Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus!

Durante a Oração do Ângelus, na Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, o Santo Padre disse que nos Santos e Santas de Deus podemos ver o Amor vencer o egoísmo e a morte. Diante de dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Santo Padre enfatizou:

“Na festa de hoje pregustamos a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos, na que estamos seguros de alcançar Deus no outro e o outro em Deus”.

“Com esta fé nos enche a esperança de venerarmos todos os Santos, e nos preparamos para comemorar amanhã os fiéis defuntos. Nos santos vemos a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte: vemos que seguir a Cristo leva à vida, à vida eterna, e dá sentido à vida presente, a cada instante pois a enche de amor e de esperança”.

“Faz-nos refletir sobre o duplo horizonte da humanidade, que expressamos simbolicamente com as palavras ‘terra’ e ‘céu’: a terra representa o caminho histórico, o céu a eternidade, a plenitude da vida em Deus”.

O Pontífice assinalou que esta festa nos faz pensar na Igreja em sua dupla dimensão:

“a Igreja em caminho no tempo é aquela que celebra a festa sem fim, a Jerusalém celestial”. “Estas duas dimensões estão unidas pela realidade da ‘comunhão dos santos’: uma realidade que começa aqui sobre a terra e alcança seu cumprimento no Céu”.

“No mundo terrestre, a Igreja é o início deste mistério de comunhão que une a humanidade, um mistério totalmente centrado sobre Jesus Cristo: Ele introduziu no gênero humano esta dinâmica nova, um movimento que o conduz para Deus e ao mesmo tempo para a unidade, para a paz em sentido profundo”.

O Papa recordou que Jesus Cristo morreu para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos”, e esta sua obra continua na Igreja que é inseparavelmente ‘una’, ‘Santa’ e ‘católica’. Ser cristãos, formar parte da Igreja significa abrir-se a esta comunhão, como uma semente que se abre na terra, morrendo, e germina para o alto, para o céu”.

Bento XVI precisou também que “os Santos –aqueles que a Igreja proclama como tais, mas também todos os santos e as santas que só Deus conhece, e que também hoje celebramos– viveram intensamente esta dinâmica. Em cada um deles, de maneira pessoal, fez-se presente Cristo, graças a seu Espírito que age mediante a Palavra e os Sacramentos”.

“De fato, o estar unidos a Cristo, na Igreja, não anula a personalidade, mas, a transforma com a força do amor, e lhe confere, já aqui sobre a terra, uma dimensão eterna”.

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Série Espiritualidade: Do desejo da vida eterna e quantos bens estão prometidos aos que combatem

Do livro “Imitação de Cristo”

Jesus: Filho, quando sentires que o céu te inspira saudades da bem-aventurança e o desejo de deixar o tabernáculo do corpo para contemplar minha glória sem sombra de mudanças, alarga o teu coração e recebe esta santa inspiração com todo afeto. Dá muitas graças à Bondade soberana, que usa de tanta liberdade para contigo, com tanta clemência te visita, tanto te anima, tão poderosamente te levanta, para que teu próprio peso não te arraste para as coisas terrenas. Pois isto não te vem por teus pensamentos ou esforços, mas só pela mercê da graça celeste e do beneplácito divino para que te adiantes nas virtudes, sobretudo na humildade, e te prepares para futuras pelejas; para que te entregues a mim com todo o afeto do teu coração e me sirvas com ardente amor.

Filho, muitas vezes arde o fogo, mas não sobe a chama sem fumo. Assim tambem os desejos de alguns se abrasam pelas coisas celestiais, e, contudo, não estão livres da tentação e dos afetos carnais. Por isso não fazem unicamente pela glória de Deus o que, aliás, com tanto desejo lhe pedem. Tal é também muitas vezes teu desejo, que manifestastes com tanta ansiedade; pois não é puro nem perfeito o que está contaminado de algum interesse próprio.

Pede-me, não o que te é agradável e cômodo, senão o que a mim me é aceito e honroso; pois, se julgares retamente, deves preferir minha lei a todos os teus desejos e cumpri-la. Conheço teus desejos e ouvi teus freqüentes gemidos. Quiseras já agora estar na gloriosa liberdade dos filhos de Deus, já te deleita o pensamento da morada eterna, na pátria celestial repleta de gozo; – mas não é ainda chegada essa hora, outro é o tempo atual, tempo de guerra, trabalho e provação. Desejas gozar a plenitude do Sumo Bem, mas por enquanto ainda não o podes conseguir. Sou eu esse Bem supremo; espera-me, diz o Senhor, até que venha o reino de Deus.

