculpidas montavam guarda ao Santo dos Santos: agora são os monges que, semelhantes aos anjos, não cessam de louvar a Deus dia e noite, na terra como no céu. […] Os seus cânticos de louvor convidam desde a aurora toda a Criação a enaltecer em uníssono o Senhor: montanhas e colinas, rios e cursos de água, mares e terra firme e tudo o que aí habita, nuvens e ventos, chuva e neve, todos os povos da terra, homens de todas as raças e condições, habitantes do Céu, todos os Santos e Anjos de Deus (cf Dn 3, 57-90). […] Devemos associar-nos, na nossa liturgia, a este louvor eterno de Deus. Nós, quem? Não apenas os religiosos regulares […], mas todo o povo cristão.

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Evangelho do Dia:: Nem todo o que Me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Nem todo o que me diz: ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino do Céu, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está no Céu. Todo aquele que escuta estas minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; mas não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Porém, todo aquele que escuta estas minhas palavras e não as põe em prática poderá comparar-se ao insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, engrossaram os rios, sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se, e grande foi a sua ruína. (Mt 7,21.24-27)

Comentário feito por Beato John Henry Newman (1801-1890), teólogo, fundador do Oratório de Inglaterra

Ano após ano, o tempo corre silenciosamente; a vinda de Cristo está mais próxima, a cada instante. Pudéssemos nós aproximar-nos do céu, tal como Ele Se aproxima da terra! Orai, irmãos, para que Ele vos dê coragem para em sinceridade O procurardes. Orai para que Ele vos inflame. […] Orai para que Ele vos conceda o que as Escrituras designam como um coração bom e virtuoso (Lc 8,15; Sl 100,2) e, sem mais esperardes, começai pois a obedecer-Lhe de bom coração, determinadamente. […] Mais vale um pouco de obediência, por menor que seja, do que a sua total ausência. Deveis procurar a Sua face (Sl 27,8); a obediência é a única maneira de O procurardes. Todos os deveres da vossa condição são obediência. […] Fazer o que Ele pede é obedecer-Lhe, e obedecer-Lhe é aproximarmo-nos d’Ele. Todo o ato de obediência nos aproxima d’Ele; e Ele não está longe, apesar das aparências, mas muito perto, por detrás deste enquadramento material.  A terra e o céu são apenas um véu entre Ele e nós; virá o dia em que rasgará esse véu e Se mostrará a todos nós. E então, segundo a forma como O esperámos, Ele dar-nos-á  a recompensa. Se O tivermos esquecido, não nos reconhecerá; mas felizes aqueles servos a quem o Senhor, quando vier, encontrar vigilantes! (Lc 12, 37) […]. Que assim nos encontre o Senhor, a cada um de nós! É difícil consegui-lo, mas é aflitivo falhar este propósito. A vida é breve, a morte é certa, e eterno é o mundo que está para vir.

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Evangelho do Dia:: Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete no Reino do Céu do Reino

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, ao entrar Jesus em Cafarnaúm, aproximou-se dele um centurião, suplicando nestes termos: Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico, sofrendo horrivelmente. Disse-lhe Jesus: Eu irei curá-lo. Respondeu-lhe o centurião: Senhor, eu não sou digno de que entres debaixo do meu teto; mas diz uma só palavra e o meu servo será curado. Porque eu, que não passo de um subordinado, tenho soldados às minhas ordens e digo a um: ‘Vai’, e ele vai; a outro: ‘Vem’, e ele vem; e ao meu servo: ‘Faz isto’, e ele faz. Jesus, ao ouvi-lo, admirou-se e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé! Digo-vos que, do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jaco, no Reino do Céu. (Mt 8,5-11)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Boaventura (1221-1274), franciscano, doutor da Igreja

O Reino dos Céus tem o tamanho de uma caridade sem limites; engloba os indivíduos homens de todas as tribos, línguas, povos e nações (Ap 5,9) e ninguém o achará apertado, pois ele espraia-se e a glória de cada um aumenta na mesma proporção. É isso que leva Santo Agostinho a dizer: Quando muitos tomam parte da mesma alegria, a alegria de cada um torna-se mais abundante, porque todos se arrebatam uns aos outros. Esta vastidão do Reino está expressa nestas palavras das Escrituras: Pede-me e Eu te darei os povos como herança (Sl 2,8); Do Oriente e do Ocidente, muitos virão sentar-se à mesa do banquete com Abraão, Isaac e Jacob, no Reino do Céu. Nem a multidão de quantos o desejam, nem a multidão de quantos existem, nem a multidão de quantos o possuem, nem a multidão de quantos chegam tornará mais estreito o espaço neste Reino, nem incomodará seja quem for. Mas porque devo estar confiante ou ter esperança de possuir o Reino de Deus? Devido à generosidade de Deus, que me convida: Procurai primeiro o Reino de Deus (Mt 6,33). Devido à verdade que me consola: Não temas, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino (Lc 12,32). Devido à bondade e à caridade que me redime: Tu és digno de receber o livro e de abrir os selos; porque foste morto e, com Teu sangue, resgataste para Deus homens de todas as tribos, línguas, povos e nações; e fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus; e reinarão sobre a terra (Ap 5,9-10).

