A soberba – Escritos de Evágrio Pôntico

Fonte: Veritatis Splendor

Estamos terminando de postar aqui, os textos do monge Evágrio Pôntico sobre os oito males do corpo. Estes textos foram retirados do grande Site Católico Esplendor da Verdade (Veritatis Splendor). Quero agradecer um público pelo belíssimo trabalho do Site. Quanto aos textos dos Padres do Deserto, estarei em breve preparando uma nova série. Mas vamos a leitura da soberba. Acho que vale a pena, caso você não tenha lido os outros, dar uma lida. São textos de grande riqueza espiritual:

A soberba é um tumor da alma, cheio de pus. Se maduro, explodirá, emanando terrível fedor. O resplandor do relâmpago anuncia o estrondo do trovão e a presença da vanglória anuncia a soberba. A alma do soberbo alcança grandes altitudes e, daí, cai no abismo. Sofre de soberba o apóstata de Deus, quando atribui às suas próprias capacidades as coisas bem sucedidas. Como aquele que cai numa teia de aranha, assim cai aquele que se apóia nas suas próprias capacidades. A abundância de frutos dobra os ramos da árvore; a abundância de virtudes humilha a mente do homem. O fruto caído na terra é inútil para o lavrador e avirtude do soberbo não é aceita por Deus. A cana sustenta o ramo carregado de frutos e o temor de Deus a alma virtuosa. Como o peso dos frutos quebra o ramo, também a soberba abate a alma virtuosa. Não entregues tua alma à soberba e não terás fantasias terríveis. A alma do soberbo é abandonada por Deus e se converte em objeto de maligna alegria dos demônios. À noite, imagina manadas de bestas que o assaltam e, durante o dia, vê-se alterado por pensamentos vis. Quando dorme, facilmente se sobressalta e, quando vela, se assusta com a sombra de um pássaro. O sussurar das copas das árvores aterroriza o soberbo e o som da água destroça a sua alma. Aquele que efetivamente tem se oposto a Deus, rejeitando sua ajuda, vê-se depois assustado por vulgares fantasmas.

Humilde e moderado é aquele que reconhece este parentesco; porém, o Criador fez tanto a Ele como o soberbo. Não desprezes o humilde: efetivamente ele está mais seguro que tu, caminha sobre a terra e não se precipita; porém, aquele que se eleva mais para o alto, quando cai se espatifa. O monge soberbo é como uma árvore sem raízes e não suporta o ímpeto do vento. Uma mente sem jactância é como uma cidade bem fortificada e quem a habita será incapturável. Um sopro arrasta a pena e o insulto leva o soberbo à loucura. Uma bolha [de sabão] levada pelo vento desaparece e a memória do soberbo perece. A palavra do humilde adoça a alma, enquanto que a do soberbo está cheia de jactância. Deus acolhe a oração do humilde; ao contrário, se exaspera com a súplica do soberbo. A humildade é a coroa da casa e mantém seguro quem ali entra. Quando te elevares ao topo da virtude, precisarás de muita segurança. Aquele que efetivamente cai, rapidamente se recupera; porém, aquele que se atira de grandes alturas, corre risco de morte. A pedra preciosa brilha no bracelete de ouro e a humildade humana resplandece nas muitas virtudes.

Dominus Vobiscum

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O vício do tapinha nas costas – Escritos de Evágrio Pôntico

Vanglória nada mais é do que o famoso tapinha nas costas que gostamos de receber quando fazemos algo bem feito

Fonte: Veritatis Splendor

Um dos oito males do corpo que o Monge Evágrio Pôntico fala é o vício da vanglória. Mas o que é a vanglória? Ela é realmente um pecado? Buscando a origem da palavra, encontrei o seguinte:

Vanglória = Vã + glória (glórias passageiras). Presunção, orgulho, jactância, ostentação, bazófia.

Ao ler as palavras do monge, percebi que ele nos fala sobre o cuidado que devemos ter com o fato de que a vanglória anda sempre a cercar as nossas virtudes. Mexe com o nosso ego. São aqueles “elogios” que enchem nossa alma.

Por trás do nosso trabalho bem feito, muitas vezes o vício e a necessidade dos elogios, põe todo um belo trabalho a perder. O próprio Senhor Jesus várias vezes nos alertou sobre não fazer as coisas para serem vistos, mas fazer um bom trabalho e se possível até “esconder da mão direita o que a mão esquerda fez”.

“Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita…” (Mt 6, 1-3)

Leia o texto e veja o que nos diz o Monge Evágrio Pôntico:

A vanglória é uma paixão irracional que facilmente se enraíza em todas as obras virtuosas. Um desenho traçado na água desaparece tal como a fadiga da virtude na alma vangloriosa. A mão escondida no bolso apresenta-se inocente e a ação que permanece oculta resplandece com uma luz mais brilhante. A hera adere à árvore e, quando chega ao ponto mais alto, seca-lhe a raiz; assim, a vanglória se origina nas virtudes e não se afasta enquanto não lhes tiver consumido as forças. O cacho de uvas caído sobre a terra murcha facilmente e a virtude, se apoiada na vanglória, perece. O monge vanglorioso é um trabalhador sem salário: esforça-se no trabalho, porém, não recebe qualquer pagamento; o bolso furado não guarda com segurança o que nele é colocado e a vanglória destrói a recompensa das virtudes. A moderação do vanglorioso é como a fumaça na estrada: ambas desaparecem no ar. O vento apaga a pegada do homem tal como a esmola do vanglorioso. A pedra lançada ao ar não atinge o céu e a oração de quem deseja comprazer aos homens não chega a Deus.

A vanglória é um obstáculo submerso: se chocas contra ele, corres o risco de perder a carga. O homem prudente esconde seu tesouro tanto como o monge sábio esconde as fadigas da sua virtude. A vanglória aconselha rezar nas praças, enquanto que quem a combate reza em sua pequena habitação. O homem pouco prudente torna evidente a sua riqueza e faz com que muitos a queiram tomar para si. Tu, ao contrário, esconde as tuas coisas: durante o caminho, encontrarás assaltantes, mas, ao chegardes à cidade da paz, poderás usar dos teus bens tranqüilamente. A virtude do vanglorioso é um sacrifício extenuante, que não é oferecido no altar de Deus. O aborrecimento consome o vigor da alma, enquanto que a vanglória fortalece a mente daquele que se esquece de Deus, torna robusto o fraco e torna o velho mais forte que o jovem, mas somente enquanto sejam muitas as testemunhas que os assistem. Então serão inúteis o jejum, a vigília, ou a oração, porque é apenas a aprovação pública que excita o seu zêlo. Não mostres tuas fadigas para colher a fama, nem renuncies a glória futura para seres aclamado. Com efeito, a glória humana habita na terra e na terra extingue-se a tua fama, enquanto que a glória das virtudes permanecem para sempre.

Gostaria de ver os seus comentários a respeito do texto. Mexeu com você? Como? Por que? Você gosta de tapinhas nas costas? Tsc, tsc, tsc…

Dominus Vobiscum

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Evangelho do Dia:: Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas

Naquele tempo, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-O em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar. O Senhor respondeu-lhe: Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada. (S. Lucas 10,38-42)

Comentário do Evangelho do dia feito por São Tomás Moro (1478-1535), estadista inglês, mártir

Depois de recebermos Nosso Senhor na Eucaristia e O termos presente no nosso corpo, não havemos de O deixar só e de nos ocuparmos doutras coisas sem fazer mais caso d’Ele […], mas de ter n’Ele todo o nosso sentido. Dirijamo-nos a Ele com ferventes preces e convivamos com Ele em fervente meditação. Digamos como o profeta: Escutarei o que diz o Senhor dentro de mim (Sl 85(84),9). Assim, […] se Lhe dermos toda a nossa atenção, Ele não deixará de pronunciar, no mais íntimo do nosso ser, esta ou aquela palavra e com ela nos proporcionar grande conforto espiritual e proveito para a nossa alma. Sejamos, ao mesmo tempo, Marta e Maria. Como Marta, façamos de tal sorte que toda a nossa atividade exterior a Ele se restrinja e consista em acolhê-Lo como devemos: primeiro a Ele, e de seguida a cada um dos que O acompanham — a todos aqueles que não são apenas Seus discípulos, mas Ele próprio: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes (Mt 25,40). […] Esforcemo-nos, pois, por conservar o nosso Hóspede. Digamos-Lhe, como os dois discípulos ao entrar no povoado de Emaús, “Fica conosco, [Senhor]” (Lc 24,29). Então, com toda a certeza, não Se afastará mais de nós, a não ser que O rejeitemos com a nossa própria ingratidão.

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