Hás de passar ainda por muitas provações na terra e ser exercitado em muitas coisas. Consolações se te darão de vez em quando, mas plena satisfação não podes receber. Esforça-te, pois, e tem coragem, para fazer e sofrer o que repugna à natureza. Importa que te revistas do homem novo e te transformes em outro homem. Cumpre-te fazer muitas vezes o que não queres e deixar o que queres. O que agrada aos outros terá bom sucesso; o que te agrada não se fará. O que os outros dizem está atendido; o que tu dizes será desprezado. Pedirão os outros e receberão; tu pedirás, e não alcançarás.

Serão grandes os outros na boca dos homens; mas de ti nem se dirá palavra. Os outros serão encarregados de diversas comissões, e tu não serás julgado capaz de coisa alguma. Com isto se contristará, às vezes, a natureza; mas muito ganharás, se o sofreres calado. Nessas e noutras coisas semelhantes costuma ser aprovado o servo fiel do Senhor, para ver como sabe negar-se e mortificar em tudo. Dificilmente haverá coisa em que mais te seja preciso morrer a ti mesmo, do que em ver e sofrer o que é contrário à tua vontade, mormente quando te mandam fazer coisas que te parecem inúteis ou desarrazoadas. E porque não ousas resistir à autoridade do superior, sob cujo governo estás, duro te parece andar à vontade de outrem e deixar de todo o teu próprio parecer.

Mas considera, filho, o fruto destes trabalhos, o fim breve e o prêmio excessivamente grande, e não te serão molestos, mas acharás neles consolo para teus sofrimentos. Pois, por um pequeno desejo que agora sacrificas, tua vontade será sempre satisfeita no céu onde acharás tudo que quiseres, tudo o que podes desejar. Ali possuirás todo o bem, sem medo de o perder. Ali tua vontade, sempre unida com a minha, nada desejará fora de mim, nada que te seja próprio. Ali ninguém te fará oposição ou de ti se queixará, ninguém te causará estorvo ou contrariedades; antes, tudo quanto desejares já estará presente, para preencher e satisfazer plenamente todos os teus desejos. Ali te darei a glória pela injúria padecida, uma túnica de honra pela tristeza, e, pela escolha do ínfimo lugar, um trono em meu reino para sempre. Ali brilhará o fruto da obediência, alegrar-se-á a austera penitência e será gloriosamente coroada a sujeição humilde.

Sujeita-te, pois, agora, humildemente à vontade de todos, sem te importar quem foi que tal disse ou mandou. Mas cuida muito em acolher de bom grado qualquer pedido ou aceno, seja de teu superior, ou embora de teu igual ou inferior, e trata de o cumprir com sincera vontade. Busque um isto, outro aquilo; glorie-se este numa coisa, aquele em outra, e receba mil louvores; tu, porém, não te deleites numa nem noutra coisa, mas só no desprezo de ti mesmo e na minha vontade e glória. Este deve ser o teu desejo: que tanto na vida como na morte Deus seja sempre por ti glorificado.

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Sangue de mártires, semente de cristãos

Do Evangelho Quotidiano

Por aquele tempo, a fama de Jesus chegou aos ouvidos de Herodes, o tetrarca, e ele disse aos seus cortesãos: Esse homem é João Batista! Ressuscitou dos mortos e, por isso, se manifestam nele tais poderes miraculosos. De fato, Herodes tinha prendido João, algemara-o e metera-o na prisão, por causa de Herodíade, mulher de seu irmão Filipe. Porque João dizia-lhe: Não te é lícito possuí-la. Quisera mesmo dar-lhe a morte, mas teve medo do povo, que o considerava um profeta. Ora, quando Herodes festejou o seu aniversário, a filha de Herodíade dançou perante os convidados e agradou a Herodes, pelo que ele se comprometeu, sob juramento, a dar lhe o que ela lhe pedisse. Induzida pela mãe, respondeu: Dá-me, aqui num prato, a cabeça de João Baptista. O rei ficou triste, mas, devido ao juramento e aos convidados, ordenou que lha trouxessem e mandou decapitar João Baptista na prisão. Trouxeram, num prato, a cabeça de João e deram-na à jovem, que a levou à sua mãe. Os discípulos de João vieram buscar o corpo e sepultaram-no; depois, foram dar a notícia a Jesus.

