Até que ponto os bens materiais são importantes? Uma reflexão para uma sociedade neo pagã e materialista

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Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: «Havia um homem rico, que se vestia de linho fino e se banqueteava esplendidamente todos os dias.  Um pobre chamado Lázaro jazia junto do seu portão, coberto de chagas. Bem desejava ele saciar-se com os restos caídos da mesa do rico; mas até os cães vinham lamber-lhe as chagas. Ora sucedeu que o pobre morreu e foi colocado pelos Anjos ao lado de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado. Na mansão dos mortos, estando em tormentos, levantou os olhos e viu Abraão com Lázaro a seu lado. Então ergueu a voz e disse: ‘Pai Abraão, tem compaixão de mim. Envia Lázaro, para que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nestas chamas’. Abraão respondeu-lhe: ‘Filho, lembra-te que recebeste os teus bens em vida e Lázaro apenas os males. Por isso, agora ele encontra-se aqui consolado, enquanto tu és atormentado. Além disso, há entre nós e vós um grande abismo, de modo que, se alguém quisesse passar daqui para junto de vós, não poderia fazê-lo’. O rico exclamou: ‘Então peço-te, ó pai, que mandes Lázaro à minha casa paterna — pois tenho cinco irmãos, para que os previna, a fim de que não venham também para este lugar de tormento’. Disse-lhe Abraão: ‘Eles têm Moisés e os Profetas: que os oiçam’. Mas ele insistiu: ‘Não, pai Abraão. Se algum dos mortos for ter com eles, arrepender-se-ão’. Abraão respondeu-lhe: ‘Se não dão ouvidos a Moisés e aos Profetas, também não se deixarão convencer, se alguém ressuscitar dos mortos’». (Lucas 16,19-31)

CONFIRA O COMENTÁRIO DO PADRE PAULO RICARDO SOBRE ESTE EVANGELHO

Comentário da Beata Teresa de Calcutá (1910-1997), fundadora das Irmãs Missionárias da Caridade «Não há maior amor»

Cristo disse: «Tive fome e destes-Me de comer» (Mt 25, 35). E não teve fome só de pão, mas também da estima acolhedora que nos permite sentirmo-nos amados, reconhecidos, sermos alguém aos olhos de outrem. Ele não foi desprovido só das suas vestes, mas também da dignidade e do respeito humano, pela grande injustiça que é cometida com o pobre, que é precisamente ser desprezado por ser pobre. Não só foi privado de um teto, mas também sofreu as privações por que passam os encarcerados, os rejeitados e os escorraçados, aqueles que vagueiam pelo mundo sem ter ninguém que trate deles.

Ao desceres a rua, sem outro propósito senão esse, talvez atentes no homem que está ali à esquina, e vás ao seu encontro. Talvez ele fique de pé atrás, mas tu colocas-te na sua frente. Tens de irradiar a presença que trazes dentro de ti com o amor e a atenção que dás ao homem a quem te diriges. E porquê? Porque, para ti, Ele é Jesus. Sim, é Jesus, mas não pode receber-te em sua casa — é por isso que tens de ser tu a dirigir-te a Ele. Ele está escondido ali, naquela pessoa. Jesus, oculto no mais pequenino dos irmãos (Mt 25, 40), cheio de fome de pão, mas também de amor, de reconhecimento, de ser tido como alguém com valor.

São Clemente de Roma: Senhor não cessa de nos mostrar a ressurreição futura

O Senhor não se cansa falar da ressurreição.

Depois, a partir dessa mesma decomposição, a magnífica providência do Mestre fá-las reviver e dum só grão surgem imensos que, por sua vez, crescem e dão frutos. […]

Naquele tempo, estava Jesus a falar aos seus discípulos, quando um chefe se aproximou e se prostrou diante d’Ele e disse: A minha filha acaba de falecer. Mas vem impor a mão sobre ela e viverá. Jesus, levantando-se, seguiu o com os discípulos. Então, uma mulher, que padecia de uma hemorragia há doze anos, aproximou se dele por trás e tocou-lhe na orla do manto, pois pensava consigo: ‘Se eu, ao menos, tocar nas suas vestes, ficarei curada.’ Jesus voltou-se e, ao vê-la, disse-lhe: Filha, tem confiança, a tua fé te salvou. E, naquele mesmo instante, a mulher ficou curada. Quando chegou a casa do chefe, vendo os flautistas e a multidão em grande alarido, disse: Retirai-vos, porque a menina não está morta: dorme. Mas riam-se dele. Retirada a multidão, Jesus entrou, tomou a mão da menina e ela ergueu-se. A notícia espalhou-se logo por toda aquela terra. (Mt 9,18-26)