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AVISO:: Agora todas as Quartas às 11h Programa Dominus  Vobiscum na Rádio Beatitudes. Uma parceria entre a melhor o Web Radio Católica e este blog. Prestigie!

Quem tem as chaves do Reino de Deus? :: Graças a Deus que a Igreja nunca será democracia

Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: o que ligares na terra será ligado nos Céus, e o que desligares na terra será desligado nos Céus” (Mt 16,19). O “poder das chaves” designa a autoridade para governar a casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, “o Bom Pastor” (Jo 10,11), confirmou este encargo depois de sua Ressurreição: “Apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21,15-17). O poder de “ligar e desligar” significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos apóstolos e particularmente de Pedro, o único ao qual confiou explicitamente as chaves do Reino. (CIC§553)

Diante de tudo que estudamos nesse tempo, só nos resta agora não apenas fortalecer nossa fé na vontade de Deus para com a sua Igreja, como na pessoa a quem Jesus destinou para governar a Igreja Dele. A barca está no mar, porém temos um excelente navegador. Sempre teremos porque Ele sempre será assistido por Deus. Hoje, estamos sob a responsabilidade de Bento XVI, que segundo a opinião do Padre Paulo Ricardo (e a minha também) é o maior e melhor teólogo vivo do mundo. Ele tem governado a Igreja com sabedoria e eficiência.

É importante se conscientizar que a Igreja não é, nunca foi, e nunca será democracia. A Igreja sempre será hierarquia. Foi assim que Jesus a criou. Está na raiz da nossa fé. Quem não gostar que reclame com Deus. Por isso é natural que nós, homens e mulheres da modernidade, muitas vezes possamos sentir algo ranger dentro de nós, quando “recebemos uma ordem”.

Hoje faz parte da cultura moderna a idéia de ouvir, debater, opinar, concordar ou não. Mas na Igreja as coisas não assim (graças a Deus). Não faz parte da Igreja a idéia “da maioria prevalecer”.

Na Igreja de Cristo, Ele é a cabeça e sempre será. Porém o representante Dele sempre haverá no meio de nós. Porque isso impede que nós façamos as coisas da nossa cabeça, e ai a coisa vira bagunça.

Veja, na Igreja Católica Apostólica Romana, temos diversos movimentos e pastorais. Cada um com sua particularidade, com seu jeito peculiar de buscar a Deus, de expressar a sua fé, de realizar seus gestos concretos. Mas todos eles devem obediência a alguém (ao pároco, ao bispo). Por sua vez, os padres devem obediência aos bispos diocesanos. Estes devem obediência ao Papa, e por ai vai… Se não fosse assim, teríamos um monte de “Igrejas Malucas”. A unidade precisa acontecer e para que isso aconteça, é necessário ordem e disciplina. Embora existam coisas que precisamos conversar (e conversar muito) para chegar a unidade, somos a Igreja de Cristo. Participamos da Eucaristia, professamos a mesma fé, comungamos do mesmo pão, vivemos os mesmos sacramentos.

Repito: A dificuldade de aceitar Pedro e os seus sucessores se deve muito mais a dificuldade que temos em obedecer alguém hierarquicamente, o que implica em fazer coisas que não gostaria de fazer, em abrir mão de suas vontades, e por ai vai…

Quero por fim para terminarmos este estudo, deixar um texto escrito por ninguém mais que Martinho Lutero, fundador do protestantismo sobre a Sucessão Apostólica. Esse texto foi escrito antes dele se desligar da Igreja de Cristo. Leia com bastante atenção:

“Se Cristo não houvesse confiado todo poder a um homem, a Igreja não poderia ter sido perfeita porque não haveria ordem e cada um estaria apto para dizer que é guiado pelo Espírito Santo. É isso que os hereges dizem, cada um pondo razão em seu próprio princípio. Dessa maneira, tantas Igrejas foram levantadas porque havia cabeças. Cristo, todavia, quer, para nos colocar todos em uma unidade, que seu poder seja exercitado por um homem a quem Ele mesmo confie essa atribuição. Ele tinha, entretanto, tão grande poder que venceu os poderes do inferno (sem dano algum). Ele disse: ‘As portas do inferno não prevalecerão contra ela’, como querendo dizer: ‘lutarão contra ela, mas nunca poderão vencê-la’; é então dessa maneira que ela manifesta que seu poder é na realidade vindo de Deus e não do homem. Assim, quem rompe com essa unidade e com essa ordem de poder, não deixa sinal de grande ou de obras maravilhosas, como nossos Picards e outros hereges fazem, ‘Vigia teus passos, quando vais à casa de Deus! Entra para escutar e não apenas para oferecer sacrifícios, como os insensatos, que não percebem que estão procedendo mal!’(Ecle 4,17) (Sermo in Vincula S. Petri, “Werke” Weimar edition, I, 69)