Comentário do Evangelho do dia feito por Beato João Paulo II

A Igreja do primeiro milênio nasceu do sangue dos mártires: “sanguis martyrum — semen christianorum” (sangue de mártires, semente de cristãos). Os acontecimentos históricos […] nunca teriam podido garantir um desenvolvimento da Igreja como o que se verificou no primeiro milênio, se não tivesse havido aquela sementeira de mártires e aquele patrimônio de santidade que caracterizaram as primeiras gerações cristãs. No final do segundo milênio, a Igreja tornou-se novamente Igreja de mártires. As perseguições contra os crentes — sacerdotes, religiosos e leigos — realizaram uma grande sementeira de mártires em várias partes do mundo. O seu testemunho, dado por Cristo até ao derramamento do sangue, tornou-se patrimônio comum de católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes, como ressaltava já Paulo VI. […] É um testemunho que não se pode esquecer. No nosso século, voltaram os mártires, muitas vezes desconhecidos, como que soldados desconhecidos da grande causa de Deus. Tanto quanto seja possível, não se devem deixar perder na Igreja os seus testemunhos. […] Impõe-se que as Igrejas locais tudo façam para não deixar perecer a memória daqueles que sofreram o martírio, recolhendo a necessária documentação. Isso não poderá deixar de ter uma dimensão e uma eloquência ecumênica. O ecumenismo dos santos, dos mártires, é talvez o mais persuasivo. A “communio sanctorum”, a comunhão dos santos, fala com voz mais alta que os fatores de divisão. […] A maior homenagem que todas as Igrejas prestarão a Cristo no limiar do terceiro milênio será a demonstração da presença onipotente do Redentor, mediante os frutos de fé, esperança e caridade em homens e mulheres de tantas línguas e raças, que seguiram Cristo nas várias formas da vocação cristã.

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Aprendei de Mim porque sou manso e humilde de coração

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus exclamou: Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

Comentário do Evangelho do dia feito por Beato Jan van Ruusbroec (1293-1381), cônego regular

Pela humildade, vivemos com Deus e Deus vive conosco numa paz verdadeira; nela se encontra o fundamento vivo de toda a santidade. Podemos compará-la com uma fonte de onde jorram quatro rios de virtudes e de vida eterna (cf Gn 2,10). […] O primeiro rio que jorra do solo verdadeiramente humilde é a obediência […]; o ouvido torna-se humildemente atento, a fim de ouvir as palavras de verdade e de vida que provêm da sabedoria de Deus, e as mãos estão sempre prontas a cumprir a Sua muito cara vontade. […] Cristo, Sabedoria de Deus, fez-Se pobre para nos tornar ricos (2Cor 8,9), tornou-Se servo para nos fazer reinar, e por fim morreu para nos dar a vida. […] Para que saibamos segui-l’O e servi-l’O, disse-nos: Aprendei de Mim porque sou manso e humilde de coração. Com efeito, a mansidão é o segundo rio de virtudes que jorra do solo da humildade. Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra (Mt 5,5), ou seja a sua alma e o seu corpo, em paz. Porque no homem manso e humilde repousa o Espírito do Senhor; e, quando o nosso espírito é assim elevado e unido ao Espírito de Deus, carregamos o jugo de Cristo, que é suave e doce, e transportamos o Seu fardo leve. […] Desta doçura íntima jorra um terceiro rio, que consiste em viver com paciência. Pela angústia e pelo sofrimento, o Senhor visita-nos. Se recebermos estes enviados com alegria no coração, então Ele mesmo virá, pois disse através do Seu profeta: quando da angústia estarei ao seu lado, para o salvar e o honrar (Sl 90,15). […]

Bento XVI diz aos universitários: Mantenham a fé e a razão sempre unidas

Da Radio Vaticano

O Papa saúda a Universidade italiana do Sagrado Coração, por ocasião de seu 90º aniversário de fundação, por iniciativa do Pe. Agostino Gemelli, e da 87ª Jornada da instituição acadêmica.