Comentário de São Clemente de Roma, papa de 90 a cerca de 100

Notemos, meus bem-amados, que o Senhor não cessa de nos mostrar a ressurreição futura de que nos deu as primícias ao ressuscitar de entre os mortos o Senhor Jesus Cristo. Observemos, bem-amados, as ressurreições que acontecem periodicamente. O dia e a noite fazem-nos ver uma ressurreição: a noite deita-se, levanta-se o dia; o dia desaparece, vem a noite. Reparemos nos frutos: como se fazem as sementeiras? O que acontece? Sai o semeador e lança à terra diversas sementes. Estas caem, secas e nuas, na terra e desagregam-se. Depois, a partir dessa mesma decomposição, a magnífica providência do Mestre fá-las reviver e dum só grão surgem imensos que, por sua vez, crescem e dão frutos. […] Acharemos, pois, estranho e extraordinário que o Criador do universo faça ressuscitar aqueles que O serviram fielmente e com a confiança duma fé perfeita? […]

Com essa esperança, que os nossos corações se apeguem então Àquele que é fiel às suas promessas e justo nos seus julgamentos. Ele, que nos proibiu de mentir (Ex 20,16), pela mesmíssima razão também não mente. Nada é impossível a Deus, excepto mentir (Jr 32,17; Lc 1,37; Heb 6,18). Reavivemos, pois, a nossa fé nele e entendamos que Ele tudo pode.

Com uma palavra da sua onipotência, Ele formou o universo e com uma palavra pode aniquilá-lo. […] Ele fará todas as coisas quando quiser e como quiser. Nada desaparecerá jamais daquilo que Ele tiver decidido. Tudo está presente diante dele e nada escapa à sua Providência.

Tadinho morreu… agora vai pro céu… Peraí quem garante isso?

funeral

A semana nem terminou e quando me dei conta estava eu contabilizando algumas mortes significativas durante este período sobretudo entre os dias de terça e quarta-feira. Morreram alguns famosos. Morreram milhares de anônimos. Morreram conhecidos meus e um leque de desconhecidos. Uma das pessoas falecidas foi a irmã de um grande amigo que não resistiu na mesa de cirurgia. Partiu. Que Deus a acolha e abençoe bem como a todos os outros falecidos.

Figuras ilustres como o presidente Venezuelano Hugo Chávez e cantor “Chorão” faleceram durante a semana, mortes inclusive amplamente comentadas nas mais diversas mídias sociais. Mas o que de fato me chamou a atenção e me motivou a escrever este texto, foi de ler muitas frases parecidas com a que citarei abaixo:

“Vá com Deus Chorão, nos encontraremos no céu” (um fã do facebook cujo o nome não me recordo).

A verdade por mais cruel que seja, é que ninguém pode garantir que o “Chorão”, o Chávez ou a irmã do meu amigo estão definitivamente no céu. Talvez você fique chocado, chateado e irritado comigo, mas a verdade é essa, ainda que seja dura. E também não podemos sequer dizer isto de nós mesmos (ninguém pode se garantir no céu ainda que seja o nosso desejo).

Veja, eu e você queremos o céu. Querer e desejar o céu é algo maravilhoso! Na verdade é uma coisa que muitas vezes nos move a mudar de vida e seguir mais a Jesus Cristo. Porém garantias ninguém tem. Temos apenas a possibilidade, que aceitando Jesus Cristo como seu Único Senhor e Salvador, contando com a graça de Deus e com a nossa luta pessoal (já São Tiago dizia que a fé sem obras é morta) podemos alcançar um dia este intento.

É certo que existem muitas pessoas que alcançaram o céu e que permanecem anônimas (graças a Deus). Outras fizeram esta busca de forma tão perfeita que chegaram a ser elevadas aos altares. Eu creio que se por graça Divina eu chegar lá, me espantarei ao encontrar pessoas que não esperava ver, bem como me decepcionarei com alguns que esperava encontrar e não encontrarei… Não sabemos a intimidade de cada pessoa, e não sabemos como Jesus irá julgar a cada um de nós, já que Ele disse que quanto mais Ele nos dá, mais nos cobrará.

