Não cantará o galo, antes de Me teres negado três vezes!

pedro e o galoDo Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, estando Jesus à mesa com os discípulos, sentiu-Se intimamente perturbado e declarou: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há-de entregar! Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saberem a quem se referia. Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, estava à mesa reclinado no seu peito. Simão Pedro fez-lhe sinal para que lhe perguntasse a quem se referia. Então ele, apoiando-se naturalmente sobre o peito de Jesus, perguntou: Senhor, quem é? Jesus respondeu: É aquele a quem Eu der o bocado de pão ensopado. E molhando o bocado de pão, deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes. E, logo após o bocado, entrou nele Satanás. Jesus disse-lhe, então: O que tens a fazer fá-lo depressa. Nenhum dos que estavam com Ele à mesa entendeu, porém, com que fim lho dissera. Alguns pensavam que, como Judas tinha a bolsa, Jesus lhe tinha dito: ‘Compra o que precisamos para a Festa’, ou que desse alguma coisa aos pobres. Tendo tomado o bocado de pão, saiu logo. Fazia-se noite. Depois de Judas ter saído, Jesus disse: Agora é que se revela a glória do Filho do Homem e assim se revela nele a glória de Deus. E, se Deus revela nele a sua glória, também o próprio Deus revelará a glória do Filho do Homem, e há-de revelá-la muito em breve. Filhinhos, já pouco tempo vou estar convosco. Haveis de me procurar, e, assim como Eu disse aos judeus: ‘Para onde Eu for vós não podereis ir’, também agora o digo a vós. Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde Eu vou, tu não me podes seguir por agora; hás-de seguir-me mais tarde. Disse-lhe Pedro: Senhor, porque não posso seguir-te agora? Eu daria a vida por ti! Replicou Jesus: Darias a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo, antes de me teres negado três vezes! (Jo 13,21-33.36-38)

Comentário feito por São Francisco de Sales (1567-1622), bispo de Genebra, doutor da Igreja – Obras Completas, vol. 10

São Pedro, Apóstolo, foi muito injusto para com o seu Senhor porque O negou, jurando que não O conhecia e, não contente com isso, foi maldizente e blasfemo, asseverando não saber Quem Ele era (Mt 26,69 ss). Este incidente magistral partiu o coração de Nosso Senhor. Que fazeis e que dizeis vós, pobre São Pedro? Não sabeis quem Ele é, não O conheceis?, vós que fostes chamado pela Sua própria boca ao Apostolado e que haveis confessado ser Ele o Filho do Deus vivo? (Mt 16,16) Ah, homem miserável, como ousais dizer que não O conheceis? Não foi Ele Quem vos lavou outrora os pés (Jo 13,6), Ele Quem vos alimentou com o Seu Corpo e o Seu Sangue? […]

Portanto, que ninguém presuma das suas boas obras e pense não ter nada a temer, uma vez que São Pedro, que tantas graças recebeu, que prometeu acompanhar Nosso Senhor até à prisão e até à morte, se prontificou a negá-lo ao mais pequeno reparo duma criada.

Ao cantar do galo, São Pedro lembrou-se do que acabara de fazer e do que lhe havia dito o seu Bom Senhor; então, reconhecendo a sua falta, saiu a chorar tão amargamente que só por isso recebeu indulgência plenária e remissão de todos os seus pecados. Bem-aventurado São Pedro, que através de tal contrição recebestes o perdão de tão grande deslealdade. […] Bem sei que foi o sagrado olhar de Nosso Senhor que lhe calou fundo no coração e lhe abriu os olhos para reconhecer o seu pecado (Lc 22,61) […], pois a partir daí não deixou jamais de chorar, em especial sempre que ouvia o galo cantar. […] Assim, de grande pecador tornou-se um grande santo.

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Ainda não temos Papa…

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Às 15:40h desta terça-feira, os peregrinos e fiéis que se encontravam na Praça São Pedro, e todos aqueles ao redor do mundo, receberam a notícia: ainda não temos Papa!

A fumaça preta surgiu na chaminé instalada na Capela Sistina, indicando que os Cardeais presentes ao Conclave, ainda não chegaram a um consenso acerca do nome do futuro Papa, ou seja, nenhum dos Cardeais obteve a maioria de 2/3 dos votos (77 votos).

A próxima ocasião da fumaça na supracitada chaminé, será por volta das 08:00h (horário de Brasília), quando será anunciado o resultado de mais um escrutínio do Conclave.

Continuemos com as nossas orações…

Respeitem o Santo Padre! Respeitem a Igreja! Respeitem a Cristo!

Durante estes dias muito tem se falado a respeito da renúncia do santo Padre, Bento XVI. Em todos os meios de comunicação social o assunto é um só: O Papa.

Porém diante de todas estas informações e especulações, preciso como católico praticante e atuante pedir a imprensa secular: Respeitem o Santo Padre e a Igreja! E acredito piamente que este pedido não seja apenas meu mas de todos os católicos verdadeiramente católicos. Infelizmente a Igreja Católica é um assunto que todo mundo acha que domina, quando na verdade os grandes jornalistas da mídia secular sequer conseguem sair da superficialidade do assunto. Ao invés de escrever asneiras sobre a Igreja e o Santo Padre, deveriam estudar catecismo e liturgia para poder falar alguma coisa. Quando se trata da Igreja Católica Apostólica Romana, a mídia secular nada mais é do que um bando de diplomados mal informados, que desconhecem a verdadeira igreja de Cristo.