Bento XVI expressa seu grande apreço ao trabalho desempenhado pela Universidade. A missiva, enviada em seu nome pelo Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, é endereçada ao Arcebispo de Milão, Cardeal Dionigi Tettamanzi, também Presidente do Instituto Toniolo de Estudos Superiores, que estreitamente ligado à Santa Sé assegura a orientação da referida Universidade, mantendo-se fiel às suas origens.

Do longínquo 1921 até hoje a Universidade fundada por Pe. Gemelli caminhou muito: hoje tem 5 sedes, 14 faculdades e mais de 42 mil estudantes. O Papa convida a “manter sempre unidas a razão e a fé, a pesquisa racional e a contemplação do mistério, assim como se revela no livro da natureza e no livro da Sagrada Escritura, mas de modo singular culminante no Logos feito homem, Jesus Cristo”.

E justamente ao Sagrado Coração de Jesus é intitulada a Universidade Católica: “aquele Coração Humano” em que “habita a plenitude da divindade” e que nos leva a conhecer o “coração” da própria realidade. Um caminho a ser feito “a partir de uma relação pessoal com Cristo, reconhecido qual Verdade capaz de responder plenamente, aliás, de modo excedente, às perenes interrogações do ânimo humano”.

“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, afirma o Livro dos Provérbios.

“O serviço educacional da universidade – lê-se ainda na missiva – passa pela seriedade do trabalho científico, pelo treinamento ao estudo metódico e pela paixão pela pesquisa, pela proposta de critérios filosóficos fundamentais, concernentes à visão da pessoa humana e as suas relações com os outros, com o mundo e com Deus.”

Nesse contexto, o Papa reconhece a “válida contribuição” dada pela Universidade Católica à sociedade “com a humildade e a força da verdade”. Efetivamente, a abertura dos jovens à Verdade “depende de modo significativo da qualidade espiritual e cultural da proposta formativa que recebem nas salas de aula diariamente freqüentadas”.

Por fim, Bento XVI indica à referida comunidade universitária três figuras exemplares: os Beatos João Paulo II e John Henry Newman, e o Venerável Giuseppe Toniolo, que será em breve também ele proclamado Beato.

Tradição e o progresso se complementam na reforma litúrgica do Concílio, explica o Papa

Da ACI Digital

Ao receber na manhã de sexta-feira os participantes do 9° Congresso Internacional do Pontifício Instituto Litúrgico Santo Anselmo, o Papa Bento XVI ressaltou que tradição e progresso não se opõem, mas se complementam, na reforma da liturgia estabelecida pelo Concílio Vaticano II.

Em seu discurso em ocasião do 50º aniversário de fundação do Instituto, o Santo Padre assinalou que a liturgia “vive de uma relação constante e correta entre sã ‘traditio’ e ‘legitima progressio’, claramente manifestada pela Constituição conciliar (do Vaticano II) ‘Sacrosanctum concilium’ no N. 23. Com estes dois termos os padres conciliares quiseram consignar seu programa de reforma, em equilíbrio com as grande tradição litúrgica do passado e do futuro”.

“Não poucas vezes se contrapõem equivocadamente tradição e progresso. Em realidade, os dois conceitos se integram: a tradição é uma realidade viva, inclui portanto, em si mesmo, o princípio do desenvolvimento, do progresso”.

O Papa disse logo que “o Beato João XXIII, recolhendo as instâncias do movimento litúrgico que desejava dar um novo impulso e um novo ânimo à oração da Igreja, pouco antes do Concílio Vaticano II e durante sua celebração quis que a Faculdade dos Beneditinos no Aventino constituísse um centro de estudos e de investigação para assegurar uma base sólida à reforma litúrgica conciliar”.

Na véspera do Concílio, explicou o Papa Bento, “aparecia sempre mais viva no campo litúrgico a urgência de uma reforma, postulada também por diversos pedidos de vários episcopados”.

“De outra parte a forte exigência pastoral que animava o movimento litúrgico exigia que se favorecesse e se suscitasse uma participação mais ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas através do uso de línguas nacionais e que se aprofundasse no tema da adaptação dos ritos às várias culturas, especialmente nas terras de missão”.