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Quem tem as chaves do Reino de Deus? :: A autoridade de Pedro era incontestável na Igreja Primitiva

“Pedro e Paulo, indo para a Itália, vos transmitiram os mesmos ensinamentos e por fim sofreram o martírio simultaneamente” (História Eclesiástica, II 25,8) Observação: A História da Igreja, desde cedo, mostra que os sucessores de S. Pedro em Roma fizeram uso da sua jurisdição. Por exemplo na questão da data da festa da Páscoa, no século II, alguns cristãos da Ásia Menor não queriam seguir o calendário de Roma; o Papa S. Victor (189-199) ameaçou-os de excomunhão (cf. Hist. Ecles. Eusébio V 24, 9-18). Ninguém contestou o Bispo de Roma, o Papa; e parecia claro a todos os bispos que nenhum deles podia estar em comunhão com a Igreja universal (já chamada de católica) sem estar em comunhão com a Igreja de Roma. Isto mostra bem o primado de Pedro desde o início da Cristandade. (Eusébio de Cesaréia †340)

Obs.: Perceba que desde os inícios, os santos da Igreja Primitiva falam da autoridade de Pedro e dos seus sucessores. Contra fatos não existem argumentos.

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Quem tem as chaves do Reino de Deus? :: Pedro e as promessas de Cristo

Pedro havia confessado: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16). Nosso Senhor lhe declara na ocasião: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei minha Igreja, e as Portas do Inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Cristo, “Pedra viva”; garante a sua Igreja construída sobre Pedro a vitória sobre as potências de morte. Pedro, em razão da fé por ele confessada, permanecerá como a rocha inabalável da Igreja. Terá por missão defender esta fé de todo desfalecimento e confirmar nela seus irmãos (CIC§552)

A promessa de Jesus Cristo a São Pedro foi clara: Tu és “Petrus” (Rocha) e sobre essa “Petrus” (Rocha) edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre Ela. (Mt 16,18)

Ontem havia deixado no texto que escrevi, duas perguntas:

1. Se Jesus dá a Pedro o direito de ligar ou não as coisas no céu, não seria óbvio que Ele iria de alguma forma assitir a Pedro?
2. E depois que Pedro morresse a Igreja iria ficar a deriva?

Essas são perguntas que precisam ser feitas para que entendamos que Deus pensou em tudo. As coisas de Deus nunca são feitas de modo improvisado. O plano de Deus foi, é, e sempre será perfeito. Jesus quando retornou a direita di Pai, deixou-nos a Igreja. E para comandar a sua Igreja, deixou-nos Pedro. Agora pense comigo: Poderia Deus correr riscos de seu plano de amor ir água a baixo por causa de um homem? Claro que não. Já não bastasse a desobediência dos nossos primeiros pais.

Ao deixar Pedro como chefe da sua Igreja, Jesus também estava assegurando que iria assistar a Pedro em tudo, pois a partir do momento em que Ele assumisse a Igreja, o que Ele ligasse na Terra, seria ligado no céu. Já pensou se Deus desse esse “poder” a um homem e não desse assistência a Ele?

Ora, sabemos que os homens por mais justos e sábios, sempre serão homens. Porém ai entra o Auxílio Divino que Jesus deu para que esse homem não falhasse. E ai nós olhamos mais para a frente e vemos que depois que Pedro morreu (e nós católicos cremos que Ele está nos céus), outros teriam que ocupar seu posto. Acaso Deus deixaria a esses de lado? Acaso Deus desonraria uma promessa que Ele mesmo fez?

Claro que não irmãos. Deus não é homem. Ele não volta atrás em suas promessas. Desacreditar na sucessão apostólica é desacreditar que Deus é Deus.

Se existe uma promessa que afirma que as portas do Inferno nunca prevalecerão sobre a Igreja, também existe uma promessa de que a Igreja seria, e tem sido edificada sobre a pessoa de São Pedro e a partir dele nos seus sucessores. O Papa Pio XII disse em uma das encíclicas que escreveu:

“Há os que se enganam perigosamente, crendo poder se ligar a Cristo, cabeça da igreja, sem aderir fielmente a seu Vigário na terra. Porque suprimindo esse Chefe visível, quebrando os laços luminosos da unidade, eles obscurecem e deformam o Corpo místico do Redentor a ponto de ele não poder ser reconhecido e achado dentro dos homens, procurando o porto da salvação eterna”. (Papa Pio XII –  Encíclica “Mystici Corporis Christi”)

Pax Domini

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