Não estamos falando de um governante qualquer mas do atual líder da religião mais conhecida do mundo. Falamos de um homem que em pouco tempo fez muito pela Igreja e pelo mundo (executivamente falando) e que continuará ainda que em oração fazendo por ela.

Dúvida? Então veja os dados a seguir…

Papa Bento XVI (em latim: Benedictus PP. XVI, em italiano: Benedetto XVI), tem o nome de batismo Joseph Alois Ratzinger. Cardeal-Bispo de Roma, é Papa desde o dia 19 de Abril de 2005 e assim será até 28 de fevereiro de 2013. Foi eleito como o 265º Papa com a idade de 78 anos e três dias, sendo o atual Sumo Pontífice da Igreja Católica. Foi eleito para suceder ao Papa João Paulo II no conclave de 2005 que terminou no dia 19 de Abril.

Domina pelo menos seis idiomas (alemão, italiano, francês, latim, inglês, castelhano) e possui conhecimentos de português, ademais lê o grego antigo e o hebraico. É membro de várias academias científicas da Europa como a francesa Académie des sciences morales et politiques e recebeu oito doutorados honoríficos de diferentes universidades, entre elas da Universidade de Navarra, é também cidadão honorário das comunidades de Pentling (1987), Marktl (1997), Traunstein (2006) e Ratisbona (2006).

Em abril de 2005 foi incluído pela revista Time como sendo uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Doutorados do então Cardeal Joseph Ratzinger.

•1984 Doutor Honoris Causa pelo College of St. Thomas in St. Paul / Minnesota
•1985 Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica do Eichstätt
•1986 Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica de Lima
•1986 Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Telogia Pontifícia e Civil de Lima
•1988 Doutor Honoris Causa pela Universidade Católica do Lublin.
•1998 Doutor Honoris Causa pela Universidade da Navarra na Pamplona.
•1999 Doutor Honoris Causa pela Uiversidad Livre Maria SS Assunta (LUMSA) em Roma.
•2000 Doutor Honoris Causa pela Faculdade de Teologia da Universidade do Wroclaw

Desde a sua posse como Papa, Bento XVI tem feito inúmeros pronunciamentos. Entre os principais documentos escritos que tem publicado no exercício das funções de Sumo Pontífice estão as encíclicas Deus Caritas Est, Spe salvi e Caritas in Veritate.

Do seu legado destacamos:

  1. Ainda cardeal, foi eleito como um dos dois únicos sacerdotes da Academia de Ciências do Vaticano, – à época em que o brasileiro Crodowaldo Pavan era um dos 80 membros do sodalício -, que contava também com 29 Prêmios Nobel entre os seus acadêmicos.
  2. Ainda enquanto teólogo e prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, impôs silêncio ao ex-frade menor Genézio Boff.
  3. Fundou a Revista Communio, expoente do grupo de teologia preocupado com o retorno às fontes teológicas (Ressourcement).
  4. O uso de paramentos antigos, realizado por Bento XVI, quer ser um sinal externo da preponderância da oração.
  5. No campo eclesial, o pontificado de Bento XVI reuniu o maior número de ex-anglicanos, desde o cisma de Canterbury.
  6. A luta contra “ditadura do relativismo”, que nega a verdade e ensina que cada um faz a sua, destrói a família e a sociedade.
  7. Voltou a dialogar de forma muito efusiva com os intelectuais, especialmente os ateus, com o Programa “Pátio dos Gentios”, levando o debate com os ateus nas maiores universidades do mundo, buscando quebrar a mentira de que entre a ciência e a fé há uma dicotomia.
  8. Com ele o mundo conheceu a reflexão e o aprofundamento na atualidade da mensagem da Igreja Católica graças ao seu humanismo e a sua santidade.
  9. Deixou-nos excelentes livros, especialmente a série Jesus de Nazaré, escrita durante o pontificado.
  10. Enfrentou sem medo e sem meias palavras a herética teologia da libertação marxista, não tendo receio de pedir aos bispos do Brasil, em 05/10/2010, que a eliminem em suas dioceses tendo em vista o seu grande perigo a Igreja e para a fé do povo. Disse o Papa: “As suas sequelas mais ou menos visíveis feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa, anarquia fazem-se sentir ainda, criando nas vossas comunidades diocesanas grande sofrimento e grave perda de forças vivas.”
  11. Rebateu com vigor as acusações que recebeu de ter sido omisso diante dos casos de pedofilia, agindo com energia para corrigir o problema.
  12. Não se curvou diante de tantas blasfêmias contra ele, como a famigerada peça de teatro da PUC de São Paulo (Decapitando o Papa).
  13. Enfrentou heresias e hereges da atualidade, sofrendo criticas e ofensas desses hereges apoiados pela mídia secular.
  14. Não se curvou diante de um feminismo vazio, interno à Igreja, e de um modernismo  que quis lhe impor a quebra do celibato sacerdotal, a aceitação da ordenação de mulheres e outro erros.
  15. Soube interpretar e defender o Concílio Vaticano II dos ataques que recebeu tanto dos ultraconservadores como dos abusos dos ultramodernos.

Bento XVI deixa um fantástico legado de escritos serenos, tendo sempre sabido enfrentar, com prudência e sabedoria, os humanos problemas que todas as instituições enfrentam, respondendo, com serenidade, a críticas e ataques e estimulando a santidade da esmagadora maioria dos sacerdotes, em todas as nações.