“Além disso, era claro desde o início a necessidade de estudar de modo mais profundo o fundamento teológico da Liturgia, para evitar cair no ritualismo ou favorecer o subjetivismo, o protagonismo do celebrante e para que a reforma estivesse bem justificada no âmbito da Revelação e em continuidade com a tradição da Igreja”.

Referindo-se ao título eleito para o congresso: “O Pontifício Instituto Litúrgico entre memória e profecia”, o Papa disse que “à ‘memória’ pertence a vida do Instituto, que ofereceu sua contribuição à Igreja comprometida na recepção do Concílio Vaticano II, através de cinqüenta anos de formação litúrgica acadêmica”.

Este instituto, ressaltou Bento XVI ajudou “o Povo santo de Deus a viver a Liturgia como expressão da Igreja em oração, como presença de Cristo em meio dos homens e como atualidade constitutiva da história da salvação”.

“De fato o Documento conciliar põe em viva luz o duplo caráter teológico e eclesiológico da Liturgia. A celebração realiza contemporaneamente uma Epifania do Senhor e uma Epifania da Igreja, duas dimensões que se conjugam em unidade na assembléia litúrgica, onde Cristo atualiza o Mistério pascal de morte e ressurreição e o povo dos batizados se dirige mais abundantemente às fontes da salvação”.

“Na ação litúrgica da Igreja subsiste a presença ativa de Cristo: aquilo que cumpriu em sua passagem em meio dos homens, Ele o segue fazendo operante através de sua pessoal ação sacramental, cujo centro está constituído pela Eucaristia”.

Bento XVI ressaltou logo que “com o termo ‘profecia’, o olhar se abre a novos horizontes. A liturgia da Igreja vai além da mesma ‘reforma conciliar’, cujo objetivo, de fato, não era principalmente mudar os ritos e os textos, senão renovar a mentalidade e pôr no centro da vida cristã e da pastoral a celebração do mistério pascal de Cristo”.

“Lamentavelmente, talvez, a liturgia foi acolhida –também por nós pastores e peritos–, mais como um objeto a ser reformado que como um sujeito capaz de renovar a vida cristã, do momento em que ‘existe um vínculo muito estreito e orgânico entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja’”.

O Santo Padre expressou seu desejo de que “a Faculdade de Sagrada Liturgia continue com renovado impulso seu serviço à Igreja, em plena fidelidade à rica e valiosa tradição litúrgica, e à reforma querida pelo Concílio Vaticano II, de acordo com as linhas mestras da ‘Sacrosanctum concilium’ e os pronunciamentos do Magistério”.

Finalmente indicou que “a Liturgia cristã é a Liturgia da promessa cumprida em Cristo, mas é também a Liturgia da esperança, da peregrinação para a transformação do mundo, que terá lugar quando Deus seja tudo em todos”.

Bento XVI adverte dos perigos de uma sociedade líquida

Do Portal Zenit

Ao concluir sua visita a Veneza na tarde deste domingo, Bento XVI advertiu os católicos dos perigos da atual sociedade “líquida”, sem estabilidade nas relações humanas e relativista. O Papa propôs como alternativa o modelo de sociedade “da vida e da beleza”. O encontro com o mundo da cultura e da economia, último grande evento de sua viagem de dois dias a Aquileia e Veneza, deu-lhe oportunidade para apresentar sua radiografia da cultura “líquida”, conceito cunhado pelo filósofo polonês Zygmunt Bauman (Poznań, 1925), que entre 1971 e 1990 foi professor de sociologia na Universidade de Leeds.

A sociedade europeia, disse o Papa, está submersa em uma “cultura líquida”, termo com que se refere “à sua ‘fluidez’, à sua pouca estabilidade ou talvez à sua ausência de estabilidade, à mutabilidade, às inconsistências que às vezes parecem caracterizá-la”. Bauman atribui o nascimento da sociedade “líquida” ao modelo consumista e considera que seu impacto mais profundo se dá nas relações sociais, e mais em particular nas relações entre o homem e a mulher, que se têm feito cada vez mais flexíveis, impalpáveis, como manifesta o conceito atual de amor reduzido a mero sentimento passageiro.