Entenda que não é porque a pessoa está velhinha, sofrida, com dores aqui e acolá que ela tem a garantia do céu. Quanto mais velhos ficamos, mais pecados cometemos e mais devemos nos esforçar para repará-los: Idade avançada não leva ninguém para o céu.

Outro fato que precisa ser dismistificado: Não é porque amamos alguém que podemos dar certeza definitiva da sua ida para o céu, seja algum familiar, seja uma pessoa pública de reconhecida fama. O fato de alguém ser celebridade não lhe dá o direito de ter cadeira cativa no céu. E não é o nosso “pensamento positivo” que vai abrir as portas do céu para os nossos familiares. As coisas se resolvem de outro jeito.

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Antes de mais nada, a fé católica acredita que a morte não é o fim e que ainda que uma pessoa morra e não alcance o céu de forma direta, ela pode ir ao purgatório (para saber mais sobre o purgatório clique aqui), e uma vez lá, ela conta com as orações de quem está aqui, para terem seus pecados expiados. Por isso que nós rezamos o Santo Terço pelas almas do purgatório, por isso oferecemos a Santa Missa, os sacrifícios que fazemos…

Estou escrevendo este texto não apenas para desiludir àqueles que tem uma fé infantil, mas para fazer com que você, que ama alguém que partiu, possa continuar amando de forma efetiva: Rezando pela alma do seu ente querido para lhe dar a salvação.

Imagino que alegria deve ser para uma alma que padece no purgatório ser premiada com o céu. E penso também quão grata aquela alma será por você que rezou para ela fosse liberta de lá. É preciso formar os católicos na verdade, pois Jesus disse que a verdade liberta e leva o cristão a uma fé madura. Eu poderia escrever um texto água com açucar e falar mil abobrinhas para afagar seu coração. Mas eu não posso mentir para você e para ninguém. Como diz a célebre frase: Diga-me a verdade sempre. E nunca me console com mentiras!

Preciso dizer também (para finalizar) que se você está sofrendo pela perda de um ente querido, que eu me solidarizo com você e hoje rezarei por todas as almas que padecem no purgatório. Vamos rezar juntos?

Livro Maria Sempre Virgem e SantaVeja também o novo livro do Cadu (Administrador do Blog Dominus Dominus Vobiscum): Maria Sempre Virgem e Santa. Nele você vai encontrar ensinamentos seguros da doutrina da Igreja a respeito da Santíssima Virgem Maria, além das orações mais tradicionais da nossa Igreja à Virgem Mãe de Deus. Vendas apenas pela internet nos sites Clube de Autores e Agbook. Um livro para quem deseja ser mais íntimo de Nossa Senhora.

Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus!

Durante a Oração do Ângelus, na Solenidade de Todos os Santos, em 1º de novembro, o Santo Padre disse que nos Santos e Santas de Deus podemos ver o Amor vencer o egoísmo e a morte. Diante de dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Santo Padre enfatizou:

“Na festa de hoje pregustamos a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos, na que estamos seguros de alcançar Deus no outro e o outro em Deus”.

“Com esta fé nos enche a esperança de venerarmos todos os Santos, e nos preparamos para comemorar amanhã os fiéis defuntos. Nos santos vemos a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte: vemos que seguir a Cristo leva à vida, à vida eterna, e dá sentido à vida presente, a cada instante pois a enche de amor e de esperança”.

“Faz-nos refletir sobre o duplo horizonte da humanidade, que expressamos simbolicamente com as palavras ‘terra’ e ‘céu’: a terra representa o caminho histórico, o céu a eternidade, a plenitude da vida em Deus”.

O Pontífice assinalou que esta festa nos faz pensar na Igreja em sua dupla dimensão:

“a Igreja em caminho no tempo é aquela que celebra a festa sem fim, a Jerusalém celestial”. “Estas duas dimensões estão unidas pela realidade da ‘comunhão dos santos’: uma realidade que começa aqui sobre a terra e alcança seu cumprimento no Céu”.

“No mundo terrestre, a Igreja é o início deste mistério de comunhão que une a humanidade, um mistério totalmente centrado sobre Jesus Cristo: Ele introduziu no gênero humano esta dinâmica nova, um movimento que o conduz para Deus e ao mesmo tempo para a unidade, para a paz em sentido profundo”.

O Papa recordou que Jesus Cristo morreu para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos”, e esta sua obra continua na Igreja que é inseparavelmente ‘una’, ‘Santa’ e ‘católica’. Ser cristãos, formar parte da Igreja significa abrir-se a esta comunhão, como uma semente que se abre na terra, morrendo, e germina para o alto, para o céu”.