O gesto de renúncia mostra quão sábia foi a sua eleição pelo Colégio Cardinalício, pois exibe para o mundo o que deve ser o vice-Cristo na Terra: condutor de almas e de homens, com desprendimento e amor, ação e oração. E esse legado, no gesto de profunda humildade, servirá, inclusive, de orientação para os 118 cardeais a quem caberá, sob a inspiração do Espírito Santo, a responsabilidade de escolher o novo pontífice. Sem saber quem será, sei apenas que conduzirá santamente a Igreja de Cristo.

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Quando começará o conclave?

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Ainda não temos a data oficial do início do Conclave – Reunião dos cardeais com menos de 80 anos que escolherão o novo Papa. Porém muitos especialistas já estão fazendo seus cálculos.

Segundo o Dr. Luis Navarro, Decano da Faculdade de Direito Canônico da Pontifícia Universidade Santa Cruz de Roma (Itália), fez uma previsão apontando o início do conclave para o período entre o dia 15 ao dia 20 de março.

Esta previsão fica em total acordo ao que foi estabelecido pelo Beato Papa João Paulo II, na constituição apostólica publicada em 1996, Universi Dominici Gregis sobre a Sede Vacante da Sé Apostólica e a eleição do Romano Pontífice.

Neste documento o Beato João Paulo II afirma que “desde o momento em que a Sé Apostólica ficar legitimamente vacante, os Cardeais eleitores presentes devem esperar, durante quinze dias completos, pelos ausentes; deixo, ademais, ao Colégio dos Cardeais a faculdade de adiar, se houver motivos graves, o início da eleição por mais alguns dias. Transcorridos, porém, no máximo, vinte dias desde o início da Sé vacante, todos os Cardeais eleitores presentes são obrigados a proceder à eleição”.

O Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sede, explicou em conferência de imprensa como será o procedimento logo depois de que em 28 de fevereiro às 20:00h (hora de Roma), quando se inicia o período de Sede Vacante. Esse dia terão início as “congregações” dos cardeais em preparação ao conclave, cuja data ainda não pode ser precisada com exatidão mas que será definida nos próximos dias.

As “congregações” são reuniões de cardeais que permitem o intercâmbio de opiniões entre os cardeais sobre os problemas que deverão enfrentar, em relação à situação da Igreja, para que cada eleitor tenha mais critérios de juízo para as votações.

Portanto até lá os demais católicos espalhados pelo mundo deverão intensificar as suas orações pelo novo Papa e pela Igreja para que a vontade do Senhor se faça acontecer.

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Foto de raio que caiu sobre a Basílica de São Pedro logo após a renúncia de Bento XVI percorre o mundo

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Não. Não é uma produção do photoshop de alguém. A imagem de um raio caindo sobre a cúpula da basílica de São Pedro no Vaticano, poucas horas depois de que o Papa Bento XVI anunciasse sua renúncia, efetiva a partir do dia 28 de fevereiro, deu a volta ao mundo. O fato ficou registrado em uma fotografia do Alessandro di Meo e em um vídeo irradiado pela BBC.

O raio caiu sobre a cúpula da basílica de São Pedro poucas horas depois do anúncio do Santo Padre, o qual, coincidentemente, foi qualificado pelo Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, como “um raio caído a céu aberto”. O fenômeno natural produziu-se em meio de uma tormenta, que segundo diversos meios foi reportada como de dimensões “quase bíblicas”, depois de uma manhã nublada e com chuvas intermitentes sobre Roma e a Cidade do Vaticano.

Na minha opinião (leiga é claro) este raio é de fato um sinal do céu. Agora só nos resta rezar por Bento XVI, pela Igreja e pelo novo Papa.

Dominus Vobiscum

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O Conclave

Saudações, queridos irmãos/leitores… Que a Paz esteja com todos vocês!

Diante da notícia de ontem acerca da famigerada renúncia do Eminentíssimo Papa Bento XVI, surgiram muitas pesquisas aqui no blog acerca do que seria e como se daria o Conclave. Vamos agora, então, tentar responder a algumas destas perguntas acerca deste tema tão fascinante e belo.

Procurei, tão somente, traçar alguns aspectos gerais acerca da eleição Papal. Para um aprofundamento maior, sugiro a leitura da Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, de 22 de fevereiro de 1996, a qual dispõe sobre a vacância da Sé Apostólica e da eleição do Romano Pontífice. Embarque comigo na escolha do sucessor de São Pedro, do comandante da Barca de Cristo, nossa Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

ASPECTOS GERAIS

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A palavra Conclave vem do latim “cum clave”, que significa “com chave”, e designa o processo, por meio de reuniões entre os Cardeais da Igreja Católica, para a eleição de um novo Papa.

A palavra Conclave foi usada pela primeira vez no ano de 1274, onde o Papa Gregório X, para evitar que as reuniões para a eleição do Papa se demorasse em demasia, determinou que os Cardeais ficassem reclusos e reunidos “com chaves” para decidirem seus votos, sem interferência externa.

O Conclave inicia-se cerca de 15 a 20 dias após a morte ou renúncia do Papa. Tal período denomina-se novemdiales, e encerra-se com a Missa Pro Eligendo Papa, onde todos os Cardeais se reúnem na Basílica de São Pedro, dirigindo-se posteriormente para a Capela Sistina, onde efetivamente começa o Conclave.

mi_5116312248265202As normas que regem o Conclave estão dispostas na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis (aconselho vivamente a leitura), a qual dispõe que, após a morte ou renúncia do Papa, a Sé Apostólica é considerada vacante ou vaga (Sede Vacante) até a data de eleição do novo Papa.