A este modelo de sociedade “líquida”, o bispo de Roma contrapôs – ao falar na estupenda Basílica de Santa Maria da Saúde – o modelo da sociedade “da vida e da beleza”. “Certamente é uma opção, mas na história é necessário escolher – afirmou –: o homem é livre para interpretar, para dar um sentido à realidade, e precisamente nesta liberdade reside sua grande dignidade”, assegurou.

“No âmbito de uma cidade, seja qual for, também as escolhas de caráter administrativo, cultural e econômico dependem, no fundo, desta orientação fundamental, que podemos chamar de ‘política’, na acepção mais nobre e elevada do termo.” “Trata-se de escolher entre uma cidade ‘líquida’, pátria de uma cultura que parece ser cada vez mais a cultura do relativo e do efêmero, e uma cidade que renova constantemente sua beleza, recorrendo aos mananciais benéficos da arte, do saber, das relações entre os homens e os povos”, assegurou.

Nesta viagem de dois dias, o Papa visitou também, além de Veneza, a cidade de Aquileia, sede do antigo patriarcado que constituía a maior diocese eclesiástica e metropolitana do tempo medieval europeu, que chegou a se estender à atual Eslovênia, Croácia, Áustria e Alemanha.

O Papa tinha chegado à Basílica de Santa Maria da Saúde em gôndola, atravessando o Grande Canal de Veneza, partindo da Praça de São Marcos. Tratava-se da “Dogaressa”, a mesma gôndola de grandes dimensões que fora utilizada em 1985 na visita de João Paulo II.

Quatro gondoleiros veteranos levaram Bento XVI em um trajeto de cerca de 15 minutos até o ‘Dorsoduro’, a parte da cidade em que se ergue a Basílica de Santa Maria da Saúde, construída em honra à Virgem após a epidemia de peste de 1630.

O grande desafio da nossa época segundo Bento XVI: A liberdade religiosa

Do Portal Zenit

A defesa da liberdade de religião e de culto é um desafio, disse ontem o Papa Bento XVI na mensagem enviada à presidente da Academia Pontifícia das Ciências Sociais, Mary Ann Glendon, na sua 17ª sessão plenária sobre o tema “Direitos universais em um mundo diversificado. A questão da liberdade religiosa”. “As raízes da cultura cristã ocidental continuam sendo profundas”, sublinhou o Papa, recordando que “foi uma cultura que deu vida e espaço à liberdade religiosa e que continua nutrindo o direito constitucionalmente garantido da liberdade religiosa e da liberdade de culto de que muitos povos desfrutam hoje”. “Devido em parte à negação sistemática pelos regimes ateus do século XX, estas liberdades foram reconhecidas e consagradas pela comunidade internacional na Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas”, observou.

Hoje, no entanto, “estes direitos humanos básicos estão novamente ameaçados por atitudes e ideologias que impediriam a liberdade religiosa”. Por isso, “o desafio de defender e promover o direito à liberdade religiosa e à liberdade de culto deve ser aceito mais uma vez em nossos dias”. “Nossa natureza nos pede que busquemos as questões de maior importância para nossa existência”, indica. Neste sentido, “o direito à liberdade religiosa deve ser considerado como inerente à dignidade fundamental de toda pessoa humana, em relação com a inata abertura do coração humano a Deus”.

A autêntica liberdade religiosa, além disso, “permitirá à pessoa humana alcançar sua plenitude contribuindo assim para o bem comum da sociedade”. Bento XVI reconhece que “cada Estado tem o direito soberano de promulgar sua própria legislação e de expressar as diferentes atitudes com relação à religião na lei”. Por isso, indica, “há alguns Estados que permitem uma ampla liberdade religiosa segundo a nossa compreensão da palavra, enquanto outros a restringem por várias razões, entre elas a desconfiança com relação à própria religião”. Neste contexto, “continua apelando pelo reconhecimento do direito humano fundamental à liberdade religiosa por parte de todos os Estados e os insta a respeitar e, se for necessário, proteger as minorias religiosas”.

Estas últimas, conclui, “ainda que ligadas por uma fé diferente da maioria em relação a elas, aspiram a viver com seus concidadãos com toda tranquilidade e participar plenamente da vida civil e política da nação, em benefício de todos”.