Bento XVI precisou também que “os Santos –aqueles que a Igreja proclama como tais, mas também todos os santos e as santas que só Deus conhece, e que também hoje celebramos– viveram intensamente esta dinâmica. Em cada um deles, de maneira pessoal, fez-se presente Cristo, graças a seu Espírito que age mediante a Palavra e os Sacramentos”.

“De fato, o estar unidos a Cristo, na Igreja, não anula a personalidade, mas, a transforma com a força do amor, e lhe confere, já aqui sobre a terra, uma dimensão eterna”.

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Evangelho do Dia:: Dar tudo porque Cristo tudo deu

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Jesus levantou os olhos e viu os ricos deitarem no cofre do tesouro as suas ofertas. Viu também uma viúva pobre deitar lá duas moedinhas e disse: Em verdade vos digo que esta viúva pobre deitou mais do que todos os outros; pois eles deitaram no tesouro do que lhes sobejava, enquanto ela, da sua indigência, deitou tudo o que tinha para viver. (Lc 21,1-4)

Comentário do Evangelho do dia feito por Beato Charles de Foucauld (1858-1916), eremita e missionário no Saara

Meu Senhor Jesus, quão depressa será pobre aquele que, amando-Vos de todo o coração, não puder suportar ser mais rico do que o seu Bem-Amado! Quão depressa será pobre aquele que, sabendo que tudo o que for feito a um destes pequeninos é a Vós que é feito e que tudo o que o não for também o não será a Vós (Mt 25,40.45), aliviar toda a miséria ao seu alcance! Quão depressa será pobre aquele que receber com fé as palavras que dizem: Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá o dinheiro aos pobres. Felizes os pobres. Todo aquele que tiver deixado os seus bens por causa do Meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna (Mt 19,21.29; 5,3; 19,29), e tantas outras como estas! Deus meu, não me parece que seja possível a todas estas almas, ao ver-Vos pobre, permanecerem ricas por vontade e assim se reverem maiores do que o seu Mestre, o seu Bem-Amado, ou, se depender delas, não quererem ser parecidas convosco em tudo, sobretudo nas Vossas humilhações […]. Seja como for, não consigo conceber o amor sem a necessidade imperiosa de tornar conformes, semelhantes e, acima de tudo, cor-respondidas, todas as dores, todas as penas, todas as asperezas da vida. Por mim, meu Deus, não me é possível ser rico e viver desafogadamente dos meus bens quando Vós fostes pobre e vivestes com dificuldades, tirando laboriosamente o sustento duma custosa profissão. Não sei amar assim.

Não convém que o servo seja maior do que o seu Senhor (Jo 13,16), nem que a esposa seja rica quando o Esposo é pobre […]. E é-me impossível compreender o amor sem esta procura de identificação […], sem esta necessidade de partilha de todas as cruzes.

  

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Cristo deu a Sua vida por nós; também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos: Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna. Se alguém me serve, que me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo. Se alguém me servir, o Pai há-de honrá-lo. (S. João 12,24-26)

Comentário do Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja

As proezas gloriosas dos mártires, que por todo o lado ornam a Igreja, permitem-nos compreender a verdade daquilo que foi cantado: É preciosa, aos olhos do Senhor, a morte dos Seus fiéis (Sl 115,15). Com efeito, ela é preciosa aos nossos olhos e aos olhos d’Aquele em nome de Quem eles morreram. Mas o preço de todas aquelas mortes é a morte de um só. Quantas mortes resgatou ao morrer sozinho porque, se não tivesse morrido, o grão de trigo não se teria multiplicado? Haveis ouvido o que Ele disse quando se aproximava a Sua Paixão, isto é, quando se aproximava a nossa redenção: Se o grão de trigo lançado à terra não morrer, fica ele só; mas se morrer dá muito fruto. Quando o Seu lado foi ferido pela lança, o que dele jorrou foi o preço do universo (cf Jo 19,34). Os fiéis e os mártires foram resgatados; mas a fé dos mártires deu provas e o seu sangue é disso testemunho. Cristo deu a Sua vida por nós; também nós devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos (1Jo 3,16). E noutro lado é dito ainda: Quando te sentas a uma mesa magnífica, repara bem no que te servem pois terás de preparar o mesmo (cf Pr 23,1). É uma mesa magnífica, aquela em que comemos com o Senhor do banquete. Ele é o anfitrião que convida, Ele próprio é o alimento e a bebida. Os mártires prestaram atenção ao que comiam e bebiam para poderem dar o mesmo. Mas como teriam eles podido dar o mesmo se Aquele que fez a primeira oferta não lhes tivesse dado o que eles dariam? É isso que nos recomenda o salmo de onde retirámos esta frase: É preciosa, aos olhos do Senhor, a morte dos Seus fiéis.