De acordo com o art. 1º da supracitada Constituição Apostólica:

“Durante a vacância da Sé Apostólica, o Colégio dos Cardeais não tem poder ou jurisdição alguma no que se refere às questões da competência do Sumo Pontífice, enquanto estava vivo ou no exercício das funções do seu ofício; todas essas questões deverão ser exclusivamente reservadas ao futuro Pontífice. Declaro, por isso, inválido e nulo qualquer ato de poder ou de jurisdição, próprio do Romano Pontífice enquanto está vivo ou no exercício das funções do seu ofício, que o Colégio mesmo dos Cardeais julgasse exercer, a não ser dentro dos limites expressamente consentidos nesta Constituição.”

O governo da Igreja é entregue, então, de maneira restrita, como vimos acima, ao Cardeal Camerlengo, do qual, no caso da morte do Papa, é dever atestar a morte do Sumo Pontífice, fazendo-o na presença do Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, dos Prelados Clérigos e dos Secretário e Chanceler da Câmara Apostólica, redigindo, posteriormente, a ata do falecimento do Papa e convocado, ato contínuo, o Sagrado Colégio de Cardeais.

Como no caso hodierno não tivemos a morte, mas sim a renúncia do Papa, a qual passará a gerar efeitos a partir das 20:00 horas do dia 28 de fevereiro, tal convocação se dará logo após tal data, período em que se formarão também as Congregações dos Cardeais.

“No período de Sé vacante, haverá duas espécies de Congregações dos Cardeais: uma geral, isto é, de todo o Colégio, até ao início da eleição, e a outra particular. Nas Congregações gerais, devem participar todos os Cardeais não legitimamente impedidos, logo que tenham sido informados da vacância da Sé Apostólica. Contudo, aos Cardeais que não gozam do direito de eleger o Pontífice, é concedida a faculdade de se absterem, se assim o preferirem, de participar nessas Congregações gerais.

A Congregação particular é constituída pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana e por três Cardeais, um de cada uma das ordens, extraídos à sorte dentre os Cardeais eleitores que já tenham chegado a Roma. O ofício destes três Cardeais, chamados Assistentes, cessa ao completar-se o terceiro dia, sucedendo-lhes no lugar, sempre por meio de sorteio, outros três pelo mesmo espaço de tempo, mesmo depois de iniciada a eleição.

Durante o período da eleição, as questões mais importantes, se fôr necessário, são tratadas pela assembleia dos Cardeais eleitores, ao passo que os assuntos ordinários continuam a ser tratados pela Congregação particular dos Cardeais. Nas Congregações gerais e particulares, durante o período de Sé vacante, os Cardeais trajem a habitual batina preta filetada e a faixa vermelha, com o solidéu, cruz peitoral e anel.” (art. 7º)

Pois bem, reunidos os Cardeais eleitores (aqueles com menos de 80 anos de idade), em número máximo de 120, inicia-se o Conclave, sob o maior sigilo e isolamento, obrigatoriamente dentro do território do Vaticano, conforme veremos de maneira pormenorizada mais abaixo.

Quanto ao sigilo, todos os Cardeais eleitores são obrigados a manter segredo absoluto sobre tudo o que diz respeito às sessões do Conclave. Regra esta extensiva também àqueles que prestem auxílio técnico ou de qualquer outro modo, os quais, se quebrado o sigilo, podem ser punidos com a excomunhão. Tal pena, todavia, não se estende aos Cardeais, visto que estes estão obrigados por princípio de consciência (graviter onerata ipsorum conscientia).

Os Cardeais ficam alojados condignamente num edifício próximo à eleição, denominado Domus Sanctae Marthae (Casa de Santa Marta), cada um numa espécie de cela, sem qualquer contato com o mundo exterior.

Após uma Missa com todos os Cardeais, duas mesas são dispostas no interior da Capela Sistina. Uma é coberta com um pano de cor púrpura, onde são colocados três vasos de prata, os quais funcionam como urnas. E a outra é reservada para os três Cardeais Escrutinadores.

O CONCLAVE

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Os Cardeais eleitores dirigem-se, então, às suas cadeiras, as quais são devidamente marcadas com seus nomes. O Cardeal Camerlengo, encarregado de dirigir o Conclave, profere, em alto e bom som, a famosa frase: “Extra Omnes!”

13_02_11_conclave_keys1É a ordem para que todos saiam da sala, fechando-se as portes “com chaves”.

O Cardeal Decano ou o primeiro dos Cardeais segundo a ordem e os anos de cardinalato, proferirá a seguinte fórmula de juramento:

“Nós, todos e cada um dos Cardeais eleitores, presentes nesta eleição do Sumo Pontífice, prometemos, obrigamo-nos e juramos observar fiel e escrupulosamente todas as prescrições contidas na Constituição Apostólica do Sumo Pontífice João Paulo II, Universi Dominici Gregis, emanada a 22 de Fevereiro de 1996. De igual modo, prometemos, obrigamo-nos e juramos que quem quer de nós, que, por divina disposição, for eleito Romano Pontífice, comprometer-se-á a desempenhar fielmente o munus Petrinum de Pastor da Igreja universal e não cessará de afirmar e defender estrenuamente os direitos espirituais e temporais, assim como a liberdade da Santa Sé. Sobretudo prometemos e juramos observar, com a máxima fidelidade e com todos, tanto clérigos como leigos, o segredo acerca de tudo aquilo que, de algum modo, disser respeito à eleição do Romano Pontífice e sobre aquilo que suceder no lugar da eleição, concernente direta ou indiretamente ao escrutínio; não violar, de modo nenhum, este segredo, quer durante quer depois da eleição do novo Pontífice, a não ser que para tal seja concedida explícita autorização do próprio Pontífice; não dar nunca apoio ou favor a qualquer interferência, oposição ou outra forma qualquer de intervenção, pelas quais autoridades seculares de qualquer ordem e grau, ou qualquer gênero de pessoas, em grupo ou individualmente, quisessem imiscuir-se na eleição do Romano Pontífice.”