Falando aos jornalistas da sala de imprensa da Santa Sé ontem, durante a conclusão dos trabalhos da plenária, Mary Ann Glendon afirmou, segundo o L’Osservator Romano, que, “após um pico positivo, em 1998, a liberdade religiosa no mundo sofreu uma diminuição preocupante, mas sensível de 2005 em diante”. “Segundo estimativas autorizadas – referiu -, cerca de 70% da população mundial vive em países que impõem graves limitações à liberdade religiosa”, em “uma dramática realidade cotidiana feita de discriminações, perseguições e violências sofridas em muitas partes do mundo, às vezes devido a políticas governamentais, às vezes como consequência de intimidações que chegam de grupos sociais; em muitos casos, infelizmente, procedente de ambos”.

“Entre as más notícias – acrescentou -, está também o costume difundido de considerar a liberdade religiosa como um direito de segunda classe”, além da “rápida difusão de uma espécie de ‘secularismo fundamentalista’ nos países ocidentais, que vê naqueles que professam uma religião uma ameaça para a democracia”. “Inclusive os parâmetros econômicos desmentem este preconceito – sublinhou: os mais recentes estudos de ciências sociais provam que altos níveis de liberdade religiosa correspondem a mais altos níveis de desenvolvimento e a uma maior ‘longevidade democrática’.” Allen Hertzke, professor de ciências políticas na Universidade de Oklahoma (EUA), presente na conferência junto com Glendon, com Dom Marcelo Sánchez Sorondo, chancelar da academia, e Federico Lombardi, diretor da Sala de Imprensa Vaticana, afirmou que “um dos paradoxos da nossa época é o fato de que, enquanto se torna mais evidente a importância da liberdade religiosa, se enfraquece o consenso internacional que a sustenta, atacada por movimentos teocráticos, violada por políticas secularistas agressivas, deteriorada pela ignorância ou pela hostilidade das elites”.

“No fundo, a liberdade é uma invenção cristã – acrescentou, como conclusão, Dom Sánchez Sorondo. Segundo Aristóteles, existiam seres humanos nascidos para serem escravos. Segundo São Tomás, a liberdade é precisamente a prova de que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus.”

Dominus Vobiscum

Bento XVI afasta bispo australiano que defende sacerdócio feminino

Do Portal Zenit

Bento XVI afastou ontem o bispo emérito de William Morris, de 67 anos de idade, do cuidado pastoral da diocese australiana de Toowoomba.

A nunciatura apostólica australiana anunciou ontem que o Papa retirou Dom Morris do governo da diocese e nomeou o bispo auxiliar de Brisbane, Dom Brian Finnegan, como administrador apostólico de Toowoomba.

Numa carta distribuída durante o fim de semana, Dom Morris disse que “o Papa Bento XVI decidiu que a diocese fosse governada por um novo bispo”.

Ele ressaltou que isso aconteceu como resultado do fato de que “alguns dos que não aprovam a minha liderança” apresentaram “queixas sobre mim, algumas delas por causa da minha carta pastoral do Advento de 2006”.

Entre outras coisas, a carta pastoral sugeria a ordenação ao sacerdócio de mulheres e homens casados ​​ como uma solução para a escassez de vocações na diocese.

Dom Morris disse que “isso provocou uma visita apostólica e um contínuo diálogo entre a minha pessoa e a Congregação para os Bispos, para o Culto Divino, para a Doutrina da Fé e, finalmente, o Papa Bento XVI”.

O prelado foi bispo de Toowoomba desde 1993.

Dom Finnegan, o novo administrador apostólico, divulgou uma declaração pastoral na qual se confessava “muito grato à generosa e cordial recepção de Dom Bill Morris, confiando em que a dedicação dos sacerdotes, líderes religiosos e de outros organismos continue e suponham um grande apoio para o meu desempenho”.

“Em toda mudança significativa – acrescentou -, muitas pessoas têm sentimentos, e estes podem ser de raiva e decepção, por um lado, e de paz e esperança, por outro.”

O prelado concluiu: “Espero que cresçamos, independentemente dos sentimentos, no chamado à reconciliação, conversão, perdão, serviço e no desejo do Senhor de que avancemos em direção à plenitude da vida”.