Nós deixamos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa?

Querida família Dominus Vobiscum, gostaria de pedir perdão por ter deixado de postar o Evangelho alguns dias, mas a correria do noivado me impossibilitou  de fazê-lo. Como é do conhecimento de todos, noivamos dia 02/07 e, além da cerimônia religiosa, que foi semana passada, esse final de semana “descemos” para o Guarujá, onde reside minha família, para comemorarmos com eles lá. Segue abaixo Evangelho de hoje com comentário do Santo Padre, o Papa Bento XVI:

Do Evangelho Quotidiano

Naquele tempo, Pedro disse a Jesus: Nós deixamos tudo e seguimos-te. Qual será a nossa recompensa? Jesus respondeu-lhes: Em verdade vos digo: No dia da regeneração de todas as coisas, quando o Filho do Homem se sentar no seu trono de glória, vós, que me seguistes, haveis de sentar-vos em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, filhos ou campos por causa do meu nome, receberá cem vezes mais e terá por herança a vida eterna. (S. Mateus 19,27-29)

Comentário do Evangelho do dia feito por Papa Bento XVI

Gostaria hoje de falar de São Bento, fundador do monaquismo ocidental, e também padroeiro do meu pontificado. Começo com uma palavra de São Gregório Magno, que escreve sobre São Bento: ‘O homem de Deus que brilhou nesta terra com tantos milagres não resplandeceu menos pela eloquência com que soube expor a sua doutrina’ (Dial. II, 36). O grande Papa escreveu estas palavras no ano de 592; o santo monge tinha falecido 50 anos antes e ainda estava vivo na memória do povo, sobretudo na florescente ordem religiosa por ele fundada. São Bento de Núrcia exerceu, com a sua vida e a sua obra, uma influência fundamental sobre o desenvolvimento da civilização e da cultura europeias. […]Entre os séculos V e VI, o mundo esteve envolvido numa tremenda crise de valores e de instituições, causada pela queda do Império Romano, pela invasão dos novos povos e pela decadência dos costumes. Com a apresentação de São Bento como ‘astro luminoso’, Gregório queria indicar, nesta situação atormentada, precisamente aqui nesta cidade de Roma, a saída da ‘noite escura da história’ (cf. João Paulo II, Insegnamenti, II/1, 1979, p. 1158). De fato, a obra do santo e, de modo particular, a sua Regra revelaram-se portadoras de um autêntico fermento espiritual, que mudou, no decorrer dos séculos, muito para além dos confins da sua pátria e do seu tempo, o rosto da Europa, suscitando depois da queda da unidade política criada pelo Império Romano uma nova unidade espiritual e cultural, a da fé cristã partilhada pelos povos do continente. Surgiu precisamente assim a realidade à qual nós chamamos ‘Europa’.

Quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e recompensa aqueles que O procuram

Do Evangelho Quotidiano

Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna. De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no Filho Unigénito de Deus.

Comentário do Evangelho do dia feito por Santo Atanásio (295-373), Bispo de Alexandria, Doutor da Igreja