Em seguida, cada um dos Cardeais eleitores, por ordem de precedência, prestará juramento com a fórmula seguinte:

“E eu, N. Cardeal N., prometo, obrigo-me e juro”, e, colocando a mão sobre o Evangelho, acrescentará: “Assim Deus me ajude e estes Santos Evangelhos, que toco com a minha mão”. Após todos efetuarem o juramento, o Cardeal Camerlengo conclui: “Que Deus vos abençoe a todos!”

São eleitos, inicialmente, os três Cardeais Escrutinadores, responsáveis por colher e contar os votos, os três Cardeais Infirmarii, responsáveis por colher os votos dos Cardeais que porventura adoecerem durante o Conclave, e os três Cardeais Revisores, responsáveis por fiscalizar os trabalhos dos Cardeais Escrutinadores.

A VOTAÇÃO

ng2376991No que concerne á votação, é consenso na Igreja Católica que o Espírito Santo guia as decisões de cada Cardeal.

Não é, portanto, um jogo de interesses ou um “arrumadinho” político, como queiram alguns, mas sim, a escolha do sucessor de Pedro. Escolha esta que é guiada e pautada pelos princípios do Evangelhos e pela destra de Deus.

Cada Cardeal pega, então, um papel branco, de forma retangular, onde está escrito “Eligo in summum pontificem” (Elejo como Sumo Pontífice), e escreve em caligrafia clara e com letras maiúsculas, o nome do Cardeal que, na sua opinião, deve se tornar o Papa.

De acordo com o art. 66 da Constituição Apostólica Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, cada Cardeal eleitor, pela ordem de precedência, depois de ter escrito e dobrado a ficha, mantendo-a levantada de modo que seja visível, leva-a ao altar, junto do qual estão os Escrutinadores e em cima do qual é colocado um recipiente coberto com um prato para recolher as fichas. Chegado aí, o Cardeal eleitor pronuncia, em voz alta, a seguinte forma de juramento:

“Invoco como testemunha Cristo Senhor, o qual me há-de julgar, que o meu voto é dado àquele que, segundo Deus, julgo deve ser eleito.“

Em seguida, depõe a ficha de voto no prato e com este introdu-la no recipiente. Tendo realizado isto, faz uma inclinação ao altar, e volta para o seu lugar.

Se algum dos Cardeais eleitores presentes na Capela não puder dirigir-se ao altar, por motivo de doença, o último dos Escrutinadores irá junto dele, e ele, depois de proferir o juramento referido, entrega a ficha de voto dobrada ao Escrutinador o qual a leva, bem visível, ao altar e, sem pronunciar o juramento, depõe-na sobre o prato e com este introdu-la no recipiente.

ng2376998Acabada a votação, o 1º Cardeal Escrutinador leva o vaso contendo as cédulas de votação para a mesa de escrutínio, coloca os votos num vaso de vidro, e os Cardeais Escrutinadores procederão a contagem. O 1º Cardeal Escrutinador anota o nome e passa a cédula para o 2º Cardeal Escrutinador, que também anota o nome, passando em seguida para o 3º Cardeal Escrutinador, que o lê, em voz alta e de maneira legível. Ele pega, então, a cédula do votação, fura e cose-a com agulha e linha. Detalhe: a agulha deve perfurar a palavra Eligo impressa no voto.

Os votos são colocados no terceiro vaso, onde são contados e apurados.

A APURAÇÃO

Se a votação não for concludente, ou seja, se nenhum Cardeal tiver recebido no mínimo 2/3 dos votos, volta-se tudo ao início da votação. O Cardeal Camerlengo recolhe as anotações dos Cardeais, inclusive dos Escrutinadores, dos Infirmarii, e dos Revisores, e deposita tudo numa caixa, a qual é levada ao fogão da Capela Sistina, onde é juntado um pouco de palha molhada, para que a fumaça saia negra, sinal de que ainda não se escolheu o nome do Papa.

1113887370Caso os Cardeais eleitores tenham dificuldade em pôr-se de acordo quanto à pessoa a eleger, realizados sem êxito durante três dias os escrutínios, estes serão suspensos durante um dia, no máximo, para uma pausa de oração, de livre colóquio entre os votantes e de uma breve exortação espiritual, feita pelo primeiro dos Cardeais da ordem dos Diáconos.

Em seguida, recomeçam as votações segundo a mesma forma, e se, após sete escrutínios, ainda não se verificar a eleição, faz-se outra pausa de oração, de colóquio e de exortação, feita pelo primeiro dos Cardeais da ordem dos Presbíteros.

Procede-se, depois, a uma outra eventual série de sete escrutínios, seguida – se ainda não se tiver obtido o resultado esperado -, de uma nova pausa de oração, de colóquio e de exortação, feita pelo primeiro dos Cardeais da ordem dos Bispos.

Em seguida, recomeçam as votações segundo a mesma forma, as quais, se não for conseguida a eleição, serão sete.

Se ainda ainda assim não se chegar a um nome, tomam-se os nomes dos dois Cardeais mais votados no último escrutínio, entre os quais se dará a eleição, por maioria simples dos votos.

A FUMAÇA BRANCA

FUMO8_350x254Quando se chegar, enfim, ao nome do novo Papa, o Camerlengo queima, então, apenas as cédulas de votação, fazendo com que a fumaça saia branca, sinal para todo o povo de que temos um Papa.