A diocese de Toowoomba tem 65.900 católicos, 50 sacerdotes e 73 religiosos.

Bento XVI afirma: A mídia é serviço de utilidade pública

Do Portal Zenit

O mundo da mídia tem um “potencial extraordinário” para promover o progresso da humanidade, afirmou o Papa Bento XVI aos participantes na 17ª Assembleia da Rádio da ‘European Broadcasting Union’, realizada em Castel Gandolfo.

“O vosso é um ‘serviço público’, serviço às pessoas, para ajudá-las cada dia a conhecer e compreender o que acontece e por que acontece, e a comunicar ativamente, para participar do caminho comum da sociedade”, disse o Pontífice aos presentes.

A sociedade de hoje, observou, apresenta muitas situações que colocam “os valores fundamentais em jogo para o bem da humanidade”, e a opinião pública “se encontra muitas vezes desorientada e dividida”.

Os desafios que o mundo enfrenta hoje, segundo o Papa, são “muito grandes e urgentes” e não podemos “ficar desanimados e desistir” perante as dificuldades.

Entre eles, citou “o respeito pela vida humana, a defesa da família, o reconhecimento dos autênticos direitos e das justas aspirações dos povos, os desequilíbrios que causam o subdesenvolvimento e a fome em muitas partes do mundo, o acolhimento dos imigrantes, o desemprego e a segurança social, as novas pobrezas e a marginalização social, a discriminação e violações da liberdade religiosa, o desarmamento e a busca de solução pacífica dos conflitos”.

Neste contexto, indicou, corresponde à rádio e à televisão a tarefa de “alimentar a cada dia uma informação precisa e equilibrada e um debate profundo para encontrar as melhores soluções compartilhadas para estas questões em uma sociedade pluralista”.

“É um dever que exige profissionais de alta honradez, integridade e respeito, abertura a diferentes perspectivas, clareza na resolução dos problemas, liberdade diante de barreiras ideológicas, consciência da complexidade das questões”, acrescentou o Papa.

“Trata-se de uma busca paciente dessa ‘verdade comum’ que melhor traduz os valores na vida e melhor orienta o caminho da sociedade, e deve ser buscada em simultâneo com a humildade. Nessa busca, a Igreja Católica tem uma contribuição específica a dar e quer oferecê-la testemunhando seu compromisso com a verdade que é Cristo, mas ao mesmo tempo com abertura e espírito de diálogo”, sublinhou Bento XVI.

A religião, de fato, “contribui para purificar a razão, ajudando-a a evitar cair em distorções, como a manipulação pela ideologia ou a aplicação parcial que não leva a ter inteiramente em conta a dignidade da pessoa humana”.

Do mesmo modo, “também a religião reconhece a necessidade de corrigir a razão para evitar excessos, como o fundamentalismo e o sectarismo”.

Por isso, convidou os presentes a “promover e incentivar o diálogo entre fé e razão, na perspectiva de servir o bem comum”.

Também quis destacar a rápida aceitação que a rádio teve na Igreja Católica, quase desde a sua invenção, e sua importância para os papas durante a 2ª Guerra Mundial e a Guerra Fria.

“Quando o meu predecessor Pio XI se dirigiu a Guglielmo Marconi para que dotasse o Estado da Cidade do Vaticano de uma estação de rádio à altura da melhor tecnologia disponível na época, mostrou ter intuído agudamente em que direção estava se desenvolvendo o mundo das comunicações, e o que a rádio poderia oferecer para o serviço da missão da Igreja.”

Através da rádio, os pontífices “puderam transmitir, muito além das fronteiras, mensagens de grande importância para a humanidade”, bem como “apoiar por um longo tempo as esperanças dos crentes e dos povos sob regimes opressores dos direitos humanos e da liberdade religiosa”.

“Desde os discursos de Pio XII, passando pelos documentos do Concílio Vaticano II, até as minhas mais recentes mensagens sobre as novas tecnologias digitais, está atravessando um caminho de otimismo, esperança e sincera simpatia rumo àqueles que trabalham neste campo para favorecer o encontro e o diálogo, para servir a comunidade humana, contribuir para o crescimento pacífico da sociedade”, concluiu Bento XVI.