Insensatos, que não cessais de revelar-vos indiscretos na procura da Trindade, sem vos contentardes em acreditar tão-só que Ela existe, tal como vos orienta o Apóstolo, que diz: quem se aproxima de Deus tem de acreditar que Ele existe e recompensa aqueles que O procuram (Heb 11,6). Que ninguém se ocupe de questões supérfluas, mas se contente em apreender o conteúdo das Escrituras, […] que dizem que o Pai é fonte — o Meu povo abandonou-Me, a Mim, nascente de águas vivas (Jr 2,13); Abandonaste a fonte da sabedoria! (Br 3,12) — e luz, segundo João: Deus é luz (1Jo 1,5). O Filho, com efeito, em relação a essa fonte, é rio, de acordo com o salmo: Enches, a transbordar, o rio caudaloso (Sl 65 /64,10), e em relação à luz é resplendor, quando Paulo diz que é resplendor da Sua glória e imagem fiel da Sua substância (Heb 1,3). Assim sendo, o Pai é luz, e o Filho o Seu resplendor. […] E é no Filho que somos iluminados pelo Espírito, como diz também Paulo: que o Pai vos dê o Espírito de sabedoria e vo-Lo revele, para o conhecerdes, e sejam iluminados os olhos do vosso coração (Ef 1,17-18). É, porém, Cristo quem nos ilumina n’Ele quando somos iluminados pelo Espírito, pois a Escritura diz: O Verbo era a Luz verdadeira que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina (Jo 1,9). Para além disso, sendo o Pai fonte e Cristo rio, é dito igualmente que bebemos do Espírito: e todos bebemos de um só Espírito (1Cor 12,13). Dessedentados, pois, pelo Espírito, é de Cristo que bebemos, porquanto bebemos de um rochedo espiritual que os seguia, e esse rochedo era Cristo (1Cor 10,4). Ora, sendo o Pai o único Deus sábio (Rm 16,27), o Filho é a Sua sabedoria, porque Cristo é poder e sabedoria de Deus (1 Cor 1,24). Por conseguinte, ao recebermos o Espírito de sabedoria, recebemos o Filho e adquirimos assim a Sua sabedoria. […] O Filho é a vida, pois Ele disse: Eu sou a Vida (Jo 14,6). Mas também se diz na Escritura que somos vivificados pelo Espírito quando Paulo nos diz que o Pai, que ressuscitou Cristo de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, por meio do Seu Espírito que habita em vós (Rm 8,11). Mas ao sermos vivificados pelo Espírito, é Cristo que Se faz vida em nós: Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim (Gl 2,20). Existindo, assim, no seio da Trindade uma tal correspondência e uma tal unidade, quem poderá separar o Filho do Pai, e o Espírito do Filho, ou do Pai? […] O Mistério de Deus não é concedido ao nosso ser com discursos eloquentes, mas pela fé e por preces respeitosas.

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As minhas ovelhas escutam a minha voz

Do Evangelho Quotidiano

Em Jerusalém celebrava-se, então, a festa da Dedicação do templo. Era Inverno. Jesus passeava pelo templo, debaixo do pórtico de Salomão. Rodearam-no, então, os judeus e começaram a perguntar-lhe: Até quando nos deixarás na incerteza? Se és o Messias, di-lo claramente. Jesus respondeu-lhes: Já vo-lo disse, mas não credes. As obras que Eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho a meu favor; mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. As minhas ovelhas escutam a minha voz: Eu conheço-as e elas seguem-me. Dou-lhes a vida eterna, e nem elas hão-de perecer jamais, nem ninguém as arrancará da minha mão. O que o meu Pai me deu vale mais que tudo e ninguém o pode arrancar da mão do Pai. Eu e o Pai somos Um. (S. João 10,22-30)

Comentário feito por Santo Agostinho, bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja

Sendo igual ao Pai, o Filho de Deus não recebeu o poder de julgar, mas tem-no em comum com o Pai. Recebeu-o de modo a que os bons e os maus O vejam julgar, porque Ele é o Filho do Homem. O Filho do Homem será dado a ver também aos perversos, mas a visão da Sua divindade será dada apenas aos puros de coração, porque estes verão a Deus (Mt 5,8). O que é a vida eterna, se não esta visão, que será negada aos ímpios? Esta é a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem Tu enviaste (Jo 17,3). Como conhecerão o próprio Jesus Cristo, senão como único Deus verdadeiro, Ele que Se revelará a todos? Ele apresentar-Se-á cheio de bondade à vista dos corações puros. Como Deus é bom para Israel, para os que têm coração puro! (Sl 72,1). Só Deus é bom. Eis a razão porque alguém que chamou ao Senhor bom mestre, pedindo-Lhe conselho para chegar à vida eterna, suscitou esta resposta: Por que Me interrogas sobre o que é bom? Ninguém é bom senão um só: Deus (Mc 10,17-18). É que este homem que O interrogou não suspeitava a Quem se dirigia e tomou-O simplesmente por um filho de homem. […] Este aspecto de que Me revisto é o aspecto do Filho do Homem, aquele que foi assumido, aquele que aparecerá aquando do juízo final, tanto aos ímpios como aos justos. […] Mas há uma visão da Minha condição divina; quando a tive, não prevaleci do fato de tal condição Me tornar igual a Deus, antes Me aniquilei a Mim mesmo para assumir a outra condição (Fil 2,6-7). Por conseguinte Ele, o Deus único, Pai, Filho, Espírito Santo, aparecerá apenas para alegria permanente dos justos.

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