Assim, após os escrutínios, verificada a canonicidade da eleição realizada, o último dos Cardeais Diáconos chama para dentro do local da eleição o Secretário do Colégio dos Cardeais e o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias; em seguida, o Cardeal Decano, ou o primeiro dos Cardeais segundo a ordem e os anos de cardinalato, e, em nome de todo o Colégio dos eleitores, pede o consenso do eleito com as seguintes palavras: “Aceitas a tua eleição canônica para Sumo Pontífice?”

Uma vez recebido o consenso, pergunta-lhe: “Como queres ser chamado?” Então o Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, na função de Notário e tendo por testemunhas dois Cerimoniários, que serão chamados naquele momento, redige um documento com a aceitação do novo Pontífice e o nome por ele assumido.

Depois da aceitação, o eleito que tenha já recebido a Ordenação episcopal, é imediatamente o Bispo da Igreja de Roma, verdadeiro Papa e Cabeça do Colégio Episcopal; e adquire efetivamente o poder pleno e absoluto sobre a Igreja universal, e pode exercê-lo. Se, pelo contrário, o eleito não possuir o carácter episcopal, seja imediatamente ordenado Bispo.

Recebe, por fim, por parte dos Cardeais ali presentes, o “ato de obediência”, onde um a um  prostra-se diante dele.

Imagem de vídeo mostra papa Bento 16o, o alemão Joseph Ratzinger, na sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano

Pouco tempo depois, o Cardeal Protodiácono e Decano vai até a varanda da Basílica de São Pedro anunciar ao mundo a notícia, nas seguintes palavras:

Annuntio vobis gaudium magnum:
Habemus Papam!
Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum (primeiro nome, pronunciado em latim),
Sanctæ Romanæ Ecclesiæ Cardinalem (sobrenome, pronunciado na língua original),
qui sibi nomen imposuit (nome papal, em latim).

Tradução:

Anuncio-vos com a maior alegria!:
Temos Papa!
Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor,
Senhor (primeiro nome),
Cardeal da Igreja Católica Romana (sobrenome),
que escolheu para si o nome de (nome papal).

URBI ET ORBI

Após o anúncio, o Papa é apresentado ao povo e dá a Bênção Apostólica Urbi et Orbi (“à cidade [de Roma] e ao mundo”), a qual concede uma penitência e indulgência plenária, sob as condições definidas pelo Código de Direito Canônico (ter se confessado e recebido a Comunhão, e não estar em pecado mortal).

Eis o texto da bênção:

Sancti Apostoli Petrus et Paulus: de quorum potestate et auctoritate confidimus ipsi intercedant pro nobis ad Dominum.

R: Amen.

Precibus et meritis beatæ Mariae semper Virginis, beati Michaelis Archangeli, beati Ioannis Baptistæ, et sanctorum Apostolorum Petri et Pauli et omnium Sanctorum misereatur vestri omnipotens Deus; et dimissis omnibus peccatis vestris, perducat vos Iesus Christus ad vitam æternam.

R: Amen.

Indulgentiam, absolutionem et remissionem omnium peccatorum vestrorum, spatium verae et fructuosae poenitentiæ, cor semper penitens, et emendationem vitae, gratiam et consolationem Sancti Spiritus; et finalem perseverantiam in bonis operibus tribuat vobis omnipotens et misericors Dominus.

R: Amen.

Et benedictio Dei omnipotentis, Patris et Filii et Spiritus Sancti descendat super vos et maneat semper.

R: Amen.

Tradução:

Que os Santos Apóstolos Pedro e Paulo, em cujo poder e autoridade temos confiança, intercedam por nós junto ao Senhor.

R: Amém.

Que por meio das orações e dos méritos da Santíssima Virgem Maria, de São Miguel Arcanjo, de São João Batista, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e de todos os santos, Deus todo-poderoso tenha misericórdia de vós, perdoe os vossos pecados e vos conduza à vida eterna em Jesus Cristo.

R: Amém.

Que o Senhor Todo Poderoso e misericordioso vos conceda indulgência, absolvição, e remissão de todos os vossos pecados, em tempo para uma verdadeira e frutuosa penitência, sempre com coração contrito, e a benção da vida, a graça, a consolação do Espírito Santo e perseverança final nas boas obras.

R: Amém.

E que a bênção de Deus Todo Poderoso, Pai e Filho e Espírito Santo desça sobre vós e permaneça sempre.

R: Amém.

É isto! Dentro em breve, teremos um novo Papa.

Sua Santidade, o Papa Bento XVI, cumpriu a sua missão de forma magistral, corajosa e com uma fé e confiança em Deus nas quais devemos nos espelhar, mas, suas forças não suportaram o peso da idade. E ele, com a prudência que lhe é peculiar, renunciou ao ministério petrino, deixando espaço para mais um Conclave, o qual será, mais uma vez, guiado pelos ventos do Espírito Santo.

Espero ter conseguido elucidar algumas dúvidas acerca deste processo tão belo e cheio de santidade que é o Conclave.

De nossa parte cabe agora rezar, com todo o nosso coração e nossa alma, para que o Espírito Santo invada aqueles aposentos, suscitando e inspirando as ações daqueles Cardeais, para que sempre seja feita, para o bem da nossa Igreja, da Igreja de Cristo, a vontade soberana do Pai.

Um grande abraço e fiquem todos com Deus!

Alex Cardoso Vasconcelos, Advogado, Notário da Câmara Eclesiástica da Arquidiocese de Maceió e Acólito na Paróquia Divino Espírito Santo – Maceió/AL

Livro Maria Sempre Virgem e SantaVeja também o novo livro do Cadu (Administrador do Blog Dominus Dominus Vobiscum): Maria Sempre Virgem e Santa. Nele você vai encontrar ensinamentos seguros da doutrina da Igreja a respeito da Santíssima Virgem Maria, além das orações mais tradicionais da nossa Igreja à Virgem Mãe de Deus. Vendas apenas pela internet nos sites Clube de Autores e Agbook. Um livro para quem deseja ser mais íntimo de Nossa Senhora.

Comunicado do Papa Bento XVI sobre a renúncia

O Vaticano confirmou a notícia e afirma que o papado ficará vago até que o sucessor seja escolhido.

Eis as palavras com que Bento XVI anunciou a sua decisão:

papa-bento-xvi-5

Caríssimos Irmãos,

convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20:00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

Benedictus pp. XVI

Santo do Dia: Santo Inácio de Antioquia

Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

Neste dia deparamos com a fé ardente, doação completa e amor singular ao Cristo do mártir Inácio, sucessor de São Pedro em Antioquia da Síria, que desde a infância conviveu com a primeira geração dos cristãos.

Como Bispo foi muito amado em Antioquia e no Oriente todo, pois sua santidade brilhava, tanto que o prenderam devido a sua liderança na religião cristã, durante o Império de Trajano, por volta do ano 107.

Chamado Teóforo – portador de Deus – Inácio, ao ser transportado para Roma, sabia que cristãos de influência na corte imperial poderiam impedi-lo de alcançar Cristo pelo martírio, por isso, dentre tantas cartas que enviara para as comunidades cristãs, a fim de edificar, escreveu em especial à Igreja Católica em Roma:

“Eu vos suplico, não mostreis comigo uma caridade inoportuna. Permiti-me ser pasto das feras, pelas quais me será possível alcançar Deus, sou trigo de Deus e quero ser moído pelos dentes dos leões, a fim de ser apresentado como pão puro a Cristo. Escutai, antes, as feras, para que se convertam em meu sepulcro e não deixem rasto do meu corpo. Então serei verdadeiro discípulo de Cristo”.

Nesta mesma carta há uma preciosa afirmação sobre a presença de Cristo na Eucaristia:

“Não encontro mais prazer no alimento corruptível nem nos gozos desta vida, o que desejo é o pão de Deus, este pão que é a carne de Cristo e, por bebida, quero seu sangue, que é o amor incorruptível”.

Santo Inácio escreveu sete cartas: Epístola a Policarpo de Esmirna, Epístola aos Efésios, Epístola aos Esmirniotas, Epístola aos Filadélfos, Epístola aos Magnésios, Epístola aos Romanos, Epístola aos Tralianos. Santo Inácio foi, de fato, atirado às feras no Coliseu em Roma no ano 107, e hoje intercede para que comecemos a ter a têmpera dos mártires a fim de nos doarmos por amor.

Santo Inácio de Antioquia, rogai por nós!

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Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei

Do Evangelho Quotidiano

Se ficastes a conhecer-me, conhecereis também o meu Pai. E já o conheceis, pois estais a vê-lo. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta!
Jesus disse-lhe: Há tanto tempo que estou convosco, e não me ficaste a conhecer, Filipe? Quem me vê, vê o Pai. Como é que me dizes, então, mostra-nos o Pai? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em mim? As coisas que Eu vos digo não as manifesto por mim mesmo: é o Pai, que, estando em mim, realiza as suas obras. Crede-me: Eu estou no Pai e o Pai está em mim; crede, ao menos, por causa dessas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim também fará as obras que Eu realizo; e fará obras maiores do que estas, porque Eu vou para o Pai, e o que pedirdes em meu nome Eu o farei, de modo que, no Filho, se manifeste a glória do Pai. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, Eu o farei. ( S. João 14,7-14)

Comentário do Evangelho feito por : São Vicente de Paulo

 Nosso Senhor disse: Bem-aventurados os pobres em espírito (Mt 5,3); deste modo, a Sabedoria eterna mostra quanto os trabalhadores evangélicos devem evitar a magnificência das acções e das palavras e assumir uma maneira de agir e de falar humilde, fácil e comum. É o demónio que nos entrega a essa tirania de querer ter sucesso e que, ao ver-nos executar uma tarefa com simplicidade, nos diz: Eis uma coisa baixa; isto é demasiado banal e muito indigno da majestade cristã. Armadilha do demónio! Tomai cuidado, Senhores, renunciai a essas vaidades. […] Tende presente os modos de Nosso Senhor, tão humilde e tão adverso a isso. Ele poderia dar um grande realce às Suas obras e uma potência soberana às Suas palavras, mas não o fez. Vós fareis, dizia aos Seus discípulos, as obras que Eu realizo; e fareis obras maiores do que estas. Mas, Senhor, porque quereis que, ao fazer o que haveis feito, façam mais que Vós? É que Nosso Senhor quer deixar-Se ultrapassar nas acções públicas, para Se distinguir nas humildes e secretas; Ele deseja os frutos do Evangelho e não os barulhos do mundo; e, para isso, fez mais por meio dos Seus servidores do que por Si mesmo. Ele quis que São Pedro convertesse, de uma vez três mil e de outra cinco mil pessoas (Act 2,41; 4,4), e que toda a terra fosse iluminada pelos apóstolos. Quanto a Ele, embora tenha sido a luz do mundo (Jo 8,12), só pregou em Jerusalém e nos arredores, e pregou aí sabendo que obteria menos resultados que noutros lugares. […] Fez, pois, poucas coisas, e os Seus pobres discípulos, ignorantes e grosseiros, animados pela Sua força, fizeram mais que Ele. Porquê? Foi porque Ele quis ser humilde naquilo que fez.

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Apostólica Romana? O que isso significa?

Nos últimos posts que escrevi, vimos as diferenças entre a Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Católica Ortodoxa. Agora vamos voltar os nossos olhos mais uma vez para o nome da Nossa Igreja, a qual chamamos de Igreja Católica Apostólica Romana. Em posts anteriores, já falamos sobre o que significa a palavra “Igreja” e o que significa a palavra “Católica”. Hoje vamos entender a expressão “Apostólica Romana”.

Apostólica Romana? O que isso significa?

No tempo de Cristo, e posteriormente dos Apóstolos, Roma era o centro do mundo. O Império Romano ditava as regras do jogo. E para que o evangelho, e consequentemente a Igreja chegasse a Roma, Deus enviou Paulo e Pedro e posteriormente muitos outros para a cidade eterna. Em Roma estava a sede do Governo do Mundo, podemos assim dizer. Quero me referir a Pedro e Paulo, por serem duas colunas da Fé Cristã. Pedro o primeiro Papa. Enviado pelo próprio Cristo. A pedra sobre a qual Jesus desejava edificar a sua Igreja. Paulo, o Apóstolo dos Gentios, espalhou pelo mundo a doutrina de Cristo. A tradição nos ensina que primeiro Paulo foi para Roma. E depois de tudo isso, também São Pedro foi para lá também.

Pedro e Paulo dois bastiões da fé católica

Estes dois fundamentaram a Igreja em Roma. Deram suas vidas nesse lugar. Pedro morreu crucificado, assim nos ensina a tradição, de cabeça para baixo, pois não se considerava digno de morrer como Jesus. Já São Paulo morreu decapitado. Reza a tradição que a sua cabeça ao bater três vezes no chão, fez jorrar três fontes. Por isso o lugar onde São Paulo morreu chama-se “Tre Fontaine”.

Eles são nossos mártires da fé em Roma. E dali surgiram os Sucessores de Pedro. Dali vieram muitos outros. Todos eles com a missão salvaguardar a Doutrina e ensinar aos povos a verdade que Cristo nos revelou. A Igreja Católica Apostólica Romana é a Igreja de Cristo. Justamente porque é a Igreja Universal. E foi estabelecida ali, pelos dois grandes Apóstolos: Pedro e Paulo. Atingiram o centro do mundo, para que a partir dali, pudessem atingir todos os povos.

A nossa Igreja é Una. Não existe essa de católica renovada, ou católica batista. Ou é Igreja Católica Apostólica Romana ou não é. Tudo bem que vemos por ai as pessoas “erradamente” dizer Igreja Carismática ou Igreja dos Vicentinos. Isso está errado. A Renovação Carismática é movimento dentro da Igreja Católica. Os vicentinos são outro movimento. Os focolarinos outro… Não é uma outra Igreja. Na Igreja existem movimentos. São ações iniciadas por católicos para uma determinada missão que o Espírito Santo os inspira. Mas todos os movimentos estão dentro da Igreja. Estão submetidos a Igreja. Todos eles participam da missa. Comungam, confessam, fazem penitências… É preciso diferenciar uma coisa da outra. Igreja Católica é uma coisa. Um movimento dentro da Igreja Católica é outra. A Igreja é Una. Unida.

Outra coisa: Ultimamente apareceu por ai uma tal “Igreja Católica Brasileira“. Essa SEITA  nada tem a ver com a nossa Igreja Católica Apostólica Romana. Isso é coisa de gente que quer tirar católicos da Santa Igreja. Fique esperto! Em breve falaremos sobre isso!

Agora voltando a Igreja verdadeira do Senhor, veja como é bonito. Na Igreja existem movimentos.  Mas cada movimento tem uma missão particular na Igreja. A Renovação Carismática por exemplo, tem como missão levar os católicos a uma efusão do Espírito Santo. Já os vicentinos a terem um trabalho com os pobres. Os focolarinos já tem a missão de buscar a unidade. E todos precisam uns dos outros. Gosto de uma frase que Dom Alberto Taveira sempre repete:

Um carisma reconhece o outro…
(Dom Alberto Taveira – Arcebispo de Palmas/TO)

Porém mesmo que um sacerdote pertença a um determinado movimento, ele precisa celebrar a missa da mesma maneira que qualquer outro sacerdote. Porque o rito é igual. Quando você chega na China, ainda que não saiba o idioma, você consegue participar da missa porque você sabe como é o Rito. Se vai a Itália também. Se vai a Alemanha, ou na Colômbia a mesma coisa. O Rito é o mesmo. O Sacrifício é o mesmo. A importância que se dá a Liturgia, a Palavra, ou a eucaristia é a mesma. Claro que existem algumas diferenças cá e lá, como os cânticos e a forma da Assembléia participar. Inclusive existem até outros ritos que muitos de nós não conhecemos, mas que são aprovados pela Igreja, como o Rito Maronita. Mas a essência é a mesma. A Igreja é Una porque todos os sacerdotes e todas as paróquias seguem o Santo Padre o Papa. A Igreja não é dividida, até porque, quem se afasta da Igreja, se afasta da raiz, da essência. Santo Inácio de Antioquia já dizia:

“Onde está Cristo Jesus, está a Igreja Católica”
(Santo Inácio de Antioquia – Séc II)

Dominus Vobiscum